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Um filme com medo
Lanterna Verde (Green Lantern, EUA, 2011) é um filme de super-herói, mas lembra muito Guerra nas Estrelas (1977). Ele introduz um universo espacial, regido por um monte de conceitos novos com que o espectador tem que se familiarizar enquanto se maravilha com o visual e se diverte com a aventura. Infelizmente, muito pouco disso tudo acontece n0 filme do herói da DC Comics.
Enquanto o primeiro filme da saga de George Lucas é muito hábil (e confiante nessa habilidade) em ambientar o espectador, Lanterna Verde é bem desajeitado e medroso. Lucas começava a trama pelo meio da ação, após um letreiro que explicava só o básico do básico. A plateia só ia saber exatamente o que era um jedi, por exemplo, lá pelo meio do filme.
Já o filme de Martin Campbell sabe que há muita informação para passar, mas tem medo de deixar o espectador “perdido” e, portanto, “incomodado”. Precisa, então, começar com um texto em off que começa com o princípio dos tempos, diz o que é um lanterna verde, que há uma tropa deles, um planeta azul chamado Oa e serezinhos azuis que são os guardiões do universo, que forjaram anéis que dão forma ao pensamento de que o usa e… ufa! Se o público já estiver desinteressado no fim da introdução, quem pode censurar?
A história começa de verdade com um alienígena que vem parar na Terra, moribundo, e um piloto de aviões ousado no limite da irresponsabilidade, Hal Jordan (Ryan Reynolds). Como a iminente morte de seu portador, o anel recruta um substituto e esse é Jordan, escolhido por qualidade que nem sabe que tem. Uma delas é a força de vontade, necessária para sobrepujar o medo. E se um lanterna verde tem que vencer o medo, é irônico que o filme seja assim tão covarde.
Há vários outros aspectos que mostram bem isso. O filme teve medo, por exemplo, não só de centrar sua história na Terra, mas de não ser “espacial” o bastante – e exagerou. E, apesar de Peter Sasgaard ter sido elogiado no filme, seu vilão é descartado antes do clímax em prol de uma entidade que envovia perigo ao planeta inteiro (logo, efeitos visuais grandiosos), mas é bem menos convincente ou interessante.
Campbell, que tem no currículo três bem-sucedidas reinvenções cinematográficas de heróis (Zorro, em A Máscara do Zorro, 1998, e duas vezes James Bond, em 007 contra GoldenEye, 1995, e 007 – Cassino Royale, 2006), se perdeu na mitologia complicada do herói nos quadrinhos. Não administrou bem as informações, nem equlibrou devidamente humor e drama. E o visual é interessante, mas vai pouco além disso.
Mas há acertos também. Jordan é um herói que tem o que aprender e crescer. E é um personagem sem medo, a não ser um: o de não conseguir corresponder às expectativas dos outros. Ryan Reynolds não é um grande ator, mas tampouco compromete – não tem a menor culpa nos problemas que o filme apresenta.
No saldo de gols, Lanterna Verde não é o desastre que andaram falando, mas fica a desejar. Ou fica a desejar, mas é o desastre que andaram falando. Depende de como você o encara.
Lanterna Verde. Green Lantern. EUA, 2011. Direção: Martin Campbell. Elenco: Ryan Reynolds, Blake Lively, Mark Strong, Tim Hobbins, Angela Bassett. Vozes na dublagem original: Geoffrey Rush, Michael Clarke Duncan.
Estas aí acima são algumas das páginas já liberadas do MSP Novos 50, álbum que fecha trilogia MSP 50. O lançamento será na 15ª Bienal do Livro do Rio, que começa hoje, no Riocentro. O Maurício de Sousa estará lá, autografando a edição no estande da Panini – e outras coisas em estandes de outras editoras. Veja aí os dias e horários e mande um alô por mim se aparecer lá.
Sábado, dia 3
Verus (Record) – 13h às 15h
Globo – 16h às 18h
Girassol – 19h às 21h
Domingo, dia 4
Ave-Maria – 13h às 15h
Panini – 16h às 18h
Melhoramentos – 19h às 21h
Sábado, dia 10
Girassol (Record) – 13h às 15h
Melhoramentos – 16h às 18h
Panini – 19h às 21h
Domingo, 11
Ave-Maria – 13h às 14h30
Globo – 15h30 às 17h
Vocês já viram a capa no novo álbum, né?
Finalmente a HQ Mundo Fantasma será lançada no Brasil. A Gal Editora soltou na web um trailer do álbum, apostando firme nos elogios da imprensa especializada. Foi um dos marcos dos anos 1990, na ascenção do quadrinho independente americano – por alguma razão inexplicável, nunca havia saído no Brasil. O trailer é bem bonito, confiram:
E, aqui, uma resenha do Universo HQ sobre a edição original americana.
Em tempo: o quadrinho já rendeu um ótimo filme em 2001, que saiu por aqui como Ghost World – Aprendendo a Viver, e que já foi visto em DVD baratíssimo nas Americanas da vida. Com uma Scarlett Johnasson antes da fala e um roteiro indicado ao Oscar, aí vai o trailer:
A HQ vai pra estante, com certeza. O filme já está lá.
Conversei com o Veríssimo semana passada. Não sobre sua vida de cronista, mas especificamente sobre As Cobras – Antologia Definitiva, a compilação de sua inesquecível tira. A matéria saiu domingo, no Correio da Paraíba, e aqui está ela.
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O Brasil, segundo As Cobras

Veríssimo foi às Cobras para driblar a ditadura: "Quando havia o risco da censura implicar com o texto, me socorria no desenho"
Pode ser que cobra seja muito fácil de desenhar – “Só tem pescoço”, diz o próprio criador, Luís Fernando Veríssimo -, mas não houve assunto que mexesse com a vida nacional que não foi tratado pelos dois ofídios que rastejaram pelas centenas de tiras escritas e desenhadas pelo gaúcho. As Cobras, uma das melhores tiras dos quadrinhos nacionais, agora retorna em uma bela edição: As Cobras – Antologia Definitiva (Objetiva, 200 páginas). Em conversa por e-mail, Veríssimo, famoso principalmente como cronista, conta como e porquê usou o desenho para também criar suas sátiras da política e do comportamento no Brasil.
Veríssimo já disse várias vezes que a escolha de cobras como estrelas de uma tira eram fruto de suas limitações como desenhista. Mas, se os traços são simples, o gaúcho – hoje com 74 anos – constrói uma mise-en-scene bastante efetiva como suporte para as piadas. “As cobras e seu meio existiam só em função da piada, o desenho em si nunca foi importante. Quanto mais simples melhor”, conta Veríssimo. “Se você gostava da construção das narrativas só posso agradecer, mas não era intencional”.
A tira surgiu nos anos 1970. “Epoca da ditadura”, lembra o escritor. “Quando se podia dizer mais com desenho do que com textos. Sempre gostei muito de quadrinhos e quando passei a ter um espaço no jornal para fazer, teoricamente, o que quisesse nele, aproveitei. E muitas vezes, quando faltava tempo ou saco para o texto, ou havia o risco da censura implicar com o texto, eu me socorria no desenho”.
E ele a manteve até os anos 1990. “Parei, como eu disse na época, porque estava fazendo coisas demais. E também porque não ficava bem um homem de sessenta anos ficar desenhando cobrinhas”, diz.
As cobras eram, geralmente, duas travando um breve diálogo. Podia ser sobre política, futebol, Deus, a finitude da vida ou qualquer outro assunto que rendesse a Veríssimo uma boa piada. Muitas vezes, contracenavam com alguns coadjuvantes. Vários deles, parecem que estão sempre aparecendo por aí, nos noticiários: Queromeu, o corrupião corrupto; Dudu, o alarmista; o candidato Alves Cruz; Durex, o adesista; Sulamita, a pulga lasciva; e por aí vai.
“Eu gostava das cobras recem-nascidas, que saiam da casca para descobrir o Brasil e o mundo”, aponta o cronista. “Muitas nasciam precavidas, como a que já saiu do ovo com um habeas-corpus preventivo”.
Alguns personagens acabaram não entrando e a “antologia definitiva” renderia fácil um segundo volume. “Personagens como o chef Rienamange, o cozinheiro da crise, e o Zé do Cinto, que vivia apertando o cinto para sobreviver, podiam ter entrado. Continuam atuais”.
O livro divide as tiras em dez temas, entre eles existencialismo, futebol, Deus, poder, história, praia, literatura, espaço e um segmento para alguns coadjuvantes (“As cobras e outros bichos”) e outro para os filhotes. Algumas sequências são antológicas, como o técnico de futebol tentando orientar seu time obtuso, a pesquisadora que induz as respostas, ou os ‘Clássicos da literatura combinados’. “Não tenho preferencias”, conta Veríssimo. “Alguns dos clássicos combinados, como ‘Casablanca e senzala’, funcionam, outros não. Gosto das cobras diante do infinito. Uma dizendo ‘Como nós somos insignificantes diante do Universo’ e a outra perguntando ‘Vocês quem?’, por exemplo”.
Veríssimo também tem outras produções de histórias em quadrinhos: ainda escreve e desenha a Família Brasil e escreveu a tira de Ed Mort (desenhada por Miguel Paiva) e as páginas do Analista de Bagé na Playboy (desenhadas por Edgar Vasques). É uma relação que, como leitor, começou desde cedo.
“Lia o Gibi e o Globo Juvenil como todo o mundo e gostava muito dos super-herois e de alguns americanos como o Krazy Kat”, lembra, apontando também o que lê hoje. “Gosto muito dos brasileiros: o Laerte, o Angeli, os irmãos Caruso, o Edgar Vasques, o Santiago, o Moa, o Adão. É muita gente boa. E também há genios como o Moebius, de quem vi uma exposição fantástica há pouco tempo, em Paris”.
Se As Cobras não estão rastejando por aí, certamente não é por falta de assunto. Seus personagens teriam muita coisa para contar. “O corrupião corrupto, claro, está atualissimo”, afirma Veríssimo. “Dudu, o alarmista, também. E Durex, o adesista, é um personagem eterno, que atravessa a história, desde os tempos biblicos”. Pode reparar: todos eles estão por aí, o que garante plenamente a atualidade e o ótimo humor de As Cobras.
Quando o primeiro MSP 50 foi lançado, muita gente que não é da área deve ter se surpreendido em haver no Brasil 50 quadrinistas talentosos, capazes de tais releituras dos personagens criados por Maurício de Sousa. Pois e estes outros 50 que estrelam MSP+50 – Maurício de Sousa por Mais 50 Artistas (Panini, 216 páginas, em capa dura ou cartonada)? Nele, revelações dividem espaço com grandes nomes como Rafael Grampá, Allan Sieber, Roger Cruz e Mozart Couto.
O editor Sidney Gusman, da Maurício de Sousa Produções, reuniu um time que realizou um trabalho tão bom quanto o primeiro álbum. A principal diferença é que o original tinha muito forte o clima de homenagem pelos 50 anos de carreira de Maurício e este não mais. “Eu pedi que esquecessem o negócio da homenagem e aproveitassem a chance para fazer a história que quisessem”, explica Gusman, por telefone, de São Paulo.
O resultado tem como uma grande qualidade, mais uma vez, a variedade. Há HQs que imaginam a Turma da Mônica por um tom realista (a de Rogério Vilela, por exemplo, autor de Joquempô), ou como HQ franco-belga (a de Ricardo Manhães), mangás (a de Kako) e por aí vai. Há estilos tão particulares que são até difícil definir (caso do Jotalhão minimalista de André Ducci e as HQs de Rafael Coutinho e Caco Galhardo).
“Eu podia montar um álbum só com HQs de super-heróis, ou tiras, ou underground”. conta o editor. “Mas isso não passaria o que eu quero para o livro”.
Tão variados quanto os estilos foi a escolha dos personagens – como no álbum original, os convidados tiveram liberdade. “Isso me deixou absolutamente feliz: ter o maior número possível de personagens, mas não queria pautar ninguém”, diz o editor.
Assim, Mônica e seus amigos aparecem muito, e o Chico Bento também. Mas dois que seriam menos cotados voltaram a se mostrar preferidos dos quadrinistas: o Piteco e o Astronauta.
“O Astronauta é o mais próximo de ficção científica que o Maurício tem e antes as histórias dele tinham aquele caráter filosófico”, analisa Gusman. O Piteco e sua ambientação pré-histórica também se motraram atraentes a quem quis contar uma trama de aventura.
Mas há personagens curiosos no centro de algumas histórias: Rosinha (a namorada do Chico Bento), a Pipa (normalmente coadjuvante da Tina, mas protagonista numa bela HQ de Fernanda Chiella), o Jeremias, o Bugu (que Roger Cruz coloca em um reality show!) e o Nico Demo. Essa variedade acbou surgindo naturalmente, mas uma ou outra vez Gusman acabou fazendo sugestões. “Disse ao André Ducci que ele poderia escolher quem quisesse, mas que, pelo trabalho dele, se ele desenhasse a turma do Jotalhão ficaria ótimo. E, mesmo assim, ele me respondeu: ‘Não tenha dúvida que é ele’”, conta Sidney.
Muitos autores se tornaram conhecidos no mercado através do MSP 50 e, agora, do MSP+50. “Você não tem noção do tanto de autor que pegou frila por causa dos álbuns”, conta Sidney Gusman. “O Vítor Cafaggi, das Aventuras do Pequeno Parker, até está publicando em jornal”. Por isso, se antes o caráter era de homenagem, agora a idéia se sustenta sozinha. “Os álbuns se tornaram um catálogo do que há de melhor na HQ nacional”, continua. “A maioria desses autores nunca foi tão lida quanto nesses álbuns”.
O sucesso ajudou a fortalecer uma continuação. “Com o MSP 50, foi a primeira vez que uma HQ apareceu na lista das mais vendidas da Bienal (o álbum foi lançado na Bienal do Rio, em 2009)”, lembra Gusman. A estratégia de lançamento do novo álbum usou muito o twitter: os convidados foram revelados aos poucos, assim como, depois, alguns previews das páginas. E os quatro principais portais do país também receberam previews, que colocaram em suas capas no mesmo dia.
E vem aí mais um, incentivado pelo próprio Maurício de Sousa. “Ele entrou na minha sala e disse: ‘Eu sei que você não quer, mas tem que fazer o terceiro. Tem mais 50?’. Respondi: ‘Fácil’. ‘Então faz, Sidão!’”. O terceiro álbum, antes mesmo de ser anunciado, já tinha “candidatos” que se ofereciam enviado até histórias já prontas para o editor. “Já tem caras na internet me mandando Os Sousa!”, espanta-se. “Mais de 120 pessoas já pediram para entrar no livro”.
Mas ele também avisou que esse expediente não adianta porque a seleção é feita a partir dos trabalhos naturais dos autores. Atualmente, a lista já está pronta e Sidney Gusman está convidando os participantes do terceiro álbum. A relação de carinho dos quadrinistas brasileiros com a obra de Maurício de Sousa é algo que encanta Sidney Gusman e mostra como o projeto é mesmo especial. “Tem cara que pira, quando eu ligo e convido. Tem caraque grita, tem cara que chora”, revela.
Mas, embora um dos nortes do projeto seja a diversificação dos convidados por estados brasileiros, nenhum quadrinista paraibano está no MSP 50 ou no MSP+50. Sidney Gusman garante que, no terceiro álbum, a história será diferente: tem paraibano na lista. Mas ele mantém a sete chaves qualquer um dos nomes.
Catalisador dos álbuns, Maurício ainda se emociona com o projeto. “Ele me revelou uma vez: ‘O álbum me faz sentir desenhista de novo’”, confidencia Sidney Gusman. Que venha o terceiro, então.
*Versão estendida de matéria publicada no Correio da Paraíba.
Mais:
- Leia a minha entrevista com Maurício de Sousa (em quatro partes)
- Assista o Comic Show sobre Maurício de Sousa
- Minha entrevista com Sidney Gusman sobre o MSP 50
- Crítica do MSP 50
- Matéria sobre Turma da Mônica – Romeu e Julieta

Mort Walker não queria fazer o então univesitário Zero se alistar no exército (foto: © King Features Syndicate/ Ipress)
Quais são os personagens fundamentais das tiras de jornal? Você pode fazer a lista que quiser, mas o Recruta Zero tem que estar nela. O personagem completou 60 anos este mês em plena atividade e numa incrível demonstração sobre como girar sobre o mesmo tema e não perder o fôlego. O Brasil chegou a produzir suas próprias histórias do personagem, na época em que ele tinha uma revista mensal pela RGE (depois Globo) – isso foi nos anos 1970 e 1980. Hoje, ele continua sendo encontrado nos jornais (seu lar de origem), e sempre desenhado por seu criador, Mort Walker. Conversei com ele por e-mail para uma entrevista que foi publicada hoje, no Correio da Paraíba – aqui você lê a versão estendida. Mr. Walker mostrou que um ícone pode ser também gentil, simpático e atencioso.
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O exército americano é uma grande piada – ao menos nas tiras do Recruta Zero, um dos mais populares personagens dos quadrinhos, que completa 60 anos este mês. Criação do cartunista Mort Walker, hoje com 86 anos, o soldado folgado e preguiçoso é publicado atualmente em 1.800 jornais ao redor do mundo. E Walker, um dos principais nomes da história das HQs conversou por e-mail com o CORREIO sobre o aniversário.
Mas poderia ter sido bem diferente. Zero (Beetle Bailey, no original) estreou em 4 de setembro de 1950 não como um recruta, mas estrelando uma tira ambientada em uma universidade. Como tal, era claudicante: quando uma tira precisava ser publicada em pelo menos cem jornais para ser um sucesso, Zero chegava a 40 com esforço. Sob o risco de ser cancelada, a Guerra da Coreia acabou sendo motivo para Mort Walker fazer o malandro estudante se alistar.
“O editor de um grande jornal escreveu para o syndicate (que distribui as tiras nos EUA) e disse que Zero deveria se alistar, como todos os jovens da idade dele na América”, conta o quadrinista. “Eu não queria, mas eles insistiram. Foi imediatamente um sucesso e eu comecei a ganhar mais jornais”.
Os militares, evidentemente, torceram o nariz. “No começo, o exército não gostou de me ver fazendo graça deles e não deixou Zero ser publicado nos jornais militares”, lembra Walker. “Então, os leitores deles reclamaram e eles começaram a usar minha tira. E ela se provou tão popular que eles, afinal, me deram um prêmio e houve uma grande parada em minha homenagem no gramado da Casa Branca”.
Começou a surgir uma galeria de outros tipos impagáveis: Zero ganhou a companhia do tão violento quanto infantil Sargento Tainha, do tão molenga quanto vaidoso General Dureza, do inocente Dentinho e outros. “Todos os meus personagens são baseados em pessoas que conheci, com diferentes personalidades”, diz. “Isto mantém os personagens consistentes. Alguns são mais engraçados que outros. Eu gosto do Zero, do sargento e do general. A Dona Tetê (a secretária bonita do general) não é engraçada, mas eu a adoro”.
A tira se mantém em alta com a mesma filosofia e poucas mudanças. “Não acho que ela mudou muito. Tento mantê-la em dia com as mudanças, mas evito comentar assuntos políticos ou a guerra. Zero permanece em treinamento básico, o treinamento simples que cada soldado tem que fazer”, conta Mort Walker, que hoje escreve junto com três colaboradores e faz o lápis de todas as tiras – um de seus filhos, Greg, faz a artefinal.
“Nós passamos nossas ideias para o papel e uma vez por mês nos encontramos para selecionar as melhores”, diz Mort Walker sobre o sistema de criação das tiras do Recruta Zero. “Juntos, temos 120 esboços e usamos cerca de 30 – temos milhares em estoque. É difícil dizer quantas das ideias que uso são minhas, mas gosto de usar meu próprio trabalho, então diria que cerca de metade das que uso são minhas”.
Walker criou outras tiras. A principal foi Zezé & Cia. (Hi and Lois, no original), um derivado com a família de Zero que ganhou vida própria. “Vários quadrinhos americanos fizeram sucesso durante a II Guerra, mas morreram depois. Minhas guerras (Coreia e Vietnã) continuavam e fiquei preocupado se a tira sobreviveria quando acabassem. Foi por isso que criei Zezé & Cia.”.
Hoje, porém, ele não tem mais relação com a tira. “Eu costumava escrever, mas passei para dois dos meus filhos, Greg e Brian, e o filho de Dik Browne (criador de Hagar, o Horrível), Chance”. Dik é quem desenhava a tira, escrita por Walker.
Um de seus principais trabalhos é a criação do National Cartoon Museum, em 1974, cujo acervo está atualmente na Ohio State University. “Nós fundimos nossa coleção de 200 mil desenhos com a coleção da universidade”, conta. “Eles têm US$ 20 milhões para preparar um belo novo museu para nós, que será aberto no ano que vem”. Ele sempre foi um defensor da valorização da profissão e acha que os quadrinistas são mais respeitados hoje em dia, mas em termos.
“Eu acho que os cartunistas conseguirtam mais respeito hoje porque o museu pensou bastante neles, em salvá-los, estruturá-los, exibi-los e construir um imenso museu para convidar fãs para vê-los. Eles não têm qualquer respeito quando syndicates os jogam fora como se não tivessem valor”, afirma. “Eu usei (o museu) para anunciar que eles eram ‘a arte mais popular do mundo’. Isso faz sentido porque talvez um milhão de pessoas vejam a Mona Lisa por ano ou outras obras-primas, mas uma tira como Zero atinge 200 milhões de pessoa todo dia“.
Nos anos 1960, Batman, Super-Homem e outros heróis dos gibis tinham um concorrente e tanto em Campina Grande: o Flama. Criação de Deodato Borges, ele vivia suas aventuras primeiro em um seriado radiofônico, e depois nas histórias em quadrinhos escritas e desenhadas pelo próprio criador. O filho de Deodato, rebatizado como Mike Deodato, hoje é ilustrador exclusivo da Marvel Comics, nos Estados Unidos (mesmo produzindo o trabalho desde sua casa, no Bessa, em João Pessoa). Agora, o filho retoma a obra do pai: com roteiro do jornalista Rodrigo Salem, ele começa a preparar uma nova versão do personagem.
Tudo começou quando Mike Deodato enviou para Salem, de qem é amigo há muitos anos, um episódio do programa de rádio do Flama para publicar no blog de Salem, Shuffle. Salem, atualmente editor de cinema e internacional da revista Contigo! e ex-editor da Set, entrou com a ideia de um reboot do personagem. “Não imaginava que Deodato fosse topar, porque sei que a agenda dele é insana no trabalho para a Marvel, mas ele respondeu: ‘Pelo Flama, trabalho até de madrugada’. Foi quando vi que o projeto poderia vingar”, conta, por e-mail, de São Paulo.
Ele já conhecia o personagem. “Era mais uma lembrança de quando estudava jornalismo em João Pessoa e frequentava a Gibiteca do Espaço Cultural”, lembra. “Tive a ideia de incorporar elementos políticos dos anos 1960 ao texto e vi a importância da obra de Deodato Borges na criação de um personagem universal no interior do Nordeste, há 50 anos”.
“O Rodrigo é meu amigo há muitos anos, mas me surpreendeu com o roteiro”, diz Mike Deodato, que atualmente desenha a série Vingadores Sombrios. “É o primeiro cara que vejo no Brasil capaz de escrever como um Mark Millar”. A trama vai situar o Flama no contexto da história do Brasil, em plena ditadura mlitar. Mas vai começar com o herói já velho e passando o bastão para o filho, nos tempos atuais. “A história é crua, com elementos políticos e com muita ação. tem toques de Miracleman, de Alan Moore, O Cavaleiro das Trevas, Tropa de Elite…”, completa Salem, que ainda tenta responder a uma pergunta: se o Flama tivesse existido mesmo, por que ninguém lembraria dele?
Os planos são de seis números, de 22 páginas cada, com um arco completo de histórias, mas outras histórias podem vir a público. Como Mike Deodato está se dedicando ao projeto nas (poucas) horas vagas, não há pressa – a previsão é de o trabalho levar um ano ou dois.
Deodato Borges acompanha tudo de perto. Deu liberdade para a remaginação de seu personagem e é consultado pela dupla sobre as mudanças. “Eu acho que isso devia acontecer com todos os antigos heróis”, diz. “E não ficar como muitos personagens do passado que caíram no esquecimento”.
O Flama foi criado primeiro para o rádio, em Campina. “Precisávamos de um seriado de aventura para concorrer no horário das 13 horas com Jerônimo, o Herói do Sertão, que era transmitido pela Rádio Jornal do Comércio. O seriado surgiu em 1961. Em 1963, como Jerônimo já tinha o seu gibi, Deodato também produziu o do Flama. “Os quatro mil exemplares do primeiro número nem chegaram às bancas”, lembra ele. “Quando anunciei no rádio, a garotada foi toda para a escadaria da rádio. Se não tivesse guardado dois ou três exemplares…”.
* Publicado no Jornal da Paraíba, em 27/8/2010.
Dilemas de gente grande
Charles Monroe Schulz desenhou a tira Peanuts por 49 anos, de outubro de 1950 a dezembro de 1999, quando se aposentou, dois meses antes de morrer. Nesse período, escreveu e desenhou sozinho as 17.897 tiras que compõem uma das maiores obras artísticas do século 20. Schulz criou Charlie Brown, Snoopy, Lucy, Linus, Schroeder, Patty Pimentinha e vários outros personagens que representavam, como crianças, sentimentos bem adultos como paixões não correspondidas, frustração e medo da rejeição. E o início de tudo está nos dois primeiros volumes da coleção Peanuts Completo (L&PM, 358 páginas cada).
O luxuoso primeiro álbum, ponto de partida da ambiciosa série, segue da primeira tira até 31 de dezembro de 1952, com os primeiros passos do personagens de Schulz. Logo na primeira tira, um menino fala do “bom e velho Charlie Brown” para no final disparar: “Como eu o odeio”. Ela já dá o tom do que vem a seguir: a vida não é nada fácil para Charlie, que se sente extremamente só em um mundo hostil, numa representação de um sentimento que todos já vivenciamos.
Mas o tom de Peanuts ainda estava em formação e mesmo quem conhece a obra de Charles M. Schulz, pode estranhar, a princípio, as tiras: as piadas giravam bastante em torno do universo infantil, embora a crueldade das crianças já estivesse bem presente. E todos os personagens eram mais jovens que suas versões mais conhecidas – alguns, como o precoce pianista Schroeder e Linus, irmão de Lucy e melhor amigo de Charlie, aparecem ainda como bebês.
Mesmo Lucy só aparece em março de 1952 – e ainda sem o caráter mandão que seria sua marca. No começo, Charlie divide a cena com as meninas Patty (que não é a Pimentinha) e Violet, que acabaram virando coadjuvantes, e o garoto Shermy, que depois sumiu. Snoopy está lá, desde a terceira tira, e embora já demonstre personalidade, só bem mais tarde – ainda não neste álbum – é que passaria a roubar a cena, dormindo em cima da casinha, dando asas à imaginação para ser o ás da Primeira Guerra e mostrando toda a autoconfiança que falta a seu dono, Charlie.
É visível o avanço de temas, de traço e de estilo que Schulz viria a ter nos anos seguintes. Nesse começo, ele estava tateando as possibilidades de seus personagens recém-criados. Com o tempo a tira apresentaria também mais e mais das dúvidas e estado de espírito que o próprio Schulz trazia consigo. Ele se acreditava um rejeitado desde a adolescência e o sucesso de seus quadrinhos não mudou muito essa idéia. Peanuts passou a ser um registro precioso de uma grande fase de mudanças na vida americana: os anos 1950 e 1960. A coroação veio com a capa da Time, em 1965, com o título “O mundo segundo Peanuts”. Era a tradução de nós mesmos. Depois disso, a tira só aumentou sua imortalidade.
The Complete Peanuts, versão original de Peanuts Completo, já chegou, em abril, à 13ª edição (referente aos anos 1975-1976) pela Fantagraphics. Ou seja: iniciada em 2004, a coleção tem, ainda, 12 volumes a serem publicados, somando 25 – a previsão é que ela só acabe em 2016. É uma série de fôlego, por si só, mas com um tratamento que a valoriza e está sendo mantido no Brasil pela L&PM.
Peanuts Completo tem capa dura e abre com um prefácio do escritor Garrison Keillor, um excelente posfácio do jornalista David Michaelis, da revista Time, e uma preciosa entrevista de Schulz a Rick Marschall, muito reveladora. Ele fala de seu passado, da certa melancolia que permeia seus quadrinhos e de como sempre detestou o nome Peanuts, título dado pela distribuidora, a United Features Syndicate. A edição inclui até um índice remissivo onde se pode localizar com facilidade personagens, temas, personalidades citadas, situações recorrentes.
A L&PM já publicava as tiras de Peanuts dentro de sua habitual coleção de livros em formato pocket – onde também saem coleções de tiras de outros personagens como Hagar, o Horrível e Garfield, de autores nacionais como Laerte e Angeli, e também da Turma da Mônica.
O segundo volume de Peanuts Completo está nas livrarias desde março e compila tiras de 1953 e 1954. Os desenhos se aproximam das versões mais famosas, Charlie começa a bater recordes de derrotas seguidas no beisebol, Lucy começa sua saga de tirania e aparecem os primeiros balões de pensamento do Snoopy. As tiras também fazem comentários sobre assuntos do momento como a bomba H. E é só o começo. Testemunhar essa fundamentação de uma obra é um presente para os leitores: certamente, será um prazer para quem gosta de HQs – ou mesmo para quem só conhece os personagens pelos desenhos animados.
* Matéria publicada no Jornal da Paraíba.
Um filme que voa alto
Em determinado momento de Superman – O Filme (Superman – The Movie/ Superman, Estados Unidos, 1978), o super-herói evita uma série de crimes e desastres em sua primeira noite de ação em Metrópolis. De repente, ouve mais um problema e dedica a ele igual atenção: uma menininha chama seu gatinho, que está preso numa árvore. Desce, pega o bichano, entrega para a garotinha e volta à ronda. ´
A cena, hoje, é uma piada até corriqueira – está em Os Incríveis (2004), por exemplo – e a cena nem deve ter sido novidade na época. De fato, o filme de Richard Donner parece usá-la já como uma referência da personalidade do Super-Homem: um boa praça sem igual. Mais do que uma piada, é uma piscadela do filme para o público dividindo um comentário simpático a respeito do personagem.
Superman – O Filme é uma adaptação única de uma história em quadrinhos para o cinema e provavelmente não terá outra igual justamente por essa combinação dificílima de inocência e uma certa malícia. O filme é de um período em que o cinema americano havia redescoberto o escapismo, mas também mergulhava no realismo e lado negro do ser humano. Há muito pouco de sombrio em Superman, mas o filme não é bobo: olha para o seu herói achando um tanto engraçado tanto bom-mocismo, mas acredita piamente nele.
Assim, Christopher Reeve esbanja sinceridade ao dizer para Lois Lane (Margot Kidder), depois de salvá-la da queda do alto de um edifício, não ter medo de voar porque “estatisticamente é o meio mais seguro de viajar”. E quando diz a ela que está aqui para defender “a verdade, a justiça e o modo de vida americano”, o filme prontamente a coloca dando uma risadinha e dizendo que ele “terá que enfrentar várias autoridades”.
A cena da entrevista, então, é um primor de duplo sentido, onde cada peça do diálogo é brilhante. Sem dizer nada explícito, a tensão sexual é enorme – para perguntar sobre a visão de raios-x, ela pergunta qual a cor da calcinha que está vestindo! E ele olha! Dali, a cena parte para o romântico vôo do casal por Nova York, que faz as vezes de Metrópolis, cidade fictícia onde a história se passa.
É difícil pensar que um filme atual possa investir nesse equilíbrio inocência-malícia (nem Superman – O Retorno, de 2006, conseguiu) ou dedicar tanta atenção ao envolvimento amoroso dos personagens. A coisa está mais para o tom sombrio de Batman, o Cavaleiro das Trevas (2008) ou o tom bem-humorado (mas não inocente) de Homem-Aranha (2002) e suas continuações.
Superman - O Filme também foi o primeiro filme de grande orçamento baseado em uma história em quadrinhos. Antes, nos anos 1930, as HQs eram freqüentes no cinema, mas não como longas-metragens e sim como seriados com episódios semanais e pouquíssimos recursos. Pouco mudou nas décadas seguintes, quando Super-Homem e Batman chegaram à tela grande na esteira de seus seriados na TV.
Para o filme de 1978, Alexander e Ilya Salkind queriam uma produção respeitável. Por isso, garantiram os grandes atores Marlon Brando para o papel de Jor-El, o pai kryptoniano do herói, e Gene Hackman, como Lex Luthor, o principal vilão, além de Mario Puzo – autor de O Poderoso Chefão – para o roteiro (também assinado por David Newman, Leslie Newman e Robert Benton, e que também teve a colaboração de Tom Mankiewicz, que assina como “consultor criativo”).
Mesmo assim, só quando Richard Donner assumiu a direção é que o tom realista foi definido. O diretor – que havia lançado o sucesso A Profecia dois anos antes – não queria fazer uma paródia, mas que o público “acreditasse” no que veria na tela. “Você vai acreditar que um homem pode voar”, dizia o cartaz. E isso foi proporcionado não só pelos efeitos especiais, mas por todo o conceito do filme.
Por isso, é muito melhor que Nova York faça as vezes de Metrópolis do que se tivesse sido construída uma cidade em estúdio. E que o humor tenha sido bem dosado – não por acaso, quando Donner foi demitido do segundo filme e Richard Lester entrou em seu lugar, o tom de comédia subiu muito até dominar a cena no terceiro filme.
Por outro lado, a produção desenvolveu novos efeitos especiais (assinados por John Barry) e combinou outros já existentes para que o Super-Homem fosse convicente como nenhum super-herói antes dele em um filme ou série com atores: maquetes, cabos, projeções de fundo, pinturas…
Donner sabia que tinha um tesouro nas mãos, tanto que faz o público esperar até não agüentar mais para ver o herói entrar em cena: as cenas em Krypton, Smallville e até Luthor é introduzido na trama antes da breve cena que começa com Christopher Reeve no fundo da Fortaleza da Solidão e levantando vôo até vir em direção à tela e passar em frente a nós, espectadores – aos 48 minutos de projeção! O filme faz a platéia esperar quase uma hora pelo primeiro e rápido vôo do homem de aço e 1h07 pela primeira vez que ele entra em ação. Com tanta expectativa, imagine aquilo para quem nunca viu nada igual, em 1978!
Por limitação ou estilo escolhido, a solução para o vôo foi a melhor possível: na maior parte das vezes, o espectador voa com o Super-Homem em vez de simplesmente vê-lo passar voando. É a câmera que “voa”, mas a atuação de Christopher Reeve é extremamente convicente, fazendo valer cada acorde do espetacular tema composto por John Williams.
Não só Reeve está no tom ideal, mas todos os outros atores também. Gene Hackman faz um Lex Luthor bem diferente dos quadrinhos, mas constrói um fanfarrão inesquecível, cheio de frases antológicas. Margot Kidder é uma Lois Lane perfeita desde os testes – o que dá para ver nos extras, em comparação com suas concorrentes. Brando dá o tom épico esperado a Jor-El e Terence Stamp, em breve aparição, mostra todo o perigo de seu personagem, o General Zod, já predestinado a voltar com tudo no segundo filme (que começou a ser filmado ao mesmo tempo).
Além destes, há uma penca de grandes atores em papéis coadjuvante e aparições pequenas, transferindo sua respeitabilidade para o filme. Glenn Ford (de Gilda) faz Jonathan Kent, pai terrestre do herói. Jackie Cooper, astro mirim nos anos 1930 e veterano da televisão, é um ótimo Perry White, editor do Planeta Diário. Valerie Perrine e Susannah York eram duas das maiores beldades do pedaço: a primeira havia estrelado Lenny (1974), senod indicada ao Oscar, e fazia as vezes da inesquecível Senhorita Teschmacher; a segunda era uma estrela inglesa na ativa desde os anos 1960, em filmes como As Aventuras de Tom Jones (1963), e foi a mãe kryptoniana do Super-Homem. No conselho de Krypton, ainda tínhamos o inglês Trevor Howard, astro de Desencanto (1946) e a austríaca Maria Schell (de A Árvore dos Enforcados, 1959, e O Dossiê Odessa, 1974).
Há uma série de cenas icônicas que fazem de Superman – O Filme um referencial do homem de aço até mesmo para os quadrinhos atuais (que têm aproximado os elementos do universo do herói aos do filme): a destruição de Krypton e o envio do bebê Kal-El para a Terra; o bebê erguendo o carro do casal Kent, no Kansas; o jovem Clark (então intepretado por Jeff East) correndo mais rápido que um trem; a primeira aparição do herói em Metrópolis, depois de olhar desconfiado para o orelhão (sem cabine) e preferir se trocar em alta velocidade em uma porta giratória; o Super-Homem servindo de trilho para salvar um trem em alta velocidade; a perseguição ao míssil.
Ou seja: um marco. Não é qualquer filme que deixa de herança tantas imagens fundamentais.
Superman – O Filme. (Superman – The Movie/ Superman, Estados Unidos, 1978). Direçao: Richard Donner. Elenco: Christopher Reeve, Gene Hackman, Margot Kidder, Jackie Cooper, Marlon Brando, Glenn Ford, Ned Beatty, Valerie Perrine, Susannah York, Trevor Howard, Maria Schell, Terence Stamp, Sarah Douglas, Phillys Taxter.
Um cachorrinho gente boa
Dentro do universo de Maurício de Sousa, o Bidu ocupa um lugar especial. Não só por ser o primeiro personagem criado pelo autor, início e símbolo de uma trajetória única e vitoriosa na HQ nacional, mas também por ser o único entre eles que assume vários papeis. E todos eles estão bem representados em Bidu 50 Anos (Panini Books, 162 páginas), uma das edições que comemoram o cinquentenário de carreira de Maurício.
Bidu pode ser apenas o cãozinho de estimação do Franjinha, e foi assim que começou, em 1959, nas tiras de jornal. Com o tempo, ganhou personalidade para interagir com outros animais da vizinhança. Depois, surpreendentemente passou a fazer trocadilhos com objetos inanimados – dos quais a mais famosa é a Dona Pedra. Astro que é de suas próprias HQs, passou a ser importunado pelo bicão Bugu e a se comportar até com certo estrelismo frente ao pobre contrarregra Manfredo. Como “ator”, até grandes épicos em suas historinhas ele interpretou.
A versatilidade do cachorrinho azul é tanta que a edição quase não consegue dar conta, mas dá. Começando por preciosas histórias que saíram na antiga revista Bidu, que Maurício publicou pela Editora Continental em 1961. A primeira edição dessa revista é republicada em um fac-símile que acompanha Bidu 50 Anos – sem dúvida, um marco histórico dos quadrinhos nacionais, que antes estava absolutamente fora do alcance do leitor comum.
Dessas primeiras histórias em preto e branco, o livro avança até… o preto e branco. Se começa com o Bidu “primitivo”, a edição termina com uma história inédita na estética “semimangá” da Turma da Mônica Jovem. No meio, o azul do Bidu predomina em tramas onde o bom humor dá o tom, sempre.
Várias delas são clássicas, como “A volta do velho Rinti”, já dos anos 1980. Já “‘Olha eu’ aqui, gente!” mostra a primeira aparição do Bugu – ainda andando em quatro patas e – incrível! – sem ser chutado no final. “O valentão”, dos anos 1970, cria até uma “origem” para o Bidu, e dramática: um originário de família rica, desprezado pelos irmãos.
Em capa dura e edição impecável, Bidu 50 Anos é uma homenagem justíssima a um personagem que está no rol dos grandes cachorros dos quadrinhos. Gente muito boa.
Primeiro, você já foi à página de comemoração dos dez anos do Universo HQ? O site mais importante do Brasil sobre quadrinhos fez aniversário este mês e merece todos os parabéns. Eu mandei os meus, mas tem muita gente boa por lá, como o Maurício, o Vítor Cafaggi e até o Audaci Junior.
Acontece, também, que a ótima crítica do Eduardo Nasi, no site, sobre Turma da Mônica – Romeu e Julieta cita a minha matéria publicada no dia 1º, no Jornal da Paraíba. Era sobre o lançamento do álbum e citava o fato de que 12 páginas foram cortadas na edição em duas partes publicada em 1979. Fato que – surpresa! – nem o Maurício de Sousa sabia.
Bem, fiquei devendo a publicação da matéria aqui. Então aí vai. O maior clássico da Turma da Mônica (na minha opinião).
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Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta é uma das mais clássicas histórias da turma criada por Maurício de Sousa – e foi republicada algumas vezes desde seu lançamento, há 30 anos. A mais recente faz parte das comemorações pelos 50 anos de carreira do quadrinhista e recebeu finalmente um tratamento de luxo: tamanho grande, capa dura, novas cores e papel couché. Rebatizada de Turma da Mônica – Romeu e Julieta (Panini Books, 68 páginas), ela também surpreende quem só conhece a versão original: a história possui 12 páginas a mais.
A história surgiu como uma peça homônima, em 1978, encenada com atores fantasiados, e que, além de ficar dois anos em cartaz em São Paulo, ainda rendeu um LP e um especial para a TV gravado na cidade histórica mineira de Ouro Preto. No texto de Maurício de Sousa e Yara Maura Silva (que também escreveu as canções com Márcio de Sousa), os personagens de Shakespeare viravam Julieta Monicapuleto, Romeu Montéquio Cebolinha, Frei Lourenço Cascão e a Ama Gali.
Ainda em 1979, surgiu a versão em quadrinhos – que inclui até as músicas do espetáculo – com desenhos de Emy Acosta e artefinal de Alice Takeda. A primeira parte foi publicada na revista Cebolinha 82, de outubro, e a segunda em Mônica 115, em novembro. Comparando com a versão atual, a reportagem do JORNAL DA PARAÍBA teve a surpresa: 12 páginas a menos na edição original. Teriam sido cortadas na época ou criadas e adicionadas depois?
A Maurício de Sousa Produções foi procurada e a reação foi de total surpresa. “O Maurício ficou surpreso. Ele nunca soube do corte de páginas na primeira publicação de Romeu e Julieta. A história foi produzida como saiu neste último álbum, inteira”, contou, por e-mail, o jornalista Sidney Gusman, da área de planejamento editorial da MSP. “Caí duro”, confirmou Maurício, pelo Twitter. “Nunca soube da ‘reedição’!!”.
A Editora Abril, que publicou as revistas da MSP de 1970 a 1987, cortou as páginas. “Hoje provocaria ruptura de contrato”, afirmou Maurício de Sousa. “Mas leve em consideração que alguém do estúdio pode ter autorizado na época. Faz tanto tempo…”. No mesmo ano, uma edição especial contou com as duas partes da história, desta vez, integralmente.
Mas no Almanaque da Mônica 31, de 1986, ela voltou a aparecer cortada e com o texto reacomodado. Na Editora Globo, ela voltou integral na Coleção Um Tema Só, em 1993, no Gibizão da Turma da Mônica, em 1997, e no Clássicos da Literatura Turma da Mônica, em 2005. Esta é a primeira publicação pela Panini. “Analisando o que foi cortado, percebo que foram as páginas com as letras das músicas”, contou Maurício de Sousa. “O editor da época achou que estava sobrando. No gibi não há som, daí…”.
A importância da história de Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta é grande para o estúdio. Sua narrativa é marcada pelos enquadramentos que fogem do habitual, desenhos muito expressivos e por ser uma inusitada HQ musical. Agora, há planos para transformá-la no próximo longa de animação da Turma da Mônica. Shakespeare nunca imaginou onde sua tragédia chegaria.
Mais:
- Entrevista com Sidney Gusman, editor do Universo HQ e do álbum MSP 50.
- Crítica do MSP 50
- Assista o Comic Show sobre Maurício de Sousa
- Confira previews do MSP 50
- Leia a minha entrevista com Maurício de Sousa (em quatro partes)
Conversei com o Sidney Gusman por telefone na semana passada para essa matéria que foi pubolicada domingo no Jornal da Paraíba. Aqui, ele fala sobre como foi criado o álbum MSP 50 e outras edições comemorativas do cinqüentenário do Maurício de Sousa.
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Quando começou a pensar em qual seria o principal produto que comemoraria os 50 anos de carreira de Maurício de Sousa, o jornalista Sidney Gusman, da área de planejamento editorial da Maurício de Sousa Produções, tinha uma ideia em mente. “A edições comemorativas que foram feitas antes eram legais, mas eu queria que o mercado prestasse essa homenagem”, disse, por telefone, de São Paulo. Inspirado pelos álbuns Mônica 30 Anos (1993), onde artistas internacionais fizeram desenhos da personagem, e Asterix e Seus Amigos (2008), em que o gaulês foi homenageado por histórias de vários autores, ele chegou ao MSP 50 – Maurício de Sousa por 50 Artistas (Panini Books, 192 páginas).
O álbum reúne o trabalho de 50 quadrinhistas brasileiros convidados a recriar, cada um a seu modo, o universo de Maurício de Sousa. “Na verdade, a ideia nem é muito nova, mas era nova para o universo do Maurício”, contou. “Cheguei pro Maurício e apresentei a idéia. Aí, comecei a fazer a seleção dos escolhidos. Quando comecei convidar, os caras piraram”.
Gusman procurou diversificar ao máximo: foram selecionados autores de 13 estados diferentes e de estilos também distintos. “Poderia pegar 50 caras só de super-heróis, mas queria um cara do humor, um cara do underground…”, apontou. “A maioria se sentiu absolutamente honrada. Teve gente que disse: ‘Pô, e você ainda quer me pagar?’”.
Maurício não interferiu nas histórias, mas acompanhou a empolgação de Gusman a cada colaboração recebida. “Você não sabe a alegria do Maurício quando encontra um autor”, revelou. “Ele me pediu um exemplar com autógrafos dos 50 para guardar”.
Como editor do álbum, Sidney Gusman acha que o MSP 50 serve também para desmistificar a imagem de Maurício como alguém distante do mercado. “E também para mostrar para quem só lê o Maurício, que é a grande maioria de leitores de quadrinhos do país, o quanto tem de gente boa fazendo quadrinhos nesse país”, afirmou.
Três autores acabaram recusando a participação por falta de prazo, mas terão uma segunda chance: um segundo volume já está confirmado, e com lançamento marcado para a Bienal de São Paulo, em agosto do ano que vem. Até lá, ainda virão alguns lançamentos especiais que comemoram os 50 anos, como uma série de tiras pela L&PM. Outros ainda estão sendo tramados em segredo, mas as livrarias já contam com mais edições especiais: caso de Bidu 50 Anos e Turma da Mônica – Romeu & Julieta.
As duas em capa dura, assim como o MSP 50 (que também é encontrado em capa cartonada, mais barata), um marco para o estúdio. “Ele abriu essa possibilidade: mostrar que a Turma da Mônica pode ser usada de muitas outras formas”, disse Gusman.
Mais:
- Crítica do MSP 50
- Assista o Comic Show sobre Maurício de Sousa
- Confira previews do MSP 50
- Leia a minha entrevista com Maurício de Sousa (em quatro partes)
A genialidade na variedade
Como qualquer coletânea formada por autores diferentes, MSP 50 – Maurício de Sousa por 50 Artistas (Panini Books, 192 páginas) tem histórias melhores que outras. Mas a genialidade do álbum está até nisso: a diferença entre elas, a grande variedade de visões e estilos somados em torno da obra de Maurício de Sousa. E se algumas são melhores que outras é porque todas são muito boas, mas algumas são belíssimas e, entre elas, há obras-primas.
Com muita liberdade para criar, vários artistas optaram pela piscadela de um “parabéns, Maurício” em suas páginas. Outros, aproveitaram até para divulgar seus próprios personagens. Mas alguns criaram histórias com vida própria e desde já antológicas. Laerte, por exemplo, abre o álbum com um delicado retorno aos primeiros personagens de Maurício: Bidu e Franjinha. Ivan Reis, atual desenhista do Lanterna Verde, usa seu estilo de super-herói para dar traços realistas aos personagens. Otoniel Oliveira coloca um Franjinha adulto reencontrando uma Marina que virou artista plástica – lembrando também a filha de Maurício que desenha e também é personagem. Orlandeli fala do desaparecimento do Capitão Feio e Vítor Cafaggi vai ao extremo do romantismo com o Chico Bento.
Compreensivelmente, há recorrências. Algumas histórias imaginam os personagens adultos entre recordações da infância. E, Astronauta, Chico Bento, Piteco e o Louco foram personagens muito visitados – além, claro, da Turma da Mônica propriamente dita. Mas mesmo as coincidências são tratadas de maneira muito diferente, como o Louco de Jean Galvão e o de Fábio Lyra (que contracena com a Tina). Alguns autores, como Fido Nesti e a dupla Fábio Moon & Gabriel Bá foram buscar na memória lembraças de produtos associados aos personagens: uma boneca, um lençol.
Há caricaturas, cartuns, quadrinhos caricatos, de humor escancarado ou de tom filosófico. Há dos traços únicos de Samuel Casal para o Penadinho e de Rafael Sica para o Cebolinha até o estilo mangá de Erika Awano para – vejam só – o caipirinha Chico Bento. Há até quem tenha se aproximado do estilo mauriciano, como Spacca, com o Horácio. Há de quase tudo, com muito bom gosto e muito carinho pelos personagens. Uma edição impecável, que homenageia não só Maurício de Sousa, mas também o talento dos quadrinhistas brasileiros.
Mais:
- Assista o Comic Show sobre Maurício de Sousa
- Confira previews do MSP 50
- Leia a minha entrevista com Maurício de Sousa (em quatro partes)
Este post é para alguns amigos que pediram e estão acostumados com esse tipo de ajuda. Não fique constrangido: você pode pular para o próximo ou encará-lo como dicas pra você mesmo, se quiser.
Meu aniversário está aí e compreendo meus amigos que costumam quebrar a cachola para me dar um presentinho. Com meus mais de 600 DVDs na estante, é difícil saber o que eu tenho e o que não tenho. Eu costumava ter uma lista num site que minha linda amiga Vívian montou certa vez (agora, desativado). Assim, vou dar umas dicas para ajudar os interessados.
Por exemplo, tem uns livros do Ruy Castro que eu ainda não tenho. Como o mais recente, O Leitor Apaixonado. Mas também posso aceitar o Era no Tempo do Rei ou o Rio Bossa Nova – Um Roteiro Lítero Musical. Ou ainda, alguma coisa editada e traduzida por ele, como O Livro dos Insultos, com textos de H.L. Mencken.
Há DVDs, sim, que eu quero ter e ainda não consegui. Por exemplo, o Persépolis duplo, os qualquer uma das três temporadas da série clássica de Jornada nas Estrelas, ou até Alf, o E.Teimoso. Ainda nas série, poderia ser qualquer uma das quatro temporadas de A Gata e o Rato.
E não acharia mal ganhar a edição dupla de Homem de Ferro, por exemplo. Ou o quarto volume da série animada do Batman (atenção, hein? Eu já tenho as três primeiras).
Há diversos clássicos que estão na minha mira. Ser ou Não Ser, A Caixa de Pandora (e se alguém se aventurar em me dar a edição importada da Criterion Collection, também não reclamo, hehehe).
Vale até ficar na promessa de mimos que estão saindo aí neste fim de ano. Por exemplo, as extraordinárias edições comemorativas de 70 anos de …E o Vento Levou e O Mágico de Oz, que só saem em dezembro. A Warner prometeu muita coisa para este fim de ano: a reedição em widescreen dos DVDs da série Harry Potter, o genial Intriga Internacional de Hitchcock em edição dupla e extras (espero) legendados, e o primeiro volume da coleção dos desenhos de Charlie Brown e Snoopy restaurados e em ordem cronológica
E por falar em Peanuts, a L&PM está lançando este mês o primeiro volume do sensacional Peanuts Completo. Vou fazer a coleção, é óbvio. Mas há muita coisa de quadrinhos aí que são uma tentação. Retalhos, o Gênesis de Crumb (o Vladimir Carvalho me ligou de Brasília para dizer que comprou e achou sensacional) e até o Turma da Mônica – Romeu & Julieta (o MSP 50 e o Bidu 50 Anos, naturalmente, já tenho). Ou o Verão Índio, no Manara e do Hugo Pratt.
Falando em Pratt, também fico feliz com qualquer edição de Corto Maltese ou Tintim, já que não tenho nenhuma. Mas as primeiras são, respectivamente, A Balada do Mar Salgado e Tintim no País dos Sovietes – só para lembrar.
Na linha dos super-heróis também tem muita coisa legal. Tem a Biblioteca DC Mulher Maravilha ou Os Novos Titãs, mas mesmo um da serie Grandes Clássicos DC, como Lanterna Verde e Arqueiro Verde, eu gostaria de ganhar. Só não vale Batman – Ano Um, que eu já tenho. Ou as séries Crônicas, DC 70 Anos e Superman 70 Anos, que também já tenho.
De Asterix, então, a lista é grande, porque eu tenho uns 15, mas falta mais da metade da coleção. Pode ser qualquer um desses: A Cizânia, Asterix entre os Helvéticos, O Domínio dos Deuses, Os Louros de César, O Adivinho, O Presente de César, A Grande Travessia, Asterix entre os Belgas, O Grande Fosso, A Odisséia de Asterix, O Filho de Asterix, As 1001 Horas de Asterix, A Rosa e o Gládio ou A Galera de Obelix. Ou até o novo O Aniversário de Asterix e Obelix – O Livro de Ouro, que está saindo este mês.
CD? Qualquer um da nova edição dos Beatles serve.
Depois de um longo e tenebroso inverno (mesmo), o Comic Show original está de volta. E não poderia voltar melhor e em melhor hora. Logo após o fim de semana em que Maurício de Sousa lançou uma pá de lançamentos na Bienal do Rio em comemoração aos seus 50 anos de carreira, o programa é exatamente sobre o principal quadrinhista do Brasil, com tudo o que você gostaria de saber sobre Maurício de Sousa e que cabe em 20 minutos! (Se o vídeo estiver maior que a janela, é simples: clique com o botão direito do mouse e escolha a opção “mostrar tudo”).
Este é o fim de semana do lançamento do MSP 50 – Maurício de Sousa por 50 Artistas na Bienal do Rio. E a coisa bombou de vez. O G1, por exemplo, publicou uma série de previews do álbum (alguns deles, reproduzidos acima). Lembrando: são 192 páginas, em duas opções (capa dura e capa cartonada).
MSP está cheia de novidades na Bienal: Bidu 50 Anos comemora o cinqüentenário do cãozinho que foi o primeiro personagem do Maurício. Além das histórias, há um fac-símile da primeira revista do Bidu, lá de 1960. Também será apresentado Turma da Mônica – Romeu e Julieta, edição em capa dura da clássica história “Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta”, publicada pela primeira vez em 1978, em duas partes, virou peça de teatro, especial de TV, foi republicada diversas vezes através dos anos e se prepara para virar um longa de animação.
São lançamentos de seis editoras e Maurício estará nos estandes de todas elas, em sessões de autógrafos. Veja aí os horários. Daqui de João Pessoa, não posso ir. Mas, se você for, manda um olá para ele por mim.
Sábado, 12
Melhoramentos – 12h às 14h
Globo – 15h às 17h
Panini – 18h às 20h
Domingo, 13
FTD – 12h às 14h
Girassol – 14h30 às 16h30
Ave Maria – 17h30 às 19h30
Saiu a capa do MSP 50 – Maurício de Sousa por 50 Artistas, vocês viram? Olha ela aí em cima. O álbum (de 192 páginas) será lançado nos dias 12 e 13 de dezembro, na Bienal do Livro do Rio, e chegará às livrarias em duas versões: uma de luxo, com capa dura (custando 98 reais), e outra com capa cartonada, mais em conta (55 reais).
O desenho do Maurício na capa é de José Marcio Nicolosi, autor dos ótimos desenhos de Cascão Porker, que acaba de chegar às bancas. Os demais desenhos da capa são dos colaboradores que contribuíram com as histórias do álbum, aqui enumerados pelo Universo HQ: Laudo (Louco), José Aguiar (Magali), Laerte (Franjinha e Bidu), Manoel Magalhães (Astronauta), Samuel Casal (Penadinho), Benett (Jotalhão), Raphael Salimena (Horácio), Ivan Reis (Cebolinha), João Marcos (Cascão), Christie Queiroz (Mônica), Fábio Cobiaco (Anjinho) e Erica Awano (Chico Bento).
Mas uma novidade e tanto que o próprio Maurício soltou no Twitter é o primeiro álbum da coleção que vai republicar o Horácio completo. Particularmente, acho essa notícia tão importante quanto o MSP 50 ou mais até. O Horácio é um dos personagens mais interessantes dos quadrinhos nacionais, onde Maurício joga suas idéias e visão de mundo. Um dia sugeri ao Sidney Gusmán um almanaque com histórias autorais do Maurício e ele me respondeu dizendo que alguma coisa nesse sentido estava em andamento. Só pode ser esse!
A data prevista é só 2011, mas já foi lançado na internet o primeiro trailer de Dear Mr. Watterson acaba de chegar à internet. Para os fãs de Calvin & Haroldo, é uma reunião de amigos: fãs falando da antológica tira de Bill Watterson (que não fala com a imprensa desde 1989). Joel Allen Schroeder, o diretor, é mais um desses fãs – há depoimentos de anônimos e famosos.
Antes do filme, sai em outubro nos Estados Unidos o livro Looking for Calvin & Hobbes: The Unconventional Story of Bill Watterson and His Revolutionary Comic Strip, de Nevin Martell. Trata-se de uma tentativa de biografia – porque o autor tentou entrevistar Watterson e também não conseguiu.
Calvin & Haroldo não é publicada desde 1995, quando o autor resolveu aposentar a tira. Avesso ao merchandising ou adaptações (todas os produtos que você vê por aí não são autorizados), recluso e sem produzir uma única tira nova há 12 anos, Watterson vê sua criação ainda nos jornais e livros, em republicações que não param. A Conrad colocou no mercado este mês A Hora da Vingança, seu sexto volume das tiras de Calvin – volume ete que já teve duas publicações anteriores no Brasil. É uma ótima maneira de esperar pelo doc – veja o trailer aí embaixo.








































































