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As complicações do amor

O rosto enigmático de Léa remete à Nouvelle Vague

O cartaz já nos adianta o rosto enigmático da protagonista em A Bela Junie (La Belle Personne, França, 2008), personagem que vai ser o epicentro de conflitos amorosos assim que começa sua jornada em uma nova escola. Em torno dela, jovens e adultos amam, sofrem, brigam, chantageiam – mas o que ela quer, mesmo, nunca fica muito claro.

O olhar meio de tédio da atriz Léa Seydoux a aproxima de musas da Nouvelle Vague (Anna Karina, principalmente) e o tom da direção e roteiro de Christophe Honoré também remetem ao movimento, e mais especificamente a Truffaut: o amor como tema central, motivando todas as ações, um aspecto cotidiano e um olhar carinhoso para a juventude.

A chegada repentina de Junie à nova escola parece que é o detonador de todas as impulsividades amorosas que não existiam ou estavam escondidas. Ela é alvo do interesse de um colega tímido, mas também de um professor – que, por sua vez, é amado por um colega e outra aluna. O primo de Junie se relaciona com duas meninas, mas há mais alguém em segredo. E por aí vai.

O amor está sempre presente como um animal estranho, temeroso e que deve ser decifrado. É um aspecto presente também  em dois filmes anteriores de Honoré: Em Paris (2006) e Canções de Amor (2007). Em A Bela Junie, a narrativa é marcada pela simplicidade que ressalta o cotidiano, apenas em alguns momentos buscando planos mais rebuscados: como abrir o filme com a abertura dos portões da escola, e seu fechamento perto do fim ou uma cena quase musical estranha que antecede uma morte.

Honoré e Gilles Taurand fazem uma adaptação livre de uma obra de Madame de La Fayette, do século 17, amores jovens e arrebatadores não são novidade, mas são sempre atuais.

A Bela Junie. (La Belle Personne). França, 2008. Direção: Christophe Honoré. Elenco: Léa Seydoux, Louis Garrel, Esteban Carvajal-Alegría, Grégoire Leprince-Ringuet, Simon Truxillo, Agathe Bonitzer.

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