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Uma noite no motel

muito papo furado

Paola e Giannecchini: muito papo furado

Como chamariz de público, a estrutura de Entre Lençóis (Brasil, 2008 ) é infalível: colocar dois astros da TV conhecidos principalmente pela beleza – no caso, Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira, que também estão livres de qualquer imagem de vulgaridade – em um filme que se passa 95% dentro de um quarto de motel, desfilando pela tela nus ou quase. Para dar substância, muito papo sobre o relacionamento homem-mulher. Mas não colou.

O filme do colombiano Gustavo Nieto Roa  procura resumir todas as discussões de relacionamento do mundo onde Gianecchini representa os homens de maneira geral e Paola as mulheres. Mas o que se vê são diálogos quase infantis sobre assuntos que se discute em qualquer mesa de bar. A vida de casado, a insegurança sobre o futuro, se as mulheres são capazes de transar só pelo sexo e até o motivo pelo qual os homens se excitam ao verem uma cena de lesbianismo.

Mesmo que o roteiro fosse um primor, é claro que um filme sustentado o tempo inteiro por dois atores exige bem mais do que o limitado Gianecchini pode render. Mas ele não compromete o resultado geral e muito menos Paola Oliveira. O que compromete mesmo é a trilha sonora, de terceira categoria, com uma canção-tema infame.

Unir sexo a muito blá-blá-blá é um recurso que o cinema usa há muito tempo para unir o útil ao agradável. Desde, por exemplo, Último Tango em Paris (1972), os exemplos são vários. Até filmes sem qualquer cena de sexo, como Antes do Amanhecer (1994), mas que passa muito mais verdade no relacionamento exposto na tela. Alguns bons momentos, aliados à simpatia do casal central, não permitem que Entre Lençóis se transforme numa perda total. Mas faltou pouco.

Entre Lençóis. Brasil, 2008. Direção: Gustavo Nieto Roa. Elenco:Reynaldo Gianecchini, Paola Oliveira.