Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain, 1952). Direção de Stanley Donen e Gene Kelly; roteiro de Betty Comden e Adolph Green. Canção “You were meant for me”, de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

"Você era todas as coisas doces em uma só"

"Você era todas as coisas doces em uma só"

O astro do cinema mudo Don Lockwood (Gene Kelly) passeia pelo estúdio com a novata Kathy Selden (Debbie Reynolds). Eles finalmente conseguem se entender, depois de muitas discussões que tiveram.

KATHY – Falei mesmo coisas horríveis aquela noite, não?

DON – Não, eu mereci. É claro, devo admitir que fiquei chateado com aquilo. Tão chateado que não consigo pensar em outra coisa senão você desde então.

KATHY – Sério?

DON – Sério.

KATHY – Bem, fiquei chateada também…

DON – Kathy… Kathy, olhe… Vendo você de novo… Agora que eu… (pára) Kathy, estou tentando dizer alguma coisa, mas sou… sou um canastrão, mesmo. Acho que não consigo sem o cenário adequado.

KATHY – O que quer dizer?

DON – Bem… (Olha para o estúdio fechado logo atrás deles) Venha aqui.

Don abre a porta e eles entram no estúdio às escuras.

DON – Este é o cenário adequado.

KATHY – Mas é apenas um palco vazio.

DON – À primeira vista, sim. Mas espere um pouco. (Acende as luzes sobre a parede pintada ao fundo) Um belo pôr-do-sol.

Liga uma máquina.

DON – Brumas das montanhas distantes.

Acende outro holofote, desta vez sobre eles.

DON – Luzes coloridas no jardim.

Ele pega Kathy pela mão e a faz subir até o alto uma escada armada no meio do palco.

DON – Minha dama em sua sacada, num pórtico cheio de rosas…

Acende um canhão de luz sobre ela.

DON – …Sobre a luz do luar. E mais 500 mil quilowatts de estrelas…

Acende outras pequenas luzes.

DON – Uma suave brisa de verão… (liga um grande ventilador) …e… Você fica linda sob o luar, Kathy.

KATHY – Agora que tem o cenário adequado, você pode dizer?

DON – Vou tentar. (Começa a cantar)
“A vida é uma canção, você chegou.
Fiquei acordado a noite inteira”.

Ele anda até a escada em que ela está.

DON – “Se eu ousasse achar que você se importasse
Isto é o que eu teria a dizer a você:…”

Ele fica aos pés da escada, enquanto ela está no alto, com o vestido esvoaçante.

DON – “Você foi feita pra mim, e eu fui feito pra você”.

Ele sobe até ela.

DON – “A natureza fez você e quando ela terminou
Você era todas as coisas doces…”

Ela começa a descer e ele acompanha.

DON – “…em uma só.
Você é como uma triste melodia…”

Ele se aproxima, mas ela, encabulada, demora um pouco até corresponder o olhar dele.

DON – “…que nunca me liberta.
Mas estou contente: os anjos devem tê-la mandado
E eles a fizeram só para mim”.

Ele a pega pela mão e passam a dançar suavemente, entrando e saindo das luzes ligadas por ele. Até que ele a ergue no ar e ela, encabulada, volta aos pés da escada. Ele vai até lá, sobe um degrau e olha fixo para ela.

DON – “Mas estou contente: os anjos devem tê-la mandado
E a fizeram só para mim…”.

Diálogo em francês, canção em inglês:

Canção no original, em inglês:

“Life was a song,
You came along.
I’ve laid awake the whole night through.
If I ever dared to think you’d care
This is what I’d say to you:

You were meant for me
And I was meant for you.
Nature patterned you
And when she was done
You were all the sweet things
Rolled up in one.

You’re like a plaintive melody
That never lets me free.
But I’m content:
The angels must have sent you
And they meant you just for me…

But I’m content:
The angels must have sent you
And they meant you just for me…”

Declaração anterior: Um Lugar Chamado Notting Hill

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