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O filme é da Lília

Lília Cabral domina o filme de ponta a ponta

Lília Cabral domina o filme de ponta a ponta

Divã (Brasil, 2009) pode ser dirigido por José Alvarenga Jr., pode ter roteiro de Marcelo Saback e pode ser baseado em livro de Martha Medeiros, mas é um filme de Lília Cabral. A atriz, de quem partiu a ideia da adaptação para o teatro e também para o cinema, domina o filme com graça e talento, tornando ainda mais inacreditável o fato de que este é apenas seu quinto filme, o primeiro como protagonista e o primeiro desde A Partilha (2001).

Lília é Mercedes, que começa o filme chegando ao psicanalista. Ela logo admite que não tem qualquer problema sério e nem sabe que está ali. Mas revendo sua vida e seu casamento, ela logo começa a questionar ambos, iniciando um processo de mudança surpreendente. Tudo muito cotidiano e nada de muito espetacular, mas realçado graças a algumas atuações muito boas no elenco.

Não Reynaldo Gianecchini e Cauã Raymond, que não comprometem, mas fazem pouco mais do que serem os jovens galãs dando sopa no mercado. Já José Mayer está ótimo, com um timing humorístico muito bem acertado, e Alexandra Richter mostra de novo que é uma atriz que merece mais espaço do que dão a ela. Além da ótima participação de Paulo Gustavo Bastos, o cabelereiro das duas amigas.

O filme não é nada que vá mudar a história do cinema nacional e por vezes derrapa num pastelão desnecessário, mas na maior parte do tempo é simpático e envolvente quanto à trajetória de sua protagonista. Tem ainda, algumas preocupações em sair da trivialidade, ao, por exemplo, não mostrar o psicanalista e fazer Mercedes praticamente conversar sozinha, ou no pequeno efeito de desaparecimento de um personagem que – é revelado em seguida – está à beira da morte. E, principalmente, bons diálogos ditos em tempo ideal e coloquialidade que sempre foram dois dos problemas crônicos do nosso cinema.

Divã. Brasil, 2009. Direção: José Alvarenga Jr. Elenco: Lília Cabral, José Mayer, Cauã Raymond, Reynaldo Gianecchini, Alexandra Richter, Elias Gleizer, Paulo Gustavo Bastos. Atualmente em cartaz em João Pessoa.