Estes são filmes que estiveram em cartaz comercialmente no Brasil em 2009 (lançados a partir de dezembro de 2008), mas que passaram longe do circuito local. Um ou outro passou em festivais – o Cineport e o Fest Aruanda -, um ou outro foi exibido em sessão especial do MovieMobz.

Para a imensa maioria, o público de João Pessoa precisou de paciência para conferir em DVD ou se rendeu aos downloads ou aos piratas da esquina. Muitos documentários, vários filmes não falados em inglês, brasileiros com menos grana e até filmes com a cara de Hollywood.

Vejam o que perdemos enquanto tivemos que assistir Sex Drive – Rumo ao Sexo, Eu Odeio o Dia dos Namorados, Efeito Borboleta – Revelação, Flordelis – Basta uma Palavra para Mudar e Matadores de Vampiras Lésbicas

1 – “Apenas o Fim”, de Matheus Souza

Prêmio de júri popular e menção honrosa no Festival do Rio e melhor roteiro no Prêmio Contigo de Cinema. Exibido aqui apenas em uma sessão (concorridíssima) do Movie Mobz e depois outra no Fest Aruanda.

2 – “Desejo e Perigo”, de Ang Lee

Lee volta à China para uma mistura de espionagem e erotismo. Leão de Ouro no Festival de Veneza e indicado ao Globo de Ouro de filme de língua não inglesa.

3 – “Valsa com Bashir”, de Ari Folman

Um “documentário em animação” sobre a guerra entre Israel e Líbano. Indicado a melhor filme de lingua não inglesa no Oscar e no Bafta. Vencedor do César de melhor filme não francês. Melhor trilha sonora e mais três indicações no European Film Awards. E Globo de Ouro de melhor filme de língua não inglesa.

4 – “Frost/ Nixon”, de Ron Howard

Os Estados Unidos têm a chance de acertar as contas com o ex-presidente em uma entrevista histórica. Indicado a cinco Oscars, incluindo filme, direção e ator (Frank Langella). Indicado também a seis Baftas e cinco Globos de Ouro.

5 – “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei”, de Micael Langer, Calvito Leal e Cláudio Manoel

Documentário mais comentado do país no ano passado, vencedor da categoria no Prêmio Contigo de Cinema.

6 – “Coco Antes de Chanel”, de Anne Fontaine

Os primeiro anos de uma das mais famosas estilistas do mundo, com a protagonista de Amélie. Três indicações ao European Film Awards.

7 – “Deixa Ela Entrar”, de Tomas Alfredson

O filme sueco mostra a relação entre um garoto e uma menina vampira e foi outro comentadíssimo do ano passado. 56 prêmios internacionais, como nos festivais de Tribeca e Bruxelas e os círculos de críticos de Chicago e Londres.

8 – “O Grupo Baarder Meinhof”, de Uli Edel

Um olhar sobre o grupo terrorista alemão dos anos 1960 e 1970, indicado a melhor de filme de língua não inglesa no Oscar, no Bafta e no Globo de Ouro.

9 – “O Equilibrista”, de James Marsh

O crime artístico do século: um equilibrista tenta atravessar, em 1974, de uma torre do World Trade Center para a outra na corda bamba. Oscar de documentário e mais 27 prêmios internacionais – entre eles, melhor não-ficção para o Círculo de Criticos de Nova York.

10 – “Cidadão Boilesen”, de Chaim Litewski

Documentário que descortina a Operação Bandeirantes, que investigava e torturava membros de organizações de esquerda e era financiada por banqueiros e empresários – um deles, o Boilesen do título. Filme aplaudido e elogiado no É Tudo Verdade, Festival do Rio e na Mostra de São Paulo.

11 – “O Casamento de Rachel”, de Jonathan Demme

Anne Hathaway em atuação muito elogiada, que rendeu a ela indicações ao Oscar, no Globo de Ouro e escolhida como a melhor atriz de 2008 pelo National Board of Review.

12 – “Milk – A Voz da Igualdade”, de Gus van Sant

O Oscar de melhor ator, simplesmente. Premiação repetida no Círculo de Críticos de Nova York e em vários outros prêmios.

13 – “O Desinformante”, de Steven Soderbergh

É de Steven Soderbergh e está indicado a dois Globos de Ouro – incluindo melhor ator/ drama para Matt Damon.

14 – “Juventude”, de Domingos de Oliveira

Uma belíssima reflexão sobre a velhice, sob a ótica do genial Domingos de Oliveira – nosso Woody Allen. Passou aqui no Cineport, em maio. Três prêmios em Gramado, incluindo direção e roteiro.

15 – “A Partida”, de Yojiro Takita

O Oscar de melhor filme de língua não inglesa foi para esse japonês que conta sobre um violoncelista que tem que trabalhar preparando mortos para o funeral. 10 prêmios da Academia Japonesa de Cinema.

16 – “Vigaristas”, de Rian Johnson

Meu Deus, é com a Rachel Weisz! Ela se mete nas confusões de Adrien Brody e Mark Ruffalo, dois irmãos trambiqueiros planejando o último golpe.

17 – “Se Nada Mais Der Certo”, de José Eduardo Belmonte

Melhor filme e melhor atriz (Caroline Abras) no Festival do Rio. Belmonte é um cineasta radical, mas bem interessante.

18 – “Sinédoque, Nova York”, de Charlie Kaufman

O roteirista Charlie Kaufman (de Quero Ser John Malkovich, Adaptação e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças) estréia na direção.

19 – “Entre os Muros da Escola”, de Laurent Cantet

Palma de Ouro em Cannes e indicado ao Oscar de filme de língua não inglesa.

20 – “Um Táxi para a Escuridão”, de Alex Gibney

Oscar de documentário, denunciando as torturas do exército americano no Afeganistão.

21 – “Budapeste”, de Walter Carvalho

Dirigido pelo paraibano Walter Carvalho, muito ptovavelmente o melhor diretor de fotografia em atividade no país, adaptando livro do Chico Buarque. Passou aqui no Fest Aruanda e só.

22 – “Simplesmente Feliz”, de Mike Leigh

Sally Hawkins derrotou Meryl Streep em Mamma Mia! no Globo de Ouro de atriz/ musical ou comédia por este filme. Ela interpreta uma professora tão otimista que enlouquece os que estão em volta. Sally também ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim e foi a melhor do ano também para os círculos de críticos de Nova York e Los Angeles.

23 – “Os Falsários”, de Stefan Ruzowitsky

Oscar de melhor filme de língua não inglesa de 2007, contando a história real da maior falsificação da história, empreendida pelos nazistas em 1936.

24 – “Garapa”, de José Padilha

Melhor documentário do Festival de Havana, e do mesmo diretor de Ônibus 174 e Tropa de Elite, enfoca a miséria brasileira.

25 – “Ninho Vazio”, de Daniel Burman

O filme argentno tem a grande Cecilia Roth (de Tudo sobre Minha Mãe) no elenco.

26 – “Rebobine, por Favor”, de Michel Gondry

A comédia cheia de referências pop (em que um grupo precisa refazer, pauperrimamente, sucesso pop do cinema) não só passou longe dos cinemas daqui, como ainda chegou ao DVD com o cretiníssimo subtítulo Uma Loucadora Muito Louca.

27 – “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa”, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves

O documentário sobre a banda é outro que só passou em uma solitária sessão no Fest Aruanda.

28 – “Gomorra”, de Matteo Garrone

Modernas famiglias criminosas italianas em um filme indicado ao Globo de Ouro de filme de língua não inglesa e vencedor em Cannes do Grande Prêmio do Festival, além de cinco European Film Awards (melhor filme, inclusive).

29 – “A Garota de Mônaco”, de Anne Fontaine

A comédia dramática francesa revelou a linda Louise Borgouin, que foi indicada a revelação no César.

30 – “Um Conto de Natal”, de Arnaud Desplechin

A grande Catherine Deneuve lidera o elenco desse acerto de contas familiar, indicado a nove Césars (ganhou o de ator coadjuvante, com Jean-Paul Roussillon).

31 – “Cinzas do Passado”, de Wong Kar-Wai

O diretor de Amor à Flor da Pele, 2046 e Um Beijo Roubado relançou seu épico histórico de 1994 em versão redux (que, por contraditório que soe, continua querendo dizer “bem mais longo”).

32 – “Alô, Alô, Terezinha”, de Nelson Hoineff

O documentário que celebra o trash nos programas de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, um dos maiores comunicadores desse país.

33 – “A Teta Assustada”

O filme peruano foi o vencedor latino do Festival de Gramado, e também ganhou no Festival de Berlim o Urso de Ouro e o prêmio da Fipresci. Ganhou também festivais em Guadalajara, Havana, Lima e Montreal.

34 – “O Visitante”, de Thomas McCarthy

Richard Jenkins finalmente obteve algum reconhecimento e foi indicado ao Oscar de melhor ator por este filme. Ele ganhou no Festival de Moscou e no National Board of Review.

35 – “A Bela Junie”, de Christophe Honoré

A nova vida de uma garota de 16 anos em uma nova escola, após a morte da mãe. Três indicações ao César, incluindo atriz revelação (Léa Seydoux).

36 – “Fumando Espero”, de Adriana Dutra

Documentário em primeira pessoa de Adriana, enquanto tentava parar de fumar.

37 – “Stella”, de Sylvie Verheyde

A história de uma menina que mora com os pais em cima de um bar e convive com os clientes à noite, na Paris dos anos 1970. O resultado é que ela sabe mais de poquer que de gramática. E é um retrato autobiográfico da própria diretora aos 11 anos.

38 – “Hotel Atlântico”, de Suzana Amaral

A volta de Suzana Amaral, que não dirigia um filmes desde Uma Vida em Segredo (2001) e, antes disso, A Hora da Estrela (1985). O road movie já rendeu dois prêmios de melhor ator para Gero Camilo: no Festival do Rio (como coadjuvante) e na APCA, em São Paulo.

39 – “O Milagre de Santa Luzia”, de Sérgio Roizemblit

Um belo retrato de um dos mais brasileiros dos instrumentos: a sanfona. O guia, Brasil afora, é o grande Dominguinhos. O doc passou em sessão única no Fest Aruanda.

40 – “Um Homem Bom”, de Vicente Amorim

A estréia do diretor Vicente Amorim em uma produção internacional – com Viggo Mortensen no papel principal – foi pouco comentada, mas deveríamos ter tido a oportunidade de ver no cinema.

41 – “Há Tanto Tempo que Te Amo”, de Philippe Claudel

Belo drama francês, com a diva inglesa Kristin Scott Thomas. Passou aqui em sessão única do MovieMobz.

42 – “W”, de Oliver Stone

A cinebiografia de Oliver Stone de Bush Junior. Prometia um barulhão e acabou mal fazendo um traquezinho, mas a gente tinha que ver no cinema. Mas o Josh Brolin conseguiu ainda algumas indicaçõesinhas de ator por aí (a mais importante, no Círculo de Críticos de Londres).

43 – “Che 2 – A Guerrilha”, de Steven Soderbergh

A primeira parte passou aqui, mas e a segunda? Necas. O serviço completo, né? Por favor.

44 – “Loki – Arnaldo Baptista”, de Paulo Henrique Fontenelle

O documentário sobre o ex-mutante passou – na mesma semana – no Fest Aruanda e em sessão do MovieMobz. Pareceu até que tinha entrado em cartaz, mas repetiu a sina dos documentários e foi ignorado pelo circuitinho.

Completando a lista, filmes que estrearam no Brasil em dezembro e ainda tem chances matemáticas de passar nos cinemas locais (chances reais? Alguns mais do que outros):

45 – “Ervas Daninhas”, de Alain Resnais

É o novo filme de Alain Resnais, um dos mais importantes cineastas de todos os tempos. Em um mundo justo e com bom senso, seria ser o suficiente para garantir sua exibição. Chance de passar: virtualmente zero.

46 – “Abraços Partidos”, de Pedro Almodóvar

O novo Almodóvar, com a nossa maravilhosa Pe. Tem dividido opiniões por aí, mas dane-se. Chance de passar: bastante razoável. Todos os filmes de Almodóvar desde Carne Trêmula (1997) têm passado aqui, nem que seja em sessões reduzidas.

47 – “O Fantástico Sr. Raposo”, de Wes Anderson

Animação stop-motion de um diretor que não é ligado ao gênero. Chance de passar: possível. Afinal é animação e estamos em férias. A ignorância dos exibidores vai ajudar: se soubessem quem é Wes Anderson, provavelmente a chance cairia.

48 – “Aconteceu em Woodstock”, de Ang Lee

O novo de Ang Lee, de novo investigando as entranhas da America. Chance de passar: como esse é falado em inglês, pode até ser.

49 – “Nova York, Eu Te Amo”, de vários diretores

Os pequenos curtas que declaram amor a Nova York, tal qual os de Paris, Te Amo. Chance de passar: incerta. Paris, Te Amo passou aqui, é verdade, mas foi no MAG, que está com os cinemas fechados. O Box não passou Paris e o Tambiá deve achar “inteligente demais” para o público deles, que eles acham incapazes de acompanhar uma legenda.

50 – “Julie & Julia”, de Nora Ephron

Meryl Streep e Amy Adams contando duas histórias paralelas e separadas no tempo que envolve cozinha. A diretora é a mesma das boas comédias românticas Sintonia de Amor e Mensagem para Você e roteirista do genial Harry & Sally. Chance de passar:boa. Por que não? É Hollywood, tem atrizes conhecidas, parece leve e divertido. Só o que pode atrapalhar é o engarrafamento de filmes no começo do ano.

>> 50 filmes não exibidos em João Pessoa em 2010

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