O texto é da maravilhosa Ana Maria Bahiana e, desta vez, não me contentei em apenas colocar um link para o Hollywoodianas (mas vá lá e leia outras reflexões dela sobre o mundo do cinema e entenda como a tão falada indústria funciona). Esta lista de dicas que servem para todos nós em 2010 e em qualquer ano.

1. Mantenha a mente aberta. Não limite suas escolhas dizendo, logo de cara, “não vejo filme de fulano ou beltrana”, “detesto filme de ação”, etc. Claro que vamos ter sempre uma queda especial por esse ou aquele diretor, gênero, ator, atriz. Mas assim como uma dieta rigorosa é daninha à saúde, a longo prazo, um regime de filmes que, em essência, já conhecemos, enfraquece nossa possibilidade de escolher amplamente. Na verdade, ver um gênero ou um diretor que não nos é familiar pode se revelar um raro prazer e uma possibilidade de apreciar algo com uma nova perspectiva.

2. Encontre suas referências – e saiba por que. É verdade: queremos saber com antecedência se sair de casa, achar lugar para estacionar e comprar ingresso vão valer a pena. Então lemos resenhas em jornais, revistas, internet e…. frequentemente ficamos mais perdidos do que antes. O ideal é identificar dois ou três resenhistas cuja opinião nos parece especialmente lúcida e bem informada, e tirar a média por eles. Veja bem: você não tem que concordar com ela ou ele. Mas ela ou ele tem que ser capazes de ao menos dizer a você por que estão recomendando ou não aquele filme, de um modo que você compreenda. Ir ver o filme e não concordar é, aliás, um excelente exercício de formação de gosto, especialmente se você for capaz de notar por que o crítico gostou e você, não. Depois de algum tempo deve-se ser capaz de ver a curva de apreciação dessas nossas referências, e decidir por aí se vale sair de casa, esperar o DVD ou… deixar pra lá.

3. Informe-se. Leia amplamente sobre cinema em geral e sobre filmes específicos. De preferência, procure a informação em primeira mão, na voz dos realizadores. Compreenda o que eles propõem, como eles trabalham. Internet e livros são, hoje, excelentes recursos. Saiba, nem que seja por alto, o que é um roteiro, como ele é construído, como o diretor trabalha sobre ele, qual a contribuição da fotografia e da direção de arte, como é o processo de criação dos atores e dos músicos. Num plugue descarado eu aviso que estarei no Brasil em abril repetindo meu intensivo Como Ver Um Filme, que cobre tudo isso. Se você se interessar em levá-lo para sua cidade, me avise. Mas existem muitos outros recursos bem perto de vocês.

4. Surpreenda-se. Alugue um DVD sobre o qual você não sabe nada. Vá a um filme sem pensar muito sobre a escolha. Em grandes festivais como Cannes e Veneza o caos de horários e programações muitas vezes me levou a experiências incríveis nessa linha, e vi filmes fantásticos que, de outra maneira, jamais pensaria em assistir.

5. Apaixone-se. Nada mais tedioso que o discurso teórico sem coração. Cinema é um trabalho de doidos, possível apenas aos mais passionais. O bom filme é aquele que gruda no fundo das nossas retinas, em algum lugar secreto de nossa alma que apenas a paixão abre. Deixe-se levar pelo coração, pelos sentidos. Se o filme não pegar você, a culpa é do filme – reflita, depois, por que o filme não o atingiu, é outro exercício essencial para formar seu gosto. Se o filme pegou você, não resista, não dê marcha a ré, não se arrependa se amigos, jornais, namoradas e namorados não concordarem. Cada filme é uma experiência pessoal, única, um diálogo entre a tela e você, só você. Não invente desculpas, depois. O que valeu foi o momento.

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