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Tarantino quase sério

Bastardos Inglorios

Eli Roth e Brad Pitt: mais violência de desenho animado

Quando Quentin Tarantino divide seus filmes em capítulos, ele se permite uma liberdade extra: a de poder dirgir cada um deles mimetizando estilos diferentes. Assim, cada filme anterior do diretor são paródias (geralmente no bom sentido) de gêneros caros a ele, mas o que ele fez nos dois Kill Bill se repete em Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, Estados Unidos/ Alemanha, 2009): ele aproveita alguns capítulos para fazer filminhos dentro do filme.

Assim, não é por acaso que o primeiro capítulo se chama “Era uma vez na França ocupada”: trata-se de um faroeste, mesmo que seja a França dos anos 1940. Os enquadramentos são puro Sérgio Leone, com direito a Morricone na trilha e um plano evocando Rastros de Ódio (1956), de John Ford (Leone e o mesmo enquadramento de Ford já haviam sido citados em Kill Bill).

É também o melhor momento do filme, com grande tensão e pouquíssimo tom de desenho animado que a violência quase sempre tem nos filmes de Tarantino e apresentando um personagem desde aí arrasador: o Coronel Hans Landa (vivido pelo incrível alemão Christoph Waltz, que, com muita justiça ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes). Um Tarantino “sério”, enfim? Não tão rápido. Essa postura só dura esse primeiro capítulo – depois o que predomina é o tom habitual maneirista do diretor.

O que causa bons e maus momentos. Bastardos Inglórios alternando planos belíssimos (às vezes até se aproximando de seu prólogo antológico) com acentos pop desnecessários (às vezes, tudo ao mesmo tempo). Mantendo como características a glamourização da violência, a trama intrincada e os diálogos elaborados, ele não resiste ao exagero. Apresenta personagens como se estivesse nos anos 1970, atira David Bowie como uma pedra para ser trilha de uma das cenas e produz uma seqüência interminável de falatório gratuito numa taberna – depois de fazer já duas outras seqüências semelhantes.

Por outro lado, o momento exato em que a francesa judia Shosana (Mélanie Laurent) reencontra o algoz de sua família é uma das cenas mais bem filmadas da carreira de Tarantino. Há outras, espalhadas pelo filme, e nenhuma delas envolve pessoas sendo escalpeladas ou um Hitler que parece um dos atores rejeitados de Primavera para Hitler (1968). Novamente em contrapartida, para todo aquele movimento com a grua no hall de um cinema – que na verdade, não quer dizer muita coisa – há aquele momento sublime em que o tenente vivido por Brad Pitt tenta conversar em italiano com o coronel alemão. Um dos vários momentos em que a comédia funciona bem.

O cinema como cenário não está lá, evidentemente, por acaso. Todo filme de Tarantino acaba sendo meio sobre o próprio cinema – aquele que o formou como cinéfilo e, depois, roteirista e diretor. O filme vai puxando outras referências, citando explicitamente o cinema francês antes da nouvelle vague e também nomes do cinema alemão, enquanto parodia do já citado Era uma Vez no Oeste a, óbvio, Os Doze Condenados (1967) , com espaço para brincar de nouvelle vague.

E brincar é palavra-chave porque Tarantino ainda parece um adolescente talentoso brincando de fazer cinema e à espera de realizar seu filme pleno. É meio isso que acaba soando o fato de que a vingança não é só o motivo dos personagens – a judia francesa que perdeu a família sob as balas dos alemães e os soldados judeus que caçam nazistas para instaurar o terror entre eles -, mas uma postura do filme em si mesmo.

Culminando na curiosa catarse final, que manda a História tão escancaradamente às favas que até blinda Bastardos Inglórios de receber qualquer crítica nesse sentido. Qual será a razão daquilo? Sendo um filme sobre o cinema, mais parece uma afirmação de que “aqui mando eu”, uma declaração de que os filmes não precisam obedecer certas regras “caretas” como verossimilhança histórica. Lembra uma frase do (fraco) filme nacional Baixio das Bestas (2007): no cinema, você pode fazer o que quiser. É a gênese de um bom debate, e esse é o principal mérito da cena (que, aliás, poderia ser muitíssimo mais surpreendente).

Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, Estados Unidos/ Alemanha, 2009). Direção: Quentin Tarantino. Elenco: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth, Michael Fassbender, Diane Kruger, Daniel Brühl, Mike Myers, Rod Taylor. Em cartaz nos cinemas.

- Código de Conduta: Jamie Foxx e Gerard Butler numa história em que um homem resolve tomar a justiça nas próprias mãos depois que o assassino de sua família foi solto pela justiça. Ele investe contra o promotor que costurou o acordo para que outro bandido fosse condenado. A vingança parece meio fantasiosa demais, pelo trailer, mas o filme tem um questionamento moral, a princípio, interessante. O diretor é F. Gary Gray, dos bons Uma Saída de Mestre (2003) e Be Cool – O Outro Nome do Jogo (2005).
Box Manaíra 3 – sex. a seg. e qua.: 14h30, 16h50, 19h15, 21h30; ter. e qui.: 16h50, 19h15, 21h30.

- Fama: Em 1980, Alan Parker colocou jovens estudantes de dança e teatro nos papéis principais do musical Fama, temperando tudo com tintas sociais. Agora, estréia a refilmagem de novo se passando na New York Academy of Performing Arts, mas deixando as questões sociais de lado para perigosamente se aproximar dos ralos musicais adolescentes atuais. Foi o que eu li – espero que o filme me surpreenda. Mas pelo que o trailer mostra do que fizeram com a imortal canção-tema, em termos de música a coisa piorou muito.
Box Manaíra 4 – sex. a seg. e qua.: 14h10, 16h25, 18h45, 21h10; ter. e qui.: 16h25, 18h45, 21h10.

- Os Fantasmas de Scrooge: Mais uma versão da clássica história de Charles Dickens (a Disney nacional tolamente rebatizou o filme, em vez de usar a tradução já consagrada: A Canção de Natal). Nela, o avarento Ebenezer Scrooge é visitado na noite de Natal pelos fantasmas dos natais passados, presente e futuros e é levado por uma viagem através dos tempos onde tem que encarar a própria mesquinhez. O conto é definitivo, claro, mas vamos ver como se sai nessa nova versão, dirigida por Robert Zemeckis – e, portanto, toda feita com a técnica da captura de movimento. Como sabemos, é uma verdadeira obsessão do diretor – que, em termos de bons filmes, até agora rendeu muito pouco. Jim Carrey faz Scrooge e mais um punhado de personagens.
Box Manaíra 5 – sex. a seg. e qua.: 14h20, 16h30, 18h40, 20h50; ter. e qui.: 16h30, 18h40, 20h50.

- Jogos Mortais 6: O que dizer? Uma nova seqüência dificlmente justificável da série. Sangue e mutilações para quem gosta.
Box Manaíra 6 – 15h, 17h15, 19h20, 21h25.
Tambiá Shopping 6 – 14h50, 16h50, 18h50, 20h50.

Conheci as Chicas em 2007, quando as quatro moças fizeram um show no Seis e Meia, em João Pessoa. Foi amor à primeira audição, confesso: adoro grupos vocais, desde o MPB-4 até o Garganta Profunda. Os jogos vocais no palco me encantam e as Chicas são um prodígio nisso.

Enfim, tive a oportunidade de conversar com uma delas na semana passada, a Isadora Medella, por telefone. Ela estava em sua casa, no Rio (ou “apartamento meio casa”, como me descreveu). O papo foi publicado no Jornal da Paraíba de ontem e está aqui em versão entendida.

Em tempo: o grupo se apresenta hoje no Teatro Oi Casa Grande, no Rio, às 21 horas, lançando oficialmente o novo CD e o DVD. No dia 11, o show é em São Paulo, no Sesi na Avenida Paulista.

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Em busca do fervor do ao vivo

Chicas_foto_Paula Kossatz

Em pé: Fernanda Gonzaga e Amora Pêra; sentadas: Isadora Medella e Paula Leal - Chicas e "Tchicas"

A tradição de grupos vocais brasileiros é fortíssima, surgindo bem antes da bossa nova e permanecendo tantos anos depois do auge do movimento. O quarteto Chicas incluiu-se aí com graça e talento, a partir do primeiro disco, Quem Vai Comprar Nosso Barulho?, e lança agora o primeiro DVD e segundo disco (primeiro ao vivo): Em Tempo de Crise Nasceu a Canção.

“A gente quis registrar o fervor do ao vivo”, conta Isadora Medella, que integra o grupo junto com Paula Leal, Amora Pêra e Fernanda Gonzaga (as duas últimas, filhas de Gonzaguinha e, portanto, netas de Luiz Gonzaga). “Muita gente veio falar com a gente que o fervor do ao vivo é que é o lance. O disco de estúdio não tem aquela anarquia”.É verdade que uma certa anarquia faz parte do barato das Chicas – tanto, que a edição do DVD é frenética, dividindo a tela na quase totalidade do show.

“A pessoa que vai ao show olha para uma chica, olha para outra, enquanto outra está fazendo mil coisas, lá”, diz a cantora, mostrando que o objetivo foi dar o máximo possível uma visão total do grupo. “A gente quis mostrar que, enquanto uma esta cantando, milhares de coisas estão acontecendo. A idéia era colocar isso muito evidente”. O quarteto opinou na decisão artística de dividir a tela, assim como no projeto inteiro. “A gente é, assim, meio insuportável”, brinca. “A gente não consegue abrir mão simplesmente e tudo o que é artístico é gerenciado por nós”.

As Chicas alternam as vozes às vezes de maneira tão frenética que impressiona quando Isadora revela que os arranjos vocais são meio anárquicos. “A gente escreve os arranjos para os instrumentos, mas na hora do vocal a gente não quer escrever, quer que fique essa coisa meio desorientada”, afirma Isadora. “A gente deixa ele fluir, ser intuitivo. É mais próximo da gente, dessa informalidade. A gente interfere muito no cantar da outra”.

Amora e Fernanda são mais ligadas à percussão, enquanto Isadora e Paula são ligadas à harmonia. “Mas só porque a gente estudou mais tempo”, acrescenta Isadora. Na hora das harmonias, as quatro trabalham juntas. “Sentamos as quatro em frente ao computador para trabalhar”, conta. “O importante é que você precisa estar em contato com a música e com o sentimento dela”.

Cuidando de gatinhos que foram deixados em sua porta no dia anterior, Isadora fala do começo do grupo. As quatro integrantes se encontraram no palco, mas do teatro, na peça Fullanas. “Era um teatro musicado onde as atrizes não sabiam tocar e cantar, então fizemos a parte musical”, lembra. “Aí, uma amiga nos convidou para abrir um espaço dela. E depois fomos chamadas para mais coisas”.

E, assim, de forma totalmente espontânea, as Chicas foram nascendo. “Foi uma coisa muito intuitiva”, diz Isadora. “Na verdade, a gente nunca quis gravar um disco: a gente foi seguindo o fluxo”. Mas o grupo acabou dando um tempo. “A gente terminou o primeiro momento com uma gravadora interessada, mas acabou acontecendo um intervalo de uns três, quatro anos”.

O grupo começou em 1996, parou entre 1999 e 2000 e voltou em 2004. “A gente voltou fazendo show e houve uma pressão dos amigos para gravar um disco”, lembra Isadora. “E falaram uma coisa interessante: que se a gente gravasse um disco, ia passar a existir. Ia materializar o trabalho”. Quem Vai Comprar Nosso Barulho?, de 2006, acabou ganhando o Prêmio Tim. “A gente viu a importância do disco para ir mais longe”, diz ela. “É como uma semente, que vai com o vento e chega aos lugares antes da gente. A gente foi até ao Acre por causa desse disco”.

Foram shows por todo o país, ciclo que está chegando ao final. “Como a gente é inquieta, já estava querendo fazer coisa nova”, conta Isadora. “Então, essa coisa do DVD foi muito isso: ‘Galera, vamos registrar esse show’”. Ao repertório do primeiro disco, entrou também “Caras e bocas”, a música de abertura da novela homônima, incluída no DVD como extra em uma nova versão.

O DVD registra bem tanto o talento vocal, quanto o bom gosto do repertório e a cota de teatro da qual o grupo nunca chegou a ser desfazer. “O teatro, pra gente, é muito importante. A teatralidade é um dos fatores principais para a escolha das músicas”, diz Isadora. “A gente fala muito texto também”. Ela une “A terceira margem do rio”, de Caetano, a trechos do conto original de Guimarães Rosa.

Mas o teatro também tem a ver com o espírito meio anárquico das Chicas. “É essa liberdade que o teatro tem, de não seguir regras”, afirma Isadora. Certamente ajudou o grupo a superar os problemas de som de um dos primeiros shows em Recife e realizar a apresentação toda acústica e cantando à capela para um teatro com três mil lugares. “A gente achou que não podia sair dali sem fazer um show”, lembra.

As Chicas estiveram em Recife mais uma vez na semana passada, desta vez sem maiores problemas e já mostrando o novo show – que abre com “Can’t buy me love”, dos Beatles. Além do show Em Tempo de Crise Nasceu a Canção, o quarteto continua fazendo o Barulinho por aí – um show infantil.

“A gente resolveu fazer esse show por dois motivos. Um: pela presença constante de crianças na platéia das Chicas”, conta Isadora. “E quando a Fernanda ficou grávida, ela teve que passar três meses afastada. Então, fizemos um show chamado Trabalho de Parto, com um set só de músicas infantis em homenagem a ela. A galera pirou nesse set”.

Realizar esse show mostrou-se um acerto. “A aceitação do Barulinho é inacreditável”, diz. “Aí, a gente deixa fluir mesmo a união do teatro com a música”. Para quem não viu, há um número do espetáculo incluído como extra do DVD.

As Chicas já começam a trabalhar no próximo disco de estúdio. “Estamos colocando no papel”, conta. “As idéias já temos, estamos conversando. Mas ele deve sair talvez para o meio ou o final do ano que vem”.

E, para terminar, existe uma maneira certa de falar o nome do grupo? Seria “tchicas“, como “meninas” em espanhol, ou “chicas“, como apelido para “Franciscas”? “Fica ao gosto do cliente”, brinca Isadora. “Acho que tem essa coisa bem brasileira de vir de ‘Francisca’ e tenho certeza que, quando a gente for para fora do Brasil, vai rolar muito. O nome tem humor, acho que tem a ver com a gente”.

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O que poderia ter sido

This Is It

Michael não desafia a física, mas tampouco estava caquético

Uma despedida. O show de retorno de Michael Jackson aos palcos já havia sido definido dessa forma pelo próprio cantor na coletiva em que anunciou as 50 apresentações. Os shows nunca aconteceram, como todos sabemos, e This Is It (This Is It, Estados Unidos, 2009) é o documentário que dá ao público um vislumbre do que poderia ter sido.

Montado a partir de registros dos ensaios e de cenas de bastidores, o filme é dirigido por Kenny Ortega (dos High School Musical), que também dirigia o show. Embora ainda por serem finalizados, os números já são vistos completos, alguns com interrupções no começo e no fim para ajustes. São os grandes sucessos – “Beat it”, “Black or white”, “Thriller”, “Billie Jean”, “Man in the mirror”, etc. -, alguns reproduzindo as coreografias clássicas dos videoclipes.

Ou seja: quem gosta de Michael Jackson não vai se decepcionar. E quem não gosta é capaz de se emocionar e se divertir também, ao perceber que o show seria mesmo uma grande volta por cima. O astro não era mais o super Michael Jackson que desafiava as leis da física, das décadas de 1970 e 1980, mas também não estava caquético.

O material é compreensivelmente desigual em termos de qualidade de filmagem, mas é um registro precioso dos últimos momentos de um grande talento. Assim como preciosos são os momentos em que Michael dá instruções, broncas (mostradas sempre com gentileza) e pede ajustes.

É besteira esperar por qualquer tipo de controvérsia ou questionamento a respeito do astro – se ele estava mesmo esgotado, This Is It consegue esconder isso esplendidamente. Como registro de um show que poderia ter sido e não foi, o documentário cumpre seu objetivo com bastante dignidade e Michael se despede fazendo o seu melhor: nos estretendo com garra e boa música.

This Is It (This Is It). Estados Unidos, 2009. Direção: Kenny Ortega. Em cartaz nos cinemas.

Nunca tinha entrevistado Marcélia Cartaxo – nem mesmo quando ela estreou como diretora, com o curta Tempo de Ira (2003, co-dirigido por Gisella de Mello). Não sei porquê, mas calhou de que nosso primeiro papo tenha sido não sobre uma novidade, mas justamente sobre o maior feito da atriz (e um dos maiores do cinema brasileiro): sua interpretação em A Hora da Estrela (1985), de Suzana Amaral, que foi premiada no Festival de Berlim.

Por ocasião da restauração do filme – cópia que foi exibida no Festival do Rio e está na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo -, ela conversou comigo para a entrevista publicada dia 25 no Jornal da Paraíba e agora aqui, em versão estendida.

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Marcélia em 1984: de Cajazeiras para Berlim

Marcélia, em "A Hora da Estrela": de Cajazeiras para Berlim

É um feito admirável. Nunca antes uma atriz brasileira havia ganho um prêmio em um grande festival internacional: Marcélia Cartaxo foi a primeira, em 1985, por A Hora da Estrela. O filme foi relançado em cópia restaurada no Festival do Rio no mês passado e completa 25 anos de filmagem. De Cajazeiras até a consagração em Berlim, ela lembra histórias do filme.

Tudo começou com o grupo de teatro Terra, do qual Marcélia fazia parte em Cajazeiras, e que revelou também Nanego Lira, Soia Lira, Eliézer Rolim e Luiz Carlos Vasconcelos. O grupo estava em São Paulo para três apresentações em um evento. “A gente recebeu uma proposta de fazer o Mambembão, em que peças do Nordeste se apresentavam no sul e as de lá vinham para cá”, lembra a atriz. O espetáculo chamava-se Beiço de Estrada, escrito e dirigido por Eliézer Filho (hoje, Rolim). A diretora Suzana Amaral, já em busca da protagonista de sua versão para o livro de Clarice Lispector, estava na plateia.

Suzana assistiu às três apresentações com o ator paraibano José Dumont, que já estava escalado no elenco, e já convidou Marcélia para viver Macabéa. O ano era 1982 e Marcélia tinha 18 anos. Foram precisos mais dois para a diretora conseguir o financiamento da Embrafilme. Enquanto isso, as duas foram se correspondendo. “Ela foi me dirigindo por carta”, recorda Marcélia. “Eu costurei uma camisola feita de saco de açúcar que uso no filme, ela me disse para ir à periferia para observar as Macabéas”.

Marcélia não tinha lido A Hora da Estrela e ganhou um exemplar de presente de Suzana Amaral. “Eu achava o livro muito confuso. Tinha a história de Macabéa e Olímpio, mas também a do narrador”, conta Marcélia. “Clarice era considerada uma escritora difícil de adaptar. Mas li o livro umas 20 vezes”. Mesmo com essa preparação, os produtores exigiram que a paraibana se submetesse a um teste e disputasse o papel com outras atrizes. “Quando fiz o teste, eles ficaram todos enlouquecidos”, recorda. “Foi a cena em que Macabéa datilografa e come um pão com salsicha e a salsicha sai (ri). Suzana só foi me dar o roteiro mesmo quando passei no teste”.

Saída diretamente do Actor’s Studio, Suzana estava impregnada do estilo de dirigir e interpretar da famosa escola que seguia o famoso método desenvolvido por Elia Kazan e Lee Strasberg, entre outros, a partir do sistema do ator e ditetor russo Stanislavsky, privilegiando o realismo psicológico e as emoções reais em cena. “Ela aplicou tudo na Macabéa”, revela Marcélia Cartaxo. “Quando fui pra São Paulo, fui de ônibus. Ela queria que eu fosse macabeando, que não perdesse a naturalidade. Suzana foi muito rigorosa comigo, eu chorava muito”.

Enquanto o resto do elenco – o velho amigo José Dumont, Fernanda Montenegro, Tamara Taxman, Denoy de Oliveira – foi hospedado em um hotel, Marcélia ficou isolada em um quarto na produtora. “Ninguém podia falar comigo, me tocar. No set, eu tinha que ficar em uma cadeira, voltada para a parede! Tudo pra eu não perder a brejeirice”, conta.

Depois de um mês de ensaios, o filme foi rodado quase sempre com a primeira tomada valendo. E, mesmo com a preservação a que foi submetida, Marcélia teve a experiência de contracenar com atores tarimbados como Fernanda Montenegro e Tamara Taxman – e elas eram as coadjuvantes, Marcélia, a atriz principal! Fernanda na semana final das filmagens. “Ela entrava e ia logo decorar o texto”, conta a paraibana. “Com Tamara e Zé houve mais amizade. Zé acompanhava o Terra há três anos e me ajudou muito. Tudo o que eu queria saber sobre contratos, curiosidades e dúvidas que eu tinha, podia conversar com ele”.

Depois de pronto, a primeira parada de A Hora da Estrela foi o Festival de Brasília, no final de 1985. Foram 12 prêmios, incluindo filme, atriz, para Marcélia, e ator, para José Dumont. Em fevereiro de 1986, foi a vez do Festival de Berlim. Marcélia teve que conseguir dinheiro e roupas para enfrentar o frio da Europa. “Meus sapatos eram uma bota de sete léguas várias meias, porque diziam que lá nevava”, diz.

Lá, teve mais problemas. “O filme passava no segundo dia. No dia da exibição, resolvemos ir de ônibus do hotel para o cinema. Aí, fui agredida no ônibus por um homem, que ficou me batendo. Depois que ele desceu, soubemos que era um neurótico de guerra que achou que eu era judia”, lembra. Depois da exibição, o público alemão na rua a confundia, mas com a própria Macabéa – tal foi a repercussão de seu trabalho.”Eu só podia ficar seis dias e o cônsul perguntou se a gente precisava de alguma coisa. Eu disse: ‘Quero ficar até o fim do festival’”.

No dia da premiação, Marcélia estava hospeada na casa de uma brasileira. Suzana, que estava no hotel, a chamou. “Ela me disse: ‘Marcélia, senta aí”. A diretora revelou que A Hora da Estrela ganhou três prêmios: o prêmio Ocic (da Organisation Catholique Internationale du Cinéma et de l’Audiovisuel), o prêmio Cicae (da Confédération Internationale des Cinémas d’Art et d’Essai Européens) e o de melhor atriz.

O prêmio, que mesmo com a repercussão ninguém espwerava, foi dividido com a francesa Charlotte Valandrey, por Rouge Baiser, e entregue por Gina Lollobrigida, presidente do júri. “Ela disse que ficou muito chocada com o filme e perguntou se aquilo existia mesmo no Brasil. E eu respondi que haviam centenas de Macabéas em São Paulo”, conta Marcélia.

Na volta ao Brasil, ainda houve a emoção da primeira exibição em Cajazeiras – que, na época, tinha três cinemas. “Até hoje celebram isso na cidade”, diz. “Sempre que vou lá, me tratam como se eu fosse a filha mais ilustre”. Marcélia Cartaxo virou uma celebridade e o Fantástico foi à cidade do sertão paraibano para uma matéria com ela. A inexperiência dela e dos outros integrantes do Grupo Terra levou, no entanto, a uma cisão. “Eles ficaram cinco anos sem falar comigo”, revela a atriz. “Foi Luiz Carlos que nos reaproximou”.

Ainda sem previsão de exibição nos cinemas paraibanos, a versão restaurada de A Hora da Estrela foi confirmada para exibição no Fest Aruanda, que acontece em dezembro, em João Pessoa. Uma sessão local, fundamental, seria um retorno triunfal, tal qual o de Marcélia Cartaxo a Cajazeiras, de volta do festival – com direito a desfile em carro aberto – e a exibição em sua cidade. “O filme representa tudo. Com ele, me descobri na vida e na carreira”, resume. “Tudo o que acontece é conseqüência desse trabalho”.

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Audrey, na versão florista de "My Fair Lady"...

A notícia de que vão refilmar My Fair Lady – Minha Bela Dama não me abalou como poderia. Isso porque os nomes envolvidos me pareceram bastante adequados. O mais importante, claro, é quem será a nova Eliza Doolittle, a florista pobre que é educada para ser uma dama, personagem criada por George Bernard Shaw na peça original, Pigmalião. E vivida no cinema por ninguém menos que Audrey Hepburn – razão pela qual eu deveria estar com os dois pés atrás para qualquer refilmagem que se aventurasse.

Enfim. A nova Eliza será Keira Knightley. Uma atriz britânica bonita e que já se provou bastante eficiente quando exigida. Tem o típico físico da Audrey – ou seja: é magricela, mas um encanto. Nunca a ouvi cantar, mas, até aí, Audrey também não cantou em My Fair Lady – foi dublada (contra a vontade, diga-se).

A direção é de Joe Wright, que dirigiu Keira nos ótimos Orgulho & Preconceito e Desejo e Reparação, e parece ter bem mais a ver com o projeto que no nome anterior que estava na função: Danny Boyle (de quem gosto muito, de Cova Rasa a Quem Quer Ser um Milionário?). Para o professor grosseirão Henry Higgins (papel que deu o Oscar a Rex Harrison), o cotado é Daniel Craig. Grosseirão ele sabe ser – é só ver os dois filmes que estrelou como James Bond.

Piratas do Caribe-O Bau da Morte-15

...e Keira Knightley, que pode ser a próxima no papel

Mas o grande lance que me animou está no roteiro. Quem vai escrever o filme é simplesmente uma das mulheres vivas mais talentosas desse mundo das artes: Emma Thompson. Não estranhe e não esqueça que ela já ganhou um justíssimo Oscar pelo roteiro de Razão e Sensibilidade, em 1996. Mas e as músicas? Será que serão as mesmas? Sim, porque note que não é uma nova adaptação de Pigmalião, é uma refilmagem de My Fair Lady. Logo, será também um musical.

Por falar nisso, descobri hoje que a Paramount vai relançar a edição dupla de My Fair Lady já lançada pela Warner – mas com outra capa. Uma nova oportunidade para quem deixou de comprar aquela edição, que é excelente – não só pelo filme, mas pelos extras, que incluem um excelente making of e cenas com a voz original de Audrey cantando em dois números.

Em tempo: é engraçado, me lembro que em VHS esse filme saiu pela Fox. Em DVD, saiu pela Warner (o estúdio original do filme e, agora, pela Paramount). Complicado esse mundinho dos filmes e suas distribuidoras…

1 - Catherine Deneuve ("Fome de Viver")

1 - Catherine Deneuve ("Fome de Viver")

2 - Carrie Fisher ("O Retorno de Jedi")

2 - Carrier Fisher ("O Retorno de Jedi")

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3 - Valérie Kaprisky ("A Força do Amor")

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4 - Kathleen Turner ("O Homem com Dois Cérebros")

Posteriormente na lista: 3ª em 1984, por Tudo por uma Esmeralda e Crimes de Paixão; 3ª em 1985, por A Jóia do Nilo e A Honra do Poderoso Prizzi; 5ª em 1986, por Peggy Sue, Seu Passado a Espera; 6ª em 1989, por A Guerra dos Roses.

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5 - Rebecca DeMornay ("Negócio Arriscado")

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6 - Debra Winger ("Laços de Ternura")

Posteriormente na lista: 6ª em 1986, por Perigosamente Juntos e O Mistério da Viúva Negra.

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7 - Mariel Hemingway ("Star 80")

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8 - Sonia Braga ("Gabriela")

Posteriormente na lista: 12ª em 1986, por Luar sobre Parador e Rebelião em Milagro.

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9 - Michelle Pfeiffer ("Scarface")

Posteriormente na lista: 9ª em 1984, por Um Romance Muito Perigoso; 1ª em 1985, por O Feitiço de Áquila; 1ª em 1988, por De Caso com a Máfia, Ligações Perigosas e Conspiração Tequila; 1ª em 1989, por Susie e os Baker Boys; 6ª em 1991, por Frankie & Johnny; 2ª em 1992, por Batman – O Retorno e As Barreiras do Amor; 1ª em 1993, por A Época da Inocência; 10ª em 1994, por Lobo; 10ª em 1996, por Um Dia Especial.

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10 - Carla Camurati ("Onda Nova")

Posteriormente na lista: 1ª em 1984, por Estrela Nua e Os Bons Tempos Voltaram – Vamos Gozar Outra Vez; 14ª em 1987, por Eternamente Pagu; 10ª em 1991, por O Corpo.

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11 - Jennifer Beals ("Flashdance - Em Ritmo de Embalo")

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12 - Lysette Anthony ("Krull")

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13 - Susan Sarandon ("Fome de Viver")

Posteriormente na lista: 15ª em 1988, por Sorte no Amor; 11ª em 1990, por Loucos de Paixão; 9ª em 1991, por Thema & Louise.

14-Vera Zimmermann

14 - Vera Zimmermann ("Onda Nova")

15-Nastassja Kinski

15 - Nastassja Kinski ("Exposed" e, também, "Sinfonia da Primavera")

Posteriormente na lista: 2ª em 1984, por Os Amantes de Maria, Paris, Texas e Hotel Muito Louco.

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- Besouro: Um filme de ação brasileiro? O diretor João Daniel Tikhomiroff foi buscar um coreógrafo de lutas marciais chinês (assistente do principal coreógrafo de Matrix e O Tigre e o Dragão) e foi buscar inspiração na cultura africana para contar a história de um lendário capoeirista baiano – e contar sem economizar na fantasia. É uma proposta, no mínimo, curiosa e pouco tentada por aqui.
Box Manaíra 2 – sex. a seg. e qua.: 14h40, 16h45, 19h, 21h10; ter. e qui.: 16h45, 19h, 21h10.
Tambiá Shopping 5 – 14h50, 16h50, 18h50, 20h50.

- A Festa da Menina Morta: Primeiro filme dirigido por Matheus Nachtergaele, gira em torno de uma comunidade na Amazônia onde as pessoas tratam como santo um jovem que recebe mensagens de uma menina que desapareceu há tempos. O filme foi selecionado para a mostra Um Certo Olhar, em Cannes, onde chocou os espectadores.
Bangüê – sex. a dom.: 18h30, 20h30.

- Matadores de Vampiras Lésbicas: Bebendo na fonte dos filmes de vampiras da Hammer no começo dos anos 1970 (quando o filão do horror do estúdio ia se esgotando e eles começavam a apelar), Matadores mostra os homens de uma comunidade querendo se vingar das vampiras lésbicas que têm seqüestrado suas mulheres.
Box Manaíra 6 – sex. a seg. e qua.: 13h15, 15h15, 17h15, 19h15, 21h15; ter. e qui.: 15h15, 17h15, 19h15, 21h15.

- This Is It: O documentário que mostra os últimos dias de Michael Jackson, a partir dos ensaios para a última turnê, que não aconteceu. É bom não esperar muito mais que uma celebração do astro ou qualquer controvérsia.
Box Manaíra 5 – sex. a seg. e qua.: 14h30, 16h50, 19h10, 21h30; ter. e qui.: 16h50, 19h10, 21h30.
Tambiá Shopping 6 – 14h20, 16h20, 18h20, 20h20.

O show do crespo é hoje, no Paulo Pontes, às 20 horas. Corram que – segundo ele mesmo ontem, no twitter – os ingressos já estavam acabando. O papo foi quinta-feira, por telefone.

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"Eu me sinto muito jornalista"

"Eu me considero muito jornalista"

Se perguntado se ele se sente mais jornalista ou humorista, já que o CQC, do qual é repórter, mistura os dois elementos, Felipe Andreoli não demora para responder. “Meu, eu me considero muito jornalista”, disse. “Sempre tento colocar informação nas minhas matérias, mesmo tentando fazer graça”. Ele apresenta hoje, em João Pessoa, seu solo de comédia stand-up Que História É Essa?, no Teatro Paulo Pontes, às 20 horas. E até aí essa filosofia acaba sendo seguida.

“Meu show é um pouco diferente dos outros porque conto minhas experiências reais”, contou ele, ainda de São Paulo e por telefone, ao JORNAL DA PARAÍBA. “Claro que exagero um pouco aqui e ali”. Diferente dos colegas de equipe Danilo Gentili, Rafinha Bastos e Oscar Filho, ele não entrou no CQC vindo já do stand up. Tampouco da comédia de personagens, como Marco Luque.

“Trabalhei como auxiliar de produção e tive um quadro num programa evangélico da TV Record”, recordou. “Também trabalhei na Rede Gospel, passei cinco anos na TV Cultura e, depois, na Bandeirantes, como repórter de esportes”.

Um ano depois, surgiu o convite para o programa. “Minhas matérias para o esporte sempre tinham um tom bem humorado, divertido, ireeverente”, contou Andreoli, que é quem normalmente cobre o tema. “O que também ajuda é que os meninos não entendem nada de esporte. Só o Danilo é que entende um pouco”.

Pensando em fazer outras coisas além do CQC, ele resolveu arriscar o stand up. “Antes, pensava em apresentar eventos, fazer palestras, que eu achava que tinha mais a ver comigo”, explicou. “Os meninos superincentivaram. O Danilo me ajudou muito nos primeiros textos. Depois, adquiri meu próprio ritmo”. Que História É Essa? estreou em janeiro – e dos 40 minutos iniciais, o espetáculo hoje passa de uma hora de duração. “É algo que foi evoluindo e me deixou muito feliz”, contou. “Fiz um show em um teatro de Brasília e no camarim tem uma dedicatória da Fernanda Montenegro! Fico muito feliz de pisar nos mesmos palcos em que esses grandes atores pisaram. Eu nem imaginava”.

Para o novo desafio, Felipe Andreoli recebeu conselhos dos colegas mais experientes. “O Danilo leu meu primeiro texto e disse: ‘Olha, tá uma história engraçada, mas ela tem que ter vários momentos engraçados’”, lembrou.

Se no começo do CQC, no ano passado, os holofotes pairavam mais sobre Danilo Gentili, Rafinha Bastos e Oscar Filho, com o tempo Andreoli cresceu no programa e hoje se destaca pela versatilidade : faz sempre coberturas internacionais, como a posse de Barack Obama, os Jogos Olímpicos de Pequim e a escolha do Rio como sede olímpica em Copenhague, além de acompanhar os jogos da Seleção e do Campeonato Brasileiro.

Sua popularidade também é resultado de sua interação com o público, através de seu blog, com textos sempre reflexivos, e do twitter, onde responde diariamente perguntas dos fãs. “Acho que esses meios são superimportantes para a identificação com a galera”, disse. “Claro que eu uso para vender meu peixe também, anunciar meus shows, mas acho que é bacana para eles conhecer esse outro lado nosso também”.

O show em João Pessoa será seu segundo no Nordeste – antes, esteve em Teresina. Apesar de Rafinha Bastos ter tido o show cancelado na última hora, Marco Luque e Oscar Filho já se apresentaram na cidade. “Sempre sinto que a galera fica muito feliz quando volta do Nordeste”, contou. “O público é sempre muito carinhoso. Tô muito empolgado com o show aí”.

***

Outras entrevistas com o pessoal do stand up e do CQC:

- Marco Luque (1)
- Marco Luque (2)
- Oscar Filho
- Rafinha Bastos

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O Irã, em tons de cinza

O passado em preto-e-branco, o presente a cores

O passado em preto-e-branco, o presente a cores

A HQ Persépolis é uma autobiografia: Marjane Satrapi escreveu e desenhou sua própria história – e, por tabela, a história de seu país, o Irã, a partir do fim dos anos 1970. Vieram os prêmios, o sucesso e a adaptação para o cinema, em uma animação igualmente celebrada: Persépolis (Persepolis, França/ Estados Unidos, 2007).

Marjane dirige o filme ao lado do francês Vincent Paronnaud, também quadrinhista. A trama é transposta com compreensível abreviação de algumas passagens (a série original é composta de quatro livros), mas muita fidelidade e, principalmente, o clima que mistura o tom de fábula, o bom humor alternando com o tom de reportagem da vida no Irã e a combinação de um visual simples, mas muito elaborado.

O traço de Marjane, que nas HQs lembram xilogravuras, foi sensivelmente “amaciado” para a animação, sem prejuízo algum. O filme continua batendo duro na opressão da mulher na sociedade iraniana pós-Revolução Islâmica e é eficiente ao mostrar o antes e o depois do país na infância de Marjane, sua criação em uma família de classe média progressista, a guerra vista de dentro de casa e a inadequação da jovem mulher na Europa, depois de crescida – ponto em que o filme se torna a história de uma iraniana em busca de sua identidade e da relação com seu país.

A maior parte do tempo em preto e branco, Persépolis é visualmente deslumbrante, com grandes resultados nos efeitos – o uso de silhuetas ou de imagens oníricas. E consegue passar um sentimento complexo de amor e angústia pelo país que, ainda por cima, nos ajuda a minimizar estereótipos.

Persépolis (Persépolis, França/ Estados Unidos, 2007). Direção: Marjane Satrapi, Vincent Paronnaud. Vozes na dublagem original: Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian, Gabrielle Lopes Benites. Disponível em DVD no Brasil.

1 - Carla Camurati ("Estrela Nua" e, também, "Os Bons Tempos Voltaram - Vamos Gozar Outra vez")

1 - Carla Camurati ("Estrela Nua" e, também, "Os Bons Tempos Voltaram - Vamos Gozar Outra Vez")

Anteriormente na lista: 10ª em 1983, por Onda Nova. Posteriormente na lista: 14ª em 1987, por Eternamente Pagu; 10ª em 1991, por O Corpo.

2 - Nastassja Kinski ("Os Amantes de Maria" e, também, "Paris, Texas")

2 - Nastassja Kinski ("Os Amantes de Maria" e, também, "Paris, Texas" e "Hotel Muito Louco")

Anteriormente na lista: 15ª em 1983, por Exposed e Sinfonia da Primavera.

3 - Kathleen Turner ("Tudo por uma Esmeralda" e, também, "Crimes de Paixão")

3 - Kathleen Turner ("Tudo por uma Esmeralda" e, também, "Crimes de Paixão")

Anteriormente na lista: 4ª em 1983, por O Homem com Dois Cérebros. Posteriormente na lista: 3ª em 1985, por A Jóia do Nilo e A Honra do Poderoso Prizzi; 5ª em 1986, por Peggy Sue, Seu Passado a Espera; 6ª em 1989, por A Guerra dos Roses.

4 - Daryl Hannah ("Splash - Uma Sereia em Minha Vida")

4 - Daryl Hannah ("Splash - Uma Sereia em Minha Vida")

Posteriormente na lista: 3ª em 1986, por A Tribo da Caverna do Urso e Perigosamente Juntos; 4ª em 1987, por Roxanne e Wall Street – Poder e Cobiça; 12ª em 1992, por Memórias de um Homem Invisível e Brincando nos Campos do Senhor.

5 - Diane Lane ("Ruas de Fogo" e, também, "Cotton Club")

5 - Diane Lane ("Ruas de Fogo" e, também, "Cotton Club")

Posteriormente na lista: 8ª em 1991, por Face a Face com o Inimigo; 1ª em 2002, por Infidelidade; 14ª em 2005, por Procura-se um Amor que Goste de Cachorros.

6 - Kate Capshaw ("Indiana Jones e o Templo da Perdição")

6 - Kate Capshaw ("Indiana Jones e o Templo da Perdição")

7 - Karen Allen ("Starman - O Homem das Estrelas")

7 - Karen Allen ("Starman - O Homem das Estrelas")

8 - Kelly LeBrock ("A Dama de Vermelho")

8 - Kelly LeBrock ("A Dama de Vermelho")

Posteriormente na lista: 15ª em 1985, por Mulher Nota 1000.

9 - Michelle Pfeiffer ("Um Romance Muito Perigoso")

9 - Michelle Pfeiffer ("Um Romance Muito Perigoso")

Anteriormente na lista: 9ª em 1983, por Scarface. Posteriormente na lista: 1ª em 1985, por O Feitiço de Áquila; 1ª em 1988, por De Caso com a Máfia, Ligações Perigosas e Conspiração Tequila; 1ª em 1989, por Susie e os Baker Boys; 6ª em 1991, por Frankie & Johnny; 2ª em 1992, por Batman – O Retorno e As Barreiras do Amor; 1ª em 1993, por A Época da Inocência; 10ª em 1994, por Lobo; 10ª em 1996, por Um Dia Especial.

10 - Helen Slater ("Supergirl")

10 - Helen Slater ("Supergirl")

Posteriormente na lista: 9ª em 1985, por A Lenda de Billie Jean.

11 - Sigourney Weaver ("Os Caça-Fantasmas")

11 - Sigourney Weaver ("Os Caça-Fantasmas")

12 - Molly Ringwald ("Gatinhas e Gatões")

12 - Molly Ringwald ("Gatinhas e Gatões")

Posteriormente na lista: 8ª em 1985, por Clube dos Cinco; 12ª em 1986, por A Garota de Rosa-Shocking.

13 - Tanya Roberts ("Sheena, a Rainha das Selvas")

13 - Tanya Roberts ("Sheena, a Rainha das Selvas")

Posteriormente na lista: 13ª em 1985, por 007 na Mira dos Assassinos.

14 - Phoebe Cates ("Gremlins")

14 - Phoebe Cates ("Gremlins")

15 - Elizabeth McGovern ("Adeus à Inocência" e, também, "Era uma Vez na América")

15 - Elizabeth McGovern ("Adeus à Inocência" e, também, "Era uma Vez na América")

Musas de 1983 <<
>> Musas de 1985

- Distrito 9: O que acontece depois que extraterrestres chegam à Terra. Neste filme, eles são confinados num gueto, na África do Sul, no que – ao que parece – é um retorno à velha e boa artimanha de usar a ficção científica para falar da gente mesmo.
JP – Box Manaíra 5 (sex. a seg. e qua.: 14h, 16h30, 19h, 21h30; ter. e qui.: 16h30, 19h, 21h30).
JP – Tambiá Shopping 5 (14h50, 16h50, 18h50, 20h50).

- Novidades no Amor: Catherine Zeta-Jones é uma mãe solteirona quarentona que atraias atenções de um vizinho na casa dos 20 e poucos. Haverá alguma verdade no título nacional ou será a comédia romântica de sempre?
JP – Box Manaíra 7 (sex. a seg. e qua.: 14h50, 17h, 19h10, 21h20; ter. e qui.: 17h, 19h10, 21h20).

- Pequenos Invasores: Grupo de crianças descobre que invasores alienígenas se instalaram bem no andar de cima de sua casa. Só que eles são diminutos e atrapalhados. É daqueles filmes que podem ser uma diversão bacana ou uma perda de tempo colossal.
JP – Box Manaíra 1 (sex. a seg. e qua.: 14h45, 16h45, 18h45, 20h45; ter. e qui.: 16h45, 18h45, 20h45).
JP – Tambiá Shopping 4 (14h40, 16h40, 18h40, 20h40.

- Te Amarei para Sempre: Eric Bana é um sujeito que tem uma modificação genética que o faz viajar pelo tempo sem aviso. Numa dessas viagens, se apaixona por uma garota (Rachel McAdams) e o relacionamento terá que agüentar essas idas e vindas.
JP – Box Manaíra 6 (sex. a seg. e qua.: 14h15, 16h35, 18h55, 21h15; ter. e qui.: 16h35, 18h55, 21h15).

Daniel de Oliveira ganhou três prêmios como melhor ator por "A Festa da Menina Morta"

Daniel de Oliveira ganhou três prêmios como melhor ator por "A Festa da Menina Morta"

Já perdi a conta de quantas vezes o Cine Bangüê, do Espaço Cultural, voltou. Mais um retorno virá no dia 29: o cinema voltará a funcionar como tal (faz tempo que só concertos de orquestras acontecem ali) com a exibição de A Festa da Menina Morta, de Matheus Nachtergaele.

Dia 29 será a reestréia para convidados e o cinema volta para o grande público no dia seguinte, com sessões de sexta a domingo, às 18h30 e 20h30 – com alterações no horário quando a duração do filme exigir. A Festa da Menina Morta, primeiro filme de Nachtergaele como diretor (o relise confirma que ele vem para a reabertura do cinema), levou seis prêmios no Festival de Gramado – incluindo melhor ator para Daniel de Oliveira. Daniel ganhou também no Festival do Rio e, semana passada, o Prêmio Contigo! de Cinema.

O Luiz Carlos Merten escreveu sobre o filme: “Minha primeira sensação diante da festa foi de ‘estranhamento’. Achei que não tinha gostado do filme, mas depois o revi muitas vezes e fui gostando cada vez mais. Belo filme, corajoso, intenso”. Teve gente dizendo que é uma pedrada, algo na linha Amarelo Manga (2003), no qual Matheus é ator. A ver.

Do Bangüê, o que se espera é o que já se esperou tantas vezes durante tanto tempo: um som minimamente decente, uma programação que varie, que aborde também os clássicos relançados, e que não sejamos surpreendidos na porta com a não-exibição porque não há um público mínimo de três pessoas.

E do público, o básico do básico: que vá.

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A verdade e a lenda

Nem Lee Marvin pode com John Wayne

Nem Lee Marvin pode com John Wayne

Em 2003, ano do centenário do faroeste, eu consultei 15 cinéfilos paraibanos sobre seus filmes preferidos no gênero. Cada um podia citar cinco filmes – e em 13 das listas estava O Homem que Matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valance, Estados Unidos, 1962). Foi o mais votado, ficando à frente de outros westerns normalmente mais badalados. Por que essa adoração? Não é tão fácil responder. É um filme atípico dentro do gênero e da filmografia do diretor que – a história já foi contada mil vezes – certa vez se levantou numa reunião de diretores e se apresentou: “Meu nome é John Ford. Eu faço westerns”.

Em 1962, Ford já vinha fazendo westerns há uns 40 anos. É notável como a psicologia de seus filmes vai ficando mais complexa no transcorrer desses anos. Os índios, por exemplo, não eram muito mais que uma ameaça à espreita para atacar e ser abatida em No Tempo das Diligências (1939) continuaram uma ameaça, mas com justificativas em Rastros de Ódio (1956) e nem aparecem em O Homem que Matou o Facínora (1962). E, dois anos depois, seriam até redimidos por ele, em Crepúsculo de uma Raça (1966).

Ford, que nunca se preocupou muito em transmitir “mensagens” em seus faroestes, fala bastante de política em O Homem que Matou o Facínora. O fio condutor é a história do jovem Ransom Stoddard (James Stewart), contada em flashback por ele mesmo, já um veterano senador. Idealista, ele chega à Shinbone para tentar a vida no oeste e é recebido da pior maneira – é atacado ainda na estrada pela gangue liderada pelo sádico Liberty Valance (Lee Marvin). As atividades de Valance não são segredo para ninguém em Shinbone, mas nenhum cidadão tem coragem de enfrentá-lo – o único que realmente o intimida, o rancheiro Tom Doniphon (John Wayne), está mais interessado em cuidar da própria vida.

Isso inclui a paixão por Hallie (Vera Miles), que trabalha num restaurante. É Doniphon que encontra Stoddard na estrada e é para o restaurante que ele o leva para ser cuidado. Começa aí uma relação complicada de amizade, respeito, idéias opostas e rivalidade (pelo amor de Hallie) entre os dois. Wayne e Stewart empreendem um dos maiores duelos do cinema, o que foi um toque genial de Ford ao escalar o elenco. Para Doniphon, não dá para ficar na cidade, sob a mira de Valance, sem uma arma. Rance não quer matá-lo, quer que ele seja preso, quer lei e ordem. Mas não há lei em Shinbone que, ainda por cima, é localizada numa região que ainda não é um estado da União.

O tempo todo no filme, Rance é pressionado para o lado contrário – e, mesmo assim, monta uma escola, ensina noções de democracia e igualdade e involuntariamente se torna o líder da campanha para tornar a região aberta num estado.

Num filme com esse tom político, Ford resolveu tocar no papel da imprensa, através do jornalista Dutton Peabody (Edmond O’Brian). Um papel não muito claro, diga-se: dono, editor, redator e – como ele mesmo diz – faxineiro do jornal da cidade, Peabody vai de noticiar o nascimento de bebês à luta dos pequenos fazendeiros contra os grandes criadores de gado. Assume o jornalismo como uma missão, mesmo que vá contra os poderosos. “É notícia, e eu sou um jornalista”, diz.

Mas quando algumas verdades são reveladas, a frase dita é a que marcou o filme: “Aqui é o oeste. Quando a lenda se torna verdade, imprima-se a lenda”. Ford imprimiu a lenda pela maior parte de sua carreira e, só nesta fase final, num período revisionista da história do mundo, tentou pender para o lado das verdades. Mas, com essa frase, parece querer dizer que ele, quando o assunto era o oeste, a lenda é que contava.

O Homem que Matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valance, Estados Unidos, 1962). Direção: John Ford. Elenco: James Stewart, John Wayne, Lee Marvin, Vera Miles, Edmond O’Brien, Andy Devine, Woody Strode, Lee Van Cleef, Strother Martin, John Carradine, Jeanette Nolan, John Qualen.

1 - Michelle Pfeiffer ("O Feitiço de Áquila")

1 - Michelle Pfeiffer ("O Feitiço de Áquila")

Anteriormente na lista: 9ª em 1983, por Scarface; 9ª em 1984, por Um Romance Muito Perigoso. Posteriormente na lista: 1ª em 1988, por De Caso com a Máfia, Ligações Perigosas e Conspiração Tequila; 1ª em 1989, por Susie e os Baker Boys; 6ª em 1991, por Frankie & Johnny; 2ª em 1992, por Batman – O Retorno e As Barreiras do Amor; 1ª em 1993, por A Época da Inocência; 10ª em 1994, por Lobo; 10ª em 1996, por Um Dia Especial.

2 - Mathilda May ("Força Sinistra")

2 - Mathilda May ("Força Sinistra")

3 - Kathleen Turner ("A Jóia do Nilo" e, também, "A Honra do Poderoso Prizzi")

3 - Kathleen Turner ("A Jóia do Nilo" e, também, "A Honra do Poderoso Prizzi")

Anteriormente na lista: 4ª em 1983, por O Homem com Dois Cérebros; 3ª por Tudo por uma Esmeralda e Crimes de Paixão. Posteriormente na lista: 5ª em 1986, por Peggy Sue, Seu Passado a Espera; 6ª em 1989, por A Guerra dos Roses.

4 - Jennifer Jason Leigh ("Conquista Sangrenta")

4 - Jennifer Jason Leigh ("Conquista Sangrenta")

Posteriormente na lista: 9ª em 1989, por Noites Violentas no Brooklyn; 8ª em 1992, por Mulher Solteira Procura.

5 - Kelly Preston ("Admiradora Secreta" e, também, "A Primeira Transa de Jonathan")

5 - Kelly Preston ("Admiradora Secreta" e, também, "A Primeira Transa de Jonathan")

Posteriormente na lista: 4ª em 1988, por Irmãos Gêmeos.

6 - Lea Thompson ("De Volta para o Futuro")

6 - Lea Thompson ("De Volta para o Futuro")

7 - Madonna ("Procura-se Susan Desesperadamente")

7 - Madonna ("Procura-se Susan Desesperadamente")

Posteriormente na lista: 8ª em 1990, por Na Cama com Madonna e Dick Tracy; 5ª em 1992, por Corpo em Evidência, Uma Equipe Muito Especial e Neblina e Sombras.

8 - Molly Ringwald ("Clube dos Cinco")

8 - Molly Ringwald ("Clube dos Cinco")

Anteriormente na lista: 12ª em 1984, por Gatinhas e Gatões. Posteriormente na lista: 12ª em 1986, por A Garota de Rosa-Shocking.

9 - Helen Slater ("A Lenda de Billie Jean")

9 - Helen Slater ("A Lenda de Billie Jean")

Anteriormente na lista: 10ª em 1984, por Supergirl.

10 - Tahnee Welch ("Cocoon")

10 - Tahnee Welch ("Cocoon")

11 - Demi Moore ("O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas")

11 - Demi Moore ("O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas")

Posteriormente na lista: 4ª em 1986, por Sobre Ontem à Noite.

12 - Sharon Stone ("As Minas do Rei Salomão")

12 - Sharon Stone ("As Minas do Rei Salomão")

Posteriormente na lista: 10ª em 1990, por O Vingador do Futuro; 1ª em 1992, por Instinto Selvagem; 5ª em 1993, por Invasão de Privacidade; 7ª em 1995, por Cassino; 15ª em 1996, por Diabolique; 12ª em 1999, por A Musa.

13 - Tanya Roberts ("007 na Mira dos Assassinos")

13 - Tanya Roberts ("007 na Mira dos Assassinos")

Anteriormente na lista: 13ª em 1984, por Sheena, a Rainha das Selvas.

14 - Rosanna Arquette ("Depois de Horas" e, também, "Procura-se Susan Desesperadamente")

14 - Rosanna Arquette ("Depois de Horas" e, também, "Procura-se Susan Desesperadamente")

Posteriormente na lista: 14ª em 1989, por Contos de Nova York.

15 - Kelly LeBrock ("Mulher Nota 1000")

15 - Kelly LeBrock ("Mulher Nota 1000")

Anteriormente na lista: 8ª em 1985, por A Dama de Vermelho.

Musas de 1984 <<
>> Musas de 1986

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Foi outro dia mesmo

Na banheira com Cláudia Raia

Na banheira com Cláudia Raia

Você percebe que Rui e Vani estão mesmo de volta quando ela vai ao banheiro feminino e desenha com batom no espelho um gráfico que relaciona à quantidade de sexo ao tempo do relacionamento. Sempre disposto a alguma teoria louca e aos maiores vexames, o casal parece não ter sentido a passagem do tempo em Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas (Brasil, 2009), continuação que surge seis anos após o primeiro filme e o fim do seriado.

Na verdade, talvez exatamente por essa distância no tempo, Os Normais 2 parece muito mais um episódio da série do que o primeiro filme, que era retroativo e contava como Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) se conheceram e se apaixonaram. Aqui, a trama é totalmente episódica: com a falta de sexo, Vani decide que o casal deve promover um menage a trois – e já, naquela noite mesmo.

A procura por uma parceira para o sexo a três é o fio condutor do filme, repleto de participações especiais (entre elas, a paraibana Mayana Neiva, que está muito bem como uma francesa), comédia física e palavrões. O filme se aproveita claramente de não estar no horário nobre da TV para usar elementos que não podia no horário nobre – como a “boca suja”, que parece muito mais natural nos personagens. Por outro lado, o filme é curtíssimo – 1h15 de duração – fazendo com que a cara de episódio de TV seja maior ainda.

Talvez seja apenas uma limitação necessária para manter as características narrativas da série no cinema. É, também, muito agradável ver que o diretor José Alvarenga Jr. e os roteiristas Alexandre Machado e Fernanda Young não perderam o jeito de Os Normais depois destes anos. Episódico como é, não muda nada nem para os protagonistas (quanto mais para o cinema nacional), mas é muito divertido mesmo assim.

Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas (Brasil, 2009). Direção: José Alvarenga Jr. Elenco: Luiz Fernando Guimarães, Fernanda Torres, Cláudia Raia, Drica Moraes, Danielle Winits, Daniel Dantas, Alinne Moraes, Daniele Suzuki, Mayana Neiva.

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Clic 4: stars-blue-3-0

Variar as posições?

Claudia só é afetada pelo aparelho no final de 'Clic 3'

Claudia só é afetada pelo aparelho no final de 'Clic 3'

Se o italiano Milo Manara é um dos maiores autores dos quadrinhos eróticos, a série Clic certamente é o trabalho que mais o identifica. Clic 3 (Conrad, 72 páginas cada) e Clic 4 (Conrad, 56 páginas), lançadas há alguns meses e que fecham a coleção no Brasil.

A trama gira em torno de uma máquina que aciona um chip implantado dentro da protagonista Claudia Christiani, liberando sua libido e a transformando de uma mulher frígida em uma ninfomaníaca insaciável. Manara não economiza nas cenas de sexo e brinca com o fato de que todos podem ter fantasias semelhantes (as mais despudoradas) dentro de si.

O volume 3, curiosamente, tenta variar a trama, já que os dois primeiros são uma sucessão de situações de práticas sexuais cada vez mais ousadas e criativas de Claudia sob controle da maquininha. Aqui, Manara desenrola uma história na Amazônia envolvendo uma seita sexual e mineração, com o aparelho aparecendo só no final, para azar de Claudia.

Ou seja, não é bem uma história sobre o “clic”, mas uma fantasia erótica em que Manara brinca colocando um Marlon Brando como o líder da tal seita .

Em 'Clic 4', uma volta às origens do álbum original

Em 'Clic 4', uma volta às origens do álbum original

Ou seja, não é bem uma história sobre o “clic”, mas uma fantasia erótica em que Manara brinca colocando até um sósia de Marlon Brando como o líder da tal seita. Claudia encarna a repórter ligada a causas ecológicas, função que ela desempenha desde Clic 2 e que era bem diferente da socialite do primeiro volume.

No volume 4, Manara resolve voltar ao básico e a trama é ambientada entre as partes 1 e 2, com Claudia ainda como aristocrata. Essa volta ao passado é curiosa e soa até um pouco como um retrocesso, já que a personagem volta a ser uma retraída liberada pelo aparelho. Claudia, na verdade, nem é a protagonista da trama, e, sim, uma mulher que quer se vingar do marido dela.

Quanto ao erotismo, a história é outra: Claudia é a protagonista absoluta, sendo levada ao limite por Manara em situações de muito exibicionismo. Garante o show, mesmo com um roteiro que poderia ser mais inspirado. Em ambas as edições, porém, os desenhos de Manara estão – como sempre – deslumbrantes. São – há muito tempo – as melhores mulheres dos quadrinhos atuais.

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A fofíssima Maria Flor é a Aline da Globo

A fofíssima Maria Flor é a Aline da Globo

Hoje estréia Aline, na Globo (às 22h55, segundo o site da emissora – bom, depois de A Grande Família). O piloto foi exibido em dezembro passado, dentro da programação de fim de ano da Globo – agora, ganha mais sete episódios, e com a superfofinha da Maria Flor de novo no papel principal.

A série, para quem ainda não sabe, é uma adaptação das tirinhas do Adão Iturrusgarai, suavizando bastante o triângulo amoroso entre ela e seus dois namorados. Brincando com modernidades e apostando no clima alto astral, o especial de TV acabou lembrando o lendário triângulo formado por Zelda Scott, Juba e Lula em Armação Ilimitada, nos anos 1980.

Bem, Adão, que hoje vive na Argentina, me respondeu umas perguntas por e-mail. E lá embaixo você vê um teaser da série.

Muitos leitores de sua HQ reclamaram da suavização da Aline e acho que me lembro, se não me engano, que você mesmo ficou um pouco desconfortável quando o piloto foi ao ar. Agora, como sente?
Eu já avisei pros fãs mais “fundamentalistas” da Aline não assistirem a adaptação pra TV. Uma coisa são os quadrinhos e outra é a TV: são dois veículos completamente diferentes e com público bastante diferente. Eu estava desconfortável antes de ver o especial, preocupado com o que
iriam fazer com meu personagem, mas me aliviei ao ver. Gostei bastante do resultado, é bastante fiel às piadas das minhas tiras. Agora me sinto mais tranqüilo. Conheco quase todos os roteiristas do seriado, alguns são meus amigos. Agora eles vão tocar o personagem com as piadas deles. Obviamente o personagem vai mudar um pouco. Mas essa é a Aline da Globo. A minha, intocável, continua no papel.

Como foi a criação da Aline?
Aline surgiu, não me pergunte porquê, numa manhã que eu estava com uma ressaca daquelas. Foi em 1994, por aí. O Angeli um dia me perguntou por que eu não criava uma serie de tiras e eu tive a idéia de fazer um triângulo amoroso. A idéia do triângulo amoroso me animava porque achava que podia dar muito pano pra manga pra piadas. E acabou dando.

E por que o nome? Tem algum motivo?
Até hoje me questiono sobre  a origem. Boa pergunta.

Por que você se mudou para a Patagônia?
Bom, Laura, minha mulher, é da Patagônia. Nos conhecemos em Buenos Aires e resolvemos mudar prum lugar pequeno, mais tranqüilo pra criar filhos. Na verdade, estou fazendo a minha parte: povoando a Patagônia. As grandes cidades já estão muito cheias, não?

...E a Aline dos quadrinhos, bem mais atiradinha

...E a Aline dos quadrinhos, bem mais atiradinha

Está publicando em jornais daí?
Por enquanto estou publicando na revista Fierro. Um título classico de quadrinhos.

Pretende assistir à série?
Eu tenho a Globo Internacional por satélite, mas vai passar muito tarde aqui. Vou pedir pros meus amigos da Globo me enviarem um DVD quando terminar a série. Aí, assisto tranqüilo.

Cocacola-1982

Mais um antológico comercial da Coca-Cola, da época em que eles eram feitos com gente, músicas empolgantes e imagens de pura felicidade. Aqui, temos a campanha “Coke is it”, de 1982, que parece ser inspirada no filme Fama, de 1980.

E veja o meu melhor comercial da Coca-Cola de todos os tempos!

E não é que uma nova versão de Fama estreou nos Estados Unidos na sexta-feira passada? Você lembra da primeira versão? Ah, mas da música cantada pela Irene Cara você lembra…

Versão de 1980, dirigida por Alan Parker:

Versão 2009:

 

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