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Fora da armadura
Um problema recorrente diagnosticado nas sequências dos blockbusters: “crescer demais”. Quem decide (estúdio, produtor e/ ou diretor) acha que o novo filme deve ser sempre maior que o exemplar anterior e, muitas vezes, essa bolha inflada acaba estourando – artisticamente ou até financeiramente. Homem de Ferro 3 (Iron Man Three, EUA/ China, 2013) chega perto disso, e se não estoura é porque algumas das qualidades dos filmes anteriores ainda estão lá e seguram a onda.
A principal dessas qualidades é seu ator principal, que domina a cena completamente: Robert Downey Jr.Quantas vezes você viu um ator tão senhor de seu personagem em uma franquia de super-heróis? Não é para menos, já que Tony Stark mais se moldou ao ator do que o contrário desde o primeiro filme – e já vamos no quarto (se contar Os Vingadores – The Avengers, 2012).
Stark continua muito engraçado em sua arrogância e autosuficiência, e para reforçar isso o filme o coloca boa parte do tempo contracenando com um garotinho, mostrando um instinto paterno muito particular. O maior acerto do filme é justamente colocar Downey Jr./ Stark em boa parte da história tendo que se virar sem a armadura do Homem de Ferro.
Por outro lado, o principal problema é que o filme parece tentar compensar isso no final com a absurda aparição de dezenas de armaduras diferentes – o que nos leva ao diagnóstico do início do texto. O que Homem de Ferro 3 mostra em seu clímax é uma imensa banalização do personagem e de tudo o que foi visto nos dois primeiros filmes e um passo largo depois do qual é impossível voltar ao antigo status quo, digamos assim.
A não ser que, depois, se tome uma decisão de roteiro absolutamente destrambelhada, que é o que o filme prefere fazer, com a desculpa de “retornar a como éramos antes”. Mas o problema de roteiro é primário desde o começo desse clímax: se as tantas armaduras existiam, porque não foram usadas antes, logo se pergunta o espectador? O que nos leva a imaginar a pior das hipóteses: cada uma delas é um boneco a mais para ser vendido em ações de licenciamento, apenas isso.
Mas antes disso Homem de Ferro 3 vai muito bem, obrigado. Mostra Stark fragilizado como nunca, abalado com os eventos cósmicos que enfrentou em Os Vingadores. Interessante: é como se tivéssemos aqui a densidade psicológica que o filme do supergrupo resolveu não ter (e que, não tendo, se saiu muito bem, vale a ressalva). Assim, Stark começa a se questionar se pode mesmo proteger sua namorada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow). E será testado nisso com a aparição do vilão Mandarim (Ben Kingsley) e de mais um rival (vivido por Guy Pearce). A cena da destruição da mansão é o grande momento explosivo do filme, muito superior à cena final, inclusive porque é mais dramático.
O retrato do Mandarim – de certa forma uma atualização de um vilão que só fazia sentido mesmo na Guerra Fria, quando foi criado – pode irritar os fãs mais xiitas (terá o filme não querido comprar uma confusão com a China?), mas é um dos mais surpreendentes nos filmes recentes de super-heróis. A mudança na direção – de Jon Favreau para Shane Black, que dirigiu Downey Jr. no elogiado Beijos e Tiros, de 2005, ainda em um momento difícil na problemática carreira do ator) – não se mostrou muito significativa, mas, sim, no roteiro (que ele escreveu com Drew Pearce) com essa maior profundidade e algumas viradas de roteiro muito boas, apesar dos pesares – e é uma pena que Rebecca Hall não seja melhor aproveitada.
No fim, o saldo do Homem de Ferro 3 é positivo, mas com ressalvas: nunca é demais lembrar que fogos de artifício, por isso só, não justificam tudo.
Homem de Ferro 3 (Iron Man Three, Estados Unidos/ China, 2013). Direção: Shane Black. Elenco: Robert Downey Jr., Ben Kingsley, Guy Pearce, Gwyneth Paltrow, Rebecca Hall, Don Cheadle, Jon Favreau.
O compositor austríaco Max Steiner nasceu em 1888, há 125 anos. Steiner é um dos maiores autores de trilha sonora da era de ouro de Hollywood, tendo estudado na juventude com Brahms e Robert Fuchs. Seu trabalho em King Kong (1933) meio que definiu o funcionamento da trilha sonora para o cinema. Ele compôs mais de 300 trilhas e foi indicado ao Oscar 24 vezes. Ganhou três: O Informante (1935), A Estranha Passageira (1942) e Desde que Partiste (1944). Mas sua grande trilha, é claro, é a de …E o Vento Levou (1939). Seus acordes poderosos eram sua marca maior e outras trilhas memoráveis são as de Casablanca (1942) e Rastros de Ódio (1956), entre outras.
O filme Lua de Papel foi lançado em 1973, há 40 anos. O último grande sucesso da especial sequência do diretor Peter Bogdanovich iniciada com A Última Sessão de Cinema (1971) e Essa Pequena É uma Parada (1972). Em preto-e-branco e passado na época da Depressão, o filme também revelou a pequena Tatum O’Neal como uma garotinha se aproximando do pai trambiqueiro. Ela é até hoje a mais jovem vencedora de um Oscar de atuação: ganhou como atriz coadjuvante aos 10 anos. Tatum contracena com o pai, Ryan O’Neal. Como muitas outras crianças, ela também não manteve o sucesso depois de crescer.
Uma das melhores adaptações de Shakespeare para o cinema, Muito Barulho por Nada estreou em 1993, há 20 anos. Kenneth Branagh, diretor e ator do filme, tirou a comédia do confinamento dos quartos e salas designados pelo bardo para colocar a história sob o sol da Toscana italiana, em belíssimas cenas externas. Equilibrou monólogos sem corte com humor rasgado e sensualidade e tirou proveito da ótima partitura de Patrick Doyle (a sequência dos créditos iniciais é arrebatadora). E contou com um elenco quase todo sublime, entre veteranos de sua companhia teatral shakespeareana e britânica, uma grande contribuição americana de Denzel Washington e a sensacional Emma Thompson (musa retroativa número 1 de 1993). Difícil não sair do filme com um sorriso no rosto.
Recife, PE - Depois muitos anos entre o pomposo anúncio do elenco e vir à luz, o novo Bonitinha, mas Ordinária é até uma boa notícia. Dirigido por Moacyr Góes, está acima da média do diretor no cinema e é bastante superior à versão mais conhecida, a de Braz Chediak de 1981, com Lucélia Santos (o que, na prática, não chega a ser tão difícil).
Há vários “senões”, a começar por trazer a trama para os dias atuais, coisa que não funciona o tempo todo. Alguns valores da peça de Nelson Rodrigues parecem datados demais no filme – quantos realmente acham hoje em dia que a solução para a filha que foi estuprada por cinco negrões é o casamento urgente com um quase desconhecido?
O elenco é um trunfo importante. João Miguel parece começar o filme hiperatuando, mas depois se ajusta no dilema moral de Edgard, que é a razão de ser da peça e do filme. Leandra Leal, como Ritinha, é a competência de sempre. Letícia Colin se defende bem em um papel difícil, onde convive com a sombra de Lucélia (que produziu uma interpretação icônica em 1981, muito maior do que o filme em si). E ainda há León Góes, ótimo como Peixoto, o demônio que guia os passos de Edgard por seu inferno pessoal.
Fica também o registro de um final que pesa a mão na leveza, digamos assim. Acaba apelando, e acho que desagradou a maior parte dos colegas aqui. De qualquer forma, o debate sobre já vai começar e talvez haja mais a dizer sobre ele depois.
Recife, PE - Celso Sabadin faz um sempre bem-vindo resgate em Mazzaropi, exibido na segunda. Oscarito e Grande Otelo já passaram por esse processo de reabilitação e Zé Trindade também começou a passar por ele. Outro grande comediante, Mazzaropi fez sucesso no cinema como ator, impôs o seu tipo caipira, entrou na aventura de produzir e dirigir os próprios filmes e dominou um nicho e uma região do Brasil. O filme de Sabadin, jornalista de cinema há anos que estreia na direção de cinema, conquista fácil a plateia por saber explorar o humor de Mazzaropi e apesar da longa discussão inicial sobre o que é ser caipira.
O filme apresenta a trajetória de Mazzaropi, mas também chega a discutir um pouco que cinema era esse. Não falta quem diga das precariedades de produção e mesmo da qualidade sofrível da maioria dos filmes. Um dos depoimentos diz que ele seria ainda maior se tivesse tido um bom diretor. Outros (e ele mesmo, no único depoimento que o diretor e os produtores encontraram em sua pesquisa) afirmam que, se não fizesse daquele jeito, ele nunca teria conseguido fazer dinheiro com um filme o suficiente para bancar outro, como faz dos anos 1960 ate morrer, em 1980.
O filme toca, inclusive, em uma informação que o grande público desconhecia: a de que Mazza era homossexual. Eu mesmo me surpreendi ano passado quando Astier Basílio me contou essa, que ele tinha ouvido de José Neumanne Pinto. No meio cinematográfico, no entanto, o fato era conhecido, e Mazzaropi gostava de dar em cima de seus galãs, como conta David Cardoso. O tema é tratado no filme com elegância e carinho, graças ao depoimento dse Marly Marley.
Minha única ressalva é o fato de as cenas de filmes só estarem creditadas no fim do filme. Se o espectador gostar de alguma cena em especial e quiser saber de que filme ela é (e muitas cenas aparecem fora do contexto cronológico), vai ficar difícil. No debate, Sabadin justificou dizendo que queriam evitar o excesso de informação no filme.
Recife, PE - Imitando o Merten: pela procedência, vocês sabem de onde estou escrevendo. Cheguei sábado aqui ao Cine-PE para fazer a cobertura para o CORREIO. Vi dois longas no sábado e mais um ontem à noite, além das coletivas pela manhã e uma ou outra exclusiva.
No sábado, vimos o documentário Orgulho de Ser Brasileiro, muito ambicioso, que rendeu uma acalorada discussão na manhã seguinte. A proposta de discutir o tema, e com ele todos os principais problemas do Brasil, parece grande demais para um filme. A escolha dos entrevistados para discutir esses problemas também entrou na berlinda. O diretor Adalberto Piotto justificou dizendo que convidou cerca de 30 pessoas e quem aceitou está no filme, e esta seria a razão para que Fernando Henrique esteja lá e Lula ou Dilma não. A gente pode, a partir daí, discutir longamente sobre o poder que o diretor tem ou não de editar seu filme para que certos pontos de vista apareçam mais ou menos e o que a decisão de evitar essa edição prejudica ou não o filme. Ou as razões para que não haja pessoas do povo mesmo dando suas opiniões – já que o filme é basicamente um festival de opiniões – e se perca tempo, por exemplo, com uma socialite corretora de imóveis que disse ter testemunhado a depressão de seu vizinho Collor em Miami, arrancando gargalhadas da plateia.
Ainda no sábado, tivemos a divertida comédia de Betse de Paula: Vendo ou Alugo. É uma comédia rasgada, liderada por Marieta Severo no papel principal, com um elenco que tem ainda Nathalia Timberg, Sílvia Buarque e Marcos Palmeira. Funciona bastante bem a maior parte do tempo: é uma família de quatro mulheres de gerações diferentes que precisam vender a grande casa onde moram. A família já foi rica, mas já está há anos na decadência. Se não venderem a casa, ela vai a leilão no dia seguinte. O problema é que ela está bem mal conservada e fica na entrada de uma favela.
A partir daí, a trama se desenrola em vários personagens e núcleos, quase sempre dentro da casa e no espaço de um dia. A cenografia – o filme foi realmente rodado dentro de uma casa, me disse a diretora – é um personagem à parte. E o núcleo das senhoras do poquer é um arraso: um show de Nathalia, Carmem Verônica, Ilka Soares e Daisy Lúcide. Também é o dia da pacificação do morro, aumentando a confusão e reumindo um pouco o Rio de Janeiro naquela casa: o encontro de morro e asfalto, tudo junto e misturado. O filme tem data de estreia para agosto.
Marieta foi homenageado pelo festival e, na manhã seguinte, mostrou sua mágica na coletiva. Elegante, à vontade, bem humorada. Os colegas parecem ter se divertido muito com o filme, os comentários foram positivos o tempo todo. E fez nascer um debate sobre a comédia nacional, e seu comprometimento ou não com uma reflexão sobre a vida no país. Debate que voltou na coletiva sobre o documentário Mazzaropi, agora pela manhã, e que a Abraccine já anunciou aqui que pretende levar além.
Em 1933, há 80 anos, uma das páginas mais negras da história começou: foi criada a Gestapo, a polícia política nazista. No começo, era uma espécie de FBI da Alemanha, mas no ano seguinte já começou a atuar como polícia política. No cinema, foi retratada como uma das maiores organizações-vilãs, em filmes tão diferentes como Casablanca (1942 – o Major Strasser, na foto, era da Gestapo), Indiana Jones e a Última Cruzada (1989) e O Pianista (2005).
A Flecha do Amor (Who Killed Cock Robin?, 1935)
Direção: David Hand. Produção: Walt Disney.
Indicado ao Oscar de curta de animação de 1936
Mais um título da série Sinfonias Ingênuas que, junto às similares dos outros estúdios, dominaram a premiação nesses primeiros anos da categoria no Oscar. No DVD da série, o próprio Walt Disney aparece explicando que a animação se baseia em versos infantis muito antigos e que acabaram perdendo um pouco o sentido. Aqui, vira um “desenho de tribunal musical”, onde os pássaros tentam descobrir quem matou Cock Robin com uma flechada. A parte mais divertida é a caricatura de Mae West.
Indicado ao Oscar 1936: O Dragão de Chita <<
>> Vencedor do Oscar 1937: Primo da Roça
Um dos mais influentes críticos de cinema de todos os tempos, André Bazin faria 95 anos hoje – ele nasceu em 1918. Co-fundador e editor da Cahiers du Cinema, ele foi simplesmente o mentor dos meninos que fizeram a Nouvelle Vague no cinema. Ele acolheu o jovem cineclubista (e quase delinquente) François Truffaut e o ajudou a se tornar um crítico respeitado – de onde ele partiu para ser tornar cineasta. Ele morreu em 1958, um dia após o começo das gravações de Os Incompreendidos, primeiro filme de Truffaut, que dedicou o filme a Bazin. Alguns textos do crítico saíram no Brasil em O Cinema – Ensaios, pela Brasiliense.
Traufaut fala de Bazin em 1983:
Hayao Miyazaki é um gênio da animação japonesa e um de seus trabalhos mais marcantes, Meu Amigo Totoro, foi lançado em 1988, há 25 anos. A história das duas filhas de um professor, no Japão do anos 1950, que fazem amizade com espíritos da floresta possui o quociente de ternura e beleza que seriam as marcas consagradas de Miyzazaki, um gênio da animação japonesa – admirado, entre outros pelo pessoa da Pixar.
Livros sobre o oceano
Fazer um filme ancorado uns 90% em trocas de cartas não deve ser fácil. É o que acontece em Nunca Te Vi, Sempre Te Amei (84 Charing Cross Road, Reino Unido/ Estados Unidos, 1987) – aliás, um dos piores títulos nacionais já vistos num cartaz de cinema ou home video (por ser o que hoje chama-se de spoiler e, ao mesmo tempo, induzir o espectador numa direção no mínimo questionável). Enfim, o filme é sobre a troca de correspondências entre uma atrevida aspirante a escritora nova-iorquina e um fleumático gerente de livraria londrina.
Ela procura edições antigas de livros que não encontra em Nova York – e por um precinho razoável. Ele manda os livros e a troca de cartas e pacotes se desenvolve em uma amizade que atravessa os anos e envolve aqueles à volta dos dois. O filme contorna o que poderia ser um festival de cenas de gente escrevendo e lendo (e há muitas) com as situações cotidianas dos personagens. Muitas vezes, há uma dupla narrativa: o que se conta nas cartas é uma coisa e o que se vê na tela é outra, sem uma relação imediata.
Outro recurso interessante é o uso da câmera como interlocutor. Mais interessante ainda é como esse uso aparece em uma progressão. Durante quase todo o filme, só Helene (Anne Bancroft, que ganhou do marido Mel Brooks os direitos de filmagem do livro de presente de aniversário – e levou o Bafta de melhor atriz) tem o direito de olhar para a tela e falar com ela como se falasse com Fred (Anthony Hopkins), seu correspondente.
É um mecanismo curioso, que não “substitui” a carta sendo escrita. Começa aparecendo como uma ou outra frase no final de uma carta – como se sublinhasse um recado especifico de Helene para Fred. Há um outro momento em que a leitura da carta de Helene para Fred está em off, enquanto ela cuida de um bebê – mas em um momento muito específico do áudio, ela dá uma olhadela para a câmera, um curioso momento em que as duas narrativas se cruzam.
Só perto do final, há uma sequência em que Helene e Fred dialogam pela mágica da montagem. É quando o filme concede a ele, também, o “direito” de falar para a câmera. E aí, os dois falando “ao vivo” suas cartas e intercalando comentários, o espectador tem o gostinho de ver os dois conversando – coisa que a distância e um oceano no meio tem impedido.
A história começa nos anos 1940, com a Inglaterra ainda passando privações após a II Guerra, e vai até o fim dos anos 1960, e a turbulência da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Através destes anos, fala-se muito de literatura e da vida cotidiana. Os créditos finais mostram que é uma história real, elemento de que o filme não faz alarde. O livro de Helene Hanff virou uma peça e, daí, o roteiro de Hugh Whitemore.
Será amor a forte ligação entre Helene Hanff e Fred? Bom, o filme não avança sobre isso e não há traço de qualquer arroubo romântico do qual o título nacional tenta nos convencer (“criatividade” motivada, certamente, pelo intraduzível título original, que é o endereço da livraria em Londres).
Não se fala abertamente em amor e Fred (com toda sua fleuma britânica – ou o que os americanos esperam dos britânicos, sem esquecer que o ponto de vista do filme é o de Helene) até parece feliz no casamento – sua esposa é vivida por Judi Dench. O filme parece tomar a posição de deixar que o espectador tire suas próprias conclusões – quem quiser ver amor, verá; quem quiser ver “apenas” uma grande amizade transcontinental, também o verá.
O “apenas” vai entre aspas porque uma grande amizade não será nunca um “apenas”. E isso justifica também essa visão do filme.
Nunca Te Vi, Sempre Te Amei (84 Charing Cross Road, Reino Unido/ Estados Unidos, 1987). Direção: David Hugh Jones. Elenco: Anne Bancroft, Anthony Hopkins, Judi Dench, Jean De Baer, Eleanor David, Mercedes Ruehl.
“What a feeling! Bein’s believing! I can have it all, now I’m dancing for my life!”. Uma das mais empolgante canções já feitas, “Flashdance… What a feeling” é a grande arma de Flashdance – Em Ritmo de Embalo, filme que foi lançado há 30 anos, em 1983. Dirigido por Adrian Lyne, com uma estética publicitária que ele repetiria em 9½ Semanas de Amor (1986), e uma dança totalmente construída na montagem, à base de dublês de corpos e especialistas para cada parte mais difícil (o break, o salto sobre a câmera, etc). A história da soldadora que quer ser bailarina, mas até lá usa o talento em uma boate em danças sensuais, é banal. Mas, enfim, tem a música – essa, sim, um clássico imortal.
O cineasta Paulo César Saraceni morreu há um ano. Apontado como um cineasta precursor do Cinema Novo com seu curta Arraial do Cabo (junto com o Aruanda de Linduarte Noronha), de 1960. Permaneceu na turma do Cinema Novo como um dos líderes e se destacou na direção de longas com A Casa Assassinada (1970) e O Viajante (1998).
O Dragão de Chita (The Calico Dragon, 1935)
Direção: Rudolf Ising. Produção: Hugh Harman e Rudolf Ising
Indicado ao Oscar de curta de animação de 1936
Da série Happy Harmonies, da MGM (a Silly Simphonies de lá). Depois que uma menina lê na cama uma história de cavaleiros e dragões, seus bonecos de pano (um homem, um cavalo e um cachorro) resolvem viver suas aventuras. O que faz diferença é a sacada do mundo imaginário retratado como se tudo fosse de pano – desde a água de um rio até o não-tão-terrível-assim dragão de três cabeças (que formam um trio vocal). A maneira como ele cospe fogo é uma delícia de surpreendente e lúdico.
Vencedor do Oscar 1936: Três Gatinhos Órfãos <<
>> Indicado ao Oscar 1936: A Flecha do Amor
Don Adams, o eterno Agente 86, nasceu em 1923, há 90 anos. De comediante stand-up nos anos 1950, ele só chegou aos pequenos papéis na TV na década seguinte. Mas, aí, rapidamente emplacou o papel principal que definiria sua carreira: Maxwell Smart na antológica Agente 86, que durou cinco temporadas (de 1965 a 1970) e passou da TV preto-e-branco para a colorida. Ele voltaria ao personagem em um filme (A Bomba que Desnuda, 1980), um telefilme (Agente 86… De Novo?!, 1989) e a retomada da série em 1995, que durou só sete episódios. Ele ganhou três Emmys consecutivos pelo papel de Maxwell Smart (de 1967 a 1969). Ele também foi dublador: é dele a voz do Inspetor Bugiganga (1983-1986)!
A segunda maior sapateadora da história dos musicais, Ann Miller completa 90 anos hoje. A dançarina texana fez pequenos papéis na RKO e na Columbia até a MGM escalá-la para Desfile de Páscoa (1948). Ganhou um número só dela (“Shakin’ the blues away”) e arrasou. Emendou outra grande participação de Um Dia em Nova York (1949). Seu terceiro grande filme é Dá-me um Beijo (1953). Depois que a época dos grandes musicais passou, ela faz TV e Broadway. Sua última grande aparição foi como a síndica de Cidade dos Sonhos (2001), de David Lynch. Morreu em 2004.
PS: A maior sapateadora foi Eleanor Powell.
Os mineiros entraram definitivamente na rota das grandes mostras. Primeiro, foi a de Chaplin, com a obra completa do gênio. Hoje, começa outra, dedicada à obra completa de Howard Hawks.
É um excelente resgate, visto que Hawks faz tempo é pouco citado entre os grandes de todos os tempos. Na pesquisa que o blog aqui fez com cinéfilos paraibanos em 2010 sobre seus cineastas preferidos, dos 100 ouvidos apenas um citou Hawks entre seus cinco – e fui eu mesmo.
Enfim, sejam bem-vindos os filmes de Hawks, o cineasta dos homens com uma missão. E também um dos mais versáteis do cinemão de Hollywood, deixando clássicos no filme de gãngster, nas comédias malucas, no musical e, principalmente, no faroeste.
Algumas histórias sobre ele são muito boas como a de que estava pescando com o amigo Ernest Hemingway e este o desafiou a fazer um filme a partir de um livro ruim. Hawks devolveu: “Faço um filme bom do seu pior livro”. Hemingway escolheu e o filme foi Uma Aventura na Martinica (1944), que, ainda por cima, revelou Lauren Bacall.
Foi Hawks também que se indignou porque um xerife ficava pedindo ajuda a todo mundo para encarar um bandido em Matar ou Morrer (1952) e fez um filme em que o xerife, contra todo mundo, mantém o bandido preso: Onde Começa o Inferno (1959), tão antológico quanto seu “espelho”.
Hawks talvez não esteja sendo tão lembrado por não ter sido exatamente um revolucionário ou um inventor no cinema. Foi, no entanto, um exímio contador de histórias, um talentosíssimo narrador. Como você vê a seguir, nessa nossa lista de dez grandes Howard Hawks.
Em tempo: a mostra, no Cine Humberto Mauro, começa hoje com Levada da Breca (1938) e segue por um mês com exibições diárias – quase todas em 35mm. Inclui até filmes mudos e curiosidades como O Proscrito (1948) em que ele acabou não creditado como diretor no final. Há também um curso com Inácio Araújo, debates e palestras. Confira a programação completa.
Comédia com Marilyn antes da fama e chimpazés.
Roteiro de ninguém menos que Billy Wilder, antes de ele mesmo começar a dirigir.
Aventura tipicamente hawksiana: um grupo de homens faz a perigosíssima correspondência aérea na América do Sul, custe o que custar.
Raro filme de Hawks em que as mulheres comandam a ação, e o diretor contribui de novo para a criação do mito Marilyn Monroe. Leia mais.
Um dos filmes de gangster essenciais.
Hawks reuniu Bogart e Bacall (casal que formou em Uma Aventura na Martinica) adaptando o romance de Raymond Chandler.
De novo Cary Grant em uma comédia romântica (e maluca) sobre jornalismo.
Hawks recontou O Grande Motim, que se passa no mar, no Velho Oeste!
A quintessência da comédia maluca, com Katharine Hepburn e Cary Grant no máximo.
Não há a chegada da civilização, a luta dos pioneiros ou outra coisa além de uma aventura de faroeste pura e contada com maestria.




























































