O penteado mais estranho da noite, James Cameron recebe seu Globo de melhor direção

Houve um grande vencedor no Globo de Ouro 2010? A resposta é: não. As 14 categorias para cinema foram pulverizadas entre 11 filmes diferentes. Ninguém polarizou nada e mesmo Guerra ao Terror e Nine, que saíram sem prêmio algum, podem continuar aspirando um lugar entre os indicados ao Oscar, que serão anunciados dia 2.

Avatar ganhou onde poderia: nas categorias filme/ drama e direção. Parou aí, porque não tinha nenhum ator na disputa e ninguém daria a ele um prêmio de melhor roteiro, não é mesmo? Nesse quesito esperava-se que Tarantino ganhasse aí, por Bastardos Inglórios, mas foi Jason Reitman e Sheldon Turner que ficaram com o prêmio, por Amor sem Escalas.

(Em tempo: meu amigo André Ricardo Aguiar já viu e me disse hoje que dá vontade de revê-lo imediatamente assim que acaba. Sendo de Jason Reitman, dos ótimos Obrigado por Fumar e Juno, eu acredito. Foi mal, Tarantino).

Bastardos ganhou o que todo mundo já esperava e deve ser a única pedra realmente cantada do Oscar: o prêmio de coadjuvante para Christoph Waltz.

As vitórias de Avatar e, principalmente, de Se Beber, Nâo Case como filme musical ou comédia aproximam esquisitamente esse Globo de Ouro do MTV Movie Awards. Avatar não é um caso isolado, claro: outros filmes já venceram o Globo ou o Oscar pelo lado do espetáculo – Gladiador, por exemplo, foi um deles, e nem é bom, como Avatar é.

Não percamos muito tempo com a vitória de Se Beber, Não Case, uma grande bobagem. Não que o filme seja ruim – não é – mas há coisa muito melhor. O único lado bom é que ganhou uma comédia – e não um drama que concorra ali porque é musical (como já aconteceu tantas vezes). Mesmo assim, 500 Dias com Ela é muitíssimo mais cinema – e também é comédia, se for por isso.

Sandra Bullock: finalmente uma atriz séria?

Voltando à aproximação com a MTV (ou o People Choice Awards – dá na mesma, já que os dois premiam por votação popular), está lá Sandra Bullock como a melhor atriz dramática. Dizem que a Academia adora histórias de redenção, mas é a Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood que vem mostrando nçao resistir a uma delas.

Mickey Rourke ganhou no ano passado, por exemplo. Não é o caso de Sandra, claro, que sempre foi uma estável fonte de bilheteria. Mas é um daqueles casos de uma atriz nunca levada a sério finalmente ter uma grande atuação e sair premiada – como aconteceu com Sharon Stone em Cassino, em 1995. Nem Sharon, nem Rourke ganharam o Oscar depois, mas este ano a disouta está tão equilibrada que pode sobrar para Sandra mesmo.

E – que diabo! – ela até pode estar mesmo ótima no filme.

Quem há muito tempo merecia um reconhecimento e conseguiu no Globo é Jeff Bridges. Grande ator – muito melhor que seu quase sósia Kurt Russell -, ele nunca tinha ganhado um Globo de Ouro na vida (muito menos ganhou um Oscar). A estrada é longa e George Clooney e Colin Firth permanecem na briga, mas Bridges também está nela.

Robert Downey Jr. ganhou como melhor ator/ musical ou comédia, em Sherlock Holmes – o que diz muito, sobretudo, sobre o filme. Meryl Streep, que, assim como Sandra Bullock, concorria em duas indicações simultâneas, também levou o seu: o de atriz em musical ou comédia por Julie & Julia. Foi o seu sétimo prêmio, em uma lista de inacreditáveis 25 indicações.

Scorsese, entre De Niro e DiCaprio: um dos maiores cinéfilos do mundo

Foi uma boa noite para a Pixar, que conseguiu sair do gueto de filme de animação e faturou este prêmio e mais um: o de trilha sonora. O de filme de língua não inglesa ficou com A Fita Branca, do alemão Michael Haneke – derrotando Almodóvar.

E teve aquele momento especial que foi a homenagem a Martin Scorsese, que recebeu o Prêmio Cecil B. DeMille pelo conjunto da obra das mãos dos amigos e colaboradores Robert De Niro e Leonardo DiCaprio. Scorsese foi lembrado não apenas pelo grande cineasta que é, mas também como cinéfilo – que trabalha inclusive pela preservação da memória do cinema, através de restaurações de clássicos em perigo de desaparecimento e outras ações.

E o discurso de De Niro foi grande: “Ele come filmes, bebe filme, dorme filmes. E deve até fazer sexo com filmes”. Scorsese merece tudo, é um dos meus heróis.

Veja aí as categorias todas, inclusive as de TV.

Cinema

Filme/drama: Avatar
Filme/ musical ou comédia: Se Beber, Não Case
Filme de animação: Up – Altas Aventuras
Filme de língua não inglesa: A Fita Branca
Direção: James Cameron (Avatar)
Ator/ drama: Jeff Bridges (Crazy Heart)
Actor/ musical ou comédia: Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes)
Atriz/ drama: Sandra Bullock (The Blind Side)
Atriz/ musical ou comédia: Meryl Streep (Julie & Julia)
Ator coadjuvante: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios)
Atriz coadjuvante: Mo’Nique (Preciosa)
Roteiro: Amor sem Escalas, por Jason Reitman e Sheldon Turner
Trilha sonora original: Up – Altas Aventuras, por Michael Giacchino
Canção original: “The Weary Kind”(Crazy Heart), por T-Bone Burnett, Ryan Bingham

TV

Série/ drama: Mad Men
Série/ musical ou comédia: Glee
Minissérie ou telefilme: Grey Gardens
Ator/ série/ drama: Michael C. Hall (Dexter)
Ator/ série/ musical ou comédia: Alec Baldwin (30 Rock)
Ator/ minissérie ou telefilme: Kevin Bacon (Taking Chance)
Atriz/ série/ drama: Julianna Margulies (The Good Wife)
Atriz/ série/ musical ou comédia: Toni Collette (United States of Tara)
Atriz/ minissérie ou telefilme: Drew Barrymore (Grey Gardens)
Ator coadjuvante em série, minissérie ou telefilme: John Lithgow (Dexter)
Atriz coadjuvante em série, minissérie ou telefilme: Chloë Sevigny (Big Love)