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Saiu esta madrugada o primeiro trailer do novo filme de Jason Bourn… isto é, de James Bond. 007 – Operação Skyfall será o terceiro filme da série estrelado por Daniel Craig, com o novo direcionamento que – a meu ver – desfigurou a franquia. Mas se for como 007 – Cassino Royale ao menos será um ótimo filme (mesmo sendo um Bond falsiê).
O nome dele ainda é Bond?
Se 007 – Cassino Royale (2006) já causou discussão sobre as mudanças as quais o personagem James Bond foi submetido nessa atualização da série, o novo 007 – Quantum of Solace (Quantum of Solace, Reino Unido/ Estados Unidos, 2008) mostra que o tom é esse mesmo: erradicar quase tudo o que foi construído na mitologia da série nesses 46 anos (se você for a favor, vai preferir substituir “erradicar” por “limpar”). Magoado por ter sido traído por Vesper Lynd (Eva Green) e depois vê-la sacrificar-se por ele no final de Cassino, Bond (Daniel Craig) não economiza na contagem de corpos para chegar aos responsáveis.
Aqui, eles atendem pelo nome da secretíssima organização Quantum, a qual pertence Dominic Greene (o francês Mathieu Almaric), que posa de ecologista, mas brinca de derrubar governos para explorar as riquezas naturais de certos países. Na caça, Bond acaba esbarrando em Camille (a belíssima ucraniana Olga Kurylenko), que também está em busca de um ajuste de contas pessoal.
É uma continuação direta do filme anterior, coisa inédita na série. Mas apesar da correria incessante, a história tem menos impacto – e, assim, fica ainda mais difícil desculpar as mudanças no personagem. Que no fundo se resume em uma opção pela truculência e o baixo-astral. Porque outros elementos dessa anunciada modernização já haviam aparecido na série.
O James Bond apaixonado já foi visto em 007 a Serviço Secreto de Sua Majestade (1969), no qual o personagem até se casou. Bondgirls importantes, com uma história a ser contada e à altura do agente já existiram (sempre anunciadas como “a primeira vez”) em filmes como 007, o Espião que Me Amava (1977) ou 007 – O Amanhã Nunca Morre (1997). Uma bondgirl em busca de vingança? Tente 007 Somente para Seus Olhos (1981). James Bond em busca de vingança e perdendo sua licença para matar? Está lá em 007 – Permissão para Matar (1989).
Ou seja: a mudança mesmo está na atitude brutal e na cara de poucos amigos do novo Bond de Daniel Craig. O agente, que já teve filmes inspirados nos sucessos de Guerra nas Estrelas (1977) e Os Caçadores de Arca Perdida (1981), continua calcado, agora, em Jack Bauer e Jason Bourne. Com a desculpa de que o personagem está em início de carreira (depois das continuações e refilmagens, o reboot é a nova praga do cinemão hollywoodiano), ele foi moldado não para parecer James Bond, mas sim os protagonistas de 24 Horas e da trilogia Bourne.
Como filme de ação, Quantum of Solace é competente – mas não ótimo, como Cassino Royale. Existem diversas boas cenas – a luta que começa com uma perseguição nos telhados de Siena, Itália, é a melhor delas – e a aventura não cansa. Mas também não é nada memorável.
Há, pelo menos, um momento legitimamente bondiano no filme: a seqüência em que o agente recusa se hospedar em um hotel de terceira e se instala em um de luxo. Mas nem a característica apresentação – “Meu nome é Bond. James Bond” – ele diz dessa vez.
Em Cassino Royale, a abertura não tinha formas femininas – apenas balas e homens lutando – e dizia muito sobre a nova era da série. Agora, elas voltaram, timidamente, nos créditos iniciais. A vinheta de abertura – o cano da arma, o agente atirando para a câmera e o sangue escorrendo – agora só vem no desfecho e o tema principal mais uma vez só é ouvido plenamente quando sobem os créditos finais, ambos quase como uma obrigação.
Se já não há Miss Moneypenny, nem Q – personagens que simbolizam, agora, uma época mais feliz para 007 -, se a vinheta de abertura e o tema principal só aparecem quando o filme já acabou, e, principalmente, se o personagem não se diverte em seu trabalho nem quando há mulheres em cena, o que restou de James Bond, afinal? Que me desculpem os modernosos, mas se o chamassem de outro nome qualquer, ninguém notaria a diferença.
007 – Quantum of Solace. Quantum of Solace. Reino Unidos/ Estados Unidos, 2008. Direção: Marc Foster. Elenco: Daniel Craig, Olga Kurylenko, Mathieu Amalric, Judi Dench, Giancarlo Giannini, Gemma Aterton, Jeffrey Wright. Em cartaz em João Pessoa.






















































