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No espírito do seriado

Despedida (mas por quanto tempo?)

Despedida (mas por quanto tempo?)

O principal problema de Jornada nas Estrelas – O Filme (1979) era tentar ser cerebral demais, esquecer que boa parte do que fazia a série clássica da TV era diversão e bom humor, apesar dos questionamentos científicos e éticos de valor. O segundo filme da série parece ter sido moldado para corrigir esses erros – e deu certo. Não por acaso, é o que começou a tal lenda de que os filme de número par nesta série dão certo, e os de número ímpar não.

Embora Jornada nas Estrelas II – A Ira de Khan (Star Trek II – The Wrath of Khan, Estados Unidos, 1982) não renegue o primeiro, seu início é como se estivesse começando tudo de novo. Os uniformes acizentados são substituídos por um vermelho vivo, novas discussões sobre a idade chegando acontecem, a trama começa de novo na Terra.

Mais uma vez, a Enterprise entra em ação por acaso. Transformada em nave-escola, só conta com a tripulação original e um bando de garotos treinados por ela quando o almirante Kirk (William Shatner) resolve atender ao chamado de uma estação espacial que está desenvolvendo um projeto, o Genesis, que pode criar vida em um mundo desabitado. Mas é surpreendido por um velho inimigo, exilado há anos, e que tomou o controle de outra nave estelar disposto a vingar-se de Kirk.

Para provar que a volta ao clima do seriado não era brincadeira, o segundo filme trouxe de volta este vilão dos tempos da série clássica. Khan foi mais uma vez vivido por Ricardo Montalban e seu ódio move o filme de tal forma que é uma surpresa quando nos damos conta de que ele e Kirk nem mesmo chegam a contracenar cara a cara.

Foi, aliás, a primeira vez em que um filme foi uma seqüência não do filme anterior, mas de um episódio específico de uma série de TV (no caso, o 22º da 1ª temporada). O filme tratou de mostrar elementos do passado de Kirk não mencionados na série de TV e incluir uma nova vulcana na tripulação: a tenente Saavik, vivida por Kirstie Alley, que na época estava em alta por causa do seriado Cheers e estreando no cinema – você vai lembrar dela por causa da trilogia Olha Quem Está Falando, nos anos 1990.

A Ira de Khan é movimentado e com boas reviravoltas e é muito lembrado por dois momentos particulares: o enraivecido Kirk gritando o nome de seu inimigo e o final, que deve ter chocado os fãs da série. O ar era de uma completa despedida, mas na verdade ofereceu o gancho para o terceiro episódio, que seria lançado dois anos depois. Não por acaso, termina com o célebre enunciado “O espaço. A fronteira final”. Dito por Kirk nos créditos de abertura de cada episódio na TV, não aparecia no filme de 1979 e, portanto, não era ouvido desde o cancelamento do seriado, em 1969. Deram a Spock a fala no desfecho do segundo filme, mostrando que a série de TV estava audaciosamente indo aonde nenhuma outra jamais esteve.

Jornada nas Estrelas II – A Ira de Khan. (Star Trek II – The Wrath of Khan). Estados Unidos, 1982. Direção: Nicholas Meyer. Elenco: William Shatner, Leonard Nimoy, DeForest Kelley, Ricardo Montalban, James Doohan, Walter Koenig, Kirstie Alley, George Takei, Nichelle Nichols, Bibi Besch, Merritt Butrick. Disponível em DVD no Brasil.

Assista ao Comic Show sobre o universo de Jornada nas Estrelas

Crítica de Jornada nas Estrelas – O Filme
Crítica de Jornada nas Estrelas III – À Procura de Spock
Crítica de Jornada nas Estrelas IV – A Volta para Casa
Crítica de Jornada nas Estrelas V – A Última Fronteira
Crítica de Star Trek

Nasce o termo “Bossa Nova”

O evento continuou repercutindo e seu interesse foi promovido das páginas da reportagem geral para as de assuntos culturais, com as discussões sobre o tipo de música que se apresentara na Arquitetura. Era jazz? Não era jazz? A expressão “samba moderno”, que vinha se usando até então, foi, afinal e definitivamente, substituída por Bossa Nova — imposta com grande senso de marketing por Ronaldo Bôscoli, em Manchete, auxiliado por seus discípulos Moysés Fuks, em Ultima Hora, e João Luiz de Albuquerque, em Radiolândia.

Quando Bôscoli decidiu-se por um show na Escola Naval, no Centro, no dia 13 de novembro, o que seria apenas mais um festival de samba-session já passou a se chamar “Segundo comando da operação Bossa Nova”. Ao som da balançadinha “Menina feia”, com um quarteto formado por Luizinho Eça e três irmãos Castro Neves, o apresentador Bôscoli entrou no palco e ainda se sentiu obrigado a explicar o que era “Bossa  Nova”. Não conseguindo, escolheu a saída mais fácil: “É o que há de moderno, de totalmente novo e de vanguarda na música brasileira”.

A platéia na Escola Naval entendeu muito bem. Eles eram cerca de mil  cadetes e  jovens oficiais da Marinha, todos de cabelo reco, num auditório onde  cabiam seiscentos  bem sentados. Era o que o próprio Bôscoli classificou como sendo “a Bossa Nova numa praça de guerra”. Bossa Nova foi uma expressão de que se usou e se abusou durante as duas horas de espetáculo, como se fosse um brinquedo que todos ali tivessem acabado de ganhar.

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Chega de Saudade
, de Ruy Castro
Companhia das Letras

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