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O reencontro de antigas amigas de colégio era o mote de Elas por Elas (1982). A abertura muito bacana se passa nos anos 1950, em preto-e-branco, numa festa da juventude das personagens (lembra a da minissérie Anos Dourados, que é posterior). Ao som da ótima música-tema dos Fevers, elas vão emergindo maduras das imagens congeladas e transformadas em fotografias: Aracy Balabanian, Ester Góes, a linda Sandra Bréa, Mila Moreira, Eva Wilma e Maria Helena Dias. Os detalhes das cenas da festa (como a cara de desaprovação de duas velhotas para toda aquela agitação) enriquecem a peça.
O compositor austríaco Max Steiner nasceu em 1888, há 125 anos. Steiner é um dos maiores autores de trilha sonora da era de ouro de Hollywood, tendo estudado na juventude com Brahms e Robert Fuchs. Seu trabalho em King Kong (1933) meio que definiu o funcionamento da trilha sonora para o cinema. Ele compôs mais de 300 trilhas e foi indicado ao Oscar 24 vezes. Ganhou três: O Informante (1935), A Estranha Passageira (1942) e Desde que Partiste (1944). Mas sua grande trilha, é claro, é a de …E o Vento Levou (1939). Seus acordes poderosos eram sua marca maior e outras trilhas memoráveis são as de Casablanca (1942) e Rastros de Ódio (1956), entre outras.
Uma das melhores adaptações de Shakespeare para o cinema, Muito Barulho por Nada estreou em 1993, há 20 anos. Kenneth Branagh, diretor e ator do filme, tirou a comédia do confinamento dos quartos e salas designados pelo bardo para colocar a história sob o sol da Toscana italiana, em belíssimas cenas externas. Equilibrou monólogos sem corte com humor rasgado e sensualidade e tirou proveito da ótima partitura de Patrick Doyle (a sequência dos créditos iniciais é arrebatadora). E contou com um elenco quase todo sublime, entre veteranos de sua companhia teatral shakespeareana e britânica, uma grande contribuição americana de Denzel Washington e a sensacional Emma Thompson (musa retroativa número 1 de 1993). Difícil não sair do filme com um sorriso no rosto.
Se nos anos 1980 “as garotas só queriam se divertir”, como diz a canção da Cyndi Lauper, nenhuma parecia se divertir mais do que a americana Kate Pierson, uma das vocalistas da banda The B-52′s. Ela nasceu em 1948, está completando 65 anos hoje! Kate continua na ativa com o grupo, que retomou os trabalhos e até esteve no Brasil recentemente. Kate é tão bacana que de vez em quando ela é convidada para alguma participação especial: como em “Shiny happy people”, com o REM, e “Candy”, dueto com Iggy Pop. Ela toca guitarra, baixo e teclado e está trabalhando num álbum solo.
Hayao Miyazaki é um gênio da animação japonesa e um de seus trabalhos mais marcantes, Meu Amigo Totoro, foi lançado em 1988, há 25 anos. A história das duas filhas de um professor, no Japão do anos 1950, que fazem amizade com espíritos da floresta possui o quociente de ternura e beleza que seriam as marcas consagradas de Miyzazaki, um gênio da animação japonesa – admirado, entre outros pelo pessoa da Pixar.
Livros sobre o oceano
Fazer um filme ancorado uns 90% em trocas de cartas não deve ser fácil. É o que acontece em Nunca Te Vi, Sempre Te Amei (84 Charing Cross Road, Reino Unido/ Estados Unidos, 1987) – aliás, um dos piores títulos nacionais já vistos num cartaz de cinema ou home video (por ser o que hoje chama-se de spoiler e, ao mesmo tempo, induzir o espectador numa direção no mínimo questionável). Enfim, o filme é sobre a troca de correspondências entre uma atrevida aspirante a escritora nova-iorquina e um fleumático gerente de livraria londrina.
Ela procura edições antigas de livros que não encontra em Nova York – e por um precinho razoável. Ele manda os livros e a troca de cartas e pacotes se desenvolve em uma amizade que atravessa os anos e envolve aqueles à volta dos dois. O filme contorna o que poderia ser um festival de cenas de gente escrevendo e lendo (e há muitas) com as situações cotidianas dos personagens. Muitas vezes, há uma dupla narrativa: o que se conta nas cartas é uma coisa e o que se vê na tela é outra, sem uma relação imediata.
Outro recurso interessante é o uso da câmera como interlocutor. Mais interessante ainda é como esse uso aparece em uma progressão. Durante quase todo o filme, só Helene (Anne Bancroft, que ganhou do marido Mel Brooks os direitos de filmagem do livro de presente de aniversário – e levou o Bafta de melhor atriz) tem o direito de olhar para a tela e falar com ela como se falasse com Fred (Anthony Hopkins), seu correspondente.
É um mecanismo curioso, que não “substitui” a carta sendo escrita. Começa aparecendo como uma ou outra frase no final de uma carta – como se sublinhasse um recado especifico de Helene para Fred. Há um outro momento em que a leitura da carta de Helene para Fred está em off, enquanto ela cuida de um bebê – mas em um momento muito específico do áudio, ela dá uma olhadela para a câmera, um curioso momento em que as duas narrativas se cruzam.
Só perto do final, há uma sequência em que Helene e Fred dialogam pela mágica da montagem. É quando o filme concede a ele, também, o “direito” de falar para a câmera. E aí, os dois falando “ao vivo” suas cartas e intercalando comentários, o espectador tem o gostinho de ver os dois conversando – coisa que a distância e um oceano no meio tem impedido.
A história começa nos anos 1940, com a Inglaterra ainda passando privações após a II Guerra, e vai até o fim dos anos 1960, e a turbulência da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Através destes anos, fala-se muito de literatura e da vida cotidiana. Os créditos finais mostram que é uma história real, elemento de que o filme não faz alarde. O livro de Helene Hanff virou uma peça e, daí, o roteiro de Hugh Whitemore.
Será amor a forte ligação entre Helene Hanff e Fred? Bom, o filme não avança sobre isso e não há traço de qualquer arroubo romântico do qual o título nacional tenta nos convencer (“criatividade” motivada, certamente, pelo intraduzível título original, que é o endereço da livraria em Londres).
Não se fala abertamente em amor e Fred (com toda sua fleuma britânica – ou o que os americanos esperam dos britânicos, sem esquecer que o ponto de vista do filme é o de Helene) até parece feliz no casamento – sua esposa é vivida por Judi Dench. O filme parece tomar a posição de deixar que o espectador tire suas próprias conclusões – quem quiser ver amor, verá; quem quiser ver “apenas” uma grande amizade transcontinental, também o verá.
O “apenas” vai entre aspas porque uma grande amizade não será nunca um “apenas”. E isso justifica também essa visão do filme.
Nunca Te Vi, Sempre Te Amei (84 Charing Cross Road, Reino Unido/ Estados Unidos, 1987). Direção: David Hugh Jones. Elenco: Anne Bancroft, Anthony Hopkins, Judi Dench, Jean De Baer, Eleanor David, Mercedes Ruehl.
“What a feeling! Bein’s believing! I can have it all, now I’m dancing for my life!”. Uma das mais empolgante canções já feitas, “Flashdance… What a feeling” é a grande arma de Flashdance – Em Ritmo de Embalo, filme que foi lançado há 30 anos, em 1983. Dirigido por Adrian Lyne, com uma estética publicitária que ele repetiria em 9½ Semanas de Amor (1986), e uma dança totalmente construída na montagem, à base de dublês de corpos e especialistas para cada parte mais difícil (o break, o salto sobre a câmera, etc). A história da soldadora que quer ser bailarina, mas até lá usa o talento em uma boate em danças sensuais, é banal. Mas, enfim, tem a música – essa, sim, um clássico imortal.
Don Adams, o eterno Agente 86, nasceu em 1923, há 90 anos. De comediante stand-up nos anos 1950, ele só chegou aos pequenos papéis na TV na década seguinte. Mas, aí, rapidamente emplacou o papel principal que definiria sua carreira: Maxwell Smart na antológica Agente 86, que durou cinco temporadas (de 1965 a 1970) e passou da TV preto-e-branco para a colorida. Ele voltaria ao personagem em um filme (A Bomba que Desnuda, 1980), um telefilme (Agente 86… De Novo?!, 1989) e a retomada da série em 1995, que durou só sete episódios. Ele ganhou três Emmys consecutivos pelo papel de Maxwell Smart (de 1967 a 1969). Ele também foi dublador: é dele a voz do Inspetor Bugiganga (1983-1986)!
A segunda maior sapateadora da história dos musicais, Ann Miller completa 90 anos hoje. A dançarina texana fez pequenos papéis na RKO e na Columbia até a MGM escalá-la para Desfile de Páscoa (1948). Ganhou um número só dela (“Shakin’ the blues away”) e arrasou. Emendou outra grande participação de Um Dia em Nova York (1949). Seu terceiro grande filme é Dá-me um Beijo (1953). Depois que a época dos grandes musicais passou, ela faz TV e Broadway. Sua última grande aparição foi como a síndica de Cidade dos Sonhos (2001), de David Lynch. Morreu em 2004.
PS: A maior sapateadora foi Eleanor Powell.
Os mineiros entraram definitivamente na rota das grandes mostras. Primeiro, foi a de Chaplin, com a obra completa do gênio. Hoje, começa outra, dedicada à obra completa de Howard Hawks.
É um excelente resgate, visto que Hawks faz tempo é pouco citado entre os grandes de todos os tempos. Na pesquisa que o blog aqui fez com cinéfilos paraibanos em 2010 sobre seus cineastas preferidos, dos 100 ouvidos apenas um citou Hawks entre seus cinco – e fui eu mesmo.
Enfim, sejam bem-vindos os filmes de Hawks, o cineasta dos homens com uma missão. E também um dos mais versáteis do cinemão de Hollywood, deixando clássicos no filme de gãngster, nas comédias malucas, no musical e, principalmente, no faroeste.
Algumas histórias sobre ele são muito boas como a de que estava pescando com o amigo Ernest Hemingway e este o desafiou a fazer um filme a partir de um livro ruim. Hawks devolveu: “Faço um filme bom do seu pior livro”. Hemingway escolheu e o filme foi Uma Aventura na Martinica (1944), que, ainda por cima, revelou Lauren Bacall.
Foi Hawks também que se indignou porque um xerife ficava pedindo ajuda a todo mundo para encarar um bandido em Matar ou Morrer (1952) e fez um filme em que o xerife, contra todo mundo, mantém o bandido preso: Onde Começa o Inferno (1959), tão antológico quanto seu “espelho”.
Hawks talvez não esteja sendo tão lembrado por não ter sido exatamente um revolucionário ou um inventor no cinema. Foi, no entanto, um exímio contador de histórias, um talentosíssimo narrador. Como você vê a seguir, nessa nossa lista de dez grandes Howard Hawks.
Em tempo: a mostra, no Cine Humberto Mauro, começa hoje com Levada da Breca (1938) e segue por um mês com exibições diárias – quase todas em 35mm. Inclui até filmes mudos e curiosidades como O Proscrito (1948) em que ele acabou não creditado como diretor no final. Há também um curso com Inácio Araújo, debates e palestras. Confira a programação completa.
Comédia com Marilyn antes da fama e chimpazés.
Roteiro de ninguém menos que Billy Wilder, antes de ele mesmo começar a dirigir.
Aventura tipicamente hawksiana: um grupo de homens faz a perigosíssima correspondência aérea na América do Sul, custe o que custar.
Raro filme de Hawks em que as mulheres comandam a ação, e o diretor contribui de novo para a criação do mito Marilyn Monroe. Leia mais.
Um dos filmes de gangster essenciais.
Hawks reuniu Bogart e Bacall (casal que formou em Uma Aventura na Martinica) adaptando o romance de Raymond Chandler.
De novo Cary Grant em uma comédia romântica (e maluca) sobre jornalismo.
Hawks recontou O Grande Motim, que se passa no mar, no Velho Oeste!
A quintessência da comédia maluca, com Katharine Hepburn e Cary Grant no máximo.
Não há a chegada da civilização, a luta dos pioneiros ou outra coisa além de uma aventura de faroeste pura e contada com maestria.
Vidas cruzadas nos trilhos da estação
Antes dos grandes épicos que marcam sua carreira de diretor – como Lawrence da Arábia (1962) e Doutor Jivago (1965) – David Lean dirigiu filmes “menores” na Inglaterra. O “menores” vai entre aspas por razões óbvias para quem viu alguns desses filmes: Desencanto (Brief Encounter, Inglaterra, 1945) só é menor no quesito dinheiro envolvido. Um drama intimista, Desencanto é um dos grandes filmes de amor do cinema. Sua simplicidade esconde a complexidade de suas emoções.
O filme é uma adaptação da peça Still Life, de Noel Coward, produzida por ele próprio. Lean e Coward mantiveram uma boa parceria naqueles anos, em quatro filmes: Nosso Barco, Nossa Alma (1942), que os dois dirigiram; Este Povo Alegre (1944); Uma Mulher do Outro Mundo (1945); e Desencanto. Curiosamente, não há créditos para o roteiro que, segundo o IMDb, é de Anthony Havelock-Allan, Ronald Neame (que dirigiria A Primavera de uma Solteirona, em 1969) e Lean. A omissão pode ter acontecido para reforçar Noel Coward como autor da história. Em todo caso, é o trio que concorreu ao Oscar pelo filme, como melhor história – Desencanto também concorreu a direção e atriz.
O filme tem um início exemplar: na lanchonete de uma estação de trem, a vida segue normal para os personagens que depois vamos ver que estão sempre por ali, mas em trânsito (o guarda da estação, a dona do lugar, a empregada mais jovem dela). Em um canto, estão Celia Johnson e Trevor Howard, em uma mesa. Não dizem nada, até que entra uma amiga faladeira de Laura (Celia), dizendo coisas sem importância. Chega o trem de Alec (Howard) e ele precisa ir. Se despede de Laura sem palavras, apenas com uma mão em seu ombro.
Sem palavras, mas com uma eloquência e tanto. O filme começa com o casal central sendo mostrado como um figurante, para aos poucos ir ganhando o protagonismo na cena. Depois, o filme entra o foco em Laura, voltando para casa com a amiga chata. E é quando ouvimos sua voz interior falando de seu momento turbulento. E só quando ela chega em casa e está sentada na poltrona em frente ao marido meio sem graça que faz palavras-cruzadas é que ouvimos seus pensamentos começarem a contar a história.
Assim, a história é narrada em flashback por Laura. Grande sacada é ela fazer essa narração mental ao marido – a quem, claro, não pode contar nada de verdade. Ela vive em um casamento tranquilo, no subúrbio e vai semanalmente à cidade para movimentar um pouco a vidinha: fazer compras e ir ao cinema. Um dia conhece o médico Alec, quando este a ajuda a se livrar de um cisco no olho na lanchonete da estação. Uma série de outros acasos, por um lado, e a insistência de Alec, por outro, levam a outros encontros inocentes – até que eles se apaixonam, coisa que percebemos bem antes deles.
Ele também é casado e os encontros dos amantes, em meio à crise moral permanente de Laura, precisam ser nos poucos dias em que Laura vai à cidade. São encontros pontuados pela estação de trem, locação que abre e fecha o filme. Laura e Alec são vidas que se cruzam, como trens que se cruzam nos trilhos da estação. A luz do trem passando nos rostos dos personagens, os sons, tudo é usado como reflexo das emoções dos personagens. Perto do fim, tudo isso somado a um close do rosto transtornado de Celia Johnson é um plano espelho de outro, com o rosto de Greta Garbo como Anna Karenina (1935).
Evidentemente, é preciso pensar como os personagens e entender seus dilemas, massacrados por anos e anos de liberação sexual no cinema. E, considerando que tudo na história de Laura e Alec – com exceção da cena inicial cheia de lacunas – nos é mostrada pelo ponto-de-vista da mulher (e em um momento especialmente turbulento), é preciso imaginar o que é realista e o que está sublinhado pelas emoções de Laura. Note: nas palavras cruzadas do marido, “romance” cruza com “delírio”… Ela pode até estar ouvindo Rachmaninoff na cabeça dela enquanto relembra sua história de amor clandestina.
Os personagens paralelos voltam sempre a aparecer, nos lembrando que outras vidas continuam a acontecer, sem se darem conta do drama O quociente de culpa que arrasa Laura por quase todo o filme também pode refletir um pouco das emoções travadas que costumamos atribuir como o jeito de ser tipicamente britânico daquela época. Em todo caso, se o espectador se transportar para a pela de um dona-de-casa do subúrbio inglês e um casamento monótono dos anos 1940 – e ele deveria ser capaz disso – vai compreender o tumulto interno de Laura e dar um novo sentido ao “Concerto para piano número 2″ de Rachmaninoff.
Desencanto (Brief Encounter, Reino Unido, 1945). Direção: David Lean. Elenco: Celia Johnson, Trevor Howard, Stanley Holloway, Joyce Carey, Cyril Raymond.
Meu amigo Jack Herbert me mostrou no Facebook esse comercial encantador de uma marca de chocolate, estrelado por… Audrey Hepburn! Através da computação gráfica, o comercial (veiculado na TV britânica) traz Audrey de volta à vida. O resultado impressiona, confira:
Aproveito para publicar minha matéria dos 20 anos da morte da atriz, completados em janeiro. No final, admiradores da atriz contam qual seu momento preferidos. Entre eles, Ruy Castro, José Geraldo Couto, Suzana Uchôa Itiberê e João Batista de Brito.
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Em julho de 2010, uma pesquisa pela internet perguntou qual seria a mulher mais bonita do século 20. Em um meio onde o imediatismo impera (o segundo lugar, por exemplo, ficou com uma cantora do grupo Girls Aloud), a vencedora foi uma atriz que havia morrido há 18 anos e cujo auge da carreira foi nos anos 1950 e 1960: Audrey Hepburn. Confiabilidade não é uma qualidade de pesquisas virtuais, mas esse resultado quer dizer algo: a persona da atriz – que morreu há exatas duas décadas, aos 63 anos – continua em evidência, admirada por velhos e novos fãs.
Não faltava a Audrey beleza física, é evidente. Mas ela não era voluptuosa e cheia de curvas perigosíssimas como outras deusas do cinema de sua época – Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Sophia Loren ou Brigitte Bardot. Audrey era diferente e boa parte de seu charme estava na capitalização disso. Ela combinava um ar de quem precisa de proteção e uma certa molecagem, o que cativou de cara a equipe que selecionava atrizes para A Princesa e o Plebeu (1953), e, depois, o público e a Academia de Hollywood, que deu a ela um Oscar logo em seu primeiro filme importante.
Já é lendária – mas verdadeira – a história de que o astro do filme, Gregory Peck, vendo o desempenho daquela novata, exigiu dos produtores que o nome dela viesse antes do título com destaque igual ao seu – uma situação impensável na época. “Ela é a verdadeira estrela do filme. Vou parecer ridículo se meu nome aparecer maior que o dela”, disse Peck.
Até aquele momento, Audrey tinha tido um grande momento na carreira: fez o papel principal de Gigi nos palcos, escolhida pela própria autora, Colette. No cinema, eram ainda pequenos papéis, mas A Princesa e o Plebeu mudou tudo. Suas peripécias por Roma como a princesa cansada dos afazeres diplomáticos e com vontade de viver um dia comum a transformaram em uma estrela de primeira grandeza.
Na sequência, ela fez Sabrina (1954), uma história de Cinderela onde ela era a filha de um motorista e que se transforma quando passa uma temporada em Paris, passando a ser disputada por Humphrey Bogart e William Holden. O diretor era Billy Wilder, que a dirigiu de novo em Amor na Tarde (1957) e disse uma das mais belas coisas sobre ela: “O que é preciso para você se tornar uma estrela de verdade é um elemento extra que Deus pode lhe dar ou não. Você já nasce com ele. Não pode aprender. Deus beijou o rosto de Audrey Hepburn, e ali estava ela”.
Até 1967, Audrey fez poucos filmes, quase todos muito bons, alguns chegando ao status de icônicos. Os melhores foram, além dos dois primeiros hollywoodianos, são o musical Cinderela em Paris (1957), o drama Uma Cruz à Beira do Abismo (1959), a mistura de comédia e suspense que é Charada (1963), o musical My Fair Lady – Minha Bela Dama (1964), o drama Um Caminho para Dois (1967) e o suspense “para valer” Um Clarão nas Trevas (1967).
E, claro, Bonequinha de Luxo (1961), talvez o mais icônico dos filmes e papéis de Audrey. Sua Holly Goolightly – criação do escritor Truman Capote, que queria Marilyn Monroe no papel – marcou tanto pelo vestido preto (como sempre, desde Sabrina, Audrey era vestida pelo estilista francês Givenchy) quanto pela cena em que ela canta “Moon river” na escada de incêndio.
Até 1967, Audrey tinha sido casada com o ator Mel Ferrer muito menos bem sucedido que ela. Em 1967, ela deu um longo tempo do cinema quando se divorciou e se casou com o médico Andrea Dotti. Só voltou ao cinema em 1976, com um grande filme: Robin e Marian.
A partir daí foram poucos filmes e poucos destaques. Seu papel mais importante no período é o de embaixadora da Unicef, a partir de 1987. Ela viajou por países muito pobres, como a Somália, ajudando a chamar a atenção para populações vivendo na miséria.
Audrey estava, assim, retribuindo um pouco da ajuda que ela, belga de nascimento, própria teve na infância, durante a II Guerra Mundial, na Holanda. Para ela, viajar pelo Unicef foi seu principal papel. E foi por isso que Elizabeth Taylor disse, quando Audrey morreu, que “Deus tem agora o mais belo novo anjo, que saberá o que há para fazer no Céu”. E é por isso que tantos acham que seu último papel no cinema foi tão apropriado: em Além da Eternidade (1989), de Spielberg, ela interpretou um anjo.
– MINHA AUDREY PREFERIDA
RUY CASTRO, escritor
“Audrey Hepburn foi sempre maravilhosa – em cada fotograma que filmou -, mas a cena que mais gosto é a da sequência final de A Princesa e o Plebeu: ela, de novo como princesa; Gregory Peck, como o repórter que a entrevista”.
ALANA AGRA, médica
“O ‘meu’ momento Audrey é Sabrina, daqueles raros momentos em que tudo dá certo – do roteiro maravilhoso ao elenco, os figurinos, o p&b belíssimo, e Audrey mais icônica do que já tinha estado até então, com vestidos de sonho”.
SUZANA UCHÔA ITIBERÊ, editora da revista Preview
“Uma das cenas mais saborosas e espontâneas de Audrey Hepburn que tenho guardada na memória acontece em Charada, que Stanley Donen dirigiu em 1963. No auge da ação, ela pega Cary Grant de surpresa e pergunta: ‘Sabe o que você tem de errado?’. Ele, afobado e na defensiva, responde: ‘Não, o quê?’. E ela solta um sedutor e malandro: ‘Nada!’. O tom de voz perfeito e um rosto suave irresistível. Essa era Audrey”.
JOÃO BATISTA DE BRITO, crítico
“Adoro, em A Princesa e o Plebeu, quando ela, ainda tonta, entra no pequeno apartamento de Gregory Peck e eles discutem um verso de poesia romântica, que ela diz ser Keats e ele, garante ser Shelley (ele tinha razão)”.
JOSÉ GERALDO COUTO, crítico
“Minha cena favorita está na ponta da língua: é aquela em que ela canta ‘Moon river’ e toca violão na escada externa do prédio onde mora, em Bonequinha de Luxo, do Blake Edwards. É um momento de delicadeza e beleza inexcedíveis, capaz de enternecer o mais duro dos corações”.
KAROLINE ZILAH, jornalista
“Uma cena que para mim tem o status de hors concours: o momento em que ela canta ‘Moon river’ na sacada do apartamento, demonstrando uma Holy Golightly extremamente vulnerável apesar de toda a sexualidade e suposta segurança que ela exalava antes de revelar seu verdadeiro ‘eu’. É uma cena tão delicada e emocionante, que sempre me lembro desta imagem em particular quando penso em Audrey”.
RENATO FÉLIX, jornalista
“Audrey tem muitos momentos icônicos, mas um que eu particularmente acho o máximo é ela dançando com Fred Astaire no quarto escuro em Cinderela em Paris, depois de ele cantar ‘Funny face’ para ela. Bailarina, ela teve tão pouca chance de dançar na carreira…”.
ANDRÉ RICARDO AGUIAR, escritor
“O meu momento Audrey Hepburn preferido é o da brincadeira da Boca da Verdade, em Roma, no filme A Princesa e o Plebeu. Adoro o improviso que Gregory Peck fez na cena e o susto real que ele provocou na Audrey”.
CAROLINA QUEIROZ, jornalista
“Eu considero seu momento mais emblemático aquele em que ela inicia o trabalho de embaixatriz da Unicef, em 1987. Depois disso, ela mostrava ao mundo que não era apenas uma atriz maravilhosa, mas uma pessoa extraordinária!”.
O compositor, arranjador, flautista e saxofonista Pixinguinha morreu há 40 anos, em 1973. Um dos maiores nomes da música brasileira de todos os tempos, ele morreu em pleno Carnaval – a Banda de Ipanema estava na rua e, quando a notícia chegou, os músicos se puseram a tocar “Carinhoso”, em homenagem ao mestre. Ele é nome fundamental principalmente do choro: dia 23 de abril, seu nascimento, é comemorado por lei o Dia Nacional do Choro.
Um clássico da comédia, Levada da Breca foi lançado há 75 anos, em 1938. Katharine Hepburn e Cary Grant repetiram uma parceria de muito sucesso: aqui, ela é uma garota rica e doidivanas que compra um leopardo; ele é um professor de paleontologia muito certinho que se envolve a contragosto com ela. Dirigido pelo versátil Howard Hawks, é um grande exemplar das chamadas screwball comedies (ou comédias malucas) da Hollywood dos anos 1930 e 1940. E o final com o esqueleto de dinossauro virou ícone.
Eternizada como uma superlouras do cinema nos anos 1950, Kim Novak completa 80 anos – nasceu em 1933. A atriz americana será sempre lembrada pelo dúbio papel como a loura Madeleine e a morena Judy em Um Corpo que Cai (1958), um dos maiores filmes de Hitchcock. O papel em que está mais deslumbrante talvez seja o de Férias de Amor (1955) – que a transformou em estrela. Seu nome verdadeiro, Marilyn, já havia sido mudado para Kim, por razões óbvias. Mas já nos anos 1960 sua carreira começou a declinar. Hoje, está aposentada – seu último filme é de 1991. Nas Musas retroativas publicadas até esta data (a partir de 1959), Kim aparece duas vezes: em 1960 e 1964.
O ator brasileiro José Lewgoy morreu há 10 anos, em 2003. Sua carreira foi longa e versátil, mas ele costuma ser lembrado com muito carinho como o maior vilão do cinema brasileiro. As chanchadas da Atlântida sempre o escalavam para ter seus planos frustrados pela dupla Oscarito e Grande Otelo – como em Aviso os Navegantes (1951), Carnaval Atlântida (1952) e Matar ou Correr (1954). Ele acabou revivendo o tipo em Roberto Calos em Ritmo de Aventura e Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa, nos anos 1960. Ao mesmo tempo, estava no mais sério Terra em Transe, de Glauber. Produções internacionais rodadas no Brasil também tiveram seu talento, como Fitzcarraldo (1982) e Luar sobre Parador (1988). Ao todo foram mais de cem filmes!
Julio Verne nasceu há 185 anos, em 1828. O maior escritor de aventura/ ficção científica de todos os tempos, o francês fez previsões em sua literatura de diversos avanços científicos e até da viagem do homem à Lua. No entanto, não é esse o seu maior mérito, mas o de criar narrativas fantásticas que levou seus leitores a viagens inesquecíveis – ao centro da Terra, por 20 mil léguas submarinas ou uma volta ao mundo em 80 dias.
Dona Zica, da Mangueira, completaria 100 anos. Nascida em 1913, ficou célebre como esposa e companheira por 26 anos de um dos maiores compositores do samba: Cartola. Estavam juntos até no nome do restaurante que tiveram, o Zicartola. Mas Dona Zica, por si só, se tornou um símbolo da Estação Primeira de Mangueira. Um dos mais populares símbolos da mais popular escola de samba. Dona Zica morreu em 2003.


































