Desde 2000 eu publico listas de melhores filmes do ano nos jornais. Agora é tempo de mais uma, que ponho aqui, mas já saiu domingo no Jornal da Paraíba e no Paraíba1.

Antes, alguns números da atividades nas salas de exibição por aqui: estrearam 162 filmes este ano (média de 3,1 por semana). Foram 167 no ano passado e 161 em 2006. Entre eles, 22 foram filmes nacionais (contra 24 do ano passado), 13,58% do total.

Aos melhores, então:

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1. Wall-E, de Andrew Stanton
Uma coisa que a Pixar não faz é subestimar a inteligência de ninguém – criança ou adulto. Se a primeira metade desta pérola da animação tempera tristeza, solidão e a perplexidade do espectador com a personalidade adorável do robô-lixeiro, a segunda é uma bela homenagem a 2001, de Kubrick. No fundo, os dois tratam de coisas semelhantes: quando uma máquina pode ser humana e quando o homem é apenas uma máquina?

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2. Batman, o Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan
Um super-herói está ao lado da lei ou acima dela? Até onde ele pode ir para pegar alguém sem regras? Christopher Nolan envolve o universo do Homem-Morcego com questionamentos éticos provocados pelo Coringa único e desconcertante de Heath Ledger.

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3. Juno, de Jason Reitman
A gravidez na adolescência, infelizmente, não chega a ser uma novidade. Mas a postura de Juno é: declarando-se imatura para cuidar do bebê, trata de encontrar uma família que o adote. Armada de sagacidade de frases de efeito, a personagem consagrou a atriz Ellen Page.

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4. 4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias, de Cristian Mungiu
A tortuosa caminhada de duas amigas no dia em que uma delas vai fazer um aborto – sob o risco de severas punições na ditadura romena. Um rosário de erros que o diretor acertadamente foca na amiga vivida por xxxx. Seco, contundente e brilhante.

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5. O Nevoeiro, de Frank Darabont
Frank Darabont se debruça sobre mais uma história de Stephen King e criou um dos filmes mais tensos do ano. Pessoas se trancam em um supermercado, sitiados por alguma ameaça fora do normal, escondida no nevoeiro lá fora. Quanto tempo durarão até se matarem?

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6. Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles
Com César Charlone na direção de fotografia, Fernando Meirelles conseguiu criar o filme de melhor fotografia no ano, levando o espectador a compartilhar da cegueira branca que contamina os personagens criados por José Saramago. E mostrou muito mais do que se estivesse tudo nítido.

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7. Onde os Fracos Não Têm Vez, de Joel Coen e Ethan Coen
O estranho e implacável personagem de Javier Bardem representa uma violência sem sentido e, portanto, incompreendida pelos outros personagens. E os irmãos Coen concentraram nesse personagem o absurdo dos dias de hoje.

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8. Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, de Sidney Lumet
Um grande diretor e um grande elenco contando uma boa história. Não é preciso muito mais para que um grande filme saia daí. Mas, para garantir, tanto o diretor Sidney Lumet quanto Philip Seymour Hoffman e Marisa Tomei estavam em estado de graça.

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9. Chega de Saudade, de Laís Bodanzky
Em um salão de baile, várias histórias se cruzam. A maior parte delas, doloridas – mas curadas por alguns momentos enquanto a dança acontece. E, numa delas, um veterano galã encanta uma mocinha que está descobrindo o que é a vida.

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10. Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen
A ensolarada Barcelona fez muito bem a Woody Allen. Ele deixou as histórias policiais de lado e voltou a fazer o que faz melhor: discorrer sobre os relacionamentos de personagens que acham que sabem tudo, mas no fundo não sabem nada – a não ser criar confusões.

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Melhores do ano: 2007

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