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Aos trancos e barrancos, vamos tentando nos atualizar com a programação do Cineport.

QUARTA, 21

-O filme mais premiado do Cineport este ano (com quatro prêmios) é Tropa de Elite 2 - ontem, aliás, o filme foi escolhido pelo MinC para representar o Brasil na tentativa de ser um dos cinco indicados ao Oscar. Enfim, ele dispensa apresentações. No Cineport, ganhou os prêmios de melhor ator (para Wagner Moura), fotografia, roteiro e produtor. Passa na Tenda Andorinha, às 14 horas.

- No mesmo horário, na Sala Vladimir Carvalho, mais uma sessão dos curtas paraibanos que concorrem ao Prêmio Energisa – aqui, os documentários. Oferenda, de Ana Bárbara Ramos, e Família Vidal, de Diego Benevides, estão na lista.

- Mais uma sessão DOC TV CPLP acontece às 16 horas, na Tenda Andorinha. Os docs são Eugenio Tavares, Coração Crioulo, de Júlio Silvão Tavares, de Cabo Verde, sobre estrangeiros presos em São Paulo e suas histórias de vida, e Rio da Verdade, de Domingos Sanca, de Guiné-Bissau, sobre as mudanças climáticas do planeta, do ponto de vista do Parque Natural de Cachéu, situado na fronteira da Guiné-Bissau com o Senegal, ameaçado pelo avanço progressivo do deserto do Saara.

- Mais um dos filmes que homenageiam Cabo Verde será exibido às 16 horas: Some Kind of Funny Porto Rican, de Clare Andrade-Watkins. O filme americano fala sobre os caboverdeanos que vivem em Porto Rico.

- Às 18 horas, na Sala Vladimir Carvalho, dois curtas da sessão Panorama Cineport: Jom Speed, de João Brito (Djon Boss), de  Cabo Verde, e Impunidades Criminosas, de Sol de Carvalho, de Moçambique (na prática, um média-metragem, com 44 minutos).

- No mesmo horário, começa uma seqüência de longas brasileiros inéditos nos cinemas de João Pessoa. O primeiro deles, na Tenda Andorinha, é o documentário O Homem que Engarrafava Nuvens, que recebe o prêmio de melhor fotografia para documentário (para Walter Carvalho) e enfoca a vida e a obra de Humberto Teixeira, autor de clássicos como “Asa branca”, mas sempre à sombra do parceiro Luiz Gonzaga.

- Depois, às 20 horas, é a vez de Viajo porque Preciso, Volto porque Te Amo, de Marcelo Gomes e Karim Ainouz, que ganhou o prêmio de melhor montagem (para Karen Harley). Um dos filmes mais elogiados do ano passado, concorreu ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (mas perdeu para Tropa de Elite 2). O filme mostra as reflexões de um geólogo enquanto viaja pelo sertão nordestino. O grande lance é a união de imagens documentais e som off ficcional.

- No mesmo horário, na Sala Vladimir Carvalho, o novíssimo filme da Lúcia Murat será exibido no Panorama Cineport. Uma Longa Viagem, com Caio Blat, ganhou o último Festival de Gramado.

- Outro filme inédito nos cinemas é Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha, de Helena Ignez, com o qual ela continua O Bandido da Luz Vermelha original, de 1968, o maior clássico do cinema udigrudi nacional. Helena foi a atriz do filme e era casada com o diretor, Rogério Sganzerla. O novo filme traz Ney Matogrosso e Maria Luísa Mendonça no elenco e teve problemas para ser lançado. Será exibido às 22 hpras, na Tenda Andorinha.

- Enquanto isso, para encerrar a noite, a Sala Vladimir Carvalho apresenta os curtas de animação que concorrem ao Andorinha. São 11, entre eles Menina da Chuva e Os Olhos do Farol, do português Pedro Serrazina.

 

 

Jom Speed

½

Cidade icônica

O vôo de asa delta pelos cartões postais do Rio: de uma beleza e leveza exemplares

Em uma cena de Ratatouille (2007), o ratinho Remy, depois de se esgueirar pelos esgotos, sobre pelos canos até um telhado e, de lá, tem uma visão de tirar o fôlego de Paris – onde ele nem sabia que estava – com direito a Torre Eiffel ao fundo. E o que isso tem a ver com Rio (Rio, EUA, 2011), a nova animação da Blue Sky distribuída pela Fox? O fato de que, se uma produção estrangeira vai mostrar uma cidade como símbolo, é inescapável recorrer a seus ícones.

É por isso que em qualquer filme de Hollywood – dos melhores aos piores – toda janela de Paris tem vista para a Torre Eiffel. Seria estranho – e até um desperdício de cenário – se não fosse assim. Isso se reflete em Rio, e ainda mais porque na animação americana do brasileiro Carlos Saldanha a cidade é a principal personagem: se araras sobrevoam a cidade, é claro que elas devem passar pelo Cristo Redentor e pelo Pão de Açúcar. Resultado: uma cena que tira o máximo da arte da animação, de uma beleza e leveza exemplares.

Outros ícones básicos do Rio vão aparecendo, como uma enciclopédia veloz para o turista hesitante que é a arara azul macho Blu (voz original de Jesse Eisenberg), roubada da floresta ainda bebê e que acabou sendo criada no gélido estado americano de Minnesota. E que nunca aprendeu a voar.

Acontece este é o último exemplar macho da espécie e é trazido ao Rio para conhecer a última fêmea (voz original de Anne Hathaway) e, assim, acasalarem e evitarem a extinção. Mas, primeiro, eles demonstram ter uma visão oposta sobre como levar a vida. Depois, são roubados por contrabadistas de aves.

No meio da correria, Blu conhece o Rio de cima em um voo de asa delta, as garotas e o futevolei na praia, Santa Tereza, os arcos da Lapa, o bondinho do Pão de Açúcar, o samba, a favela, um pouco de funk, um desfile da Marquês de Sapucaí, uma dentista que samba como profissional e consegue escapar de uma enrascada graças a bandidos que ficam grudados na TV em um Brasil x Argentina.

Onde começam os estereótipos e terminam as características marcantes da cidade e seu povo? Ou alguém pode realmente dizer que o Rio não é tudo isso na essência? É caricatural? Claro que é, afinal, trata-se de um desenho animado cômico – ou o Pernalonga não fazia caricaturas dos franceses e o francês Asterix, por sua vez, de todos os outros povos europeus? E ambos não fazem caricaturas de si mesmos, americanos ou franceses?

O número de abertura e encerramento é até um clichê, mas calculado: vale mais lembrar que se trata de uma homenagem ao clássico Alô, Amigos (1942), no qual Zé Carioca apresenta o Rio ao Pato Donald e que, usando os ícones culturais do Rio dos anos 1940 – um papagaio, os cassinos, a cachaça, a calçada de Copabana e, principalmente, o samba – foi uma bela homenagem da Disney ao Rio e ao Brasil.

Há, é óbvio, uma série de simplificações necessárias, já que se trata de um filme infantil. Que ninguém espere, claro, que apareçam traficantes armados – isso é “traduzido” nos contrabandistas de pássaros. Ou que a complexidade de um desfile de escola de samba seja 100% fiel à realidade (que escola permitiria que aquele carro alegórico que os bandidos usam, tão mal feito, surgisse na avenida?).

Mas nada disso atrapalha um filme colorido e pulsante, que conduz sua história simples com uma coesão admirável. Os pers0nagens são engraçados – com exceção do buldogue babão, uma piada meio escatológica que não funciona nunca – e o roteiro avança espertamente de um cenário a outro. Entre os filmes da Blue Sky, é tão bom quanto o melhor A Era do Gelo (o segundo, de 2006) e certamente muito melhor que Robôs (2005). Saldanha conseguiu fazer sua homenagem à cidade natal representando bem o que faz dela a Cidade Maravilhosa: sua beleza, sua alegria e sua carioquice.

Rio (Rio, EUA, 2011). Direção: Carlos Saldanha. Vozes na dublagem original: Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Rodrigo Santoro, Jamie Foxx, Will i Am, Bebel Gilberto. Vozes na dublagem brasileira: Philippe Maia, Priscila Amorim.

Superman Classic é uma animação de um minuto que Robb Pratt, da Disney, fez em homenagem ao Homem de Aço. As semelhanças com o estilo de Tarzan (1999) são visíveis e deixam a gente pensando que uma série nesse estilo não seria nada mau…

½

Ogro domesticado

Fiona não reconhece mais Shrek; a série também não se reconhece mais

No começo, parecia que a ideia deste Shrek para Sempre (Shrek Forever After, Estados Unidos, 2010) seria a de voltar ao clima do início da série. Afinal, o próprio personagem deseja isso: um dia de folga, voltar a ser solteiro e temido por um dia. Mas, o ogro não demora a descobrir que as coisas não voltaram a ser exatamente o que eram – e quem assiste também percebe isso rapidamente.

Cansado da rotina do casamento e de não poder mais exercitar sua grosseria sossegado, Shrek acaba aceitando a oferta do duende Rumpeltiltskin de viver um dia como antigamente. Só que isso altera toda a sua realidade e o efeito colateral é que ninguém o conhece – e há outros ainda mais graves. A trama avança para um tom de comédia dramática que a série abordava apenas pontualmente. Há risadas, mas o que há ainda mais é melancolia pelo filme todo.

A irreverência da série praticamente se foi e o gosto que fica é estranho, mas o filme não é ruim. É bem contado e a melancolia é, de certa forma, herança da narrativa calcada no modelo clássico de A Felicidade Não Se Compra (1946): no filme de Capra, James Stewart recebe a graça de ver como seria o mundo se ele não tivesse nascido.

Mas isso acontece depois de acompanharmos por muito tempo o personagem e sabermos o que o levou aquela situação desesperançada. Em Shrek para Sempre, tudo é meio automático e gratuito. De onde vieram todos aqueles ogros, afinal, e por que eles não aparecem na “outra realidade”? Porque o Gato de Botas ficou tão gordo, se está metido numa revolução? Não há motivo, a não ser criar uma piada que mostrasse alguma mudança para pior no bichano em um mundo sem Shrek.

O terceiro filme foi completamente dispensável e nele os personagens não eram mais usados para demolir os clichês de contos-de-fadas, apenas tiveram seus carismas usados para segurar as pontas de uma aventura tradicional. Este quarto anuncia um final para a franquia e mantém esse defeito, mas se não é em altíssimo estilo (como Toy Story 3), pelo menos não faz feio.

Mas fica claro que, domesticados o ogro e a série, já deu. É hora de encerrar os trabalhos enquanto Shrek e seus amigos ainda estão razoavelmente por cima. Não por acaso, o momento mais saboroso do filme são os créditos finais, com uma retrospectiva dos filmes anteriores ao som de Stevie Wonder cantando “For once in my life”.

Shrek para Sempre (Shrek Forever After). Estados Unidos, 2010. Direção: Mike Mitchell. Vozes na dublagem original: Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, Antonio Banderas, Julie Andrews, John Cleese, Lake Bell, Mary Kay Place, Larry King. Vozes na dublagem brasileira: Mauro Ramos, Fernanda Crispim.

Bonecos em crise existencial

Woody, Buzz e seus amigos chegam à beira do precipício em "Toy Story 3"

A resistência da Pixar em fazer continuações é benéfica: quando elas aparecem, não é de maneira alguma a toque de caixa. Com Toy Story 3 (Toy Story 3, Estados Unidos, 2010), o estúdio consegue a proeza de fazer uma sequência que se enquadra perfeitamente na série, mas é destemido em buscar uma personalidade própria. E é um filme que desde os primeiros segundos mostra que veio para fechar um ciclo.

Quem assistiu aos dois primeiros – e quem viu deve ter visto inúmeras vezes – vai perceber rápido as referências aos diálogos e situações do primeiro filme, de 1995. E vai – por mais que isso soe estranho – se colocar no lugar dos brinquedos quando eles se vêem deixados de lado pelo dono Andy, a quem sempre foram tão fiéis, agora crescido e de partida para a universidade.

Colocar brinquedos em crise existencial sempre foi uma das grandes qualidades da série. No primeiro filme, Buzz Lightyear era um brinquedo que achava que era mesmo um patrulheiro espacial e tem que enfrentar a realidade. No segundo, havia Jessie, a boneca cuja dona cresceu e que sofreu quando foi colocada para doação. Agora, todos estão sob o risco de passar por isso. E para onde ir, se acontecer?

Isso tudo está presente enquanto os brinquedos vão parar em uma creche e vivem aventuras surpreendentes. Em determinado momento, Toy Story 3 ganha até ares de filme de prisão, lembrando Papillon (1973) ou Fugindo do Inferno (1963), é sombrio e até macabro, e leva momentos dramáticos a níveis inesperados. Os dois primeiros filmes da série tiberam sua cota de humor, aventura e drama – e o segundo, em particular, é uma pequena obra-prima – mas não iam de um extremo ao outro com tanta força quanto este terceiro.

A saga de Woody e Buzz agora é, também, de Andy – mesmo que a gente só perceba isso perto do final. Há elementos que remetem ao antológico faroeste Os Brutos Também Amam (1953) e talvez, no futuro, eles se tornem tão clássicos quanto. Se o Toy Story original, o primeiro longa em animação por computador, refletia classicismo e tecnologia por meio da rivalidade entre seus dois protagonistas, e o segundo filme apostava na nostalgia e na aventura, este Toy Story 3 é sobre amadurecer – termo amplo que vale para personagens humanos e não humanos.

Deu pra sentir que estou tentando não falar muito de detalhes, não é? Bom, basta saber que o filme mantém um equilíbrio perfeito entre seus elementos e não é inadequado para as crianças. Mas qualquer adulto que tenha amado seus brinquedos não deve se surpreender se uma lagriminha rolar perto do fim. Uma parte 3 para deixar inveja à maior parte das séries existentes por aí – e, com ela, Toy Story já conseguiu seu lugar como uma das melhores trilogias da história do cinema. E isso não é brincadeira.

Toy Story 3 (Toy Story 3). Direção: Lee Unkrich. Vozes na dublagem original: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Ned Beatty, Don Rickles, Michael Keaton, Wallace Shawn, John Ratzenberger, Estelle Harris, John Morris, Jodi Benson, Laurie Metcalf, Timothy Dalton, Bonnie Hunt, Whoopi Goldberg. Vozes na dublagem brasileira: Marco Ribeiro, Guilherme Briggs, Mabel Cesar, Alfredo Martins.

Velhinho, agora, é ele: 70 anos de Pernalonga

Um caçador é surpreendido por um coelho bem mais esperto do que ele e nasceu daí uma das maiores personalidades da história do cinema – mesmo que seja um desenho animado. The Wild Hare, curta dirigido por Tex Avery e lançado em 27 de julho de 1940, foi a estreia do Pernalonga, com a aparência que o consagrou e já em dupla com Hortelino Trocaletras. Foi nele, também, que o coelho disse pela primeira vez a frase “What’s up, doc?” (traduzida aqui como “O que é que há, velhinho?”). Aos 70 anos, o coelho continua em alta, como um verdadeiro símbolo da Warner Bros. (como o Mickey é para a Disney) e prestes a estrelar uma nova série de animação.

Ele rapidamente roubou o lugar de Gaguinho e Patolino, que eram as estrelas das séries Merrie Melodies e Looney Tunes. Antes da estreia “oficial”, ainda em formação, o coelho apareceu em quatro desenhos, como Happy Rabbit e branco. O coelho também pode ter sido inspirado na lebre que aparece em A Tartaruga e a Lebre, da série Silly Symphonies, da Disney. De qualquer forma, foi em The Wild Hare que ele firmou sua aparência (incluindo a cor cinza), trejeitos e até situações que seriam recorrentes.

O design definitivo foi de Robert McKimson e a voz do genial dublador Mel Blanc (alérgico a cenouras, mas que precisava mastigá-las porque só cenouras soavam com cenouras). Blanc envergou um sotaque que misturava os bairros nova-iorquinos do Brooklyn e do Bronx – e, por isso, ficou determinado que o coelho nasceu mesmo no Brooklyn.

No sistema de produção da Warner, os diretores podiam se dedicar a séries próprias, mas precisam cumprir um certo número de desenhos do Pernalonga. Por essa razão, é visível o estilo dos principais animadores do estúdio à frente do coelho. Os principais foram Robert Clampett (até 1946), Isadore “Friz” Freleng (que desenvolveu a série de Frajola e Piu-Piu e Ligeirinho e os desenhos do Pernalonga com Eufrazino), Robert McKimson (que criou o Frangolino e fazia os do Pernalonga em que aparecia o Diabo da Tasmânia) e, claro, Chuck Jones (que desenvolvia também o Papa-Léguas e o Coiote, curtas sem personagem fixo, como One Froggy Evening, com aquele sapo cantor, além de criar grandes momentos da dupla Gaguinho-Patolino nos anos 1950).

Com Chuck Jones, o Pernalonga chegou ao máximo. É dele o antológico What’s Opera, Doc? (1957), votado em 1994 por profissionais da área como o primeiro entre os 50 maiores desenhos animados de todos os tempos. E é dele também a trilogia em que o coelho duela freneticamente com Patolino para convencer Hortelino de que estão na temporada de caça ao coelho ou caça ao pato: Rabbit Fire (1950), Rabbit Seasoning (1952) e Duck! Rabbit! Duck! (1953).

O contraste entre o coelho, no máximo da tranqüilidade, com o exasperado Patolino mostra como os dois personagens evoluíram em dez anos e ganharam em sofisticação de suas personalidades – no começo, ambos eram pouco mais do que dois malucos caóticos. Vários desses desenhos estão disponíveis em DVD no Brasil, através da Coleção Looney Tunes, que lançou três caixas, com 11 discos ao todo e cerca de 15 episódios em cada. Infelizmente, a Warner brasileira há anos não lança novos volumes da coleção.

Após o fim dos curtas para o cinema, em 1964, Pernalonga voltou em especiais para a televisão – como Um Coelho na Corte do Rei Artur (1981) -, com participações na série Tiny Toon (1990-1992), com uma ponta memorável – contracenando com o rival Mickey – em Uma Cilada para Roger Rabbit (1988) e estrelando seus próprios filmes, com o sucesso Space Jam – O Jogo do Século (1996), ao lado de Michael Jordan, e o não tão bem sucedido Looney Tunes – De Volta à Ação (2003). A mais recente notícia sobre o coelho setentão é que uma nova série de animação está sendo produzida reunindo toda a turma: The Looney Tunes Show, com visual mais rebuscado e colocando Pernalonga e Patolino como colegas de quarto em um subúrbio. Estreia no Cartoon Network ainda no segundo semestre.

A obra de Marjane Satrapi, hoje, no Zarinha

Ô, semaninha difícil, essa. Tanto trabalho que o Boulevard ficou às moscas. Não comentei Cannes, a furada de Godard ou a vitória do tal filme tailandês que dividiu opiniões. Espero voltar ao assunto esses dias.

Também estou devendo críticas – a de Robin Hood, estendida, está no forno.

As musas estão em atualização também. Depois de 1976, amanhã tem um salto para o futuro: 2006.

Hoje, por enquanto, vou conversar com a plateia que vai assistir ao longa de animação Persépolis, a partir das 17 horas, no Zarinha Centro de Cultura, em Tambaú.

Parecia natural que uma das maiores empresas de entretenimento do país, a Maurício de Sousa Produções, tivesse como plataforma para seus produtos audiovisuais a principal emissora de TV do país, a Rede Globo. E por um breve tempo, isso foi verdade, quando pequenas novas animações da turminha eram apresentadas diariamente no, se não me falha a memória, Bambuluá. Depois, a coisa parou e Maurício levou suas animações para o Cartoon Network.

Mas as duas empresas se aproximaram de novo: um comunicado hoje anuncia que vem por aí uma nova parceria. Mas não diz do que se trata – apenas que uma coletiva com Maurício e José Luiz Bartolo, diretor de licenciamento da Globo, está marcada para segunda, às 16 horas.

Só resta ficar na expectativa. Será que a Globo vai exibir as novas séries do Ronaldinho Gaúcho, Penadinho e Astronauta, que andam sendo produzidas?

Esse namoro, na verdade, é bem antigo. Vem desde a animação de fim de ano exibida pela emissora lááááá no meio dos anos 1970, lembra?

Estes são filmes que estiveram em cartaz comercialmente no Brasil em 2009 (lançados a partir de dezembro de 2008), mas que passaram longe do circuito local. Um ou outro passou em festivais – o Cineport e o Fest Aruanda -, um ou outro foi exibido em sessão especial do MovieMobz.

Para a imensa maioria, o público de João Pessoa precisou de paciência para conferir em DVD ou se rendeu aos downloads ou aos piratas da esquina. Muitos documentários, vários filmes não falados em inglês, brasileiros com menos grana e até filmes com a cara de Hollywood.

Vejam o que perdemos enquanto tivemos que assistir Sex Drive – Rumo ao Sexo, Eu Odeio o Dia dos Namorados, Efeito Borboleta – Revelação, Flordelis – Basta uma Palavra para Mudar e Matadores de Vampiras Lésbicas

1 - "Apenas o Fim", de Matheus Souza

Prêmio de júri popular e menção honrosa no Festival do Rio e melhor roteiro no Prêmio Contigo de Cinema. Exibido aqui apenas em uma sessão (concorridíssima) do Movie Mobz e depois outra no Fest Aruanda.

2 - "Desejo e Perigo", de Ang Lee

Lee volta à China para uma mistura de espionagem e erotismo. Leão de Ouro no Festival de Veneza e indicado ao Globo de Ouro de filme de língua não inglesa.

3 - "Valsa com Bashir", de Ari Folman

Um “documentário em animação” sobre a guerra entre Israel e Líbano. Indicado a melhor filme de lingua não inglesa no Oscar e no Bafta. Vencedor do César de melhor filme não francês. Melhor trilha sonora e mais três indicações no European Film Awards. E Globo de Ouro de melhor filme de língua não inglesa.

4 - "Frost/ Nixon", de Ron Howard

Os Estados Unidos têm a chance de acertar as contas com o ex-presidente em uma entrevista histórica. Indicado a cinco Oscars, incluindo filme, direção e ator (Frank Langella). Indicado também a seis Baftas e cinco Globos de Ouro.

5 - "Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei", de Micael Langer, Calvito Leal e Cláudio Manoel

Documentário mais comentado do país no ano passado, vencedor da categoria no Prêmio Contigo de Cinema.

6 - "Coco Antes de Chanel", de Anne Fontaine

Os primeiro anos de uma das mais famosas estilistas do mundo, com a protagonista de Amélie. Três indicações ao European Film Awards.

7 - "Deixa Ela Entrar", de Tomas Alfredson

O filme sueco mostra a relação entre um garoto e uma menina vampira e foi outro comentadíssimo do ano passado. 56 prêmios internacionais, como nos festivais de Tribeca e Bruxelas e os círculos de críticos de Chicago e Londres.

8 - "O Grupo Baarder Meinhof", de Uli Edel

Um olhar sobre o grupo terrorista alemão dos anos 1960 e 1970, indicado a melhor de filme de língua não inglesa no Oscar, no Bafta e no Globo de Ouro.

9 - "O Equilibrista", de James Marsh

O crime artístico do século: um equilibrista tenta atravessar, em 1974, de uma torre do World Trade Center para a outra na corda bamba. Oscar de documentário e mais 27 prêmios internacionais – entre eles, melhor não-ficção para o Círculo de Criticos de Nova York.

10 - "Cidadão Boilesen", de Chaim Litewski

Documentário que descortina a Operação Bandeirantes, que investigava e torturava membros de organizações de esquerda e era financiada por banqueiros e empresários – um deles, o Boilesen do título. Filme aplaudido e elogiado no É Tudo Verdade, Festival do Rio e na Mostra de São Paulo.

11 - "O Casamento de Rachel", de Jonathan Demme

Anne Hathaway em atuação muito elogiada, que rendeu a ela indicações ao Oscar, no Globo de Ouro e escolhida como a melhor atriz de 2008 pelo National Board of Review.

12 - "Milk - A Voz da Igualdade", de Gus van Sant

O Oscar de melhor ator, simplesmente. Premiação repetida no Círculo de Críticos de Nova York e em vários outros prêmios.

13 - "O Desinformante", de Steven Soderbergh

É de Steven Soderbergh e está indicado a dois Globos de Ouro – incluindo melhor ator/ drama para Matt Damon.

14 - "Juventude", de Domingos de Oliveira

Uma belíssima reflexão sobre a velhice, sob a ótica do genial Domingos de Oliveira – nosso Woody Allen. Passou aqui no Cineport, em maio. Três prêmios em Gramado, incluindo direção e roteiro.

15 - "A Partida", de Yojiro Takita

O Oscar de melhor filme de língua não inglesa foi para esse japonês que conta sobre um violoncelista que tem que trabalhar preparando mortos para o funeral. 10 prêmios da Academia Japonesa de Cinema.

16 - "Vigaristas", de Rian Johnson

Meu Deus, é com a Rachel Weisz! Ela se mete nas confusões de Adrien Brody e Mark Ruffalo, dois irmãos trambiqueiros planejando o último golpe.

17 - "Se Nada Mais Der Certo", de José Eduardo Belmonte

Melhor filme e melhor atriz (Caroline Abras) no Festival do Rio. Belmonte é um cineasta radical, mas bem interessante.

18 - "Sinédoque, Nova York", de Charlie Kaufman

O roteirista Charlie Kaufman (de Quero Ser John Malkovich, Adaptação e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças) estréia na direção.

19 - "Entre os Muros da Escola", de Laurent Cantet

Palma de Ouro em Cannes e indicado ao Oscar de filme de língua não inglesa.

20 - "Um Táxi para a Escuridão", de Alex Gibney

Oscar de documentário, denunciando as torturas do exército americano no Afeganistão.

21 - "Budapeste", de Walter Carvalho

Dirigido pelo paraibano Walter Carvalho, muito ptovavelmente o melhor diretor de fotografia em atividade no país, adaptando livro do Chico Buarque. Passou aqui no Fest Aruanda e só.

22 - "Simplesmente Feliz", de Mike Leigh

Sally Hawkins derrotou Meryl Streep em Mamma Mia! no Globo de Ouro de atriz/ musical ou comédia por este filme. Ela interpreta uma professora tão otimista que enlouquece os que estão em volta. Sally também ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim e foi a melhor do ano também para os círculos de críticos de Nova York e Los Angeles.

23 - "Os Falsários", de Stefan Ruzowitsky

Oscar de melhor filme de língua não inglesa de 2007, contando a história real da maior falsificação da história, empreendida pelos nazistas em 1936.

24 - "Garapa", de José Padilha

Melhor documentário do Festival de Havana, e do mesmo diretor de Ônibus 174 e Tropa de Elite, enfoca a miséria brasileira.

25 - "Ninho Vazio", de Daniel Burman

O filme argentno tem a grande Cecilia Roth (de Tudo sobre Minha Mãe) no elenco.

26 - "Rebobine, por Favor", de Michel Gondry

A comédia cheia de referências pop (em que um grupo precisa refazer, pauperrimamente, sucesso pop do cinema) não só passou longe dos cinemas daqui, como ainda chegou ao DVD com o cretiníssimo subtítulo Uma Loucadora Muito Louca.

27 - "Titãs - A Vida Até Parece uma Festa", de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves

O documentário sobre a banda é outro que só passou em uma solitária sessão no Fest Aruanda.

28 - "Gomorra", de Matteo Garrone

Modernas famiglias criminosas italianas em um filme indicado ao Globo de Ouro de filme de língua não inglesa e vencedor em Cannes do Grande Prêmio do Festival, além de cinco European Film Awards (melhor filme, inclusive).

29 - "A Garota de Mônaco", de Anne Fontaine

A comédia dramática francesa revelou a linda Louise Borgouin, que foi indicada a revelação no César.

30 - "Um Conto de Natal", de Arnaud Desplechin

A grande Catherine Deneuve lidera o elenco desse acerto de contas familiar, indicado a nove Césars (ganhou o de ator coadjuvante, com Jean-Paul Roussillon).

31 - "Cinzas do Passado", de Wong Kar-Wai

O diretor de Amor à Flor da Pele, 2046 e Um Beijo Roubado relançou seu épico histórico de 1994 em versão redux (que, por contraditório que soe, continua querendo dizer “bem mais longo”).

32 - "Alô, Alô, Terezinha", de Nelson Hoineff

O documentário que celebra o trash nos programas de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, um dos maiores comunicadores desse país.

33 - "A Teta Assustada"

O filme peruano foi o vencedor latino do Festival de Gramado, e também ganhou no Festival de Berlim o Urso de Ouro e o prêmio da Fipresci. Ganhou também festivais em Guadalajara, Havana, Lima e Montreal.

34 - "O Visitante", de Thomas McCarthy

Richard Jenkins finalmente obteve algum reconhecimento e foi indicado ao Oscar de melhor ator por este filme. Ele ganhou no Festival de Moscou e no National Board of Review.

35 - "A Bela Junie", de Christophe Honoré

A nova vida de uma garota de 16 anos em uma nova escola, após a morte da mãe. Três indicações ao César, incluindo atriz revelação (Léa Seydoux).

36 - "Fumando Espero", de Adriana Dutra

Documentário em primeira pessoa de Adriana, enquanto tentava parar de fumar.

37 - "Stella", de Sylvie Verheyde

A história de uma menina que mora com os pais em cima de um bar e convive com os clientes à noite, na Paris dos anos 1970. O resultado é que ela sabe mais de poquer que de gramática. E é um retrato autobiográfico da própria diretora aos 11 anos.

38 - "Hotel Atlântico", de Suzana Amaral

A volta de Suzana Amaral, que não dirigia um filmes desde Uma Vida em Segredo (2001) e, antes disso, A Hora da Estrela (1985). O road movie já rendeu dois prêmios de melhor ator para Gero Camilo: no Festival do Rio (como coadjuvante) e na APCA, em São Paulo.

39 - "O Milagre de Santa Luzia", de Sérgio Roizemblit

Um belo retrato de um dos mais brasileiros dos instrumentos: a sanfona. O guia, Brasil afora, é o grande Dominguinhos. O doc passou em sessão única no Fest Aruanda.

40 - "Um Homem Bom", de Vicente Amorim

A estréia do diretor Vicente Amorim em uma produção internacional – com Viggo Mortensen no papel principal – foi pouco comentada, mas deveríamos ter tido a oportunidade de ver no cinema.

41 - "Há Tanto Tempo que Te Amo", de Philippe Claudel

Belo drama francês, com a diva inglesa Kristin Scott Thomas. Passou aqui em sessão única do MovieMobz.

42 - "W", de Oliver Stone

A cinebiografia de Oliver Stone de Bush Junior. Prometia um barulhão e acabou mal fazendo um traquezinho, mas a gente tinha que ver no cinema. Mas o Josh Brolin conseguiu ainda algumas indicaçõesinhas de ator por aí (a mais importante, no Círculo de Críticos de Londres).

43 - "Che 2 - A Guerrilha", de Steven Soderbergh

A primeira parte passou aqui, mas e a segunda? Necas. O serviço completo, né? Por favor.

44 - "Loki - Arnaldo Baptista", de Paulo Henrique Fontenelle

O documentário sobre o ex-mutante passou – na mesma semana – no Fest Aruanda e em sessão do MovieMobz. Pareceu até que tinha entrado em cartaz, mas repetiu a sina dos documentários e foi ignorado pelo circuitinho.

Completando a lista, filmes que estrearam no Brasil em dezembro e ainda tem chances matemáticas de passar nos cinemas locais (chances reais? Alguns mais do que outros):

45 - "Ervas Daninhas", de Alain Resnais

É o novo filme de Alain Resnais, um dos mais importantes cineastas de todos os tempos. Em um mundo justo e com bom senso, seria ser o suficiente para garantir sua exibição. Chance de passar: virtualmente zero.

46 - "Abraços Partidos", de Pedro Almodóvar

O novo Almodóvar, com a nossa maravilhosa Pe. Tem dividido opiniões por aí, mas dane-se. Chance de passar: bastante razoável. Todos os filmes de Almodóvar desde Carne Trêmula (1997) têm passado aqui, nem que seja em sessões reduzidas.

47 - "O Fantástico Sr. Raposo", de Wes Anderson

Animação stop-motion de um diretor que não é ligado ao gênero. Chance de passar: possível. Afinal é animação e estamos em férias. A ignorância dos exibidores vai ajudar: se soubessem quem é Wes Anderson, provavelmente a chance cairia.

48 - "Aconteceu em Woodstock", de Ang Lee

O novo de Ang Lee, de novo investigando as entranhas da America. Chance de passar: como esse é falado em inglês, pode até ser.

49 - "Nova York, Eu Te Amo", de vários diretores

Os pequenos curtas que declaram amor a Nova York, tal qual os de Paris, Te Amo. Chance de passar: incerta. Paris, Te Amo passou aqui, é verdade, mas foi no MAG, que está com os cinemas fechados. O Box não passou Paris e o Tambiá deve achar “inteligente demais” para o público deles, que eles acham incapazes de acompanhar uma legenda.

50 - "Julie & Julia", de Nora Ephron

Meryl Streep e Amy Adams contando duas histórias paralelas e separadas no tempo que envolve cozinha. A diretora é a mesma das boas comédias românticas Sintonia de Amor e Mensagem para Você e roteirista do genial Harry & Sally. Chance de passar:boa. Por que não? É Hollywood, tem atrizes conhecidas, parece leve e divertido. Só o que pode atrapalhar é o engarrafamento de filmes no começo do ano.

½

Complexo só no visual

A intenção foi boa, mas o tom simplório é frustrante

Se o cinema vivesse tantas revoluções quanto as vezes em que a palavra  “revolucionário” é usada para definir um filme… Ela foi pronunciada de novo a respeito de Avatar (Avatar, Estados Unidos, 2009) que é mesmo deslumbrante visualmente, mas nada mais que o esperado passo adiante no desenvolvimento da tecnologia. Ou seja: certamente é uma evolução, mas não revolução.

Sim, o planeta criado pelo filme, Pandora, é palpável e os Na’Vi, os aborígenes do local, parecem de verdade – mas, no jogo de concessões entre espectador e filme, convenhamos: é preciso “acreditar” até no Roger Rabbit. Por sorte, Cameron não é bobo e muito menos um Michael Bay: sabe que só isso não iria fazer seu filme funcionar.

Por isso, Avatar não é só uma festa de efeitos especiais. Há não apenas uma história a ser contada como há também uma mensagem de tons ecológicos e antiimperialistas, tudo bem antenado com os dias de hoje. A trama em si é quase uma refilmagem de Dança com Lobos (1990) – nenhuma novidade nisso, a semelhança já foi apontada várias vezes e é percebida facilmente a olho nu.

Os dois filmes podem ser resumidos, inclusive, com as mesmas palavras: Militar americano vai a um ponto distante e, ao entrar em contato com um povo que aos seus olhos é inferior, acaba vivendo entre eles e descobrindo suas tradições e espírito honrado para, no fim, lutar ao lado deles contra o exército opressor, do qual antes fazia parte. Onde há índios em um coloque os Na’Vi, e onde há Kevin Costner coloque Sam Worthington.

Nem mesmo essa releitura chega a ser novidade, já que O Último Samurai (2005) também pode ser resumido assim. Mas Avatar, mesmo tirando força de seu impacto visual e de uma extrema defesa da ecologia, se torna um bom filme mesmo porque há um suporte: a elaboração dos aspectos de ficção científica e das próprias implicações dramáticas dos avatares, construídas de forma inteligente.

Mas há também infelicidades no roteiro, e um dos problemas principais é seu extremo maniqueismo. Bons são bons e maus são maus sem qualquer nuance e, entre os Na’Vi, as diferenças de personalidade são mínimas. Simplificações desse tipo – quase um tatibitati – são um tanto frustrantes em um filme que, tecnologicamente, e tão complexo.

Avatar chega, em determinado momento, a usar um Deus ex machina muito mal acomodado na trama. Essa “intervenção divina” beira a inocência, mesmo que o roteiro de Cameron tente maquiá-la com mal arranjados termos científicos. Quase põe tudo a perder (e a trilha sonora várias vezes irritante de James Horner colabora para isso), lembrando que revolução técnica por revolução técnica, nem sempre elas correspondem a obras-primas: O Cantor de Jazz (primeiro filme falado, este, sim, mudando tudo) e O Manto Sagrado (primeiro em tela larga) são bem mais ou menos.

Por enquanto, Avatar está bem acima deles – veremos com o tempo. Até porque Cameron repete problemas de Titanic: dá origem a um filme muito bom, arrebatador em alguns momentos, mas que derrapa no sentimentalismo quando deveria se conter. Não faria nada mal que o diretor lembrasse um pouco da fase de seu cinema em que era mais “bruto”.

Avatar (Avatar). Estados Unidos, 2009. Direção: James Cameron. Elenco: Sam Worthington, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi. Vozes e captura de movimentos: Zoe Saldana, CCH Pounder, Wes Studi. Atualmente em cartaz nos cinemas.

Toque de classe

A Disney muda um pouco para voltar a ser o que era

O peso em cima de A Princesa e o Sapo (The Princess and the Frog, Estados Unidos, 2009) é muito grande. Dele depende o futuro da animação feita à mão no cinema, depois que a própria Disney achou que o público não a queria mais – em 2003, após alguns seguidos insucessos – e parou de produzir longas no estilo. Para começar, uma decisão muito injusta com tantos artistas que criaram belo trabalhos e encheram os cofres dos estúdios em tantas oportunidades.

Precisou que John Lasseter, papa da animação por computador à frente da Pixar, assumisse a direção de animação da Disney e dissesse o óbvio: que boas histórias e bem contadas contam mais que o suporte em que elas estão. A Princesa e o Sapo parece mesmo um filme disposto a provar que a herança do estúdio merece respeito – dele mesmo, o estúdio, inclusive. Não apenas os diretores são os mesmo John Musker e Ron Clements de A Pequena Sereia (1989) e Aladdin (1992), como há uma nova princesa em cena (e não só a Disney, mas os longas de animação devem tudo a elas, pois nasceram com a ousadia de Branca de Neve e os Sete Anões, em 1937).

E, ainda por cima, como o filme é um musical, gênero em desuso na animação desde o final dos anos 1990. É como se os números musicais também fossem culpados por alguns fracassos da Disney na época (nota pessoal: a primeira vez que ouvi alguém reclamando dos números musicais foi meu amigo Rodrigo Salem em Hércules, em 1997, filme que, por sinal, tem músicas ótimas). Quem pensa assim se esquece que os principais desapontamentos da Disney nas bilheterias vieram de Planeta do Tesouro (2002) e Nem que a Vaca Tussa (2003), não-musicais.

Curiosamente, enquanto as animações dos últimos anos pareceram ter medo do gênero, ele cresceu entre as produções “em carne e osso”, até ganhando Oscars – com Chicago (2003), por exemplo. A Princesa e o Sapo traz o musical de volta com esplendor, mas cerca-se de elementos para não parecer “antigo” demais.

O fato de a protagonista ser negra é um deles. E também a postura cética dela, que não espera por um príncipe ou desejos realizados por uma estrela: ela acredita é no trabalho duro, o que cria a tensão com o folgado (e falido) nobre europeu transformado no anfíbio. Há um extremo cuidado em não fazer dela uma figura passiva como Branca de Neve ou Aurora, de A Bela Adormecida (1959), e isso é reafirmado pelo filme sempre que pode.

E a trilha é inspirada no jazz e no gospel, ajudada pela ambientação em Nova Orleans, o que ajuda a quebrar maiores resistências aos números musicais. Nem precisava: os números (todos de Randy Newman) são cheios de graça, e dão muito vontade de cantar junto: caso de “When we’re human” e “Dig a little deeper”. “Almost there” (ou “Quase lá”, na versão dublada) – o traço muda para o estilo dos cartuns americanos dos anos 1920.

Em outros números, a cena é tomada por coadjuvantes inspirados – como o jacaré trompetista Louis (claro, inspirado em Louis Armostrong), o vagalume Ray e a velha feiticeira Mama Odie dominam a cena. Mas Tiana e Naveen, os sapinhos transformados, também estão sempre bem (dublados por Anika Noni Rose e o brasileiro Bruno Campos – de O Quatrilho, lembra? – no original e Kacau Gomes e Rodrigo Lombardi – ótimos – na versão brasileira).

O traço à mão, por si só, injeta uma leveza que estava fazendo falta nas animações que têm chegado aos cinemas. É bonito de ver e combina essa beleza com boas piadas. É um bem-vindo toque de classe entre tantos do filme (como algumas referências a peças de Tennessee Williams). No fim, talvez esse hiato fosse necessário para que o público- e a própria Disney notassem como essa estilo de animação fez falta.

A Princesa e o Sapo (The Princess and the Frog). Direção: John Musker, Ron Clements. Roteiro: Ron Clements, John Musker e Rob Edwards, a partir de história original de Clements, Musker, Greg Erb, Jason Oremland e supervisão de Don Hall. Vozes na dublagem original: Anika Noni Rose, Bruno Campos, Keith David, Michael-Leon Wooley, Jennifer Cody, Jim Cummings, Jenifer Lewis, Oprah Winfrey, Terrence Howard, John Goodman. Vozes na dublagem brasileira: Kacau Gomes, Rodrigo Lombardi, Sérgio Fontoura, Iara Riça, Mauro Ramos, Márcio Simões, Selma Lopes.

- A Princesa e o Sapo: Desde 2004, com Nem que a Vaca Tussa, a Disney não lança um longa de animação feito a mão. Um erro de avaliação impressionante: como se o sucesso fosse resultado da animação ser feita em computador e não de boas e bem contadas histórias. Quando John Lasseter, da Pixar, assumiu o departamento de animação da Disney, determinou de imediato a volta à tradição do estúdio e A Princesa e o Sapo é a concretização disso. Além disso, é uma volta ao ambiente dos contos de fadas, com a alardeada primeira princesa negra do estúdio. Ela, em Nova Orleans, é convencida por um sapo a beijá-la para quebrar um feitiço, mas as coisas dão errado… A direção é de John Musker e Ron Clements (mesma dupla de A Pequena Sereia, 1989, e Aladdin, 1992) e as canções são de Randy Newman.
Box Manaíra 6 – 14h10, 16h25, 18h40, 20h55.
Tambiá Shopping 2 – 14h20, 16h20, 18h20, 20h20.

- 500 Dias com Ela: O docinho de coco Zooey Deschanel é a Summer do título original (500 Days of Summer), o alvo da paixão de Tom (Joseph Gordon-Levitt). O problema é que ela é resistente a uma ligação maior. Segundo as criticas, as expectativas e realidades com que o rapaz têm que lidar durante esse relacionamento são objet0 para mais criatividade do que a comédia romântica costuma trazer. Será a redenção do gênero, que este ano não trouxe praticamente nada que preste?
Box Manaíra 7 – 14h40, 16h50, 19h, 21h10.
Tambiá Shopping 3 – 14h40, 16h40, 18h40, 20h40.

- Avatar: O novo filme de James Cameron terá pré-estréia na quinta.
Box Manaíra 4 – dub.: qui.: 20h; Box Manaíra 2 – leg.: qui.: 20h50.

½

Natal sombrio

Scrooge é levado a uma viagem no tempo pelos fantasmas

Completamente dedicado à tecnologia da captura de movimento, Robert Zemeckis conseguiu seu melhor resultado com este Os Fantasmas de Scrooge (A Christmas Carol, Estados Unidos, 2009). Antes, ele havia dirigido o decepcionante O Expresso Polar (2004) e o péssimo Bewoulf (2007). Aqui, com o suporte de uma história forte e a sábia decisão de segui-la de perto, ele derrapa bem menos.

O livro A Canção de Natal, de Charles Dickens, é a mais clássica história natalina, adaptada inúmeras vezes, nas mais variadas versões. Nela, o avarento Scrooge despreza o Natal e maltrata a todos, principalmente o empregado e sua família. Mas na véspera de Natal, a visita dos fantasmas dos natais passados, presente e futuros o levam a uma jornada de autoconhecimento para transformá-lo.

Os Fantasmas de Scrooge pretende ser a versão definitiva da história, e chega razoavelmente perto disso. Embora se renda algumas vezes à tentação pirotécnica da tecnologia digital 3-D, na maior parte do tempo o filme usa os recursos para criar uma atmosfera sombria e dramática.

As crianças podem até se assustar em algumas sequências. Talvez por isso, o filme acabe incluindo alguns elementos de humor em momentos bastante deslocados. Zemeckis parece imitar o realismo na maior parte das vezes e usar recursos de animação clássica em outros, sem conseguir conciliá-los.

Em outros momentos, são nítidas as cenas criadas apenas para tirar vantagem do efeito 3-D. Algumas são verdadeiros solavancos na trama. Mesmo com avanço tecnológico em relação aos anteriores, alguns personagens ainda parecem “cegos”. Mas o velho Scrooge revendo seu passado, descobrindo como é a vida dos que o cercam no presente e o que será dele no futuro ainda tem uma grande força.

Os Fantasmas de Scrooge. (A Christmas Carol). Estados Unidos, 2009. Direção: Robert Zemeckis. Elenco da captura de movimento: Jim Carrey, Colin  Firth, Gary Oldman, Cary Elwes, Robin Wright Penn, Bob Hoskins, Fionnula Flanagan. Voz na dublagem brasileira: Guilherme Briggs. Em cartaz nos cinemas.

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O Irã, em tons de cinza

O passado em preto-e-branco, o presente a cores

O passado em preto-e-branco, o presente a cores

A HQ Persépolis é uma autobiografia: Marjane Satrapi escreveu e desenhou sua própria história – e, por tabela, a história de seu país, o Irã, a partir do fim dos anos 1970. Vieram os prêmios, o sucesso e a adaptação para o cinema, em uma animação igualmente celebrada: Persépolis (Persepolis, França/ Estados Unidos, 2007).

Marjane dirige o filme ao lado do francês Vincent Paronnaud, também quadrinhista. A trama é transposta com compreensível abreviação de algumas passagens (a série original é composta de quatro livros), mas muita fidelidade e, principalmente, o clima que mistura o tom de fábula, o bom humor alternando com o tom de reportagem da vida no Irã e a combinação de um visual simples, mas muito elaborado.

O traço de Marjane, que nas HQs lembram xilogravuras, foi sensivelmente “amaciado” para a animação, sem prejuízo algum. O filme continua batendo duro na opressão da mulher na sociedade iraniana pós-Revolução Islâmica e é eficiente ao mostrar o antes e o depois do país na infância de Marjane, sua criação em uma família de classe média progressista, a guerra vista de dentro de casa e a inadequação da jovem mulher na Europa, depois de crescida – ponto em que o filme se torna a história de uma iraniana em busca de sua identidade e da relação com seu país.

A maior parte do tempo em preto e branco, Persépolis é visualmente deslumbrante, com grandes resultados nos efeitos – o uso de silhuetas ou de imagens oníricas. E consegue passar um sentimento complexo de amor e angústia pelo país que, ainda por cima, nos ajuda a minimizar estereótipos.

Persépolis (Persépolis, França/ Estados Unidos, 2007). Direção: Marjane Satrapi, Vincent Paronnaud. Vozes na dublagem original: Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian, Gabrielle Lopes Benites. Disponível em DVD no Brasil.

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Voando mais alto

Uma obra-prima da concisão, na história do amor de uma vida inteira

Uma obra-prima da concisão, na história do amor de uma vida inteira

Em dez minutos, a Pixar já assina um dos melhores filmes do ano. O início de Up – Altas Aventuras (Up, Estados Unidos, 2009), resumindo  toda a história de um profundo amor, é simplesmente sublime e um prólogo muito diferente do que o filme vai apresentar depois. Para muita gente, criou uma expectativa que a animação não cumpre mais à frente, mas, na verdade, é também aí que se justifica o que virá.

Num gênero dominado anteriormente por histórias de princesas e recentemente por animais tentando reencontrar a natureza, além de continuações de sucessos da hora, chega a ser um espanto a originalidade da trama: um velhinho que resolve realizar o sonho da falecida esposa e ir para a América do Sul – levando sua casa inteira, suspensa por balões.

Esse foi o ponto – essa imagem tão irreal quanto encantadora – em que todo mundo se concentrou ao falar sobre o filme, mas Up é muito mais do que isso. Carl Fredricksen (muito bem dublado no Brasil por Chico Anysio), quando criança, era fã de um famoso explorador e isso define os rumos que o filme ganha a seguir: o de uma aventura com ritmo digno de Indiana Jones.

Não por acaso, a história começa nos anos 1930, quando o mundo ainda não era varrido por satélites e grandes explorações alimentavam os sonhos dos aventureiros de espírito. A Amazônia era um desses lugares do qual não se sabia quase nada e às vezes, na ficção, podia revelar desde civilizações antigas ainda desconhecidas pelo homem até o “elo perdido”, um local em que dinossauros conseguiram sobreviver à extinção. É daí que surge o pássaro raro que, logo no começo, é citado na trama.

A inspiração no cinema clássico não pára aí: está também nas inspirações para as imagens de Carl e de Charles Muntz, o explorador de quem ele era fã quando garoto. Carl é a cara de Spencer Tracy e Muntz é Kirk Douglas, dois dos mais queridos atores da história do cinema – da juventude à velhice.

Além dessas, todas as demais idéias são ótimas: a começar pelo escoteiro penetra Russell, de oito anos. Sua animação natural é o contraponto perfeito para a ranhetice de Carl e Up tem o bom senso de não enchê-lo de gírias preferindo retratá-lo de maneira inocente e com um drama familiar mostrado de maneira bem leve (a ponto, até, de sua resolução/ elucidação ficar meio subentendida no fim).

É o caso também dos cachorros falantes. Animais que falam não são, claro, novidade no campo da animação – seja na Disney, seja fora dela. Desta vez, a Pixar resolve que os cachorros falam através de uma maquineta que “traduz” seus pensamentos. Com isso, eles não ficam humanizados demais – outros desenhos combinam as atitudes caninas com outras humanas, com resultado excelentes, diga-se: A Dama e o Vagabundo (1955) e 101 Dálmatas (1961), principalmente.

Todos estes elementos procuram seguir um espírito que é a marca da Pixar: o de tentar cativar as crianças acreditando que é possível fazê-lo com uma obra de qualidade impecável. Que desalentador quando se ouve um “ah, é para crianças” para justificar um filme infantil que fica na piada fácil e nas cores fortes. Up, ao contrário, arrisca muito, com personagens fora dos padrões – que não são, a princípio, “da hora”, “maneiros”.

E é exemplar como tudo está a serviço da história – e é a história de um recomeço, de superação de perdas, de um reencontro consigo mesmo. Up, dirigido por Pete Docter com Bob Peterson como co-diretor, justifica toda sua aventura por aí. Seu lado ”Indiana Jones” não está lá só para tornar o filme movimentado. Ao contrário: faz parte do âmago da trama porque diz totalmente respeito ao seu personagem principal.

Neste sentido, o momento em que Carl revê o velho álbum de fotos e recortes da esposa é uma maravilhosa lição. Nem é uma grande revelação, mas não importa – porque esquecemos dela com muita frequência.

Up – Altas Aventuras (Up). Direção: Peter Docter. Vozes na dublagem original: Edward Asner, Christopher Plummer, Jordan Nagai, Bob Peterson, Delroy Lindo. Vozes na dublagem brasileira: Chico Anysio, Nizzo Netto. Atualmente em cartaz nos cinemas.

Os Três Bichaninhos Órfãos/ Três Gatinhos Órfãos (Three Orphan Kittens)
Direção: David Hand. Produção: Walt Disney.
Vencedor do Oscar de 1935.

De novo a Disney aposta em gatinhos órfãos, mas desta vez em cores e num tom mais para o bonitinho. Os bichinhos são abandonados num quintal, no inverno, e vivem aventuras dentro da casa. O avanço é notável na qualidade da animação – veja o reflexo dos gatinhos no piso e a perseguição à pena. Atenção para a empregada negra que aparece só dos tornozelos para baixo – a inspiração daquela personagem recorrente dos desenhos de Tom & Jerry?

 

Anterior: A Tartaruga e a Lebre, Oscar de 1934

A Tartaruga e a Lebre (The Tortoise and the Hare)
Direção: Wilfred Jackson. Produção: Walt Disney.
Vencedor do Oscar em 1934

Outra fábula na série Sinfonias Ingênuas, tricampeã do Oscar. Dizem que a lebre deste desenho inspirou o Pernalonga – realmente há bastante semelhança. Como sempre, nesta fase, a adaptação do conto-de-fadas é fiel, mas a Disney elabora o recheio: a principal  distração da lebre, por exemplo, é uma escola para moças, onde ele fica se exibindo. A narrativa é muito bem pensada – veja o detalhe da reta de chegada, em que a “câmera” é sempre mais rápida que a tartaruga e não consegue acompanhar a lebre. Os efeitos de velocidade eram, também, ainda uma novidade no campo da animação.

Os outros indicados não foram encontrados:
No Reino dos Anões (Jolly Little Elves), de Walter Lantz
Holiday Land, da Screen Gems

Anterior: The Merry Old Soul, indicado em 1933-34

The Merry Old Soul
Direção: Walter Lantz, William Nolan. Produção: Walter Lantz.
Indicado ao Oscar em 1932-33

Aqui, temos o casamento de um rei no mundo dos contos-de-fadas. O desafortunado monarca – que é a cara do Oliver Hardy – descobre logo que a esposa tem uma infinidade de bebês. As gags partem daí – ótima a cena em que se pensa que o rei está lavando roupa e ele está é dando banho nas crianças, numa verdadeira linha de produção. O trocadilho do título que usa uma expressão comum a respeito do sul dos Estados Unidos, trocando por soul (o gênero musical), não esconde que este curta tem a música como fio condutor neste exemplar de Walter Lantz (que comandaria o Pica-Pau anos depois) para a Universal, apresentado aqui na série Merrie Melodies.

Anterior: Arranhando o Céu, indicado no mesmo ano

Arranhando o Céu (Building a Building)
Direção: David Hand. Produção: Walt Disney.
Indicado ao Oscar de 1932-33

Segunda indicação do Mickey Mouse, em um ambiente comum nas animações da primeira metade do século 20: o esqueleto de um edifício em construção, um possível reflexo da recuperação da economia americana na saída da grande depressão. Enquanto o camundongo (com voz original de Walt Disney) comanda uma escavadeira que possui rosto e expressões, Minnie aparece como vendedora de lanches para os operários. Bafo é o capataz. O curta segue a linha dos demais do ratinho: uma profusão de gags, uma atrás da outra, com a música ditando o ritmo e ainda em preto-e-branco.

Anterior: Os Três Porquinhos, vencedor do Oscar no mesmo ano

Os Três Porquinhos/ Os Três Leitõezinhos (Three Little Pigs)
Direção: Burt Gillett. Produção: Walt Disney.
Vencedor do Oscar de 1932-33

Se a adaptação de contos-de-fadas são uma marca da Disney, estes foram os primeiros tempos, na série Sinfonias Ingênuas. O Technicolor fez de novo a diferença na versão mais conhecida dos porquinhos que constróem suas casas e o Lobo Mau que tenta derrubá-las. O curta imortalizou a canção “Who’s afraid of the Big Bad Wolf?” (“Quem tem medo do Lobo Mau?”) – quem não conhece? O desenho teve o papel de inspirar otimismo nas pessoas na época da grande depressão, e a canção se tornou um símbolo disso – diz o crítico e historiador Leonard Maltin. O desenho é ainda melhor quando se observa os detalhes: na casa do Prático, até o piano é de tijolos e o quadro na parede, do pai dos trigêmeos, mostra uma linguiça.

Anterior: Pai de Órfãos, indicado em 1931-32

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  • Pessoas que estão reclamando de Wagner Moura no tributo ao Legião: vão assistir a um DVD da banda e pronto.Publicado há 10 hours ago
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  • Não, é da Agência Ensaio. RT: @haryanne: É rave, é? RT @revasconcellos1: O amistoso da Seleção é às 21h07! Nove horas e SETE minutos, ok?Publicado há 17 hours ago

 

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