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Mergulho nos personagens

A bordo de um avião: uma das vidas de Marcelo

É praticamente irresistível fazer comparações entre VIPs (Brasil, 2011) e o hollywoodiano Prenda-me Se For Capaz (2002). Afinal, os dois contam história reais de mentirosos que conseguiram por muito tempo viver outras identidades. Ainda por cima, ambos os filmes são inspirados em histórias reais.

Há diferenças óbvias, claro, e a principal delas diz respeito ao tratamento psicológico que seus personagens recebem: Frank Abgnale, vivido por Leonardo Di Caprio no filme de Spielberg, sabe o tempo todo que está cometendo um golpe; para Marcelo da Rocha, personagem de Wagner Moura em VIPs, isso é verdade só no começo.

O mergulho de Marcelo em suas novas identidades – um piloto de avião de um aeroclube suspeito em Mato Grosso e, depois, um dos filhos do dono de uma companhia aérea – é tão fundo que, nos momentos decisivos, o rapaz tem dificuldade em se livrar delas. Se Marcelo fosse um ator profissional, ele seria um adepto extremista do famoso Método, criado pelo russo Constantin Stanislavski e popularizado pelo Actor’s Studio, em Nova York.

O roteiro de Thiago Dottori e Bráulio Mantovani (com base no livro de Mariana Caltabiano) dão essa densidade ao personagem tendo como alicerce a estranha relação com o pai aviador. O diretor Toniko Melo é um bom contador de histórias e não aposta demais no mistério, dando dicas ao espectador para que ele mesmo se guie.

É o caso muito bem sacado da foto da mãe no carnaval, no porta-retratos, desdobrada logo no começo e colocada em comparação com a foto de Marcelo na parede do salão de cabelereiro. Há também a metáfora do peixe atraído para a luz, depois retomada em um mergulho da câmera na piscina – o que, à primeira vista, parece gratuito e talvez até seja levar a metáfora a um contorcionismo cênico.

Felizmente Melo também é inteligente o suficiente para saber que seu trunfo é mesmo Wagner Moura. Assim, o ator baiano brilha sem concorrência, conseguindo mudar e, ao mesmo tempo, ser sempre o mesmo personagem. Na reta final, mais importante que uma nova fuga é a necessidade – ou, melhor ainda, a circunstância imperativa – que Marcelo tem de finalmente encarar quem ele é de verdade.

VIPs (Brasil, 2011). Direção: Toniko Melo. Elenco: Wagner Moura, Juliano Cazarré, Emiliano Ruschel, Jorge D’Elía, Gisele Fróes.

* Versão estendida de crítica publicada hoje no Correio da Paraíba.

"A Força do Coração", 1943

"O Pai da Noiva", 1950

"Um Lugar ao Sol", 1951

"Assim Caminha a Humanidade", 1956

"Gata em Teto de Zinco Quente", 1958

"De Repente, no Último Verão", 1959

"Disque Butterfield 8", 1960

"Cleópatra", 1963

"Adeus às Ilusões", 1965

"Quem Tem Medo de Virginia Woolf?", 1966

"O Pecado de Todos Nós", 1967

O Artur Xexéo publicou ontem um um texto no blog dele sobre Liz Taylor. Entre outras coisas dizia que a carreira dela ficou em segundo plano frente à vida pessoal. Não concordo e até acho que foi o contrário. Como escrevi na minha matéria para o Caderno 2 de hoje, ela foi uma sobrevivente e sua carreira sobreviveu inclusive à gigante exposição de sua vida na mídia – e olhe que os paparazzi nem eram tão urubus como hoje. Mesmo com os oito casamentos, com acidentes de maridos e amigos, com a pneumonia que quase a matou no auge da carreira, com os dois (!) casamentos com Richard Burton, com as campanhas de combate à Aids e ao preconceito, mesmo com tudo isso, o que se sobressai é sua beleza acachapante e papéis fortes e ousados. Da alternância de inocência e sedução em Um Lugar ao Sol (1951), ela passou a arriscar cada vez mais: sua personagem desafiou convenções e envelheceu décadas em Assim Caminha a Humanidade (1956); foi Maggie, a gata no cio enquanto o maridão não estava nem aí em Gata em Teto de Zinco Quente (1958); a jovem atormentada após um trauma sexual em De Repente, no Último Verão (1959); apareceu nua em Cleópatra (1963); envelheceu, enfeiou-se e disparou todo tipo de imprompérios em Quem Tem Medo de Virginia Woolf?; foi a infeliz e revanchista esposa de um militar impotente e homosexual, em O Pecado de Todos Nós (1967). Não é toda estrela que teve uma carreira assim.

Londres (Inglaterra),27 de fevereiro de 1932 – Los Angeles (EUA), 23 de março de 2011

Maggie em brasas, rejeitada pelo marido em Gata em Teto de Zinco Quente:

Woody Allen tem admiradores fiéis (entre os quais me incluo, claro). Por isso, perguntei aos tuíters quais os três favoritos de cada um. 11 responderam, com a minha resposta a seguir, somos 12. Aqui vão os três da maioria – na verdade, quatro, já que houve empate.

- Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e Manhattan (6 votos): Os dois filmes empataram na liderança com folga dos terceiros lugares. São, na prática, até parecidos: com um espaço de dois anos entre eles, têm Woody e Diane Keaton em complicações românticas, Nova York sempre eloqüente, referências culturais… Noivo Neurótico foi o filme que mudou tudo na carreira de Woody, em 1977. Aqui, ele migrou para um cinema de referências culturais e intelectuais inédito até então – e ganhou o Oscar. Manhattan é em preto-e-branco e tem a música de Gershwin na trilha sonora. Woody fez, em 1979, o filme definitivo com Nova York como personagem. O final, depois que o personagem de Allen enumera as razões pelas quais a vida vale a pena, é brilhante.

- Match Point e A Rosa Púrpura do Cairo (3 votos): Novo empate no terceiro lugar, agora entre filmes bem diferentes. Match Point (1986) é um drama criminal que foge ao estilo em que Allen se consagrou. A Rosa Púrpura do Cairo (1985) é um dos melhores filmes sobre cinema já feitos. Ambos com suas musas de cada momento: Scarlett Johansson, nos anos 2000; Mia Farrow, nos anos 1980.

- Os outros citados:

Tudo o que Você Gostaria de Saber sobre Sexo, mas Tinha Medo de Perguntar (1972), A Era do Rádio (1987), Todos Dizem Eu Te Amo (1996), Zelig (1983), Poderosa Afrodite (1995), Hannah e Suas Irmãs (1986): 2

Dirigindo no Escuro (2002), A Última Noite de Boris Gruschenko (1975), Maridos e Esposas (1993), Melinda e Melinda (2005), Desconstruindo Harry (1997), Vicky Cristina Barcelona (2008)

- Quem votou:

@FlavioMSP Dirigindo no Escuro, A Última Noite de Boris Gruschenko, Tudo o que Você Gostaria de Saber sobre Sexo, mas Tinha Medo de Perguntar

@selmaviana Todos Dizem Eu Te Amo, Poderosa Afrodite, Match Point

@allanray1979 Maridos e Esposas, Manhattan, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

@GianOrsini Manhattan, A Rosa Púrpura do Cairo, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

@fellini_76 Manhattan, Zelig, Match Point

@RodLaurentino A Era do Rádio, Hannah e Suas Irmãs, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

@Daslei Tudo o que Você Sempre Quis Saber sobre Sexo, mas Tinha Medo de Perguntar, Manhattan, Match Point

@betomenezes Manhattan, Melinda e Melinda, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

@AmadeusEduardo A Rosa Púrpura do Cairo, A Era do Rádio, Todos Dizem Eu Te Amo

@karolzilah Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Zelig, A Rosa Púrpura do Cairo

@evelinealvarez Desconstruindo Harry, Vicky Cristina Barcelona, Poderosa Afrodite

@renatofelix Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Hannah e Suas Irmãs, Manhattan

1 – Katharine Ross (“Butch Cassidy”)

Anteriormente em Musas retroativas: 6ª em 1967, por A Primeira Noite de um Homem.

Em um filme onde dois bandidos simpáticos – ambos entre os maiores galãs da história do cinema – são as estrelas, ela conseguiu brilhar como um sol. Katharine Ross é a Etta Place que namorava Sundance Kid (Robert Redford), mas tinha sua cena mais romântica com Butch Cassidy (Paul Newman), levada por ele em um grande invento daqueles tempos do velho oeste: a bicicleta. Lembrando que esta lista é feita de trás para a frente, portanto é a primeira aparição das três musas que ocupam o pódio: Katherine, Diana Rigg (estrela da série Os Vingadores que aparece como a única bondgirl que levou 007 ao altar) e Natalie Wood, que aparecerá várias vezes ainda.

2 – Diana Rigg (“007 a Serviço Secreto de Sua Majestade”)

3 – Natalie Wood (“Bob & Carol & Ted & Alice”)

Anteriormente em Musas retroativas: 10ª em 1962, por Em Busca de um Sonho; 3ª em 1964, por Médica, Bonita e Solteira; 4ª em 1965, por A Corrida do Século; 13ª em 1966, por Esta Mulher É Proibida.

4 – Catherine Deneuve (“A Sereia do Mississipi”)

Anteriormente em Musas retroativas: 10ª em 1964, por Os Guarda-Chuvas do Amor; 2ª em 1965, por Repulsa ao Sexo; 2ª em 1967, por A Bela da Tarde e por Duas Garotas Românticas. Posteriormente em Musas retroativas: 1ª em 1970, por Tristana – Uma Paixão Mórbida; 3ª em 1980, por O Último Metrô; 1ª em 1983, por Fome de Viver.

5 – Jane Fonda (“A Noite dos Desesperados”)

Anteriormente em Musas retroativas: 5ª em 1965, por Dívida de Sangue; 8ª em 1966, por Caçada Humana; 3ª em 1967, por Descalços no Parque; 1ª em 1968, por Barbarella. Posteriormente em Musas retroativas: 4ª em 1971, por Klute – O Passado Condena; 19ª em 1972, por Tout Va Bien; 7ª em 1977, por Júlia; 2ª em 1978, por Amargo Regresso; 11ª em 1979, por Síndrome da China; 15ª em 1980, por Como Eliminar Seu Chefe.

6 – Senta Berger (“O Insaciável Marquês de Sade”)

Posteriormente em Musas retroativas: 8ª em 1972, por A Moral de Ruth Halbfass.

7 – Susannah York (“A Noite dos Desesperados”)

Anteriormente em Musas retroativas: 9ª em 1963, por As Aventuras de Tom Jones. Posteriormente em Musas retroativas: 10ª em 1978, por Superman – O Filme.

8 – Dyan Cannon (“Bob & Carol & Ted & Alice”)

Posteriormente em Musas retroativas: 17ª em 1978, por A Vingança da Pantera Cor-de-Rosa.

9 – Glenda Jackson (“Mulheres Apaixonadas”)

Posteriormente em Musas retroativas: 18ª em 1973, por Um Toque de Classe.

10 – Shirley MacLaine (“Charity, Meu Amor”)

Anteriormente em Musas retroativas: 11ª em 1963, por Irma la Douce. Posteriormente em Musas retroativas: 19ª em 1970, por Os Abutres Têm Fome.

11 – Marie-Christine Barrault (“Minha Noite com Ela”)

Posteriormente em Musas retroativas: 6ª em 1975, por Primo, Prima.

12 – Goldie Hawn (“Flor de Cacto”)

Posteriormente em Musas retroativas: 7ª em 1974, por Louca Escapada; 3ª em 1975, por Shampoo; 7ª em 1976, por O Corujão e a Gatinha; 13ª em 1978, p0r Golpe Sujo.

13 – Genevieve Bujold (“Ana dos Mil Dias”)

Posteriormente em Musas retroativas: 17ª em 1974, por Terremoto.

14 – Marianne Faithfull (“Hamlet”)

12 – Goldie Hawn e 15 – Ingrid Bergman (“Flor de Cacto”)

16 – Márcia Rodrigues (“Matou a Família e Foi ao Cinema”)

17 – Barbra Streisand (“Alô, Dolly!”)

Anteriormente em Musas retroativas: 17ª em 1968, por Funny Girl – A Garota Genial. Posteriormente em Musas retroativas: 16ª em 1973, por Nosso Amor de Ontem; 15ª em 1975, por Funny Lady.

18 – Barbara Hershey (“Last Summer”)

Posteriormente em Musas retroativas: 12ª em 1986, por Hannah e Suas Irmãs; 14ª em 1988, por A Última Tentação de Cristo e por Amigas para Sempre.

19 – Helena Ignez (“A Mulher de Todos”)

Anteriormente em Musas retroativas: 15ª em 1968, por O Bandido da Luz Vermelha. Posteriormente em Musas retroativas: 20ª em 1970, por Copacabana, Mon Amour.

20 – Jennifer Salt (“Perdidos na Noite”)

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Entre o deslumbre e a descrença

Jeff Bridges e Haliee Steinfeld: relacionamento entre eles é o que conduz o filme

O primeiro Bravura Indômita (1969) não é um grande clássico. Pelo menos, não se comparado a No Tempo das Diligências (1939), Rastros de Ódio (1956), Onde Começa o Inferno (1959) e O Homem que Matou o Facínora (1962), para ficarm em quatro pedras fundamentais do western, todas estreladas por John Wayne. É justamente a intepretação de Wayne que torna o filme de Henry Hathaway memorável, mas há bem mais que a interpretação de Jeff Bridges – embora igualmente memorável -  no novo Bravura Indômita (True Grit, EUA, 2010) dos irmãos Coen.

A dupla sempre marcou pela direção delirante, mas também nunca deixou de mostrar que consegue adaptar o estilo ao que a história necessita. É o que acontece aqui: os Coen se esmeram em conduzir um faroeste clássico – nem mesmo há muita aproximação com o western spaghetti, que é a fonte onde cineastas que gostam de uma firula, como Tarantino e Gore Verbisnki, mais bebem quando resolvem citar o gênero (vide Bastardos Inglórios e Rango, de Tarantino e Verbisnki respectivamente).

Bravura Indômita se assemelha mais ao cinema clássico e menos operístico de John Ford e Howard Hawks – ou até do próprio Henry Hathaway, menos celebrado. Nesta versão, fica muito mais evidente (desde a narração que abre e fecha o filme) que tudo é visto pelo olhos de Mattie Ross (Hailee Steinfeld). A menina de 14 anos perdeu o pai, assassinado por um empregado que fugiu (Josh Brolin) e contrata o federal Reuben “Rooster” Cogburn (Jeff Bridges) para caçá-lo – mas exige ir junto. No encalço do criminoso, também está LaBoeuf (Matt Damon), um Texas ranger, que quer levá-lo para seu estado e ganhar uma recompensa para si.

Na longa jornada, o relacionamento entre o trio será muito difícil, e suas personalidades são construídas com cuidado, durante boa parte do filme. É um road movie do faroeste, um pouco como Rastros de Ódio. É no trajeto, entre episódios como enforcado no alto da árvore ou as crianças que covardemente judiam de um cavalo amarrado, que Cogburn conta um pouco da sua vidam do casamento fracassado, dos anos de ética questionável após a Guerra da Secessão.

Sua persona de durão e implacável vai sendo desconstruído, sem sentimentalismo, em pequenas doses. Também demonstra a afeição e respeito crescente por Mattie, o relacionamento que é a razão de ser do filme. Os dois personagens são antológicos e mesmo que o filme seja, em muitos sentidos, mais violento, cruel e pessimista que sua contraparte sessentista, há bons momentos cômicos.

Bridges cria outro Cogburn impagável: durão, bêbado, mas também emotivo (a seu modo). E Haille é um achado do filme. Sua Mattie Ross, uma criança que era a contadora do pai e tem muita consciência de seus deveres legais, ameaçando levar todos ao tribunais o tempo todo, é o espírito do filme: alternando-se o tempo todo entre o deslumbre e a descrença dos mitos.

É exatamente por aí que trilha o Bravura Indômita dos Coen. E vale destacar a trilha de Carter Burwell e a esplêndida fotografia de Roger Deakins. Com muitas cenas à noite, sob chuva ou neve, e aproveitando ao máximo a paisagem, como ensina as convenções do gênero,  este é um western lindo de ver e ouvir.

Bravura Indômita (True Grit, Estados Unidos, 2010). Direção: Ethan Coen, Joel Coen. Elenco: Jeff Bridges, Haille Steinfeld, Matt Damon, Josh Brolin, Barry Pepper.

* Versão entendida de crítica publicada no Correio da Paraíba.

Desde 2006, a comunidade Cinéfilos de João Pessoa, que eu criei e administro no Orkut, tem sua própria votação de melhores do ano. Esta semana, finalmente somei, dividi e saiu o resultado final referente aos filmes que passaram nos cinemas paraibanos em 2010.

O sistema é: cada membro dá notas de 0 a 5 para todos os filmes que assistiram. A soma é dividida pelo número de pessoas que assistiram cada filme (se 8 pessoas deram notas para um filme, a soma será dividida por 8).

Vejam os dez primeiros:

1 - "Toy Story 3": média 4,941

A Pixar já ganhou o coração da comunidade faz tempo. Ratat0uille ganhou a eleição de 2007, Wall-E ficou em segundo em 2008 e Up repetiu o segundo lugar em 2009. Este ano, porém, não houve concorrência: Toy Story 3 dominou a eleição recebendo, das suas 17 notas, dezesseis 5 e uma 4. A inacreditável média 4,941 pulverizou o recorde anterior da nossa eleição – que pertencia justamente a Ratatouille, com 4,65.

2- "Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro": média 4,823

Se não houvesse Toy Story 3, todas as glórias seriam de Tropa de Elite 2. Com o mesmo número de notas recebidas, o filme de José Padilha recebeu um 5 a menos, o que fez a diferença na média. 4,823, no entanto, ainda é espantoso.

3 - "A Origem": média 4,611

Christopher Nolan embasbacou meio mundo com os delírios oníricos de A Origem e a comunidade não ficou indiferente. Com a média que conseguiu, o filme dificilmente não seria o vencedor em qualquer outro ano.

4 - "Senna": média 4,6

A saudade do ídolo dominical levou o bom documentário inglês sobre Ayrton Senna ao top 5. Poucos entre os votantes viram, mas quem viu adorou.

5 - "Direito de Amar": média 4,571

Depois de uma animação, um policial, uma ficção científica e um documentário, o drama Direito de Amar completa o eclético top 5. Outro não tão visto, mas que encantou que foi ao cinema conferir.

6 - "Como Treinar o Seu Dragão": média 4,333

Se a Pixar sempre freqüenta o topo desta eleição, o mesmo não se pode dizer a Dreamworks. Mas Como Treinar o Seu Dragão, segunda animação da lista, é a melhor colocação do estúdio nestes quatro anos.

7 - "A Bela Junie": média 4,2

7 - "Quincas Berro d'Água": média 4,2

Empate na sétima posição: A Bela Junie marcou a volta do Cine Bangüê às exibições normais (depois ele foi aposentado – até prova em contrário – e substituído pelo Espaço Cine Digital); já Quincas Berro d’Água surpreendeu e é mais um nacional no top 10.

9 - "Invictus": média 4,153

Clint Eastwood apostou na emoção e no tom mais épico que o costumeiro do seu cinema em Invictus e conquistou a audiência.

10 - "Amor sem Escalas": média 4,1

Foi o filme mais visto do ano entre os eleitores desta votação, mas não só isso: teve notas altas o suficiente para ficar em alta desde o começo da eleição.

Resumo das eleições anteriores:

Em 2006, foi feita a primeira votação com regras na comunidade. De cada mês, os membros votavam em seus preferidos e saíam os finalistas. Depois, em uma final, foram decididos os vencedores:

2006 - "Boa Noite e Boa Sorte"

1º – Boa Noite e Boa Sorte
2º – Os Infiltrados
3º – O Labirinto do Fauno

Em 2007, veio a primeira votação por notas, já no sistema atual:

2007 - "Ratatouille": média 4,65

1º – Rataouille – 4,65
2º – Morte no Funeral – 4,5
3º – Piaf – Um Hino ao Amor – 4,466
4º – Tropa de Elite – 4,375
5º – Saneamento Básico, o Filme – 4,3

Em 2008, um embate emocionante, nota a nota, até o desfecho…

2008 - "Batman, o Cavaleiro das Trevas": média 4,58

1º – Batman, o Cavaleiro das Trevas – 4,58
2º – Wall-E – 4,535
3º – Estômago – 4,5
4º – Juno – 4,406
5º – Ensaio sobre a Cegueira – 4,421

Em 2009, outra votação emocionante, centésimo a centésimo:

2009 - "Quem Quer Ser um Milionário?": média 4,583

1º – Quem Quer Ser um Milionário? – 4,583
2º – Up – Altas Aventuras – 4,476
3º – 500 Dias com Ela – 4,466
4º – A Onda – 4,454
5º – Gran Torino – 4,352

Como vocês talvez saibam, Larissa e eu nos casamos. No começo, não íamos querer nenhum vídeo do casamento, mas o Felipe nos convenceu. E não nos arrependemos: ficou tão bom que ele insiste que a gente chame de “filme”.

Então está aí o trailer do filme. Como sou suspeito, não posso dar as cinco estrelas que dá vontade. Até porque não tenho nada contra finais felizes – principalmente se for o meu. Nem contra começos felizes, também.

Estamos aí nós, nossa família e muitos queridos amigos (que também são uma família querida nossa).

Christian Bale, Natalie Portman, Melissa Leo e Colin Firth comemoram nos bastidores (fotos: A.M.P.A.S.)

Gostei da vitória de O Discurso do Rei. Na verdade, eu teria gostado de muitos dos resultados possíveis desse Oscar, tão bons eram os filmes concorrentes. Meu preferido era A Origem, com Toy Story 3 um tantinho atrás.

Veja bem: preferidos, e não favoritos, que eu sabia que as chances reais deles eram bem poucas.

Mas poderiam ser eles, como poderia ser Cisne Negro, Bravura Indômita ou O Discurso do Rei, como acabou sendo. Acho meus dois preferidos obras-primas, mas os demais são excelentes também.

No entanto, vi e li muita gente se irritando com a vitória de O Discurso do Rei. Quase sempre, torcedores de Cisne Negro. Parecem esquecer – ou não se dar conta – que muitas vezes um filme tem qualidades que não têm como objetivo causar um grande impacto no momento da sessão.

Sutileza e elegância são qualidades tão grandes quanto o impacto visual e o delírio psicológico.

A homenagem a Lena Horne

Por isso, apostei também em Tom Hooper, embora muita gente achasse que o currículo de David Fincher o faria levar o Oscar de direção. Boa direção é saber contar a história adequadamente. O estilo de direção de Cisne Negro não pode ser usado para contar a história de O Discurso do Rei, não é verdade?

Hooper foi ótimo e ainda conseguiu uma assinatura visual peculiar. Dizer que o filme vai ser esquecido ou – heresia – compará-lo a O Paciente Inglês e pura besteira.

Cisne Negro perderia muito se não fosse uma atriz do calibre de Natalie Portman – que bom que ganhou mesmo. E Colin Firth realmente estava acima de todos os outros com sua sensível e perfeita interpretação de George VI. Sobre os coadjuvante, eu tinhas minhas preferências. Nem tanto entre os atores, mas – reconhecendo a grandeza de Melissa Leo – eu teria ficado bem feliz se Helena Bonham Carter e, principalmente, Haileen Steinfeld tivessem vencido.

James Franco, um blasé que não agradou; Anne Hathaway, uma deslumbradinha que deu show

Seria, pelo menos, um Oscar para o deslumbrante Bravura Indômita, que saiu sem nada. Enquanto isso, o dispensável Alice no País das Maravilhas levou dois. Um deles, o de direção de arte – quando a maior parte dos cenários era virtual. Logo, desenho animado. Logo, deveriam ser considerados nessa categoria também os filmes de animação.

Da cerimônia em si, interessante como o show parece ter retrocedido em várias coisas. Primeiro, os apresentadores voltaram a dizer “The Oscar goes to…” – eles haviam voltado ao clássico “The winner is…” depois de anos com a outra frase (que havia sido colocada em cena para amenizar o aspecto competição). E as canções voltaram a ser apresentadas no palco – isso também havia sido abolido no ano passado.

Do casal de apresentadores, quase ninguém gostou de James Franco. Acho que a ideia era criar um contraste entre seu jeito blasé e a alegria deslumbrada de Anne Hathaway. O resultado é que Franco ficou apagado o tempo inteiro e Anne brilhou. Foi cantada pela lenda vida Kirk Douglas e sua reação contribuiu para o ótimo momento que foi aquilo. Teve um timing ótimo para a comédia e foi um arraso cantando.

Kirk Douglas entrega o Oscar a Melissa Leo, após seu show particular e antes de ela soltar um palavrão

A apresentação, no entanto, perdeu um pouco o caráter stand-up. E a entrada de Billy Crystal – aplaudido de pé, muito legal – mostrou isso. Em alguns minutos, arrancou quase tantas risadas quanto resto da festa.

Kirk Douglas tomando conta da festa, a linda homenagem a Lena Horne, o cenário virtual homenageando os grandes vencedores do prêmio, Robert Downey Jr. fazendo numa boa piadas com seus antecedentes criminais foram outros dos grandes momentos. Como em todo Oscar, eles se alternaram com outros rotineiros.

A vitória de "O Discurso do Rei"

FILME
O Discurso do Rei, de Tom Hooper

DIREÇÃO
Tom Hooper (O Discurso do Rei)

ATOR
Colin Firth (O Discurso do Rei)

ATRIZ
Natalie Portman (Cisne Negro)

ATOR COADJUVANTE
Christian Bale (O Vencedor)

ATRIZ COADJUVANTE
Melissa Leo (O Vencedor)

FILME DE ANIMAÇÃO
Toy Story 3, de Lee Unkrich

FILME DE LÍNGUA NÃO INGLESA
Em um Mundo Melhor, de Susanne Bier (Dinamarca)

DOCUMENTÁRIO
Trabalho Interno, de Charles Ferguson

ROTEIRO ORIGINAL
O Discurso do Rei, por David Seidler

ROTEIRO ADAPTADO
A Rede Social, por Aaron Sorkin

FOTOGRAFIA
A Origem, por Wally Pfister

MONTAGEM
A Rede Social, por Kirk Baxter, Angus Wall

DIREÇÃO DE ARTE
Alice no País das Maravilhas, por Stefan Dechant

FIGURINO
Alice no País das Maravilhas, por Colleen Atwood

MAQUIAGEM
O Lobisomem

TRILHA SONORA ORIGINAL
A Rede Social, por Trent Reznor, Atticus Ross

CANÇÃO ORIGINAL
“We belong together” (Toy Story 3), por Randy Newman

MIXAGEM DE SOM
A Origem

EDIÇÃO DE SOM
A Origem

EFEITOS VISUAIS
A Origem

CURTA-METRAGEM
God of Love, de Luke Matheny

CURTA-METRAGEM/ ANIMAÇÃO
The Lost Thing, de Andrew Ruhemann, Shaun Tan

CURTA-METRAGEM/ DOCUMENTÀRIO
Strangers No More, de Karen Goodman e Kirk Simon

1 - Catherine Deneuve ("Tristana - Uma Paixão Mórbida")

Anteriormente em Musas retroativas: 10ª em 1964, por Os Guarda-Chuvas do Amor; 2ª em 1965, por Repulsa ao Sexo; 2ª em 1967, por A Bela da Tarde e por Duas Garotas Românticas; 4ª em 1969, por A Sereia do Mississipi. Posteriormente em Musas retroativas: 3ª em 1980, por O Último Metrô; 1ª em 1983, por Fome de Viver.

Quando Catherine Deneuve está na briga, a concorrência sofre. Ela foi, para Buñuel, a mulher que desencadeava o desejo de seu protetor e se submetia a ele em Tristana. Nele, supera a mocinha do romance jovem daquele ano: Ali MacGraw, por Love Story. Jacqueline Bisset, de aeromoça em Aeroporto, fecha o pódio. A lista tem vários nomes pouco usuais em filmes de grandes diretores: Claude Jade, em Domicílio Conjugal, de Truffaut; e a californiana Daria Halprin, que fez o esquisito Zabriskie Point para Antonioni, e depois só fez mais um filme. Dois diretores brasileiros emplacaram duas musas cada: Walter Hugo Khouri, com a francesa Genevieve Grad (de rosto belíssimo) e Rossana Ghessa, em O Palácio dos Anjos; e Júlio Bressane, com Helena Ignez e Líllian Lemmertz, em Copacabana Mon Amour. Florinda Bolkan também é brasileira, mas de carreira internacional:  chegou à lista pelo italiano Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita.

2 - Ali MacGraw ("Love Story - Uma História de Amor")

Posteriormente em Musas retroativas: 4ª em 1972, por Os Implacáveis.

3 - Jacqueline Bisset ("Aeroporto")

Anteriormente em Musas retroativas: 14ª em Cassino Royale; 5ª em 1968, por Bullitt. Posteriormente em Musas retroativas: 7ª em 1972, por Roy Bean, o Homem da Lei; 1ª em 1973, por A Noite Americana; 8ª em 1974, por Assassinato no Orient Express.

4 - Genevieve Grad ("O Palácio dos Anjos")

5 - Ingrid Pitt ("Carmilla, a Vampira de Karnstein")

Posteriormente em Musas retroativas: 12ª em 1971, por Condessa Drácula; 13ª em 1973, por O Homem de Palha.

6 - Sally Kellerman ("M.A.S.H.")

7 - Florinda Bolkan ("Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita")

8 - Julie Andrews ("Lili, Minha Adorável Espiã")

Anteriormente em Musas retroativas: 17ª em 1964, por Mary Poppins e por Não Podes Comprar o Meu Amor; 7ª em 1965, por A Noviça Rebelde; 9ª em 1968, por A Estrela. Posteriormente em Musas retroativas: 13ª em 1982, por Victor ou Victoria.

9 - Stefania Sandrelli ("O Conformista")

Posteriormente em Musas retroativas: 4ª em 1974, por Nós que Nos Amávamos Tanto.

10 - Daria Halprin ("Zabriskie Point")

11 - Claude Jade ("Domicílio Conjugal")

Anteriormente em Musas retroativas: 13ª em 1968, por Beijos Proibidos.

12 - Jennifer O'Neill ("Rio Lobo")

Posteriormente em Musas retroativas: 5ª em 1971, por Verão de 42.

13 - Líllian Lemmertz ("Copacabana Mon Amour")

Posteriormente em Musas retroativas: 14ª em 1975, por Lição de Amor.

14 - Suzy Kendall ("O Pássaro das Plumas de Cristal")

Anteriormente em Musas retroativas: 16ª em 1967, por Ao Mestre, com Carinho.

15 - Linda Harrison ("De Volta ao Planeta dos Macacos")

Anteriormente em Musas retroativas: 5ª em 1968, por O Planeta dos Macacos.

16 - Rossana Ghessa ("O Palácio dos Anjos")

17 - Faye Dunaway ("Pequeno Grande Homem")

Anteriormente em Musas retroativas: 4ª em 1967, por Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas; 10ª em 1968, por Crown, o Magnífico. Posteriormente em Musas retroativas: 14ª em 1973, por Os Três Mosqueteiros; 10ª em 1974, por A Vingança de Milady, por Chinatown e por Inferno na Torre; 5ª em 1975, por Três Dias do Condor; 5ª em 1976, por Rede de Intrigas.

18 - Elizabeth Taylor ("Jogo de Paixões")

Anteriormente em Musas retroativas: 3ª em 1963, por Cleópatra; 15ª em 1965, por Adeus às Ilusões.

19 - Shirley MacLaine ("Os Abutres Têm Fome")

Anteriormente em Musas retroativas: 11ª em 1963, por Irma la Douce; 10ª em 1969, por Charity, Meu Amor.

20 - Helena Ignez e 13 - Lílian Lemmertz ("Copacabana Mon Amour")

Anteriormente em Musas retroativas: 15ª em 1968, por O Bandido da Luz Vermelha; 19ª em 1969, por A Mulher de Todos.

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"Rocco e Seus Irmãos", 1960

"Viver por Viver", 1967

"A Professora de Piano", 2001

Uma das personagens mais sofridas de todos os tempos deve ser a Nadia de Rocco e Seus Irmãos (1960). A prostituta que encontra o amor com Rocco acaba sucumbindo a um destino trágico quando é empurrada por ele para o irmão que já a havia estuprado. Luiz Carlos Merten, um apaixonado por ela e pelo filme, diz que é a maior interpretação feminina do cinema em todos os tempos (mas admite que é suspeito). Não sei, mas Annie teve uma longa carreira, fez filmes até 2007. Mas seus últimos anos foram tristes, sofrendo com o Mal de Alzheimer.

O rompimento de Nadia e Rocco no Duomo, em Rocco e Seus Irmãos:

Paris (França), 25 de outubro de 1931 – Paris (França), 28 de fevereiro de 2011

"O Proscrito", 1943

"O Valente Treme-Treme", 1948

"Os Homens Preferem as Loiras", 1953

Os seios de Jane Russell causaram uma das maiores brigas contra a censura já vistas no cinema americano. Li uma vez que o milionário, produtor e cineasta Howard Hughes – também apaixonado por aviação – chegou a desenhar (com seus engenheiros aeronáuticos) um sutiã especialmente para ressaltá-los no filme que a lançaria: O Proscrito. O Código de Produção caiu em cima, mas Hughes – que passou a dirigir o filme depois de Howard Hawks deixou a produção – acabou sendo o primeiro cineasta a enfrentar de cara aberta a censura americana. Com as filmagens terminadas em 1941, o filme só estreou em 1943. Russell mostrou, depois, ter outros talentos. Para a música e a comédia, por exemplo: ela divide em pé de igualdade com ninguém menos que Marilyn Monroe os holofotes de Os Homens Preferem as Loiras (1953). Ok, a loira era Marilyn, mas Jane era o primeiro nome nos créditos. E a continuação – com Jane, sem Marilyn – chamou-se Eles se Casam com as Morenas (1955)…

Cenas de Jane em O Proscrito:

Marilyn e Jane cantam “When love goes wrong, nothing goes right”, em Os Homens Preferem as Loiras:

Bemidji (EUA), 21 de junho de 1921 – Santa Maria (EUA), 28 de fevereiro de 2011

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  • Pessoas que estão reclamando de Wagner Moura no tributo ao Legião: vão assistir a um DVD da banda e pronto.Publicado há 10 hours ago
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  • Não, é da Agência Ensaio. RT: @haryanne: É rave, é? RT @revasconcellos1: O amistoso da Seleção é às 21h07! Nove horas e SETE minutos, ok?Publicado há 17 hours ago

 

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