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Grandes ratinhos

Quadros grandes e bonitos em boa narrativa

Quadros grandes e bonitos em boa narrativa

É difícil encontrar hoje em dia uma obra de quadrinhos que pode ser considerada infantil e adulta ao mesmo tempo. Se houver uma, esta é Os Pequenos Guardiões (Conrad, seis volumes, 24 páginas cada), a belíssima obra escrita e ilustrada por David Petersen. Há dois anos, a pequena série (Mouse Guard, no original, publicada pela Archaia Studios Press) foi um extraordinário sucesso de crítica e público nos Estados Unidos, conquistando prêmios e figurando na lista dos dez mais do ano em várias publicações. A Guarda são ratinhos treinados para proteger a espécie, num mundo medieval cheio de perigos – não só os predadores, mas também as intrigas internas, de traições e violência.

A narrativa de Petersen é de se elogiar tanto no texto quanto na imagem. Ele preza pela simplicidade, com uma arte pintada limpa, mas elegante e elaborada e bem mais expressiva pelos movimentos dos personagens que pelos rostinhos de rato (até porque a HQ não quer descaracterizá-los como ratos). Há pouco texto, evitando o excesso de recordatórios que infestam as HQs de hoje, e privilegiando a narrativa visual, que acerta ao se manter à altura dos protagonistas, dando ao leitor a dimensão assustadora de cada desafio.

As histórias são curtas e a violência é contida, fazendo com que a série seja boa leitura para qualquer idade – o formato quadrado e os quadros grandes reforçam uma aproximação com os livros infantis. Os quatro volumes seguintes já foram publicados no Sudeste, mas ainda não chegaram por aqui. Atualmente, Petersen está publicando uma segunda minissérie com os guardiões nos EUA.

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