Elídio, Daniel e Anderson: da escola ao improviso

Elídio, Daniel e Anderson: da escola ao improviso

Antes de mais nada: o Improvável não é comédia stand-up. Enquanto o stand-up faz uso de textos criados pelos próprios humoristas que se apresentam, o espetáculo da Barbixas Cia. de Humor simplesmente não tem texto algum: trata-se de um espetáculo de improviso. O público que admira um costuma admirar o outro, mas o espetáculo encenado por Anderson Bizzocchi, Daniel Nascimento e Elídio Sanna tem vida própria – e como: os vídeos no YouTube têm uma média de 300 mil acessos por dia. É com esse cartaz que o espetáculo será apresentado em Campina Grande, no Garden Hotel, sexta, às 19 horas, e sábado, às 19 e às 21 horas.

A peça é inspirada no programa de TV Whose Line Is it Anyway?, que teve versões na Inglaterra e nos Estados Unidos. “Todos gostávamos do programa britânico”, contou Elídio, por telefone, de São Paulo. “Mas esses jogos de improvisação existem no mundo todo. No Brasil, é que nunca foram difundidos”. O Improvável é baseado nesses jogos, como o “Só perguntas”, em que um diálogo tem que ser construído exclusivamente assim, e o “Transforma”, no qual as situações definidas são repentinamente transformadas em outras.

Há um mestre-de-cerimônias que comanda o show e jogam quatro – de modo que há sempre dois convidados. Em Campina, as comediantes Marcela Leal e Cristiane Wersom completam o time – as duas já são habitués do espetáculo. Marcela faz parte do Clube da Comédia, de humoristas ligado ao stand up – vários humoristas do estilo são convidados recorrentes dos Barbixas, o que aumenta a unificação do público e a possibilidade de confusão por parte dos desavisados.

Rafinha Bastos, por exemplo, era o mestre-de-cerimônias fixo no começo. “Já éramos amigos do Rafinha, do Marco Luque e do pessoal do Melhores do Mundo”, contou Elídio. Também já passaram por lá Marianna Armellini, Oscar Filho, Márcio Ballas e Marcelo Tas, entre outros. A variedade nos jogos e situações torna difícil saber onde cada um é melhor. S0bre Marcela e Cristiane, que protagonizam quadros impagáveis disponíveis no YouTube, Elídio não sabe responder. “É muito difícil de dizer”, afirmou. “É incrível como dependendo do espetáculo um jogo acaba sendo o melhor do dia”.

Elídio, Anderson e Daniel se conhecem desde o segundo grau. “Uma vez Daniel e eu fomos pegar umas xerox e pegamos errado – e era do Anderson”, lembrou Elidio. “Era um texto de humor do Monty Python”. Como Elídio e Daniel já tinham feito um ou outro show com músicas humorísticas, o Monty Python acabou unindo o trio.Isso aconteceu entre 2001 e 2002. Em 2004, veio a primeira peça, com esquetes cômicos. “Era um ‘espetáculo cover’”, disse Elídio. “Eram esquetes do Rowan Atkinson, Monty Python…”. Em 2007, veio o Improvável.

O YouTube ajudou a tornar o espetáculo um sucesso em lugares onde nunca se apresentou, mas foi quase por acidente. “Na verdade, quando a gente colocou os vídeos lá pelo fato de termos gravado o piloto em DVD para divulgação”, lembrou Elídio. “Para não precisar distribuir os DVDs, colocamos no YouTube e mandávamos o link para os diretores artísticos dos teatros”.Como os vídeos foram tornando-se populares, eles continuaram gravando e postando – afinal, como todo espetáculo é completamente novo, não estão estragando nenhuma surpresa. Atualmente já ultrapassaram a marca de 65 milhões de acessos, com uma média de cerca de 300 mil por dia.

Os jogos são variados e podem não se repetir de uma espetáculo para o outro. O trio também não planeja com muita antecedência – não há nem mesmo os “grandes sucessos” que não podem faltar. “A gente evita não colocar o jogo do ‘Transforma’, por exemplo, ou o ‘Cenas improváveis’”, considerou. São, em média, oito ou nove jogos a cada apresentação, mas isso também não é fixo. “Como é tudo improvisado, a gente nao sabe quanto tempo vai ter cada jogo”.

Os Barbixas acabaram chegando à televisão, estrelando o Quinta Categoria, na MTV, ao lado de Marcos Mion. São também jogos de improvisação, mas não os mesmos que usam no palco. “Nosso objetivo é fazer um segundo produto”, contou. “O teatro é uma mídia, talvez a mais encantadora de todas, e na TV procuramos fazer quadros mais… televisivos. A gente respeita a mídia em que está e tenta aproveitá-la ao máximo”.

Não ter num texto pronto pode ser mais assustador do que ter um longo texto a ser decorado. “O improviso é muito diferente”, disse Elídio. “Mas a ansiedade era maior no começo. Na primeira vez, eu pensei: ‘Meu Deus, o que é que eu tô fazendo? Tô entrando em um espetáculo que não conheço o texto!’. Mas você começa a ganhar tanta segurança que parece que sabe o que vai falar – mas não sabe”.