Vitória dupla para Kate

Vitória dupla para Kate

Mickey Rourke que me desculpe, mas se eu tivesse que escolher “o” momento do Globo de Ouro, ficaria entre a ovação de pé para o anúncio de Heath Ledger como melhor ator coadjuvante e o prêmio de melhor atriz/ drama para Kate Winslet, por Foi Apenas um Sonho – o segundo dela da noite.

Como ela já tinha ganhado o de atriz coadjuvante por The Reader (eu esperava que fosse para a Penélope Cruz), as chances para melhor atriz ficariam reduzidas. Não vi nenhum dos filmes das indicadas ainda, mas Kate merece ganhar faz tempo. “Me desculpem, mas eu não costumo ganhar coisas”, disse ela, no primeiro discurso. Aí, mesmo gostando muito de Anne Hathaway, torci muito para que Kate fizesse história e ganhasse também o de melhor atriz/ drama.

Quando aconteceu, foi quase como um gol! Totalmente surpresa, ela pediu desculpas às outras indicadas até conseguir se recompor e agradecer. Sam Mendes deve agradecer aos céus todos os dias!

Bonito também foi o momento em que Heath Ledger foi anunciado como melhor ator coadjuvante. O Globo de Ouro desprezou um pouco Batman, o Cavaleiro das Trevas, mas a campanha rumo ao Oscar tem crescido nas últimas semanas. Ledger era o único que concorria e sua vitória foi aplaudida de pé. Ele pode ganhar o Oscar? Cada vez mais me convenço de que pode, sim.

A surpresa da noite foi a vitória de Mickey Rourke. Sean Penn tem sido o favorito, mas a volta por cima que Rourke tem dado na carreira parece ter comovido os jornalistas estrangeiros de Hollywood – mesmo que essa volta seja calcada em sua imagem esquisitona. Começando por Sin City e culminando neste The Wrestler. Ele agradeceu a seus cachorros (“Os que estão aqui e os que já se foram. Porque, às vezes, quando um homem está só, ele só tem os seus cachorros”) e, antes, ao diretor Darren Aronofsky, chamando-o de “son of a bitch” e recebendo de volta um simpático dedo estirado ao vivo para todo o mundo via satélite.

E Slumdog Millionaire faturou quatro Globos (filme/ drama, direção, roteiro e trilha sonora), deixou O Curioso Caso de Benjamin Button de mãos abanando e agora dispara como favorito ao Oscar. Uma vitória maiúscula, como dizem. E Waltz with Bakshir ganhando como filme de língua não inglesa mostra a força que pode ter uma animação. A vitória de Wall-E como longa do gênero foi pouco para a obra-prima que é o filme. Devia, pelo menos, estar indicado também a roteiro e a filme/ comédia ou musical.

Na área de musical ou comédia, gostei da vitória de Vicky Cristina Barcelona como filme, claro, e minha aposta em Sally Hawkins como melhor atriz se concretizou (por Happy-Go-Lucky, que vai se chamar aqui Simplesmente Feliz).

"Dianefan, you can suck it"

"Dianefan, you can suck it"

Na área de TV, confirmou-se o que já tínhamos visto no Emmy. A vitória acachapante de John Adams, entre as minisséries e telefilmes, de Madmen, entre as séries dramáticas, e de 30 Rock, entre as séries cômicas.

No caso de 30 Rock, eu nunca assisti a um episódio sequer, mas já sou um grande admirador de Tina Fey. A série levou o que pôde no segmento comédia: melhor ator (Alec Baldwin, que parece ter encontrado o papel de sua vida, já que ganhou de novo), melhor série e melhor atriz (Tina, também ganhando pela segunda vez seguida). Foi uma delícia vê-la dizendo “Quando a gente começa a se achar bom demais, eles tem essa coisa chamada internet, onde você pode achar um monte de gente que não gosta de você. Eu quero citar algumas delas agora. Babs in la Cross, you can suck it. Dianefan you can suck it. Cougar-letter, you can really suck it“.

E, para terminar: quando Scorsese ganhou o Oscar por Os Infiltrados, foi bonito ver a turma reunida para entregar o prêmio: Spielberg, Lucas e Coppola. Agora, com Spielberg recebendo o prêmio Cecil B. DeMille, foi também bonito ver Scorsese fazendo as honras e se emocionando no palco com a homenagem ao amigo.

A lista completa dos vencedores pode ser vista aqui.