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Ficou pelo caminho

Uma boa premissa, mas que se perde

Apartheid alienígena: ótima premissa

No começo, Distrito 9 (District 9, Estados Unidos, 2009) parece que vai injetar sangue novo na ficção científica, assumindo o caráter de falso documentário. Mas se enrola na própria trama e das duas, uma: não consegue manter a ideia inicial e simplesmente deixa pra lá; ou não era essa a intenção e, nesse caso, o diretor Neill Blomkamp fica tempo demais brincando com o gênero.

Além do mais, o estilo documentário é uma boa sacada, mas usada com deficiência na primeira parte do filme. Está lá para, principalmente, ser didático com relação à situação da qual o filme parte, e que pode ser resumida aqui em poucas linhas: extraterrestres chegaram à Terra há 20 anos e, sem poder voltar para casa, foram instalados em um campo de refurgiados  na África do Sul que, com o tempo, virou uma favela. Agora, com a tensão entre a população local e os aliens crescendo, eles serão relocados para outro local. Mas não querem sair e instala-se a tensão.

No entanto, perde tempo explicando demais as situações. A apresentação do personagem principal (Sharlto Copley) também é irritante e a maneira como explica tudo para a câmera é absolutamente banal. Mas o pior é, depois de insistir nisso, o roteiro de Terry Tatchell e Blomkamp dar marcha-ré e comprometer toda a narrativa do filme.

Quando mostra algo que seria impossível ser registrado pela câmera do tal documentário, Distrito 9 simplesmente o esquece – embora mantenha a câmera balançando. Os depoimentos se tornam raros à medida em que o filme avança e mesmo o interessante aspecto social que o filme tem no início se perde em meio ao direcionamento de ação que ele vai ganhando e que é pura rotina. Ainda é interessante, mas poderia chegar muito mais longe, não fosse a preguiça com que sua premissa é desenvolvida. O filme praticamente desiste de si mesmo.

Distrito 9. (District 9). Estados Unidos/ Nova Zelândia, 2009. Direção: Neill Blomkamp. Elenco: Sharlto Copley, Vanessa Haywood.

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