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Copie e cole a lista nos comentários e coloque sua nota de 0 a 5 para cada filme. Não valem notas quebradas. Se não tiver visto o filme, coloque “não vi”.
- O Filme dos Espíritos –
- Eu Queria Ter a Sua Vida –
- O Zelador Animal –
- A Hora do Espanto –
- Capitães de Areia –
- Winter, o Golfinho –
- Os Três Mosqueteiros –
- Não Tenha Medo do Escuro –
- Atividade Paranormal 3 –
- Rock Brasília –
- Gigantes de Aço –
- Amizade Colorida –
- O Palhaço –
- Contágio –
- O Retorno de Johnny English –
* Filmes que estrearam de 1º a 30 de outubro de 2011 nos cinemas de João Pessoa.
- Dê suas notas:
– TOP 25 (de janeiro a setembro) –
- Cisne Negro – 4,5
- Meia-Noite em Paris – 4,473
- O Discurso do Rei – 4,423
- O Concerto – 4,375
- Bravura Indômita – 4,153
- Planeta dos Macacos – A Origem – 4,083
- X-Men – Primeira Classe – 4,052
- Namorados para Sempre – 4
- Tetro – 3,857
- Rango – 3,823
- A Árvore da Vida – 3,818
- Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 – 3,8
- Super 8 – 3,8
- Homens e Deuses – 3,8
- Amor à Toda Prova – 3,8
- Pearl Jam Twenty – 3,75
- O Vencedor – 3,736
- O Homem do Futuro – 3,5
- Deixe-me Entrar – 3,454
- Rio – 3,444
- Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos – 3,437
- Enrolados – 3,388
- Desenrola – 3,375
- Capitão América, o Primeiro Vingador – 3,357
- Além da Vida – 3,333
– COMENTÁRIOS: –
- Estes são os 25 filmes com melhores médias entre os lançados de janeiro a setembro em João Pessoa.
- Entraram no Top 25: ‘A Árvore da Vida’ (em 11º); ‘Pearl Jam Twenty’ (16º); ‘O Homem do Futuro’ (18º).
- Saíram do Top 25: ‘Minhas Mães e Meu Pai’; ‘Jogo de Poder’; ‘VIPs’.
- Na briga pela liderança, ‘Meia Noite em Paris’ chegou a assumir a liderança durante a semana, mas uma nota 3 baixou a média e ‘Cisne Negro’ reassumiu a ponta. A diferença, que era de 0,015, agora subiu para 0,027.
- Os piores do ano, até agora: ‘Cilada.com’ (média 1,222); ‘Fúria sobre Rodas’ (1,25); ‘O Besouro Verde’ (1,272); ‘As Mães de Chico Xavier’ (1,333); ‘Padre’ (1,428).
- O filme com a melhor media de agosto, ‘A Árvore da Vida’, ainda assim sofreu com sua recepção ame-ou-odeie. Foram quatro 5, quatro 4, mas também um 2 e um 1. Os fãs do Pearl Jam também conseguiram emplacar o documentário da banda no Top 25.
– MÉDIAS DE SETEMBRO: –
- A Árvore da Vida – 3,818
- Pearl Jam Twenty – 3,75
- O Homem do Futuro – 3,5
- Contra o Tempo – 3,25
- Missão Madrinha de Casamento – 2,75
- Cowboys e Aliens – 2,714
- Larry Crowne – O Amor Está de Volta – 2,5
– NÃO ATINGIRAM O QUÓRUM MÍNIMO: –
- Apollo 18 –
- Deu a Louca na Chapeuzinho 2 –
- Professora sem Classe –
- Manda-Chuva – O Filme –
- Conan, o Bárbaro –
- Glee – Live –
- Sem Saída –
- Premonição 5 –
- Família Vende Tudo –
- Dê suas notas:
Um registro íntimo e pessoal
O documentário em primeiríssima pessoa – relatos tão pessoais que se permitem claramente fugir da objetividade – estão cada vez mais comuns. Curiosamente três retornam ao anos de chumbo. Diário de uma Busca, de Flávia Castro, foi muito comentado e o Fest Aruanda exibe outros dois: Uma Longa Viagem, de Lúcia Murat, e este Marighella (Brasil, 2012; exibido sábado), de Isa Ferraz.
Isa é sobrinha de Carlos Marighella, o lendário líder da luta armada brasileira contra a ditadura. Sua narração em primeira pessoa centra o foco na caminhada política da figura pública, mas dá espaço generoso também para as memórias afetivas do tio que de vez em quando desaparecia.
O lado humano do guerrilheiro é sempre ressaltado, com o filme mostra muito suas poesias e sendo pontuado por uma prova de física feita por ele em versos.
É uma abordagem de um lado só (só há comunistas dando depoimentos, alem da viúva e do filho de Marighella), mas isso é compensado pelo registro íntimo e pessoal, algo sempre muito distante das narrativas envolvendo documentários sobre a ditadura. Mas, como vemos pelo número de docs nesse estilo, cada vez mais recorrente.
Jewel, “Go tell it on the m0untain”
Darlene Love, “Christmas (Baby, please come on home)”
Olivia Olson, “All I want for Christmas”
Cyndi Lauper, “Early Christmas morning”
Copie e cole a lista nos comentários e coloque sua nota de 0 a 5 para cada filme. Não valem notas quebradas. Se não tiver visto o filme, coloque “não vi”.
- Apollo 18 –
- O Homem do Futuro –
- Deu a Louca na Chapeuzinho 2 –
- Larry Crowne – O Amor Está de Volta –
- Cowboys e Aliens –
- Professora sem Classe –
- Manda-Chuva – O Filme –
- Conan, o Bárbaro –
- Glee – Live –
- A Árvore da Vida –
- Missão Madrinha de Casamento –
- Sem Saída –
- Premonição 5 –
- Família Vende Tudo –
- Contra o Tempo –
- Pearl Jam Twenty -
* Filmes que estrearam de 1º a 30 de setembro de 2011 nos cinemas de João Pessoa.
- Dê suas notas também para:
– Top 25 (de janeiro a agosto) –
- Cisne Negro – 4,481
- Meia-Noite em Paris – 4,466
- O Discurso do Rei – 4,4
- O Concerto – 4,333
- Planeta dos Macacos – A Origem – 4,181
- Bravura Indômita – 4,16
- X-Men – Primeira Classe – 4,117
- Namorados para Sempre – 4
- Amor à Toda Prova – 4
- Tetro – 3,846
- Super 8 – 3,833
- Rango – 3,823
- Homens e Deuses – 3,8
- O Vencedor – 3,777
- Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 – 3,714
- Capitão América, o Primeiro Vingador – 3,357
- Deixe-me Entrar – 3,454
- Rio – 3,444
- Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos – 3,4
- Enrolados – 3,388
- Desenrola – 3,375
- Além da Vida – 3,333
- Minhas Mães e Meu Pai – 3,312
- Jogo de Poder – 3,2
- VIPs – 3,166
– COMENTÁRIOS: –
- Estes são os 25 filmes com melhores médias entre os lançados de janeiro a agosto em João Pessoa.
- Entraram no top 25: “Planeta dos Macacos – A Origem” (em 5º); “Amor à Toda Prova” (em 9º); “Super 8″ (em 11º); “Homens e Deuses” (em 13º).
- Saíram do top 25: “Como Esquecer”; “Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio”; “Amor e Outras Drogas”; “Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas”.
- Nova reviravolta na ponta da tabela. Uma série de “4″ reduzem a média de “Meia-Noite em Paris” e “Cisne Negro”, cuja média subiu 0,2 reassumiu a liderança. A média de “O Discurso do Rei”, ainda em terceiro, também subiu 0,25. “Planeta dos Macacos – A Origem” estreou com quatro notas 5, mas perdeu fôlego.
- A diferença entre o líder e o segundo colocado é a menor do ano: 0,015, quando semana passada era de 0,175. A diferença entre o líder e o terceiro colocado é de 0,081 – menor que a diferença entre os dois líderes em qualquer atualização até agora.
- Os piores do ano, até agora: “Fúria sobre Rodas” e “Cilada.com” (empatados com média 1,25); “As Viagens de Gulliver” e “O Besouro Verde” (empatados, com média 1,272); “As Mães de Chico Xavier” (1,333).
- Agosto foi um mês bem servido. Dois filmes com média de 4 para cima e três entre os top 25.
- Dê suas notas:
Os dias estão todos lotados. Estou com críticas atrasadíssimas para postar aqui – clássicos, Amanhecer e Os Muppets – e nem tenho postado nada do Fest Aruanda. Já tem mosca por todo lado aqui. Até mesmo a lista de setembro dos Melhores do Ano – nosso Oscar, nosso Oscarito – vai atrasar uns dias.
Mas vamos tentar recuperar o tempo perdido pelo menos nessa reta final do festival, que tem sido muito bom.
Entre as presenças, houve ídolos globais e pessoas de história admirável e que dividem sua experiência conosco. Camila Pitanga foi muito simpática e teve uma interpretação realmente arrebatadora em Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios.
E Bete Mendes, um doce, como sempre. Se emocionou pra valer na homenagem que recebeu no sábado. Vladimir Carvalho compareceu a partir de domingo, esbajando a simpatia de sempre.
E fomos brindados pelo belíssimo Uma Longa Viagem, da Lúcia Murat, que entrevistei pela terceira vez (anos antes conversamos sobre Olhar Estrangeiro e sobre Maré).
Enfim, vamos à programação de hoje e, nos posts seguintes, vêm as críticas dos longas até agora e meu papo rápido com a Lúcia. Lembrando que a entrada é franca e o local é o Hotel Tambaú (na sala Sérgio Bernardes, que foi o saudoso Cine Tambaú nos anos 1980 e 1990).
TERÇA, 13
- Às 15h30, será exibido o longa Wills Leal – Atonal e Visionário, de Mirabeau Dias. O documentário aborda nosso super-historiador do cinema paraibano.
- Às 17h, a mostra de curtas digitais.
- Às 20h, João Batista de Brito lança seu blog, Imagens Amadas. Cinéfilos do mundo, finalmente tendo acesso invejável aos textos do nosso crítico maior da atualidade. O lançamento é hoje, mas o blog já está no ar, na verdade.
- A sessão Curtas a Granel exibem, às 20h15, dois curtas: O Diário de Márcia, de Bertrand Lira, e Oferenda, de Ana Bárbara Ramos.
- O longa da noite é o documentário Malditos Cartunistas, de Daniel Garcia e Daniel Paiva. Com depoimentos de muitos artistas dos cartuns e quadrinhos nacionais (com Ziraldo, Jaguar, Angeli, Laerte e Maurício de Sousa puxando a fila), o filme aborda as questões envolvendo a arte do desenho de humor e todas as suas críticas.
Quando se fala em Curtindo a Vida Adoidado, logo vem à mente a cena em que Matthew Broderick dubla “Twist and shout” na Parada do Dia de Von Steuben (em homenagem à cultura alemã e a um herói da independência americana que era prussiano de origem). Mas um momento que eu acho particularmente brilhante no filme é a sequência imediatamente anterior, no Art Institute of Chicago, onde o diretor John Hughes não só mostra suas pinturas preferidas (há obras de Edward Hopper, Picasso, Modigliani, Pollock, Matisse, Toulouse-Lautrec, Rodin, Chagall, entre outras) como faz uma bonita interação: imagens estáticas e compostas para compor um diálogo entre os personagens e as telas e esculturas.
Terá um diretor amado mais o cinema que François Truffaut? O cinema salvou a vida dele, literalmente, e ele agradeceu com uma carreira iluminada e um “eu te amo” especial: A Noite Americana (1973), o mais lindo filme sobre a arte, as alegrias e as dores de filmar. Nesta sequência, a trilha de Georges Delerue é a ponte para as pequenas cenas que mostram o trabalho que dá captar alguns segundos de imagens, a atenção que o diretor deve ter aos detalhes, o número de pessoas envolvidas. E – é bom não esquecer – é o próprio Truffaut interpretando o diretor de Quero Apresentar Pamela, o filme-dentro-do-filme.
Copie e cole a lista nos comentários e coloque sua nota de 0 a 5 para cada filme. Não valem notas quebradas. Se não tiver visto o filme, coloque “não vi”.
- Não se Preocupe, Nada Vai Dar Certo –
- Quero Matar Meu Chefe –
- Os Smurfs –
- Super 8 –
- Dylan Dog e as Criaturas da Noite –
- Lanterna Verde –
- Onde Está a Felicidade? –
- Amor à Toda Prova –
- Planeta dos Macacos – A Origem –
* Filmes que estrearam de 1º a 31 de agosto de 2011 nos cinemas de João Pessoa.
- Dê suas notas também para:
– TOP 25 (de janeiro a julho): –
- Meia-Noite em Paris – 4,636
- Cisne Negro – 4,461
- O Discurso do Rei – 4,375
- O Concerto – 4,333
- X-Men – Primeira Classe – 4,142
- Bravura Indômita – 4,125
- Tetro – 3,846
- Namorados para Sempre – 3,833
- Rango – 3,823
- O Vencedor – 3,764
- Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 – 3,727
- Como Esquecer – 3,5
- Rio – 3,444
- Deixe-me Entrar – 3,444
- Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos – 3,4
- Enrolados – 3,388
- Desenrola – 3,375
- Capitão América, o Primeiro Vingador – 3,363
- Além da Vida – 3,333
- Minhas Mães e Meu Pai – 3,333
- Jogo de Poder – 3,25
- Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio – 3,125
- VIPs – 3,090
- Amor e Outras Drogas – 3,062
- Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas – 3
– COMENTÁRIOS: –
- Estes são os 25 filmes com melhores médias entre os lançados de janeiro a julho em João Pessoa.
- Entraram no top 25: “Meia-Noite em Paris” (em 1º); “Namorados para Sempre” (em 8º); “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2″ (em 11º); “Capitão América, o Primeiro Vingador” (em 18º); “Jogo de Poder” (em 21º).
- Saíram do top 25: “Sem Limites”; “Thor”; “Amor por Contrato”; “O Ritual”; “Se Beber, Não Case – Parte II”.
- Mudanças significativas na ponta da tabela. “Meia-Noite em Paris” assume a liderança, enquanto “Cisne Negro” viu sua média cair de 4,521 para 4,461. “O Discurso do Rei” voltou a ultrapassar “O Concerto” e “X-Men – Primeira Classe” caiu para 5º.
- A diferença entre o novo líder e o segundo colocado é de 0,175. Entre “Cisne Negro” e “O Concerto”, primeiro e segundo lugares na semana passada, era de 0,164.
- Os piores do ano, até agora: “As Viagens de Gulliver” e “O Besouro Verde” (empatados, com média 1,272); “Cilada.com” (1,285); “As Mães de Chico Xavier” (1,4).
- Dê suas notas:
- Meia-Noite em Paris – 4,636
- Namorados para Sempre – 3,833
- Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 – 3,727
- Capitão América, o Primeiro Vingador – 3,363
- Assalto ao Banco Central – 2,142
- Transformers – O Lado Oculto da Lua – 1,833
- Cilada.com – 1,285
– NÃO ATINGIRAM O QUÓRUM MÍNIMO: –
- Os Pinguins do Papai
- Winnie the Pooh
Nunca vou esquecer o dia em que eu assisti pela primeira vez a Cidade de Deus – felizmente, no cinema, como deve ser. E também a cena em que eu realmente me convenci de que estava vendo algo grande, definitivo. A história da “boca dos apês” me deixou de boca aberta: uma passagem de tempo em flashback absolutamente brilhante, com a câmera parada e as cenas se desenrolando em vários locais da sala, uma se misturando às outras. E termina justamente com o emblemático “Dadinho é o caralho! Meu nome agora é Zé Pequeno, porra!”.
Um dos maiores cômicos da face deste planeta, Groucho Marx não seria ninguém no cinema mudo. Seu gênio estava no disparar de frases certeiras. Mas o momento mais antológico dos irmãos Marx é uma gag visual: o camarote minúsculo onde não pára de entrar gente em Uma Noite na Ópera. Mas as piadas verbaus de Groucho tornam tudo ainda melhor. Uma moça bate à porta procurando a tia e ele diz: “Pode procurar. Se ela não estiver aí, você talvez encontre outra pessoa que sirva”.
“Moses supposes” é, pra mim, a melhor cena de sapateado já feita – logo atrás vem aquela de Fred Astaire e Eleanor Powell em Melodia da Broadway de 1938. É muito difícil não se contagiar com a galhofa de Gene Kelly e Donald O’Connor tirando a maior onda com o formalíssimo professor de dicção. E a perícia dos dois na dança, então?
Final de Luzes da Cidade (1931). Depois de um tempo na prisão, Carlitos, absolutamente na pior, reencontra a florista cega que ajudou a voltar a enxergar. Pra mim, um dos melhores finais de todos os tempos: em plena aurora do cinema falado, Chaplin mostra que pode haver coisas mais importantes e reconhecíveis que a palavra.
Identidade da comédia
Os grandes comediantes da história sempre souberam que um palhaço tem muito potencial para o drama, nessa antítese entre rir e chorar. Charles Chaplin, o maior dos cômicos, pautou a maior parte de sua carreira sobre esse aspecto. Outro ícone, Buster Keaton, não dava um sorriso sequer nos filmes que fazia. E até Renato Aragão soube tirar lágrimas em vez de risos, quando quis. Sélton Mello certamente inspirou-se em alguns deles (provavelmente em todos) para O Palhaço (Brasil, 2011).
Ele interpreta Pangaré (sem a maquiagem, Benjamin), que faz o número com o pai, o veterano palhaço Puro-Sangue (Paulo José). Ele também gerencia o paupérrimo circo com que cruza o interior (no momento) de Minas. É também um filme de época: apesar de não dizer claramente, por alguns detalhes dá para ver que a trama de passa em algum ponto dos anos 1970 ou começo dos 1980.
Como Buster Keaton, Pangaré é um palhaço que não sorri – ou, no máximo, sorri raras vezes. Dentro ou fora de cena. Em crise de identidade, ele começa a pensar em fixar residência e conseguir um emprego mais “tradicional”. Essa crise tem uma metáfora bastante clara no filme, que é a necessidade prática de tirar identidade, CPF e comprovante de residência. E um simbolismo mais cifrado, que é os ventiladores que “assombram” Benjamin.
Extremamente bem amarrado, O Palhaço é enriquecido por outros desses símbolos. Um deles é a maneira solene (solene à moda de um palhaço, pelo menos) com que Puro-Sangue é anunciado (o que também demonstra toda a reverência de Sélton ao grande e histórico ator Paulo José). E há a pequena Larissa Manoela, testemunha silenciosa dos dramas e comédias do filme, e que guarda um simbolismo em si mesma: a do futuro da arte circense, algo que o próprio Benjamin já representou um dia.
Também não é por acaso que Jorge Loredo está onde está. Outro ator que Sélton Mello admira muito, o eterno Zé Bonitinho faz participação como um personagem a princípio carrancudo, mas que tem importância fundamental no filme quando Benjamin o vê contando uma piada. Um piada contada por um humorista de profissão que interpreta um homem “sério” para um ator que interpreta um palhaço (no momento) sem maquiagem. De um palhaço para o outro.
Mello tem um ótimo olhar para colher grandes atores que o cinema brasileiro nunca soube aproveitar. Loredo é um caso, e Moacyr Franco é outro. Franco está absolutamente impagável como um delegado. Só tem uma cena, e é enquadrado de uma única maneira: de frente, sentado atrás de uma mesa. E dá um show que, sozinho, já pagaria o ingresso de O Palhaço. Mas o filme tem muito mais do que isso: é uma realização engraçada e melancólica, absolutamente admirável.
O Palhaço (Brasil, 2011). Direção: Sélton Mello. Elenco: Sélton Mello, Paulo José, Larissa Manoela, Giselle Motta, Teuda Bara, Álamo Facó, Cadu Fávero, Erom Cordeiro, Hossen Minussi, Maíra Chasseraux, Thogun, Fabiana Karla, Jackson Antunes, Tonico Pereira, Moacyr Franco, Jorge Loredo, Tony Tonelada, Danton Mello, Ferrugem, Emilio Orciollo Neto.
* Versão estendida de crítica publicada no Correio da Paraíba.
















