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No meio de nós

No meio de nós

O uso da ficção científica em Hollywood para representar e comentar o medo da Guerra Fria e a paranóia comunista nos anos 1950 e 1960 já é conhecido. ETs, naquela época, muitas vezes queria dizer “comunistas” nas entrelinhas. Não é bem o caso em O Dia em que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still, Estados Unidos, 1951), de Robert Wise, clássico que é até bem claro ao abordar a questão.

Nele, o alienígena Klaatu (Michael Rennie) vem à Terra acompanhado apenas pelo robô Gort (corpo de Lock Martin, um dos atores mais altos da história de Hollywood – tinha 2,3 metros!) para transmitir um aviso aos líderes das nações. Na conjunção política, uma missão impossível, já que as tensões entre os blocos capitalista e comunista já estava em pleno crescimento seis anos após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Como a nave desce em Washington, o governo americano tenta manter Klaatu em seus domínios – mas ele foge, para tentar encontrar um meio de dar seu recado. Daí, se hospeda em uma pensão e entra em contato, sem revelar sua origem, com pessoas normais – principalmente, com a jovem viúva Helen (que é secretária no congresso e cujo marido morreu na guerra) e seu filho (Patricia Neal e Billy Gray). Um grande lance que, na época, deve ter causado verdadeiro horror: por um lado, levava o público a imaginar um alienígena no meio de nós; por outro, era através desses dois personagens que Klaatu via que temos salvação.

É evidente que os efeitos especiais são datados, mas O Dia em que a Terra Parou habilmente dribla essa limitação: os efeitos estão no vôo da nave espacial, em Gort e seus raios desintegradores (e alguns desses efeitos ainda se saem bem). A maior parte do filme os dispensa e se mantém em um nível mais humano, cerebral e com algumas doses do fantástico, apenas.

O que acontece desde o começo é que o alienígena é vítima das mesmas violência e intolerância sobre as quais veio justamente fazer o alerta. Tudo bem orquestrado e representado por Wise e pelo roteiro de Edward H. North, que investe principalmente no suspense, que culmina na curiosa e dramática (e por vezes engraçada) seqüência que dá nome ao filme e, depois, na famosa frase “Klaatu barada niktu”, que é dita ao robô Gort – uma das grandes cenas do cinema.

O Dia em que a Terra Parou. (The Day the Earth Stood Still). Estados Unidos, 1951. Direção: Robert Wise. Elenco: Michael Rennie, Patricia Neal, Hugh Marlowe, Sam Jaffe, Billy Gray, Frances Bavier, Lock Martin. Disponível em DVD no Brasil pela 20th Century-Fox.

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