A bonitona Kathryn Bigelow, ainda na platéia, comemora o prêmio de melhor direção

* Antes de mais nada, vou rir muito do próximo que vier com a ladainha de que para a Academia o importante é o dinheiro. Os US$ 2,5 bi de bilheteria de Avatar, que não seriam ignorados, acabaram com três Oscarzinhos e até em categorias técnicas perdeu para Guerra ao Terror – de míseros US$ 15 milhões no caixa.

* Ou seja: não é sempre, mas os membros da Academia podem, sim, valorizar mais o conteúdo que a bilheteria. E ultimamente, tem sido esse o tom. Além do mais, essa vitória pode simbolizar que os próprios trabalhadores da indústria estejam dizendo que filmes independentes precisam ter mais atenção dos estúdios e financiadores, tendo em vista as dificuldades que os pequenos vêm enfrentando. O futuro não é só o 3-D, pessoal!

* E o bombardeio de notícias ruins sobre Guerra ao Terror parece não ter surtido tanto efeito, afinal.

Sandra Bullock aceita seu Oscar por "Um Sonho Possível"

Sandra Bullock aceita seu Oscar por "Um Sonho Possível"

* Antes de ser justo ou injusto, o Oscar para Sandra Bullock foi compreensível. Em muitas medidas, parece com aquele para Julia Roberts, em 2001, por Erin Brockovich. Ambas são (ou foram) as “namoradinhas da América” e acostumadas a ter uma produção girando em torno de si. Nesses filmes, tiveram que trabalhar em prol da história, construir uma personagem – e ambas as personagens têm essa firmeza em buscar o certo, mas de uma maneira forte, atrevida.

* Além do mais, a ovação a Sandra marcou o momento da noite em que o Oscar mais voltou ao seu valor fundamental: ao de ser o reconhecimento dos colegas. Justa ou injusta, foi isso o que aconteceu com Sandra Bullock.

Kate Winslet recebe comemorando o vencedor Jeff Bridges

* Não dá para não ficar satisfeito com a vitória de Jeff Bridges. Todo mundo diz que é um cara muito querido – e a aclamação que recebeu confirma isso. Mas também é um grande ator que nem sempre teve chances reais de premiação. Todos nós temos algum filme que lembramos com carinho e que Jeff estava lá, seja Tron, Starman, Susie e os Baker Boys ou O Grande Lebowski.

* Mo’Nique é uma comediante que fez um papel muito dramático em Preciosa. Ganhou seu prêmio de coadjuvante e bem que poderia ter repetido o imortal discurso de Louise Fletcher, quando ganhou como melhor atriz por Um Estranho no Ninho, em 1976: “Adorei ser odiada por vocês”. Mas ela também fez um belo discurso, agradecendo ao marido: “por ter me mostrado que às vezes é melhor esquecer o que é popular e fazer o que é certo”.

Jon Cryer, Anthony Michael Hall, Molly Ringwald, Judd Nelson, Ally Sheedy, Macaulay Culkin e Matthew Broderick, na homenagem a John Hughes

* Bola dentro: a emocionante homenagem a John Hughes. Reunir a garota de rosa-shocking Molly Ringwald e Matthew “Ferris Bueller” Broderick no palco, depois acompanhados por John Cryer, Judd Nelson, Ally Sheedy e Macaulay Culkin. Foi bonito.

* Bola fora: a ausência de Farrah Fawcett do clipe dos que se foram no ano passado.

* Bola dentro: Steve Martin e Alec Baldwin. Estavam muito simpáticos, interagiram bem, sem qualquer agressividade e muita piadas realmente engraçadas.

* Bola fora: não realizar a homenagem dos prêmios especiais no palco. Pra mim, um absurdo total. É o momento de reverência a quem fez tanto pelo cinema. A mítica atriz Lauren Bacall, o diretor e produtor de filmes B Roger Corman, o diretor de fotografia Gordon Willis mereciam muito mais do que isso.

Tim Robbins, Colin Farrell, Vera Farmiga, Julianne Moore e Michelle Pfeiffer homenageiam os atores indicados

Tim Robbins, Colin Farrell, Vera Farmiga, Julianne Moore e Michelle Pfeiffer falam sobre os atores indicados

* Bola  dentro: repetir o esquema de falar sobre cada indicado antes da premiação de melhor ator e atriz. Ano passado, com oscarizados anteriores escalados para falar, já foi muito bonito. Melhorou mais este ano, com atores amigos na função.

* As surpresas. Para mim, o de roteiro adaptado para Preciosa e o de filme de língua não inglesa para O Segredo dos Seus Olhos. Não que sejam injustos, mas porque tudo apontava para outra direção (Amor sem Escalas em uma categoria e A Fita Branca ou O Profeta em outra). Se bem que no que se refere a Oscar de filme de língua não inglesa, a escolhas da Academia nunca têm sido nos favoritos, mesmo.

* Acho que foi nos anos 1980 que decidiram aposentar o “and the winner is…” e substituir por “and the Oscar goes to…” na hora de abrir os envelopes. Lembro que a justificativa era reduzir a idéia de que há um vencedor e quatro perdedores na festa – aquela coisa de que todos são vencedores e tal.  Agora, voltaram a usar a frase clássica.

* E a Ilustrada no Cinema contou que a audiência do Oscar, enfim, subiu. 41,3 milhões de espectadores contra 36,3 milhões do ano passado. Acho que vamos ter mais dez indicados no ano que vem…

E “the winner are”:

Jeff Bridges agradece aos pais pela profissão de ator ao ganhar seu aclamado Oscar

Filme – Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow

Direção – Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)

Ator – Jeff Bridges (Coração Louco)

Atriz – Sandra Bullock (Um Sonho Possível)

Ator coadjuvante – Christoph Waltz (Bastardos Inglórios).

Atriz coadjuvante – Mo’Nique (Preciosa – Uma História de Esperança).

Roteiro original – Guerra ao Terror, por Mark Boal

Roteiro adaptado – Preciosa – Uma História de Esperança, por Geoffrey Fletcher

Filme de animação – Up – Altas Aventuras, de Peter Docter

Filme em língua não inglesa – O Segredo dos Seus Olhos, de Juan Jose Campanella (Argentina).

Documentário – The Cove, de Louie Psihoyos e Fisher Stevens

Fotografia – Avatar, por Mauro Fiore

Montagem – Guerra ao Terror, por Bob Murawski e Chris Innis

Trilha sonora original – Up – Altas Aventuras, por Michael Giacchino.

Canção original – “The weary kind”, de Ryan Bingham e T-Bone Burnett (Coração Louco)

Kathryn Bigelow recebe seu Oscar das mãos de Barbra Streisand

Direção de arte – Avatar, por Rick Carter, Robert Stromberg e Kim Sinclair

Figurino – The Young Victoria, por Sandy Powell

Maquiagem – Star Trek, por Barney Burman, Mindy Hall, Joel Harlow

Efeitos visuais – Avatar, por Joe Letteri, Stephen Rosenbaum, Richard Baneham e Andrew R. Jones

Mixagem de som –  Guerra ao Terror, por Paul N.J. Ottosson e Ray Beckett.

Edição de som – Guerra ao Terror, por Paul N.J. Ottosson.

Curta-metragem – The New Tenants, de Joachim Back e Tivi Magnusson

Curta de animação – Logorama, de Nicolas Schmerkin

Documentário em curta-metragem – Music by Prudence, de Roger Ross Williams e Elinor Burkett

Fotos: A.M.P.A.S.

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