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O que poderia ter sido

This Is It

Michael não desafia a física, mas tampouco estava caquético

Uma despedida. O show de retorno de Michael Jackson aos palcos já havia sido definido dessa forma pelo próprio cantor na coletiva em que anunciou as 50 apresentações. Os shows nunca aconteceram, como todos sabemos, e This Is It (This Is It, Estados Unidos, 2009) é o documentário que dá ao público um vislumbre do que poderia ter sido.

Montado a partir de registros dos ensaios e de cenas de bastidores, o filme é dirigido por Kenny Ortega (dos High School Musical), que também dirigia o show. Embora ainda por serem finalizados, os números já são vistos completos, alguns com interrupções no começo e no fim para ajustes. São os grandes sucessos – “Beat it”, “Black or white”, “Thriller”, “Billie Jean”, “Man in the mirror”, etc. -, alguns reproduzindo as coreografias clássicas dos videoclipes.

Ou seja: quem gosta de Michael Jackson não vai se decepcionar. E quem não gosta é capaz de se emocionar e se divertir também, ao perceber que o show seria mesmo uma grande volta por cima. O astro não era mais o super Michael Jackson que desafiava as leis da física, das décadas de 1970 e 1980, mas também não estava caquético.

O material é compreensivelmente desigual em termos de qualidade de filmagem, mas é um registro precioso dos últimos momentos de um grande talento. Assim como preciosos são os momentos em que Michael dá instruções, broncas (mostradas sempre com gentileza) e pede ajustes.

É besteira esperar por qualquer tipo de controvérsia ou questionamento a respeito do astro – se ele estava mesmo esgotado, This Is It consegue esconder isso esplendidamente. Como registro de um show que poderia ter sido e não foi, o documentário cumpre seu objetivo com bastante dignidade e Michael se despede fazendo o seu melhor: nos estretendo com garra e boa música.

This Is It (This Is It). Estados Unidos, 2009. Direção: Kenny Ortega. Em cartaz nos cinemas.

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