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Absurdo com os especialistas
A série Esquadrão Classe A fez sucesso nos anos 1980 principalmente porque era uma mistura nada ambiciosa de aventura e humor bem dosada e um equilíbrio perfeito entre seus quatro protagonistas – numa época em que até os mais ridículos filmes de ação se levavam muito a sério. O filme Esquadrão Classe A (The A-Team, Estados Unidos, 2010) preza também por isso e até consegue parecer descompromissado – embora, não seja e almeje evidentemente se tornar uma franquia.
Hannibal (Liam Neeson), Cara-de-Pau (Bradley Cooper), B.A. (Quinton “Rampage” Jackson) e Murdock (Sharlto Copley) formam uma equipe que foi expulsa com desonra do exército americano por um crime que não cometeram e trabalham como soldados da fortuna enquanto tentam limpar seus nomes. É assim que a série se apresenta já nos créditos de abertura. O filme conta como o quarteto se conheceu, como foi incriminado e sua primeira missão na clandestinidade.
O diretor Joe Carnahan entendeu direitinho que não se levar a sério é parte da receita. O filme é espirituoso, aposta em planos mirabolantes e já estabelece com inteligência a premissa ao tornar o Esquadrão Classe A famoso já durante a Guerra do Golfo por sempre topar (e realizar) missões absurdas. Com isso, o que vier de estapafúrdio no decorrer do filme está bem enquadrado dentro do universo proposto por ele.
Aqui, tudo isso funciona e sem a empáfia de, por exemplo, um John Woo em Missão Impossível 2 (2000). Mas o melhor mesmo é a interação entre os quatro personagens. Copley (o protagonista de Distrito 9, 2009) dá um show como “Mad” Murdock, Cooper e Nesson recriam e atualizam com perfeição seus personagens. A tarefa mais ingrata é a de Jackson, que não tem tamanho para impressionar como o B.A. que foi do gigante mau encarado Mr. T nos anos 1980, e é também mais – digamos – sociável. Mas mesmo assim convence e forma um time entrosado e que certamente dá vontade de ver em um novo episódio.
Esquadrão Classe A. (The A-Team). Estados Unidos, 2010. Direção: Joe Carnahan. Elenco: Liam Neeson, Bradley Cooper, Quinton “Rampage” Jackson, Sharlto Copley, Jessica Biel, Patrick Wilson, Gerald McRaney, Henry Czerny, Dirk Benedict, Dwight Schultz.
Nunca tinha entrevistado Marcélia Cartaxo – nem mesmo quando ela estreou como diretora, com o curta Tempo de Ira (2003, co-dirigido por Gisella de Mello). Não sei porquê, mas calhou de que nosso primeiro papo tenha sido não sobre uma novidade, mas justamente sobre o maior feito da atriz (e um dos maiores do cinema brasileiro): sua interpretação em A Hora da Estrela (1985), de Suzana Amaral, que foi premiada no Festival de Berlim.
Por ocasião da restauração do filme – cópia que foi exibida no Festival do Rio e está na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo -, ela conversou comigo para a entrevista publicada dia 25 no Jornal da Paraíba e agora aqui, em versão estendida.
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É um feito admirável. Nunca antes uma atriz brasileira havia ganho um prêmio em um grande festival internacional: Marcélia Cartaxo foi a primeira, em 1985, por A Hora da Estrela. O filme foi relançado em cópia restaurada no Festival do Rio no mês passado e completa 25 anos de filmagem. De Cajazeiras até a consagração em Berlim, ela lembra histórias do filme.
Tudo começou com o grupo de teatro Terra, do qual Marcélia fazia parte em Cajazeiras, e que revelou também Nanego Lira, Soia Lira, Eliézer Rolim e Luiz Carlos Vasconcelos. O grupo estava em São Paulo para três apresentações em um evento. “A gente recebeu uma proposta de fazer o Mambembão, em que peças do Nordeste se apresentavam no sul e as de lá vinham para cá”, lembra a atriz. O espetáculo chamava-se Beiço de Estrada, escrito e dirigido por Eliézer Filho (hoje, Rolim). A diretora Suzana Amaral, já em busca da protagonista de sua versão para o livro de Clarice Lispector, estava na plateia.
Suzana assistiu às três apresentações com o ator paraibano José Dumont, que já estava escalado no elenco, e já convidou Marcélia para viver Macabéa. O ano era 1982 e Marcélia tinha 18 anos. Foram precisos mais dois para a diretora conseguir o financiamento da Embrafilme. Enquanto isso, as duas foram se correspondendo. “Ela foi me dirigindo por carta”, recorda Marcélia. “Eu costurei uma camisola feita de saco de açúcar que uso no filme, ela me disse para ir à periferia para observar as Macabéas”.
Marcélia não tinha lido A Hora da Estrela e ganhou um exemplar de presente de Suzana Amaral. “Eu achava o livro muito confuso. Tinha a história de Macabéa e Olímpio, mas também a do narrador”, conta Marcélia. “Clarice era considerada uma escritora difícil de adaptar. Mas li o livro umas 20 vezes”. Mesmo com essa preparação, os produtores exigiram que a paraibana se submetesse a um teste e disputasse o papel com outras atrizes. “Quando fiz o teste, eles ficaram todos enlouquecidos”, recorda. “Foi a cena em que Macabéa datilografa e come um pão com salsicha e a salsicha sai (ri). Suzana só foi me dar o roteiro mesmo quando passei no teste”.
Saída diretamente do Actor’s Studio, Suzana estava impregnada do estilo de dirigir e interpretar da famosa escola que seguia o famoso método desenvolvido por Elia Kazan e Lee Strasberg, entre outros, a partir do sistema do ator e ditetor russo Stanislavsky, privilegiando o realismo psicológico e as emoções reais em cena. “Ela aplicou tudo na Macabéa”, revela Marcélia Cartaxo. “Quando fui pra São Paulo, fui de ônibus. Ela queria que eu fosse macabeando, que não perdesse a naturalidade. Suzana foi muito rigorosa comigo, eu chorava muito”.
Enquanto o resto do elenco – o velho amigo José Dumont, Fernanda Montenegro, Tamara Taxman, Denoy de Oliveira – foi hospedado em um hotel, Marcélia ficou isolada em um quarto na produtora. “Ninguém podia falar comigo, me tocar. No set, eu tinha que ficar em uma cadeira, voltada para a parede! Tudo pra eu não perder a brejeirice”, conta.
Depois de um mês de ensaios, o filme foi rodado quase sempre com a primeira tomada valendo. E, mesmo com a preservação a que foi submetida, Marcélia teve a experiência de contracenar com atores tarimbados como Fernanda Montenegro e Tamara Taxman – e elas eram as coadjuvantes, Marcélia, a atriz principal! Fernanda na semana final das filmagens. “Ela entrava e ia logo decorar o texto”, conta a paraibana. “Com Tamara e Zé houve mais amizade. Zé acompanhava o Terra há três anos e me ajudou muito. Tudo o que eu queria saber sobre contratos, curiosidades e dúvidas que eu tinha, podia conversar com ele”.
Depois de pronto, a primeira parada de A Hora da Estrela foi o Festival de Brasília, no final de 1985. Foram 12 prêmios, incluindo filme, atriz, para Marcélia, e ator, para José Dumont. Em fevereiro de 1986, foi a vez do Festival de Berlim. Marcélia teve que conseguir dinheiro e roupas para enfrentar o frio da Europa. “Meus sapatos eram uma bota de sete léguas várias meias, porque diziam que lá nevava”, diz.
Lá, teve mais problemas. “O filme passava no segundo dia. No dia da exibição, resolvemos ir de ônibus do hotel para o cinema. Aí, fui agredida no ônibus por um homem, que ficou me batendo. Depois que ele desceu, soubemos que era um neurótico de guerra que achou que eu era judia”, lembra. Depois da exibição, o público alemão na rua a confundia, mas com a própria Macabéa – tal foi a repercussão de seu trabalho.”Eu só podia ficar seis dias e o cônsul perguntou se a gente precisava de alguma coisa. Eu disse: ‘Quero ficar até o fim do festival’”.
No dia da premiação, Marcélia estava hospeada na casa de uma brasileira. Suzana, que estava no hotel, a chamou. “Ela me disse: ‘Marcélia, senta aí”. A diretora revelou que A Hora da Estrela ganhou três prêmios: o prêmio Ocic (da Organisation Catholique Internationale du Cinéma et de l’Audiovisuel), o prêmio Cicae (da Confédération Internationale des Cinémas d’Art et d’Essai Européens) e o de melhor atriz.
O prêmio, que mesmo com a repercussão ninguém espwerava, foi dividido com a francesa Charlotte Valandrey, por Rouge Baiser, e entregue por Gina Lollobrigida, presidente do júri. “Ela disse que ficou muito chocada com o filme e perguntou se aquilo existia mesmo no Brasil. E eu respondi que haviam centenas de Macabéas em São Paulo”, conta Marcélia.
Na volta ao Brasil, ainda houve a emoção da primeira exibição em Cajazeiras – que, na época, tinha três cinemas. “Até hoje celebram isso na cidade”, diz. “Sempre que vou lá, me tratam como se eu fosse a filha mais ilustre”. Marcélia Cartaxo virou uma celebridade e o Fantástico foi à cidade do sertão paraibano para uma matéria com ela. A inexperiência dela e dos outros integrantes do Grupo Terra levou, no entanto, a uma cisão. “Eles ficaram cinco anos sem falar comigo”, revela a atriz. “Foi Luiz Carlos que nos reaproximou”.
Ainda sem previsão de exibição nos cinemas paraibanos, a versão restaurada de A Hora da Estrela foi confirmada para exibição no Fest Aruanda, que acontece em dezembro, em João Pessoa. Uma sessão local, fundamental, seria um retorno triunfal, tal qual o de Marcélia Cartaxo a Cajazeiras, de volta do festival – com direito a desfile em carro aberto – e a exibição em sua cidade. “O filme representa tudo. Com ele, me descobri na vida e na carreira”, resume. “Tudo o que acontece é conseqüência desse trabalho”.
Garota completa a importante idade de 16 anos e ninguém da família se lembra.
Cinco adolescentes diferentes são obrigados a passar uma manhã juntos, de castigo, na biblioteca da escola.
Garoto leva a namorada e melhor amigo para um dia de folga em Chicago – e ainda se safa.
Um certinho e um relaxado presos um ao outro enquanto tentam viajar na época de ação de graças.
A nossa adolescência não seria a mesma sem John Hughes para traduzi-la em filmes. Antes, quase tudo se resumia a rebeldes sem causa e obcecados por sexo. Hughes mostrou que poderia haver cabecinhas pensantes entre os jovens, que eles poderiam ter dúvidas e preocupações sinceras e que tinham o direito, até, de tirar um dia de folga do colégio. Seus filmes, hoje, mostram que são bem melhores do pareciam à época. Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado, em particular, possuem uma elaboração visual admirável combinada com diálogos precisos e espirituosos, além de timing cômico irretocável e um senso dramático muito acertado. São dois clássicos, já. Hughes morreu quinta, em Manhattan, de ataque cardíaco. Tinha 59 anos.
Houve um tempo em que os comerciais da Coca-Cola tinham gente e não apenas efeitos especiais. A campanha do final dos anos 1980, “You can’t beat the feeling” (que aqui virou “Emoção pra valer”), mostrava apenas pessoas num momento de grande, imensa alegria, sob um tema musical fervilhante. Impossível não querer fazer parte. Enjoy.





















































































































































































































