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Hoje tem mais um Trilha Sonora, pela Tabajara FM! Às 20h, na 105.5 FM. Se você não é de JOão Pessoa, dá para ouvir pela internet, em tempo real, aqui. E eis vai um preview do que você, amigo ouvinte, vai ouvir hoje:
Nada será como antes
No final de Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, EUA/ Reino Unido, 2005), Hermione (Emma Watson) pergunta: “Nada mais será como antes, não é?”. “Não, não será”, Harry (Daniel Radcliffe) responde. Realmente, o quarto filme da série é o momento em que ela dá uma guinada para se tornar uma história definitiva única e intrincada. Mas isso é no final – até lá, o filme dirigido por Mike Newell é episódico, um passo atrás após o grande final do filme anterior, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.
Agora, Hogwart recebe as delegações de outras duas escolas – um internato masculino, da Bulgária, e outro feminino, da França – para a realização do Torneio Tribuxo. Nele, um aluno, cada um representando sua escola, é escolhido (pelo cálice de fogo do título) para participar de três provas – de perigo bastante considerável. Por isso, há um limite mínimo de idade para os incritos. Mesmo assim – e mesmo com Cedrico Griggory (Robert Pattinson, antes de Crepúsculo, 2008) escolhido para representar Hogwarts – o nome de Harry, em seus 14 anos, também aparece como um surpreendente quarto jogador.
Paralelamente, o encontro das três escolas leva também a um baile, o que faz os jovens darem tratos à bola para saber quem convidar. O clima entre Rony (Rupert Grint) e Hermione começa a esquentar depois das dicas dadas nos filmes anteriores e, pela primeira vez, Harry mostra um interesse amoroso.
E há, também, a sombra de uma possível volta de Voldemort mais forte. O filme abre com a Copa do Mundo de Quadribol, interrompida pelo ataque dos comensais da morte, seguidores de Voldemort. Este é o primeiro filme em que vemos o vilão da cabeça aos pés, interpretado com vigor por Ralph Fiennes – depois de uma aparição por efeitos especiais no primeiro filme, A Pedra Filosofal (2001), e numa espécie de fantasma de sua versão adolescente no segundo, A Câmara Secreta (2002).
Em O Cálice de Fogo, Harry se torna um pouco mais britânico. Depois do americano Chris Columbus nos dois primeiros, e do mexicano Alfonso Cuarón no terceiro, agora é o inglês Mike Newell (de Quatro Casamentos e um Funeral, 1994) que assume o leme. Sua direção não chega a brilhar mais do que a de Cuarón em O Prisioneiro de Azkaban (2004), mas se sai muito bem na parte final, narrando muito bem o desafio do labirinto, e é adequadíssima ao novo degrau de relacionamentos que se estabelece entre os personagens jovens. Na trilha sonora, também, sai o americano John Williams – que criou a identidade musical da série e comôs a trilha dos três primeiros – e entra o escocês Patrick Doyle, responsável pela grande música dos filmes dirigidos por Kenneth Branagh, entre outros.
Tudo – até o próprio Torneio Tribruxo e o surgimento na trama do novo professor de Defesa contra a Arte das Trevas, Olho-Tonto Moody (Brendan Glesson) – converge para o dramático final e o que ele aponta para os filmes seguintes da franquia. Por isso, Harry Potter e o Cálice de Fogo se torna, no final, muito mais interessante.
Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, EUA/ Reino Unido, 2005). Direção: Mike Newell. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Alan Rickman, Robert Pattinson, Ralph Fiennes, Brendan Gleeson, Robbie Coltrane, Clémence Poésy, Miranda Richardson, Maggie Smith, Jason Isaacs, Tom Felton, Timothy Spall, James Phelps, Oliver Phelps, Katie Leung, Gary Oldman, Matthew Lewis, Frances de la Tour, Mark Williams, Bonnie Wright, Geraldine Somerville, Warwick Davies.
Leia mais:
Precedido por:
- Crítica de Harry Potter e a Pedra Filosofal
- Crítica de Harry Potter e a Câmara Secreta
- Crítica de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
Seqüências:
- Crítica de Harry Potter e a Ordem da Fênix
- Crítica de Harry Potter e o Enigma do Príncipe
- Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1
- Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
Continuação de personalidade
Há um salto evidente entre o filme anterior, Harry Potter e a Câmara Secreta (2002) e este Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, EUA/ Reino Unido, 2004), o terceiro da série. A mudança de Chris Columbus, um diretor competente, mas sem ousadia, pelo mexicano Alfonso Cuarón deu ao terceiro filme uma personalidade própria, sem deixar de ser uma continuação lógica e natural dos dois primeiros. A referência de Cuarón era, àquela altura, o intenso e erótico E Sua Mãe Também (2001), o que poderia fazer sua escolha parecer estranha. Mas ele não era totalmente alheio à plateia infanto-juvenil: dirigiu o ótimo A Princesinha (1995).
O que mais se sobressai, sem dúvida, é a mudança de estilo. Mesmo em pequenos detalhes, como cenas que terminam e começam com uma íris – um recurso do cinema mudo em que um círculo vai fechando uma cena e abrindo a seguinte. É um dado inteligente que contribui para criar uma atmosfera um pouco mais sombria do que o anterior. A passagem de tempo no filme é marcada pelas mudanças na árvore “temperamental” que foi vista no filme anterior – o que também é uma antecipação para o papel que ela própria terá no fim deste filme.
Os cenários do mundo encantado de Hogwarts também começam a parecer mais lúgubres e frios. Não há mais tanto lugar para quadros vivos e escadas que mudam de direção, embora elas estejam lá. Harry (Daniel Radcliffe), Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) também se vestem de maneira bem mais informal na maior parte do tempo, parecendo mais jovens do dia-a-dia e deixando claro que o tempo do encantamento com o mundo da magia já passou.
A história começa com Harry fugindo da casa dos tios trouxas após mais uma ofensa com relação a seus pais, também bruxos. No entanto, ele acaba sendo levado a seus amigos bruxos, que estão preocupados com a fuga de Sirius Black (Gary Oldman), um notório assassino, da prisão de Azakaban. Como ele traiu os pais de Harry, provocando a morte deles pelas mãos de Voldemort, acham que Sirius pode tentar matar Harry também.
Carcereiros de Azkaban ficam nas entradas de Hogwarts para o caso de Sirius aparecer – mas são muito mais assustadores. São criaturas chamadas dementadores, que farejam o medo e sugam a essência vital de suas vítimas. Mas não parecem discernir quem é inocente e quem deve ser punido: qualquer um pode ser vítima deles.
Dois novos professores estão na trama. Sibila Trelawney, vivida por Emma Thompson, ensina clarividência e não parece muito firme no que está fazendo, mas acaba é responsável por uma premonição sinistra importante. E Remo Lupin (David Thewlis) assume a cadeira de Defesa contra a Arte das Trevas. Ele fez parte do grupo que combateu Voldemort no passado e foi amigo do pai de Harry.
Também estreia na série Michael Gambon, como Dumbledore, substituindo Richard Harris, que morreu após o segundo filme. Gambon não se espelha na atuação anterior, construindo um Dumbledore com mais energia. Visualmente, o filme também não se preocupou em torná-lo parecido com a encaranação anterior, o que é curioso, mas não prejudica em nada o filme do ponto de vista de quem acompanha a série toda.
O trio de jovens protagonistas está crescendo – já parecem bastante diferente com suas primeiras cenas, em A Pedra Filosofal. Isso também se reflete em suas atitudes da história: há um pouco mais de rebeldia, questionamento e até destempero.
Os três também são apresentados a novos elementos mágicos: o hipogrifo Bicuço, um lobisomem que ronda Hogwarts e alguns interessantes instrumentos, entre eles: o mapa do maroto, que revela onde está cada uma das pessoas em Hogwarts e que é usado por Harry em uma busca por um corredor escuro, em uma cena de admirável suspense.
Tudo é preparação para a sensacional meia hora final de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban – certamente, um dos melhores momentos da série inteira. A cena envolve, claro, a volta de Sirius Black, aparições repentinas, traições, indefinições sobre os objetivos de vários personagens, enfrentamento e fuga – tudo isso em poucos minutos. Há mais depois, envolvendo o caso do lobisomem e uma mexida no tempo que o filme narra de maneira magistral. São momentos que elevam este Harry Potter um patamar acima dos dois anteriores e pavimenta o tom em que os próximos iriam trilhar.
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, EUA/ Reino Unido, 2004). Direção: Alfonso Cuarón. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Robbie Coltrane, Alan Rickman, David Thewlis, Emma Thompson, Gary Oldman, Maggie Smith, Oliver Phelps, James Phelps, Julie Waters, Bonnie Wright, Tom Felton, Mark Williams, Fiona Shaw, Richard Griffiths, Julie Christie, Timothy Spall, Matthew Lewis, Geraldine Somerville, Warwick Davies.
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Precedido por:
- Crítica de Harry Potter e a Pedra Filosofal
- Crítica de Harry Potter e a Câmara Secreta
Seqüências:
- Crítica de Harry Potter e o Cálice de Fogo
- Crítica de Harry Potter e a Ordem da Fênix
- Crítica de Harry Potter e o Enigma do Príncipe
- Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1
- Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
1 – Brasil perde por 2 a 0 para Honduras e é eliminado da Copa América em 2001.
2 – Brasil perde por 4 a 0 para o Chile e é eliminado da Copa América de 1987 na primeira fase.
3 – Com dois homens a mais, o Brasil perde para Camarões na prorrogação e é eliminado das Olimpíadas de 2000, em Sidney.
4 -Às vésperas da Copa de 1990, na Itália, o Brasil faz uma amistoso-treino contra a Seleção da Umbria – formada por jogadores da terceira divisão italiana… e perde por 1 a 0.
5 – O Brasil erra todos os quatro pênaltis que cobra contra o Paraguai e é eliminado da Copa América em 2011.
Antes, os personagens

Gina (Bonnie Wright) e Harry (Daniel Radcliffe): personalidades fazem diferença no final do segundo filme da série
Alguém já disse uma vez que adaptar é trair. O nome já diz: levar uma obra de arte de um meio para outro é adaptá-la a esse novo meio – mudá-la onde necessário para que renda melhor nos novos códigos narrativos a que ela deve responder. Fidelidade é necessária, claro, mas demais também passa a ser um problema. E é esse o problema em Harry Potter e a Câmara Secreta (Harryu Potter and the Chamber of Secrets, EUA/ Reino Unido, 2002).
Lançado pontualmente um ano depois do primeiro filme, este – novamente dirigido por Chris Columbus – sente principalmente a duração excessiva (bate nas 2h40 de duração, e os livros seguintes da série são maiores do que este, o significaria filmes ainda mais longos pela frente). O respeito excessivo à obra de J.K. Rowling levou a isso. É um problema, mas não fatal. O filme ainda cumpre muito bem sua missão de entreter e dar seqüência à saga de Harry.
O filme mantém o bom equilíbrio entre o encanto do mundo mágico da escola de Hogwarts e aspectos sombrios que rondam os personagens, mas só se revelam pontualmente. Já há um degrau acima nesse quesito, em Câmara Secreta: uma voz ameaçadora em uma língua estranha entra na mente de Harry, personagens são petrificados, mensagens são escritas com sangue nas paredes, páginas de um diário onde não há nada escrito responde perguntas de maneira fantasmagórica.
Tudo isso é mais assustador que as aranhas gigantes e o próprio desenlace a respeito da tal câmara secreta, uma lenda de onde um monstro pode ter saído e estar petrificando os alunos, o que remete a um descendente de Salazar Sonserina, o mais sombrio dos quarto co-fundadores de Hogwarts (e Harry passa a desconfiar que ele pode ser um descendente de Sonserina). A coisa toda leva a uma memória do passado, de quando a câmara secreta foi aberta outrta vez, envolvendo um estranho aluno: Tom Riddle.
Há momentos de humor, também. O carro voador, no começo da história, exagera nos efeitos visuais e não funciona muito bem. Os melhores momentos estão mesmo a cargo do fanfarrão professor Lockhart, vivido por um ótimo Kenneth Branagh. Assumindo a cadeira de Defesa contra a Arte das Trevas, ele é um astro pop do mundo dos bruxos, mas rapidamente revela que é só tem a fachada (sua autobiografia, que ele autografa arrancando suspiros das mulheres e mocinhas, chama-se Magical Me).
Outro personagem interessante é o elfo Dobby. Um dos primeiros personagens importantes gerados totalmente por computador no cinema (depois de, bem, Jar Jar Binks em Star Wars – A Ameaça Fantasma, 1999, e do Gollum de O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, 2001), ele começa como um personagem de alívio cômico, mas logo se revela uma questão social que o envolve – tornando o mundo dos bruxos um pouco mais complexo, menos encantador e mais realista para o espectador.
Assim, embora longo Harry Potter e a Câmara Secreta consegue desenvolver bem seu mistério e levar a um final muito bom. Que chega a incomodar com um Deus ex-machina que não parece muito bem colocado, mas isso é logo esquecido porque o fim (e o filme inteiro, diga-se) e pródigo em tirar sua força da personalidade de seus personagens.
E aí, mais uma vez, o acerto do trio principal – Daniel Radcliffe, como Harry, Emma Watson como Hermione, e Rupert Grint como Rony) – é fundamental para o filme. O entrosamento entre eles envolve o espectador sem dificuldades e nos mantém acesos até o epílogo.
Harry Potter e a Câmara Secreta (Harry Potter and the Chamber of Secrets, EUA/ Reino Unido, 2002). Direção: Chris Columbus. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Richard Harris, Kenneth Branagh, Robbie Coltrane, Alan Rickman, Maggie Smith, Jason Isaacs, Tom Felton, Julie Walters, Bonnie Wright, Mark Williams, Miriam Margolyes, Fiona Shaw, James Phelps, Oliver Phelps, Matthew Lewis, Richard Griffiths, John Cleese, Warwick Davis, Gemma Jones, Geraldine Sommerville. Vozes na dublagem original: Toby Jones, Julian Glover.
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- Crítica de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
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- Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
A primeira magia
A história de Harry Potter começa calcada em vários contos de fadas. Como em A Bela Adormecida, ele é especial, mas cresce sem saber disso, para sua própria proteção. Com a morte dos pais, a família que resta a ele é seu algoz, como em Branca de Neve ou Cinderela. Nos contos clássicos, são as madrastas que transformam as enteadas em empregadas da própria casa. No romance da britânica J.K. Rowling, assim como na adaptação para o cinema, são os tios que o colocam para dormir no apertado armário embaixo das escadas, enquanto enchem o filho de mimos. Aurora, que viria ser a bela adormecida, era uma princesa que a qualquer momento poderia ser vítima da maldição de uma bruxa. Harry é um bruxo – mas ainda não sabe no começo de Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Philosopher’s Stone/ Harry Potter and the Sorcerer’s Stone, EUA/ Reino Unido, 2001).
Essas relações não são casuais. O primeiro filme da série se assemelha mesmo a um conto de fadas. Quando completa 11 anos, Harry é resgatado de sua vida de gato borralheiro por um meio-gigante chamado Hagrid. Ele é o guarda-caças da escola de bruxarias de Hogwarts, internato para onde todos os pequenos bruxos devem ir nessa idade – e que estáquase completamente fora do conhecimento dos “trouxas”, como os não-bruxos são chamados nesse mundo à parte (e sem qualquer conotação negativa).
Harry cresceu alheio à sua história. Quando ainda era bebê, um terrível e poderosíssimo bruxo cooptou muitos seguidores e tentou dominar o mundo. E teria conseguido se não tivesse falhado, por alguma razão, ao tentar incluir o bebê Harry na sua lista de assassinatos. Depois de matar os pais da criança e ao tentar fazer o mesmo com ela, algo inesperado aconteceu: o vilão foi aparentemente destruído e Harry saiu ileso, a não ser por uma cicatriz em fora da raio na testa.
Isso é contado a Harry e mostrado ao espectador em forma de flashback – uma cena que viria a ser tão recorrente quanto, digamos, a morte dos pais de Bruce Wayne por um assaltante em um beco escuro em qualquer história do Batman. Ela é o subtexto sombrio em uma história que, nesse começo, está mais interessada em mostrar o encantamento de um mundo novo. Como se Hogwarts fosse Oz em Technicolor e a Londres do mundo real o Kansas em sépia. Mas mesmo Oz tinha seus perigos.
Assim, boa parte da história é usada para mostrar os quadros que se mexem, as escadas que mudam de direção, os fantasmas simpáticos que circulam pelos corredores, mas também há espaço para um ser meio-vivo que bebe o sangue de unicórnios mortos ou um vilão literalmente de duas caras. O equilíbrio entre essas duas vertentes, sem se derreter demais pelas possibilidades bonitinhas da história.
Outra qualidade do livro bem aproveitada pelo filme de Chris Columbus (roteirista nada menos de Gremlins, 1984, Os Goonies, 1985, e O Enigma da Pirâmide, 1985, e diretor de Uma Noite de Aventuras, 1987, Esqueceram de Mim, 1990, e Uma Babá Quase Perfeita, 1993) é a atenção ao cotidiano da escola – que nada mais é que o alicerce da construção do universo proposto por J.K. Rowling. Em Harry Potter e a Pedra Filosofal, tão importante quanto a resolução do mistério é não chegar atrasado nas aulas, estudar para as provas e ajudar sua casa a vencer a competição contra as outras três no fim do ano. O extraordinário sucesso dos livros – na época do primeiro filme, a série já ia no quarto exemplar – permitiu à escritora controlar de perto a adaptação e fazer exigências.
Assim, o roteirista Steve Kloves manteve mais fiel do que a média das adaptações da literatura para o cinema. Outra exigência é a de que o elenco fosse 100% britânico. E foi quase isso, se descontarmos que um ou outro ator nasceu fora do Reino Unido e cresceu no país e que Richard Harris, um dos principais do elenco (no papel de Alvo Dumbledore, diretor de Hogwarts), é irlandês (nasceu ali, vizinho às terras da rainha).
De qualquer forma, o resultado foi uma superequipe do elenco britânico. Maggie Smith, Alan Rickman (ótimo, como o sombrio professor Severo Snape), Julie Walters, John Cleese e John Hurt à frente. Eles formam uma base que dá um poderoso suporte ao novato conjunto de garotos que deve liderar as ações do filme. E se há um elogio a ser feito sobre o primeiro filme da série Harry Potter, este será sobre a escolha do elenco.
Daniel Radcliffe, como Harry, e Emma Watson (parisiense, mas morando na Inglaterra desde os cinco anos) e Rupert Grint, com Hermione Granger e Rony Weasley, formam o triunvirato que deve sustentar não só este filme, mas também os que viriam. Hermione, em especial, é uma delícia de personagem, com seu jeito de caxias. Ainda tinham o que aprender no quesito atuação, é verdade, mas, transbordam carisma desde a primeira aparição. E estavam cercados de grandes professores.
Eles nunca são ofuscados pelos efeitos especiais, por exemplo. E eles são vários e bons. Principalmente os de vôo em vassoura. O primeiro vôo, na aula, em que Harry enfrenta o rival almofadinha Draco Malfoy (Tom Felton) tem um visual belíssimo, antecipando a ótima sequência do jogo de quadribol, o esporte preferido dos bruxos.
O filme se sai muito bem na missão de estabelecer o mundo onde as continuações também se passarão. A aventura é envolvente e o dia-a-dia em Hogwarts, fascinante. Existe uma teoria no cinema de que um personagem acaba sendo o “representante” do espectador dentro do filme. Ele vê as ações com os nossos olhos. Em A Pedra Filosofal, o próprio Harry Potter é esse personagem. E quando ele está de partida, no final, ficamos – como ele – ansiosos por voltar no ano letivo seguinte.
Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Pilosopher’s Stone/ Harry Potter and the Sorcerer’s Stone, Estados Unidos/ Reino Unido, 2001). Direção: Chris Columbus. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Richard Harris, Maggie Smith, Robbie Coltrane, Tom Felton, Fiona Shaw, Richard Griffiths, Julie Walters, John Hurt, Ian Hart, Zoë Wanamaker, John Cleese, James Phelps, Oliver Phelps, Matthew Lewis, Warwick Davies, Geraldine Sommerville, Bonnie Wright.
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Seqüências:
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- Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
* Apenas filmes de ficção.
15 – Pink Floyd – The Wall (The Wall, 1982), de Alan Parker
14 – This Is Spinal Tap (This Is Spinal Tap, 1984), de Rob Reiner
13 – A Fera do Rock (Great Balls of Fire!, 1989), de Jim McBride
12 – Backbeat – Os Cinco Rapazes de Liverpool (Backbeat, 1994), de Iain Softley
11 – Alta Fidelidade (High Fidelity, 2000), de Stephen Frears
10 – The Doors (The Doors, 1991), de Oliver Stone
9 – Submarino Amarelo (Yellow Submarine, 1968), de George Dunning
8 – Footloose – Ritmo Louco (Footloose, 1984), de Herbert Ross
7 – The Wonders – O Sonho Não Acabou (That Thing You Do!, 1996), de Tom Hanks
6 – Escola de Rock (The School of Rock, 2003), de Richard Linklater
5 – Grease – Nos Tempos da Brilhantina (Grease, 1978), de Randal Kleiser
4 – Ruas de Fogo (Streets of Fire, 1984), de Walter Hill
3 – Top Secret! – Superconfidencial (Top Secret!, 1984), de Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker
2 – A Hard Day’s Night – Os Reis do Iê-Iê-Iê (A Hard Day’s Night, 1964), de Richard Lester
1 – Quase Famosos (Almost Famous, 2000). de Cameron Crowe
No meio de muita polêmica – até ameaçado de prisão ele foi recentemente por causa de uma piada – Rafinha Bastos tem um show marcado para João Pessoa: dias 3 e 4 de setembro, no Teatro Paulo Pontes. Pouco mais de dois anos depois do show que não houve, tendo sido cancelado um dia antes da apresentação, que seria no Forrock.
Agora, com nova produção local, o público pessoense e o próprio humorista ganham uma segunda chance de reencontro. Dos CQC‘s, só faltava ele, Marcelo Tas e Monica Iozzi aparecerem aqui – e os dois últimos nem têm espetáculos do gênero.
O show que virá já é outro. Na época, seria A Arte do Insulto, que foi lançado em DVD recentemente. Agora será – como você pode ver pelo cartaz – o Péssima Influência. Os ingressos serão vendidos na Skiler do Manaíra Shopping e já podem ser reservados pelo e-mail incenareserva@gmail.com.
Também há informações circulando sobre a volta de Marco Luque (no que provavelmente seria um show de personagens, mais no estilo do que ele fazia no Terça Insana) e de Oscar Filho. Bem, enquanto o show do Rafinha não vem, você pode reler a pequena entrevista que fiz com o Rafinha Bastos.
- Cilada.com: Cilada surgiu como seriado no Multishow, depois virou quadro no Fantástico e, agora, chega ao cinema. O conceito de narrativa cheio de links se perdeu pelo caminho: Cilada. com é uma comédia de andamento tradicional sobre um cara que passa por muitos constrangimentos depois que uma mulher resolve se vingar dele colocando na internet um vídeo de sexo dos dois onde ele não se sai nada bem. O próprio Bruno Mazzeo, idealizador da série, co-roteirista e protagonista, disse que o filme está menos para Seinfeld e mais para Se Beber, Não Case. Se já começa optando pelo medíocre em vez de pelo genial, o que esperar?
Em JP:
- Box Manaíra 5: 14h30, 16h45, 19h, 21h15.
- Box Manaíra 7: 19h, 21h15.
– Cinespaço MAG 1: 14h50, 17h10, 19h30, 21h50.
- Cinesercla Tambiá 2: 14h45, 16h45, 18h45, 20h45.
Em CG:
- Cinesercla Boulevard 1: 14h50, 16h50, 18h50, 20h50.
-Winnie the Pooh: Se não está ligando o nome à pessoa (ou animal), fique tranquilo. Em nome da globalização, a Disney no Brasil cometeu a troca do nome do Ursinho Puff para Ursinho Pooh e agora chega a esta atrocidade no título deste novo longa-metragem – o quinto da turma do Bosque dos Cem Acres, depois de As Aventuras do Ursinho Puff (1977), Tigrão – O Filme (2000), Leitão – O Filme (2003) e Pooh e o Efalante (2005). Os personagens são umas gracinhas, e o filme é dirigido a crianças menores – mas o trailer já mostra que há umas sacadas muito boas com o fato de que são personagens de um livro.
Em JP:
– Box Manaíra 7: dub.: 14h, 15h40, 17h20.
Continuação preguiçosa
Há, claro, quem gosta do primeiro Se Beber, Não Case! (2009) por causa das grosserias do filme. Mas ele não era bom por isso, e sim, porque era surpreendentemente inteligente na maneira como contava a história. Se Beber, Não Case! – Parte II (The Hangover – Part II, EUA, 2011) cai na armadilha de simplesmente repetir em detalhes o que foi feito no primeiro. E é exatamente por isso que qualquer sinal de inteligência se foi.
Tudo parece feito por obrigação. Alguém desaparecer depois de uma noitada; Stu (Ed Helms) acordar com alguma supresa física constrangedora (no primeiro, ele perde um dente; agora, está com o rosto tatuado); os mesmos três protagonistas repetirem a busca (o quarto amigo, que antes era o “procurado”, agora fica novamente de fora); a resolução de última hora e que leva tudo de novo ao ponto de partida; e até a participação de Mike Tyson (antes, uma grande sacada; agora, forçadíssimo).
Embora o início do filme tenha algum interesse, resta, para quem gosta, as grosserias. E elas são em maior número e intensidade do que no primeiro filme. É a continuação mais preguiçosa dos últimos anos sem absolutamente nenhuma idéia nova, esquecendo toda a criatividade e apostando Continuar no bom caminho nem sempre significa repetir os mesmos passos.
Se Beber, Não Case! – Parte II (The Hangover – Part II, EUA, 2011). Direção: Todd Phillips. Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Ken Jeong, Paul Giamatti, Mike Tyson, Nick Cassavetes.
- Namorados para Sempre: A não ser que o título nacional seja entendido de maneira irônica, é uma daqueles casos péssimos que temos aos montes. Aqui, o filme mostra um casal em grave crise e as lembranças dos dias felizes em que se conheceram e se apaixonaram. No elenco, a ótima Michelle Williams, que foi indicada ao Oscar pelo papel.
Em JP:
- Cinespaço MAG 1: 16h30, 19h, 21h30.
- Os Pinguins do Papai: Jim Carrey numa “comédia para a família”, com eles dizem. Aqui, ele faz aquele personagem tão caro ao cinema americano: o pai que se dedica demais à carreira profissional e acaba dando pouca atenção à família. A sacudida em seu cotidiano vem no formato de um pinguim vivo, que recebeu como testamento do pai aventureiro. É baseado em um livro infantil.
Em JP:
– Box Manaíra 7: leg.: 14h20, 16h45, 18h50, 21h10.
– Cinespaço MAG 4: 3D: dub.: 14h40, 17h, 19h20, 21h40.
– Cinesercla Tambiá 2: dub.: 14h30, 16h30, 18h30, 20h30.
Em CG:
- Cinesercla Boulevard 2: dub.: 14h40, 16h40, 18h40, 20h40.
- Transformers – O Lado Oculto da Lua: A terceira parte da série dirigida por Michael Bay, antecedida pelos dois péssimos filmes. Este, não parece se esforçar para ser diferente: muito barulho e pouca inteligência. Na história, os autobots descobrem que uma nave de seu planeta chegou à Lua antes que eles chegassem à Terra e seu líder está lá desde então. Aí, tentarão resgatá-lo. É o primeiro da série em 3D, mas a notícia de maior importância é a ausência de Megan Fox, defenestrada após brigar com o diretor. No lugar, entra Rosie Huntington-Whiteley, modelo inglesa da Victoria’s Secret e estreante no cinema.
Em JP:
– Box Manaíra 4: dub.: 14h40, 17h50, 21h.
– Box Manaíra 5: leg.: 13h50, 17h, 20h20.
– Box Manaíra 6: 3D: leg.: 15h50, 21h20.
– Cinespaço MAG 3: 3D: leg.: 16h, 21h10.
– Cinesercla Tambiá 4: dub.: 14h40, 17h30, 20h20.
– Cinesercla Tambiá 6: 3D: dub.: 15h55, 20h40.
Em CG:
– Cinesercla Boulevard 4: dub.: 14h40, 17h30, 20h20.

























