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O desperdício do grande momento

O climax que virou detalhe

O clímax que virou detalhe

Última Parada 174 (Brasil, 2008 ) é um filme-armadilha para si mesmo. Precedido por um documentário antológico sobre o mesmo assunto – Ônibus 174 (2002) – o filme de Bruno Barreto que ficcionaliza o seqüestro que parou o Brasil em 2000 já começou tendo que enfrentar comparações.

Assim, já começou, também, tendo que driblar o que o doc de José Padilha tinha de bom – como a forma de narrar o que se passava dentro do ônibus, com voltas ao passado para desvendar a história do seqüestrador, Sandro do Nascimento. Seria o ideal, também, para o filme de ficção: dosar o principal momento ao longo do filme, com flashbacks entecortando a trama.

Como Ônibus 174 já havia feito isso, o roteiro de Bráulio Mantovani teve que seguir outro caminho. Deixou toda a seqüência do ônibus para o fim e se concentrou nas questões que levaram aquele garoto a provocar aquela situação. Tudo bem, mas tirar deliberadamente a força do que deveria ser o principal momento do filme foi um tiro no pé.

Quem viu Ônibus 174 sabe que muita coisa que se passou dentro do coletivo acabou ficando de fora de Última Parada 174. O acaso que acabou em tragédia dura pouco na tela e poderia ser uma seqüência de qualquer filme.

Por outro lado, ter atenção com Marisa (Cris Vianna) melhora o filme. A personagem está em busca do próprio filho tomado de seus braços anos atrás e acaba achando que Sandro (Michel Gomes) é aquela criança. Não é, e ele sabe. Suas andanças na corda bamba entre viver nos trilhos e abraçar a marginalidade acabam levando-o ao encontro com o 174.

A história de Sandro passa por momentos traumáticos – a chacina da Candelária é um delas – que o filme conta de passagem. E, assim, Barreto entrega um espetáculo bem feito, mas com a sensação de desnecessário frente ao documentário que o precede.

Última Parada 174. Brasil, 2009. Direção: Bruno Barreto. Elenco:  Michel Gomes, Chris Vianna, Marcello Melo Junior, Gabriela Luiz, Douglas Silva, André Ramiro.