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A Festa do Garfield: O gato gordo que já é um clássico dos quadrinhos volta aos cinemas animado digitalmente – mas agora sem contracenar com atores de carne-e-osso e, portanto, no traço tradicional. Na verdade, este longa foi lançado diretamente em DVD nos Estados Unidos, mas aqui descolou uma temporada no cinema. A expectativa é que seja, pelo menos, mais próximo ao espírito da HQ que os filmes. Só dublado.
No Box Manaíra 3 (sex. a qua.: 13h20, 15h20, 17h20, 19h20; ter. e qui., 7/5: 15h20, 17h20, 19h20).

Um Louco Apaixonado: Um título idiota para o britânico How to Lose Friends & Alienate People. Trata-se de um jornalista de celebridades que faz sucesso e vai para Nova York, onde ele mesmo se torna uma celebridade. O elenco feminino é para prestar atenção: Kirsten Dunst, Megan Fox, Thandie Newton e até Kate Winslet em uma participação.
No Tambiá Shopping 1 (sex. a qui., 7/5: 15h50, 18h, 20h20).

X-Men – Origens: Wolverine: Depois da trilogia X-Men, agora a Fox centra o foco no mutante principal, o Wolverine (Hugh Jackman, mostrando as garras pela quarta vez). Na verdade, uma maneira mais barata de continuar com a franquia, sem pagar a renovação de contrato para os outros astros. Baseando-se em duas minisséries em quadrinhos, Origem e Arma X, é contado como o personagem descobriu ser mutante e como ganhou o esqueleto do metal adamantium. Em volta, outros mutantes menos cotados. Dublado e legendado.
No Box Manaíra 3 (leg.: qui., 30/4: 15h30, 18h, 20h30), no Box Manaíra 5 (leg.: sex. a seg. e qua.: 14h, 16h30, 19h, 21h30; ter. e qui., 7/5: 16h30, 19h, 21h30), no  Box Manaíra 6 (dub.: sex. a seg. e qua.: 13h30, 16h, 18h30, 21h; ter. e qui., 7/5: 16h, 18h30, 21h), no Box Manaíra 7 (leg.: qui., 30/4: 16h30, 19h, 21h30; sex. a seg. e qua.: 13h, 15h30, 18h, 20h30; ter. e qui., 7/5: 15h30, 18h, 20h30) e no Tambiá Shopping 6 (dub.: 14h, 16h10, 18h20, 20h30). E em Campina, no Shopping Boulevard 4 (dub.: 14h20, 16h30, 18h40, 20h50).

A Montanha Enfeitiçada: A Disney refilmou com Dwayne Johnson seu sucesso de 1975 e o filme estreia só em Campina Grande.
No Shopping Boulevard 1 (14h, 16h).

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Puramente profissional

Brooks West, George C. Scott e James Stewart duelam no tribunal

Brooks West, George C. Scott e James Stewart duelam no tribunal

O livro foi escrito pelo juiz John D. Voelker. O diretor, Otto Preminger, tinha doutorado em Direito. O ator que interpreta o juiz, Joseph N. Welch, já havia trabalhado como advogado. Não havia como Anatomia de um Crime (1959) não ser um grande exemplar dos filmes de tribunais. Exagero: claro que havia. Mas esses ingredientes e diversos outros fazem desse filme um clássico difícil de ser superado no gênero. James Stewart e George C. Scott protagonizam um duelo memorável, como o advogado de defesa e o procurador defendendo suas teses sobre um caso de homicídio.

O réu é o tenente Frederick Manion (Ben Gazzara), que matou o dono de um pequeno hotel, Barney Quill, depois que esse homem teria estuprado e espancado sua esposa, Laura (Lee Remick). Laura contrata o advogado Paul Biegler (Stewart) que, depois de encontrar um gancho, resolve aceitar o caso. O gancho, sustentado por um psicólogo e amparado por um precedente num julgamento de dez anos antes, é: o estupro da mulher deixou Manion em um estado de “impulso irresistível”, o que o levou a matar Quill.

O caso é difícil, para não dizer quase impossível. Houve testemunhas, Manion o matou horas depois de encontrar a esposa, e o médico da polícia não encontrou vestígios do alegado estupro em Laura. Além disso, a aparência fria de Manion e voluptuosa de Laura são complicadores no ambiente conservador de uma cidadezinha americana dos anos 1950. Tudo conspira contra e a acusação, do promotor Mitch Lodwick (Brooks West) ainda chama como auxílio o assistente do promotor geral do estado, Claude Dancer (Scott).

Cerca de dois terços do filme se desenrolam no tribunal, no combate entre acusação e defesa. Estratégias, cascas de banana, explosões ensaiadas, jogo de nervos e até bom humor são armas usadas para ganhar cada ponto nessa partida. Veja que até agora não há referência à culpa ou inocência de Manion. Biegler e sua equipe também não se fazem essa pergunta. Estão, acima de tudo, fazendo um trabalho da melhor forma possível para pagar suas contas.

Ao mesmo tempo, o filme joga com as expectativas e preconceitos do espectador. Não há nenhuma cena em flashback. O momento do possível estupro não é mostrado em momento algum. Laura, sorridente e provocante, parece mesmo capaz de ter tido, na verdade, um caso com Quill que foi descoberto pelo marido? Por que ela não poderia ter sido realmente estuprada? Ou mesmo que estivesse tendo um caso, isso faria de um estupro menos estupro? A frieza de Manion ou suas explosões de violência fazem dele automaticamente um culpado? Não é à toa que, nas cenas de interrogatório, o júri mal aparece – na verdade, a câmera toma o ponto de vista dos jurados diversas vezes, nos colocando no lugar deles.

Anatomia de um Crime também foi um marco por sua trilha sonora jazz, composta por Duke Ellington – algo pouquíssimo usual. O músico faz, inclusive, uma pequena aparição no filme. Mas uma ousadia de Preminger, um dos diretores que ajudaram a derrubar o Código Hayes nos anos 1950 e 1960. Aqui, ele encara de frente temas espinhosos e nos quais o cinemão hollywoodiano não costumava mexer com a naturalidade que é vista aqui: o diálogo entre o juiz e os advogados procurando uma expressão mais adequada para o termo “calcinha” dá a medida do imaginário da época.

Palavras como “estupro”, “penetração”, “esperma” e “contraceptivo” e a suposição de que uma mulher pudesse andar sem calcinha chocaram platéias – o filme foi proibido, por exemplo, em Chicago. O pai de James Stewart ficou tão ofendido que até publicou no jornal da cidadezinha onde morava um anúncio para que as pessoas não vissem o filme. Hoje, os temas controversos do filme se tornaram normais, mas só reforça o mérito de Anatomia de um Crime em empurrar a censura mais para lá.

Anatomia de um Crime. (Anatomy of a Murder). Estados Unidos, 1959. Direção: Otto Preminger. Elenco: James Stewart, Lee Remick, Ben Gazzara, George C. Scott, Arthur O’Connell, Eve Arden, Kathryn Grant, Brooks West, Duke Ellington. Disponível em DVD no Brasil pela Columbia.

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