15. Sienna Miller (G.I. Joe – A Origem de Cobra)

Tentação perigosa

Sienna vem aparecendo em um filme aqui , outro ali, principalmente depois daquela notícia de que Jude Law a traiu com a babá. Sinceramente… Bem, curiosamente, seus filmes não têm passado no nosso brioso circuitinho – só mesmo Stardust e Nem Tudo É o que Parece. Em 2009, ela apareceu nessa malha de borracha supercolante a bordo de G.I. Joe – A Origem de Cobra, adaptação da série animada Comando em Ação, como a querida vilã Baronesa – com carinha má, mas também com um coração. Na maior parte do tempo, o filme não faz o menor sentido, mas Sienna vence sua guerrinha particular com Rachel Nichols, a outra beldade do filme (pelo lado do, ahn, “bem”).

Para ver também: Emma Watson

16. Emma Watson (Harry Potter e o Enigma do Principe)

Crescendo com juízo

É bom ver que Emma Watson está crecendo com, a princípio, a cabeça no lugar. tem feito uns editoriais de moda, mas não tem se envolvido em escândalos, presa por porte de drogas e excesso de velocidade, apanhada em fotos vulgares na internet e todas essas confusões em que estrelinhas do Disney Channel vivem se metendo. Emma se preocupa com os estudos e parece confortável na pele de Hermione Granger sem grandes necessidades, ainda, de mudar sua imagem. Por enquanto, nada a reclamar – até porque a CDF da Hermione é uma gracinha.

Musa anterior: Rachel McAdams

17. Rachel McAdams (Te Amarei para Sempre e Intrigas de Estado)

Em "Te Amarei para Sempre", o centro das viagens no tempo

Uma das atrizes mais interessantes dos últimos anos, Rachel tevem dois bons filmes passando nas telas de João Pessoa em 2009. Em um, foi a muito justificável razão do amor de um viajante do tempo, sempre no centro de suas idas e vindas ao passado e ao futuro. No outro, a blogueira que enerva o veterano jornalista vivido por Russell Crowe – mas depois vira valiosa parceira de investigação. Nem há romance neste, mas ela segue uma beleza de garota.

Musa anterior: Gwyneth Paltrow

18. Gwyneth Paltrow (Amantes)

Gwyneth inspirando proteção

Gwyneth é a vizinha, o alvo da paixão do atormentado personagem de Joaquin Phoenix em Amantes. Ele próprio tem uma namorada menos exuberante, mas menos complicada, de muitas maneiras parecendo mais adequada e sinceramente apaixonada por ele. Mas ele não resiste à complicada vizinha, quando aparece loira, linda e sempre precisando de uma ajuda. Gwyneth de novo usa de seu lado “eu preciso que você cuide de mim”, seu forte, para levar homens a situações nas quais eles não se aventurariam de cabeça fria. Esse sentimento que ela inspira – e que já a ajudou a ganhar um Oscar – segue uma tradição onde Audrey Hepburn e Judy Garland verdadeiramente fizeram história.

Musa anterior: Radha Mitchell

19. Radha Mitchell (Jogo entre Ladrões)

O melhor de um filme esquecível

O filme é bastante esquecível, mas Radha Mitchell mantém os nossos olhos abertos nas cenas em que aparece. Ela usa roupas com pouco pano, dança de maneira sensual e tem uma cena tórrida de sexo com Antonio Banderas – é isso, ela nos faz tolerar até o Banderas. Sua personagem, uma russa, não é lá muito convincente, mas em um filme que consegue a proeza de tornar até o Morgan Freeman pouco convincente, isso não é um demérito.

Musa anterior: Jennifer Connelly

½

A vida suspensa

Clooney ensina Anna a arrumar uma mala: guia de sobrevivência para viver nos ares

Em momento-chave de Amor sem Escalas (Up in the Air, Estados Unidos, 2009), Ryan Bingham, personagem de George Clooney, está sentado em sua poltrona no avião quando é perguntado de onde ele é. “Daqui”, responde ele. É a súmula do personagem: um homem que gosta de viver sem amarras – na verdade, se orgulha tanto disso que até dá palestras sobre como deixar de lado a bagagem desnecessária (casa, família, relacionamentos) para viver a vida em trânsito. Nas mãos de um dos melhores contadores de histórias da nova geração de cineastas, Jason Reitman, isso é só o ponto de partida.

Bingham possui um trabalho peculiar, que permite a ele viajar quase todo o tempo pelos Estados Unidos: demitir funcionarios de empresas nas quais os gerentes não têm coragem de fazê-lo. Na atual conjuntura, de crise, ele trabalha sem parar: vive de aeroporto em aeroporto cruzando o país.

Para ele, é a vida perfeita. Os relacionamentos são casuais e, da família, ele prefere mantes distância. De tanto viajar, vira cliente VIP e é bem tratado pela companhia aérea, pela empresa de aluguel de carros, etc. Ele trem seu guia de sobrevivência, do que levar ou não levar, que filas pegar, sua rotina de cartões em leitoras não falha, tudo é descomplicado. É assim também que ele vê seu trabalho: ele tem método, não se deixa envolver nos dramas de que está sendo o estopim.

Ele tem não só um método, mas uma filosofia de trabalho. E colocar alguém simpático como George Clooney nesse papel é fundamental para que o público não encare Bingham como um monstro sem coração. Em outro momento, ele diz que não está sozinho, mas sempre cercado de gente. Um comentário inteligente sobre esses tempos de redes sociais e programas de bate-papo onde você está sempre conectado a uma multidão, mas, na verdade, quase sempre está só (mesmo que gostando).

O filme começa mesmo quando ele precisa fazer seu trabalho com uma jovem colega, Natalie (Anna Kendrick), que desenvolveu um sistema de videoconferência para a função que pode manter Bingham no chão. Ele quer provar que seu método é o mais adequado e, para isso, ela deve acompanhá-lo no que, talvez, seja a última viagem.

Nesse ponto, suas convicções começam a ser bombardeadas. Natalie, muito profissional na base da empresa, é jovem: ele começa a ver nela o real peso do que faz. Ela também é alguém que acredita nos relacionamentos e a postura de Bingham a incomoda: a tensão profissional vai virando uma tensão comportamental entre o veterano e a aprendiz.

Ao mesmo tempo, o envolvimento casual com Alex (Vera Farmiga), a “versão feminina” de Bingham, começa a ficar mais importante. Será que, com ela, tão fascinante e parecida com ele, Bingham poderia considerar a possibilidade de criar raízes?

Embora ele tente escapar, a família também o procura: há um casamento e sua irmã pede para que leve um poster dos noivos para tirar fotos em vários lugares: ou seja, Bingham agora tem que levar a família na mochila, mesmo que faça palestras contra isso.

Reitman conta muito das situações pelos detalhes e se preocupa com que o visual comunique com alguma bossa, mas sem parecer afetado demais. É o caso da simetria de gestos de Alex e Ryan em seus notebooks. Ou como o mundo organizadinho e confortável de Bingham é mostrado através de uma sinfonia de gestos e sons (mochila sendo arrumada, cartões sendo passados, e até a maneira mais eficiente de passar pelas esteiras de bagagem). Onde o desmontar dessa rotina levará o personagem?

Há diversas grande cenas, construídas sobre um diálogo brilhante e conduzidas por um elenco preciso. É o caso daquela em que Natalie chora suas mágoas, diz o que espera de um homem (muita coisa) e Alex, mais velha, mostra que as expectativas na vida podem ser bem mais simples – e, ainda assim, mais complicado do que quer Bingham.

Reitman aposta, como em seus dois filmes anteriores, na inclusão de canções que comentam bastante sobre o filme, mas não são óbvias e é um dos poucos diretores que gosta de aberturas bem sacadas em seus filmes – nesses tempos apressadinhos, quase todo mundo tem colocado apenas o título no começo dos filmes e empurrado todos os créditos para o final. Aqui, o filme apresenta uma montagem com cenas áreas, uma metáfora que casa bem com o título original e fala não só da condição do personagem estar sempre voando, mas também de seu estado autoimposto de “suspensão” das relações humanas. Por isso, o título nacional erra a mão, porque o filme trata bem mais do que de amor.

E uma das grandes sacadas do filme é, sem ser sobre isso, fazer um comentário bastante eloqüente sobre a crise nos Estados Unidos. Reitman, que escreveu o roteiro junto com Sheldon Turner, com base em romance de Walter Kim, optou por usar, nas cenas de demissões, pessoas que realmente haviam sido demitidas para se misturar aos atores e improvisar suas reações.

Reitman colocou uma notícia em jornais convocando recém-demitidos para um documentário (foi dito assim, para evitar que atores aparecessem) e orientou os selecionados para repetir suas reações no momento da demissão ou dizer o que gostariam de ter dito na ocasião. Assim, vivenciamos de verdade aquilo com que Bingham lida tão profissionalmente. “Que tipo de homem é você”, um dos demitidos pergunta. No final, nem o próprio Ryan Bingham sabe direito – e essa é a beleza do filme.

Amor sem Escalas. (Up in the Air). Estados Unidos, 2009. Direção: Jason Reitman. Elenco: George Clooney, Anna Kendrick, Vera Farmiga, Jason Bateman, Amy Morton, Melanie Lynskey, J.K. Simmons, Sam Elliott, Zach Galifianakis. Em cartaz nos cinemas.

20. Jennifer Connelly (Ele Não Está Tão a Fim de Você; O Dia em que a Terra Parou)

Com ela, "O Dia em que a Terra Parou" não é tão perda de tempo

Jennifer Connelly tem espaço cativo nesta lista. Este ano, ela aparevceu nas telas locais em uma boa comédia romântica, no papel inacreditável de uma mulher traída pelo marido (tudo bem, ela a traiu com Scarlett Johansson, mas mesmo assim!) e na absolutamente desneecssária refilmagem de O Dia em que a Terra Parou. Mas suas aparições nesses filmes os melhoram – no primeiro caso – ou evitam que se tornem completas perdas de tempo – no segundo).

½

As complicações do amor

O rosto enigmático de Léa remete à Nouvelle Vague

O cartaz já nos adianta o rosto enigmático da protagonista em A Bela Junie (La Belle Personne, França, 2008), personagem que vai ser o epicentro de conflitos amorosos assim que começa sua jornada em uma nova escola. Em torno dela, jovens e adultos amam, sofrem, brigam, chantageiam – mas o que ela quer, mesmo, nunca fica muito claro.

O olhar meio de tédio da atriz Léa Seydoux a aproxima de musas da Nouvelle Vague (Anna Karina, principalmente) e o tom da direção e roteiro de Christophe Honoré também remetem ao movimento, e mais especificamente a Truffaut: o amor como tema central, motivando todas as ações, um aspecto cotidiano e um olhar carinhoso para a juventude.

A chegada repentina de Junie à nova escola parece que é o detonador de todas as impulsividades amorosas que não existiam ou estavam escondidas. Ela é alvo do interesse de um colega tímido, mas também de um professor – que, por sua vez, é amado por um colega e outra aluna. O primo de Junie se relaciona com duas meninas, mas há mais alguém em segredo. E por aí vai.

O amor está sempre presente como um animal estranho, temeroso e que deve ser decifrado. É um aspecto presente também  em dois filmes anteriores de Honoré: Em Paris (2006) e Canções de Amor (2007). Em A Bela Junie, a narrativa é marcada pela simplicidade que ressalta o cotidiano, apenas em alguns momentos buscando planos mais rebuscados: como abrir o filme com a abertura dos portões da escola, e seu fechamento perto do fim ou uma cena quase musical estranha que antecede uma morte.

Honoré e Gilles Taurand fazem uma adaptação livre de uma obra de Madame de La Fayette, do século 17, amores jovens e arrebatadores não são novidade, mas são sempre atuais.

A Bela Junie. (La Belle Personne). França, 2008. Direção: Christophe Honoré. Elenco: Léa Seydoux, Louis Garrel, Esteban Carvajal-Alegría, Grégoire Leprince-Ringuet, Simon Truxillo, Agathe Bonitzer.

Anne Hathaway e o presidente da Academia, Tom Sherak, anunciando os concrrentes

Para quem ainda não via que Avatar vinha perdendo terreno na corrida pelo Oscar, outro sinal: o maior número de indicações recebido pelo filme de James Cameron não deve ter vindo acompanhado de vibração, mas, sim, de um frio na espinha. Isso porque o independente Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow, ex-mulher de Cameron, chegou às mesmíssimas nove indicações e bate de frente com Avatar em sete delas.

Mais que isso: as duas indicações que os diferenciam são as de direção de arte e efeitos visuais, para Avatar, e ator e roteiro original, para Guerra ao Terror. Que sinal, não?

Avatar não concorrer a melhor roteiro deixa uma coisa bem clara: quem entende do assunto, os roteiristas, não entraram na do Cameron e viram que o filme não é isso tudo. É o departamento deles que vota para escolher os indicados.

Mas, agora, todos os acadêmicos votarão em todas as categorias, independente de setor, e Avatar pode se valer do encantamento sem reflexão – espelhando sua enorme bilheteria mundial – para ter muitos votos. Assim, tem muita chance ainda, claro, e talvez seja até o favorito. Mas, se for feita justiça (com quem o Oscar não tem o menor comprometimento, diga-se), Avatar vai levar os técnicos de praxe e deixar os mais importantes para filmes melhores.

Os dois filmes têm a companhia de mais oito filmes na categoria principal: é a primeira vez desde 1944 que a lista de indicados a melhor filme tem dez concorrentes. Com isso, muitas produções que dificilmente estariam na lista acabaram entrando: é o caso de Up – Altas Aventuras, que se tornou o segundo longa de animação a concorrer como melhor filme (o único até então havia sido A Bela e a Fera, em 1992).

Bastardos Inglórios alcançou oito indicações, com duas pessoais para Quentin Tarantino: direção e roteiro original - um reconhecimento esperado. Terá chances? Talvez em roteiro, mas, se ganhar ali, pode indicar que Guerra ao Terror não alcança os principais. Mas o prêmio mais cantado do ano é dele: Christophe Waltz, ator coadjuvante.

Amor sem Escalas conseguiu indicações a filme, direção, ator (George Clooney), roteiro adaptado e atriz coadjuvante (com Vera Farmiga e Anna Kendrick), mas não parece estar tão forte como semanas antes. A indicação de Um Sonho Possível mostrou mais ainda a força de Sandra Bullock na disputa por melhor atriz. Preciosa estar lá também fortalece suas duas atrizes indicadas (e a coadjuvante Mo’Nique é favorita em sua categoria).

Vale lembrar que, mesmo com poucas chances, Meryl Streep chegou à sua indicação de número 16 ao Oscar – 13 só ao prêmio de atriz principal, superando a marca de Katharine Hepburn, com 12. É, agora, a atriz mais indicada na categoria em toda a história.

Os irmãos Coen cravaram a comédia A Serious Man entre os indicados a melhor filme, mas é figuração, tal como Distrito 9 e o elogiado Educação.
E as ausências? Nine só conseguiu, de destaque, um indicação como coadjuvante para Penélope Cruz. Lunar foi solenemente ignorado, assim como Anticristo, que poderia muito bem ter tido Charlotte Gainsbourg indicada como atriz. 500 Dias com Ela também foi esquecido na categoria de roteiro, onde era esperado. Invictus, só melhor ator e coadjuvante. Deixa Ela Entrar, muito comentado no ano passado, ficou de fora. O ótimo Intrigas de Estado podia ter rendido indicação para roteiro, mas também não foi lembrado.

Veja a seguir a lista completa com todos os indicados.

Filme – Avatar, de James Cameron (9 indicações); Um  Sonho Possível, de John Lee Hancock (2 indicações); Distrito 9, de Neill Blomkamp (4 indicações); Educação, de Lone Scherfig (3 indicações); Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow (9 indicações); Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino (8 indicações); Preciosa, de Lee Daniels; Um Homem Sério, de Ethan e Joel Coen (2 indicações); Amor sem Escalas, de Jason Reitman (6 indicações); e Up – Altas Aventuras, de Pete Docter (5 indicações).

Direção – Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror); James Cameron (Avatar); Jason Reitman (Amor sem Escalas); Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios); e Lee Daniels (Preciosa).

Ator – Jeff Bridges (Coração Louco); Morgan Freeman (Invictus); Jeremy Renner (Guerra ao Terror); George Clooney (Amor sem Escalas); e Colin Firth (Direito de Amar).

Atriz – Sandra Bullock (Um Sonho Possível); Meryl Streep (Julie & Julia); Carey Mulligan (Educação); Helen Mirren (The Last Station); e Gaboury Sidibe (Preciosa).

Ator coadjuvante – Christoph Waltz (Bastardos Inglórios); Woody Harrelson (O Mensageiro); Matt Damon (Invictus); Stanley Tucci (Um Olhar do Paraíso); e Christopher Plummer (The Last Station).

Atriz coadjuvante – Mo’Nique (Preciosa); Anna Kendrick (Amor sem Escalas); Vera Farmiga (Amor sem Escalas); Maggie Gyllenhaal (Direito de Amar); e Penelope Cruz (Nine).

Roteiro original – Bastardos Inglórios, por Quentin Tarantino; Guerra ao Terror, por Mark Boal; Um Homem Sério, por Joel Coen e Ethan Coen; O Mensageiro, por Alessandro Camon e Oren Moveman; e Up – Altas Aventuras, por Bob Peterson e Pete Docter.

Roteiro adaptado – Amor Sem Escalas, por Jason Reitman e Sheldon Turner; Distrito 9, por Neill Blomkamp; Educação, por Nick Hornby; Preciosa, por Geoffrey Fletcher; e In the Loop, por Jesse Armstrong, Samon Blackwell, Armando Iannucci e Tony Roche.

Filme de animação – Coraline e o Mundo Secreto, de Henry Selick; O Fantástico Sr. Raposo, de Wes Anderson; A Princesa e o Sapo, de John Musker e Ron Clements; The Secret of Kells, de Tomm Moore; e Up – Altas Aventuras, de Pete Docter.

Filme de língua não inglesa – Ajami, de Scandar Copti e Yaron Shani (Israel); El Secreto de Sus Ojos , de Juan José Campanella (Argentina); A Teta Assustada, de Claudia Llosa (Peru); Un Prophète, de Jacques Audiard (França); e A Fita Branca, de Michael Haneke (Alemanha).

Documentário – Burma VJ: Reporter i et Lukket Land, de Anders Østergaard; The Cove, de Louie Psihoyos; Food, Inc., de Robert Kenner; The Most Dangerous Man in America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers, de Judith Ehrlich, Rick Goldsmith; e Which Way Home, de Rebecca Cammisa.

Fotografia – Avatar, por Mauro Fiore; Harry Potter e o Enigma do Príncipe, por Bruno Delbonnel; Guerra ao Terror, por Barry Ackroyd; Bastardos Inglórios, por Robert Richardson; e A Fita Branca, por Christian Berger.

Montagem – Avatar, por Stephen E. Rivkin, John Refoua, James Cameron; Distrito 9, por Julian Clarke; Guerra ao Terror, por Bob Murawski, Chris Innis; Bastardos Inglórios, por Sally Menke; e Preciosa, por Joe Klotz.

Trilha sonora original – Avatar, por James Horner; O Fantástico Sr. Raposo, por Alexandre Desplat; Guerra ao Terror, por Marco Beltrami, Buck Sanders; Sherlock Holmes, por Hans Zimmer; e Up – Altas Aventuras, por Michael Giacchino.

Canção original – ”The weary kind”, de T-Bone Burnett, Ryan Bingham (Coração Louco); ”Loin de Paname”, de Reinhardt Wagner, Frank Thomas (Faubourg 36); ”Take it all”, de Maury Yeston (Nine); ”Down in New Orleans”, de Randy Newman (A Princesa e o Sapo); “Almost There”, de Randy Newman (A Princesa e o Sapo).

Direção de arte – Avatar, por Rick Carter, Robert Stromberg e Kim Sinclair; O Mundo Imáginário do Dr. Parnassus, por Dave Warren, Anastasia Masaro e Caroline Smith; Nine, por John Myhre e Gordon Sim; Sherlock Holmes, por Sarah Greenwood e Katie Spencer; e The Young Victoria, por Patrice Vermette e Maggie Gray.

Figurino – Bright Star, por Janet Patterson; Coco Antes de Chanel, por Catherine Leterrier; O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, por Monique Prudhomme; Nine, por Colleen Atwood; e The Young Victoria, por Sandy Powell.

Maquiagem – Il Divo, por Aldo Signoretti, Vittorio Sodano; Star Trek, por Barney Burman, Mindy Hall, Joel Harlow; e The Young Victoria, por John Henry Gordon, Jenny Shircore.

Efeitos visuais – Avatar, por Joe Letteri, Stephen Rosenbaum, Richard Baneham, Andy Jones; Distrito 9, por Dan Kaufman, Peter Muyzers, Robert Habros, Matt Aitken; e Star Trek, por Roger Guyett, Russell Earl, Paul Kavanagh, Burt Dalton.

Mixagem de som – Avatar, por Christopher Boyes, Gary Summers, Andy Nelson, Tony Johnson; Guerra ao Terror, por Paul N.J. Ottosson, Ray Beckett; Bastardos Inglórios, por Michael Minkler, Tony Lamberti, Mark Ulano; Star Trek, por Anna Behlmer, Andy Nelson, Peter J. Devlin; Transformers – A Vingança dos Derrotados, por Greg P. Russell, Gary Summers, Geoffrey Patterson.

Edição de som – Avatar, por Christopher Boyes, Gwendolyn Yates Whittle; Guerra ao Terror, por Paul N.J. Ottosson; Bastardos Inglórios, por Wylie Stateman; Star Trek, por Mark P. Stoeckinger, Alan Rankin; e Up – Altas Aventuras, por Michael Silvers, Tom Myers.

Curta-metragem – The Door,de Juanita Wilson, James Flynn; Istället för Abrakadabra, de Patrik Eklund, Mathias Fjällström; Kavi, de Gregg Helvey; Miracle Fish, de  Luke Doolan, Drew Bailey; e The New Tenants, de Joachim Back, Tivi Magnusson.

Curta-metragem de animação – French Roast, de Fabrice Joubert; Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty, de Nicky Phelan, Darragh O’Connell; La Dama y la Muerte, de  Javier Recio Gracia; Logorama, de Nicolas Schmerkin; A Matter of Loaf and Death, de Nick Park.

Documentário em curta-metragem – China’s Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province, de Jon Alpert e Matthew O’Neill; The Last Campaign of Governor Booth Gardner, de Daniel Junge e Henry Ansbacher; The Last Truck: Closing of a GM Plant, de Steven Bognar e Julia Reichert; Music by Prudence, de Roger Ross Williams e Elinor Burkett; e Rabbit à la Berlin, de Bartek Konopka e Anna Wyd.

Kathryn Bigelow, vencendo no DGA

Kathryn Bigelow, ex-mulher de James Cameron, faturou o Directors Guild of America, o prêmio do sindicato dos diretores, e se colocou forte na briga pelo Oscar da categoria, por Guerra ao Terror. A coisa parecia certa para Avatar depois dos Globos de Ouro, mas os prêmios dos sindicatos – formados por muita gente que efetivamente vota no Oscar – tem equilibrado de novo o jogo.

Guerra ao Terror ganhou também o Producers Guild Awards. Com o que Avatar conta, a esta altura do campeonato? Bom, com todos os outros acadêmicos.

O que acontece é que na hora de votar para definir as indicações, cada setor vota em seu próprio setor (atores em atores, diretores em diretores, etc). Assim, muito provável que os indicados dos respectivos sindicatos estejam na lista do Oscar. Mas no segundo turno, para definir os prêmios, é diferente: todos votam em todos.

E aí o sucesso de bilheteria de Avatar pode se refletir. Não porque a Academia “vai premiar o filme que dá mais dinheiro”, nada dessa besteira. Acontece que quem vota também é público e é de esperar que o filme de Cameron tenha encantado muita gente dentro da Academia, como encantou fora. Os indicados saem amanhã e aí entramos no mês decisivo.

Outro ponto de destaque do DGA: Kathryn Bigelow é a primeira mulher a ganhar o prêmio em seus 62 anos de existência. E nesse tempo todo apenas em seis anos o vencedor do Oscar não foi o mesmo do DGA – a última em 2002. Se ganhar o Oscar, também será a primeira vitoriosa da categoria.

Um cachorrinho gente boa

A primeira aparição do Bugu: o Bidu tem seu próprio universo de histórias

Dentro do universo de Maurício de Sousa, o Bidu ocupa um lugar especial. Não só por ser o primeiro personagem criado pelo autor, início e símbolo de uma trajetória única e vitoriosa na HQ nacional, mas também por ser o único entre eles que assume vários papeis. E todos eles estão bem representados em Bidu 50 Anos (Panini Books, 162 páginas), uma das edições que comemoram o cinquentenário de carreira de Maurício.

Bidu pode ser apenas o cãozinho de estimação do Franjinha, e foi assim que começou, em 1959, nas tiras de jornal. Com o tempo, ganhou personalidade para interagir com outros animais da vizinhança. Depois, surpreendentemente passou a fazer trocadilhos com objetos inanimados – dos quais a mais famosa é a Dona Pedra. Astro que é de suas próprias HQs, passou a ser importunado pelo bicão Bugu e a se comportar até com certo estrelismo frente ao pobre contrarregra Manfredo. Como “ator”, até grandes épicos em suas historinhas ele interpretou.

A versatilidade do cachorrinho azul é tanta que a edição quase não consegue dar conta, mas dá. Começando por preciosas histórias que saíram na antiga revista Bidu, que Maurício publicou pela Editora Continental em 1961. A primeira edição dessa revista é republicada em um fac-símile que acompanha Bidu 50 Anos – sem dúvida, um marco histórico dos quadrinhos nacionais, que antes estava absolutamente fora do alcance do leitor comum.

Edição tem capa dura e "relê" a capa do primeiro número de "Bidu"

Dessas primeiras histórias em preto e branco, o livro avança até… o preto e branco. Se começa com o Bidu “primitivo”, a edição termina com uma história inédita na estética “semimangá” da Turma da Mônica Jovem. No meio, o azul do Bidu predomina em tramas onde o bom humor dá o tom, sempre.

Várias delas são clássicas, como “A volta do velho Rinti”, já dos anos 1980. Já “‘Olha eu’ aqui, gente!” mostra a primeira aparição do Bugu – ainda andando em quatro patas e – incrível! – sem ser chutado no final. “O valentão”, dos anos 1970, cria até uma “origem” para o Bidu, e dramática: um originário de família rica, desprezado pelos irmãos.

Em capa dura e edição impecável, Bidu 50 Anos é uma homenagem justíssima a um personagem que está no rol dos grandes cachorros dos quadrinhos. Gente muito boa.

Um jovem I Love Lucy

Redford e Jane, ambos em ascensão e no auge da beleza

Quase não se faz mais filmes de Neil Simon. Ou se faz? O IMDb mostra, surpreendentemente, que o horrível Antes Só do que Mal Casado (2007) é uma adaptação de uma peça do dramaturgo nascido no Bronx, escrita em 1972. Mas, antes disso, o último havia sido o pouco memorável Perdidos em Nova York (1999), com Steve Martin e Goldie Hawn, outra adaptação de um texto antigo. Hollywood, pelo jeito, desaprendeu a saborear o texto de Simon, mas soube fazê-lo muito bem nos anos 1970 e mesmo no final dos 1960, como mostra o ótimo Descalços no Parque (Barefoot in the Park 1967).

A comédia romântica, dirigida pelo então estreante Gene Saks (que depois dirigiria Um Estranho Casal, 1968, também de uma peça de Simon), mostra um jovem casal que acaba de se casar. Depois de seis dias de amor em um quarto de hotel, chega a hora da realidade: a mudança para o novo apartamento, no quinto andar de um prédio sem elevador, onde a calefação não funciona em pleno inverno e até o teto tem um buraco.

Logo de cara, se percebe a principal característica de cada um deles. Ela, Corie, é uma brincalhona irrefreável. Ele, Paul, é um advogado que é certinho demais. Além disso, ela é interpretada por um esfuziante Jane Fonda, aos 29 anos, e ele por um Robert Redford aos 31. Ambos no auge da beleza e em plena afirmação artística.

Redford havia interpretado no palco o texto de Neil Simon (que também escreveu o roteiro do filme). Jane não, mas os dois astros já haviam estrelado Caçada Humana, em 1965. Tudo colaborou para a química perfeita entre eles, que, junto com os diálogos afiados de Neil Simon, rende comédia de primeiro nível. Em certo momento, parece que estamos vendo um ótimo episódio da juventude de I Love Lucy.

Com Redford e Jane estão também Midred Natwick (que foi indicada ao Oscar de atriz coadjuvante e também interpretou o texto na Broadway) e o surpreendente Charles Boyer. Nos anos 1930 e 1940, ele era um dos galãs exóticos dos filmes de Hollywood. Aqui, ele é um velho boêmio e galanteador que mora no andar de cima, com algumas esquisitices.

O filme não esconde sua cara teatral, passando-se quase todo dentro do apartamento, mas tira bom proveito dessa “claustrofobia” fazendo dos poucos e apertados cômodos mais motivos para o humor. A única saída mesmo fica para perto do fim, no Central Park. Outro dado é que as emoções mudam de maneira repentina, o que também é totalmente plausível, tendo em vista o comportamento amalucado de Corie.

Muito leve, em um ano onde o cinema americano vinha tratando de temas cada vez mais pesados (No Calor da Noite) e de maneira cada vez mais ousada ousada (Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas), Descalços no Parque deve ter sido um sopro de alegria no meio daquele turbilhão.

Aliás, belo título, felizmente bem traduzido no Brasil.

Descalços no Parque. (Barefoot in the Park, Estados Unidos, 1967). Direção: Gene Saks. Elenco: Jane Fonda, Robert Redford, Mildred Natwick, Charles Boyer. Disponível em DVD no Brasil.

"Narciso Negro", 1947

"Hamlet", 1948

"Desirée, o Amor de Napoleão", 1954

"Da Terra Nascem os Homens", 1958

"Spartacus", 1960

"Tempo para Amar, Tempo para Esquecer", 1969

A britânica Jean Simmons não era daqueles símbolos sexuais matadores, mas tinha um dos rostos mais bonitos do cinema clássico. Era estudante de dança aos 14 anos, quando começou a fazer filmes na Inglaterra. Logo estava em produções importantes do país na época, como César e Cleópatra (1945) e Grandes Esperanças (1946), de David Lean. A ascensão prosseguiu com Narciso Negro (1947), de Michael Powell e Emeric Pressburger, e, finalmente, como a Ofélia do Hamlet de Laurence Olivier (1948). Depois veio a carreira em Hollywood, onde cantou no musical Eles e Elas (1955), com Marlon Brando e Frank Sinatra – seu primeiro Globo de Ouro (f0i indicada mais cinco vezes e ganhou um especial por sua versatilidade). Ela participou de vários clássicos e fez filmes com o marido, o diretor Richard Brooks. Um deles foi Tempo para Amar, Tempo para Esquecer (1969), que deu a segunda indicação ao Oscar (a primeira havia sido como coadjuvante, em Hamlet). Sua figura encantadora marcou Hollywood como uma quase Audrey Hepburn: ela até foi a primeira escolha de William Wyler para a princesa Ann, de A Princesa e o Plebeu (1953), mas Howard Hughes, que a tinha sob contrato não a liberou para a Paramount.

Londres (Reino Unido), 31 de janeiro de 1929 – Santa Monica (EUA), 22 de janeiro de 2010

Eu coleciono DVDs. Gostaria muito de ter na minha coleção Os Simpsons – O Filme. E Ensaio sobre a Cegueira. Mas não os tenho. E por quê? Porque a Fox, distribuidora dos dois filmes, inventou de lançá-los apenas em caixinhas fininhas que eles chamam de slim e eu chamo de “quase pirata”. Não comprei, claro, e não comprarei.

Como eu, muitos colecionadores internet afora não gastam seu suado dinheirinho em produtos de tão baixa qualidade. Resultado: a campanha “Me respeite, Fox”, a qual este blog apóia totalmente.

Há muitos outros motivos para que ela exista – séries descontinuadas (minha Ally McBeal, por exemplo, parou na terceira temporada e tive que recorrer à internet), inacreditáveis filmes lançados em envelopes de papelão e até mentiras no relançamento de produtos como “edição definitiva” e que se trata da mesmíssima edição já lançada anteriormente.

Veja os detalhes de tudo isso nesse post do Blog do Jotacê e se você é um consumidor minimamentew consciente faça também seu protesto contra a Fox. Inclusive enviando um e-mail para o vice-presidente de marketing da companhia nos Estados Unidos (o modelo e o endereço estão lá, no Jotacê).

Sandra, no SAG: mais um passo para o Oscar!

Saíram ontem à noite os premiados do Screen Actors Guild Awards, os SAGs – ou seja, o prêmio do sindicato dos atores. O principal prêmio, aqui, não existe como categoria no Oscar: é o de melhor elenco, e quem levou foi Bastardos Inglórios.

Já nas demais referentes a cinema, os SAGs fizeram côro com o Globo de Ouro. O melhor ator foi Jeff Bridges, por Coração Louco, a melhor atriz foi Sandra Bullock, por The Blind Side, o melhor ator coadjuvante foi Christoph Waltz, por Bastardos Inglórios, e a melhor atriz coadjuvante foi Mo’Nique, por Preciosa.

É bom lembrar que só os atores votam para definir os indicados nas categorias de atuação (funciona assim também com diretores, roteiristas, maquiadores, etc). Logo, é de esperar que não haja praticamente mudança alguma entre os indicados do SAG e do Oscar (que serão anunciados dia 2).

Quem foi indicado no SAG e não foi ao Globo de Ouro? Jeremy Renner, como melhor ator por Guerra ao Terror. E Diane Kruger, por Bastardos Inglórios, no lugar de Julianne Moore, por A Single Man. Entre os indicados às categorias de ator e atriz em musicais ou comédias, só Meryl Streep conseguiu uma vaga: melhor atriz por Julie & Julia – tirou o lugar de Emily Blunt, por The Young Victoria.

Já para definir os premiados, todos votam e todas as categorias no Oscar. Ainda assim, a seção de atores é a mais numerosa. Logo, se a categoria está com esses premiados, pode-se dizer que eles efetivamente largam na frente para os prêmios da Academia: Bridges, Sandra, Waltz e Mo’Nique.

E como nem Coração Louco, nem The Blind Side devem ter chance para melhor filme, Bastardos Inglórios teria ganhado pontos? Bem, “melhor elenco” náo é “melhor filme”. Avatar não tem como concorrer à atuações, mesmo, e Amor sem Escalas não foi premiado pelo SAG, mas estava lá presente com três indicações.

Os prêmios do sindicato dos produtores será anunciado hoje. O dos diretores, no próximo sábado. O dos roteiristas, só no dia 20 de fevereiro. Veja abaixo os premiados do Screen Actors Guild Awards:

Cinema

Elenco: Bastardos Inglórios
Ator: Jeff Bridges (Coração Louco)
Atriz: Sandra Bullock (The Blind Side)
Ator coadjuvante: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios)
Atriz coadjuvante: Mo’Nique (Preciosa)

TV

Elenco/ série de comédia: Glee
Elenco/ série dramática: Mad Men
Ator/ série de comédia: Alec Baldwin (30 Rock)
Ator/ série dramática: Michael C. Hall (Dexter)
Ator/ telefilme ou minissérie: Kevin Bacon (Taking Chance)
Atriz/ série de comédia: Tina Fey (30 Rock)
Atriz/ série dramática: Julianna Margulies (The Good Wife)
Atriz/ telefilme ou minissérie: Drew Barrymore (Grey Gardens)

O terror dentro de nós

Sexo e violência, no limite entre o psicológico e o sobrenatural

Lars von Trier não é conhecido por sua leveza. Seus filmes são sempre cruéis, firmemente dispostos que o ser humano tem o poder de despertar o pior de si mesmo, mesmo quando as intenções são (raramente) as melhores. Se otimismo normalmente já não é com ele, imagine em Anticristo (Antichrist, Dinamarca / Alemanha/ França/ Suécia/ Itália/ Polônia, 2009), escrito quando o diretor estava imerso em uma depressão que durou dois anos.

O filme mostra Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg como um casal que se isola em uma cabana numa floresta. Ele, terapeuta, a leva para lá para ajudá-la a superar o trauma da morte do filho. É um tratamento difícil, onde a mulher quer usar o sexo o tempo inteiro para aplacar a culpa infinita. Ao mesmo tempo, o ambiente não parece de maneira alguma colaborar para que ela melhore – antes pelo contrário.

Dividido em capítulos, o filme começa com um belíssimo prólogo, em câmera lentíssima. De cara, a cena de sexo mostra um dos aspectos do filme: o de ser explícito em quase tudo. As cenas eróticas e de violência são das mais fortes e angustiantes dos últimos tempos, em uma espiral chocante.

Ao mesmo tempo, Anticristo deixa em aberto as possíveis explicações – apontando principalmente para o drama/ suspense psicológico, mas sem fechar as portas para os elementos sobrenaturais. Mesmo que esses elementos estejam discretos – quem assistir esperando O Massacre da Serra Elétrica, vai se decepcionar. Para Von Trier – e isso não é nenhuma novidade – o verdadeiro terror está dentro de cada ser humano. É onde o caos reina, como diz uma certa personagem coadjuvante do filme: uma expressão que dá nome a um dos capítulos e poderia ser o do filme.

Anticristo. (Antichrist). Dinamarca / Alemanha/ França/ Suécia/ Itália/ Polônia, 2009. Direção: Lars von Trier. Elenco: Willem Dafoe, Charlotte Gainsbourg.

Um irreeverente consciente

Rafael: sem entrar em certas ilhas

“Só comecei a me sentir mais confortável depois que saí do eixo do stand up”, conta o comediante Rafael Cortez, que apresenta seu solo De Tudo um Pouco hoje, no Teatro Paulo Pontes, em João Pessoa. “Eu nem digo que meu show é de stand up porque eu quebro as regras: tem uma parte de anedotário popular, improviso, tem muita interação. Tem um roteiro, mas eu nunca sigo”.

Rafael Cortez conversou com a reportagem do JORNAL DA PARAÍBA por telefone, do aeroporto em São Paulo, partindo para o roteiro de shows do fim de semana, que começou em Uberlândia, ontem. É um dos integrantes do CQC que não tinha experiência no stand up. Para melhorar no programa, resolveu encarar o palco sozinho. “Fazendo uma reflexão do trabalho que eu fazia, eu me valia de presença de espírito, cara de pau e simpatia, enquanto os meninos tinham experiência em renovar piadas e observar as coisas em volta com irreverência”, conta. “No final de 2008, resolvi que faria stand up em 2009 para ter esse olhar irreverente sobre as coisas. Pra mim, seria um laboratório, um trampolim pra melhorar meu trabalho no CQC. Acabei encontrando um segmento generoso, com pessoas muito carinhosas”.

Se a cara de pau é um de suas armas no CQC, não é de hoje. Foi com ela que ele conseguiu um lugar entre os repórteres do programa. “Me chamaram pra ser produtor”, lembra. “Mas na hora das entrevista para o emprego, disse que não queria mais aquilo e só aceitaria se fosse para ser repórter”. O resultado: Cortez fez o teste e entrou para o quadro. “Já havia sido produtor de TV antes e não tinha gostado”, revela.

Antes do programa ele havia acabado de sair de um grupo de teatro infantil que integrou por quatro anos e trabalhava como jornalista da Editora Abril. “Era com produção de conteúdo para celular”, lembra. “Quando trabalhava na editora, era legal, mas quando passei a trabalhar em casa, passou a ser uma rotina chatíssima, fiquei infelicíssimo”. Foi aí que enviou currículo para vários lugares – um deles, se oferecendo como produtor, para o então ainda inédito CQC.

Cortez também é violonista e até pensou em unir os lados de humorista e músico no palco, mas não funcionou. “Eu toco violão erudito e isso não cabe na comédia”, diz. Mas ele está em processo de gravação de seu primeiro CD instrumental, com 12 composições próprias. “Vai reunir peças desde a minha primeira composição, em 1996, passar por uma fase experimental, quando estudei com Badi Assad… Eu estou muito orgulhoso dele”, conta.

“Na verdade, eu nem me acho músico”, continua. “A definição correta é violonista, mesmo. O instrumento é tão complexo que você tem que viver pra ele”. O disco instrumental será lançado ainda neste semestre, mas Rafael Cortez também tem composto canções com letras. “Mas esse trabalho ninguém viu”, afirma. “Esse eu só lanço se a Maria Bethânia gravar”.

Rafael Cortez lança o disco como um nome já conhecido na área do humor e da televisão – e que, como os demais integrantes do CQC, já tem a admiração de uma legião de fãs. Mas ele tenta com firmeza não deixar a fama subir à cabeça. “Eu acho que o nosso trabalho dentro do CQC nunca pode se confundir com essa coisa de celebridades”, afirma. “Eu desconfio desse mundo mesmo”.

Por outro lado, ele também acredita que parte disso é inevitável. “É um reflexo do mundo em que a gente vive. O Brasil é assim mesmo”, diz. “Se você está na televisão, acaba virando pauta. Mas o que a gente tenta fazer no programa é uma crítica construtiva expondo a celebridade. Eu tenho uma postura muito crítica e evito convites do tipo ‘Venha à nossa festa’, ‘vá a esta ilha’, ‘venha sair com estas pessoas’… A coisa mais importante pra mim ainda é o CQC“.

O assédio do fãs, no entanto, para ele, não é problema. “O assédio é ótimo, porque revela que as pessoas gostam do programa”, avalia, dizendo que o trabalho também tem isso como objetivo. “Se as pessoas querem me buscar no aeroporto, se querem tirar foto, eu vou tirar”.

O humorista tem priorizado o Nordeste em suas apresentações – e, depois de João Pessoa, ainda passa por Recife, amanhã, e Natal, nos dias 28 e 29. “Rio, São Paulo, Porto Alegre já têm uma grande oferta de shows e nós vamos muito a esses lugares fazer matérias”, explica. “Quero ir a lugares onde nunca fui e fazer o show para pessoas que não tem a oportunidade de ver a gente de perto”.

Leia outras entrevistas com repórteres do CQC:

- Marco Luque
- Marco Luque (2)
- Oscar Filho
-
Rafinha Bastos

Perigo interno

O nazismo pode estar dentro de nós?

Qualquer toque na herança do nazismo na sociedade alemã abre uma ferida. E é um assunto que não se vê muito em filmes fora da Alemanha (O Leitor, 2008, foi uma exceção) e nem muitos filmes alemães costumam estrear por aqui. Já por esse aspecto, A Onda (Die Welle, Alemanha, 2008) é imperdível. Mas trata-se, sobretudo, de um filme excelente, que não tem medo de mexer no vespeiro e o faz bem e com estilo.

A trama começa justamente com alunos do ensino médio na Alemanha reclamando de carregar o peso da culpa pelo nazismo e afirmando que uma coisa assim nunca mais poderá acontecer. O professor, roqueiro e rebelde, propõe uma experiência: viver na sala de aula como uma autocracia, para que eles aprendam as características das ditaduras.

Os alunos embarcam na experiência – fundo demais. Logo, criam regras de disciplina, códigos próprios, um símbolo, um nome (“A Onda”) e excluem os jovens que não querem participar. O professor (Jürgen Vogel), também afetado, perde o controle em uma semana.

Ágil e vibrante, A Onda prende o espectador até o fim dando apenas algumas pistas sobre como tudo vai terminar. É também assustador, em uma observação mais cuidadosa, por mostrar didaticamente que o fantasma do fascismo continua por aí e, nas condições ideais, pode ressurgir, sim.

Por outro lado, o filme de Dennis Gansel se torna um pouco simplista ao acelerar o desenrolar dos fatos e amarrar tudo de maneira um tanto brusca na conclusão. Mas esse dado deveria ser encarado menos de maneira realista e mais como um recurso narrativo de uma fábula sombria. E que já aconteceu de verdade, não só em verdadeiras autocracias (Hitler e Mussolini à frente), mas nos fatos reais em que o filme é baseado (e que aconteceram na Califórnia dos anos 1960).

A Onda. (Die Welle). Alemanha, 2008. Direção: Dennis Gansel. Elenco: Jürgen Vogel, Frederick Lau, Max Riemelt, Jennifer Ulrich, Cristiane Paul.

Na encruzilhada da imprensa

Helen Mirren, Rachel McAdams e Russell Crowe: a apuração e o fechamento

Intrigas de Estado (State of Play, Estados Unidos/ Reino Unido/ França, 2009) não foi exatamente um sucesso nas bilheterias, o que nos leva a temer pela suspeita de que o público médio dos cinemas anda rejeitando projetos minimamente inteligentes. Com direção de Kevin Macdonald (de O Último Rei da Escócia, 2007) e roteiro de Tony Gilroy (diretor e roteirista de Contato de Risco, 2007, e Duplicidade, 2009), o filme é um hábil thriller político, com personagens excelentes e boas surpresas.

Adaptado de uma série de TV inglesa de 2003, o filme mostra o veterano jornalista Cal McAffrey (Russell Crowe) investigando um crime no subúrbio e uma blogueira da versão on line do jornal, Della Frye (Rachel McAdams), que escreve sobre o relacionamento do congressista Stephen Collins (Ben Affleck) com sua assistente que morre em um acidente no metrô. As investigações convergem para o mesmo ponto e, para complicar, Cal e Stephen são amigos de longa data. Como o congressista preside uma comissão que investiga um contrato militar, outros interesses aparecem.

Além da trama em si, há, como pano de fundo, a encruzilhada do jornalismo hoje. A rivalidade entre os dois jornalistas é um comentário a respeito de ética, isenção e checagem dos fatos num mundo em que a vontade de dar a informação primeiro às vezes acaba passando por cima de tudo isso e muitas vezes é mais importante fechar logo a edição e economizar horas extras que apurar tdo como se deve.

São muitos elementos muito bem orquestrados e apoiados por um elenco bem escolhido, onde nem Ben Affleck está mal (quem diria?). Russell Crowe, desalinhado e gordo, faz uma opção pela caracterização correta contra a imagem de galã. E Rachel McAdams faz mais uma boa aparição – é uma das boas atrizes para um futuro próximo. E ainda há Helen Mirren, em participação pequena, mas ainda o máximo.

Intrigas de Estado. (State of Play). Estados Unidos, 2009. Direção: Kevin Mcdonald. Elenco: Russell Crowe, Rachel McAdams, Ben Affleck, Helen Mirren, Robin Wright Penn, Jason Bateman, Jeff Daniels, Michael Berresse, Viola Davis.

O cineasta, com Claudia Cardinale nas filmagens de "8½"

“Eu sou um grande mentiroso”, disse uma vez Federico Fellini em uma entrevista famosa. Essa definição – a princípio desfavorável – pode ser entendida de outra forma. Mentira, no cinema, pode ser apenas outra palavra para sonho. Fellini era, isso sim, um grande sonhador e dividiu seus sonhos com as plateias em 24 filmes (15 deles disponíveis em DVD), entre os quais obras fundamentais do cinema – como A Estrada da Vida (1954), Noites de Cabíria (1957), A Doce Vida (1960) e Amarcord (1973). Fellini faria 90 anos hoje – morreu em 1993. Seu último filme é de 1990 – e, desde então, não surgiu criador sequer parecido no cinema.

Embora Fellini tivesse sido jornalista antes de cineasta – o que o ajudou a assumir funções de roteirista antes de diretor -, ele também foi desenhista, e é nesse aspecto que há uma grande influência no que chamou depois de “felliniano” (o adjetivo já está no Aurélio). O visual responde por grande parte do aspecto onírico das obras do mestre italiano.

Como roteirista, participou da aurora do neorrealismo italiano: com Sergio Amidei (e Roberto Rossellini, sem crédito), escreveu o roteiro de Roma, Cidade Aberta (1945), marco inaugural do movimento que trocou estúdios por locações, usava atores não profissionais e buscava contar os dramas do povo italiano no pós-guerra. Mais realista, só documentários. E menos Fellini, impossível.

"Noites de Cabíria": feito para Giulietta Masina brilhar

Quando assumiu a direção, ele combinou a estética neorrealista com crônicas, como o memorialista Os Boas-Vidas (1953). Sua primeira obra-prima já surgiu aí: A Estrada da Vida, com uma interpretação chapliniana de Giulietta Masina, sua mulher de 1943 até a morte.
Para Giulietta, ele criou Noites de Cabíria, retomando a prostituta que apareceu brevemente em seu segundo filme, Abismo de um Sonho (1952). Uma das maiores personagens do cinema, onde a realidade já assumia, em momentos importantes, ares delirantes.

Barco de mentirinha, mar de plástico e o sonho à toda em "Amarcord": quem precisa de CGI?

Seguiram-se tempos mais introspectivos, marcados principalmente por A Doce Vida e 8 ½ (1963). O primeiro, uma reflexão sobre o vazio da vida moderna (e, de quebra, criou o personagem Paparazzo, que definiu todos os fotógrafos perseguidores de celebridades que vieram depois), o segundo mostra um cineasta e seus demônios interiores (vistos por dentro da mente dele), filme revisitado como musical em Nine (2009).

Amarcord é seu grande filme da fase colorida – uma nova volta à infância em Rimini em que memória se mistura com fantasia e até o mar é abertamente de plástico. De mentirinha, mesmo, mas o sonho está lá (quem precisa de CGI?). Tudo bem, afinal, como ele dizia: “O visionário é o único realista verdadeiro”.

***

Pra encerrar, o emocionante momento em que Fellini recebe seu Oscar especial das mãos de Marcello Mastroianni (seis filmes com o diretor, mais um para a TV) e Sophia Loren (um filme), em 1993 (“Giulietta, please, stop crying!”):

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