stars-blue-1-0

Desastre em família

desperdicio

Taís, Fontoura e Mauro: desperdício

Alguma coisa está errada. Como tantos nomes talentosos foram reunidos em um projeto tão claramente equivocado? A Guerra dos Rocha (Brasil, 2008) é um desastre que presta um desserviço ao cinema brasileiro. Vai além da polêmica boba entre linguagem de TV versus linguagem de cinema. Jorge Fernando, um dos melhores diretores de comédia das novelas brasileiras, erra ainda mais aqui do que no seu primeiro filme, Sexo, Amor e Traição (2004) – é melhor nem colocar Xuxa Gêmeas (2006) na conta.

Ary Fontoura de velhinha é, a princípio, uma idéia engraçada. Mas, como em outras comédias do cinema nacional recente, o filme parece não acreditar no potencial dela e estraga tudo de saída com uma trilha sonora irritante de tão boboca. Também por isso é que o resto do elenco esteja sempre dois tons acima do que seria aceitável. Um desperdício do talento não só de Fontoura, mas também de Diogo Vilela, Aílton Graça, Lúcio Mauro Filho, Taís Araújo, Giulia Gam…

Todos estão exagerados, dificultando ainda mais qualquer identificação com os personagens. A trama da velhinha jogada de um filho para o outro é esquemática e grosseira. Como há uma cena semelhante em A Casa da Mãe Joana, parece que estão apostando mesmo em cenas de velhinhas sob efeito de maconha para fazer rir.

Jorge Fernando gosta das antigas chanchadas da Atlântida, mas pelo jeito ele não funciona sem o bom texto de Sílvio de Abreu no suporte. A subtrama das jóias é tão mal colocada quanto a entrada do próprio diretor em cena, no final, ou o reaparecimento repentino do interesse amoroso da personagem de Ary Fontoura. A Guerra dos Rocha parece ter sido feito às pressas e isso só atrapalha o surgimento de boas comédias nacionais.

A Guerra dos Rocha. Brasil, 2008. Direção: Jorge Fernando. Elenco: Ary Fontoura, Lúcio Mauro Filho, Taís Araújo, Marcello Antony, Giulia Gam, Diogo Vilela, Ludmila Dayer, Aílton Graça, Nicette Bruno, Cecília Dassi, Felipe Dylon, Ângelo Paes Leme, Zéu Britto, Berta Loran. Em cartaz em João Pessoa.