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A pequena gigante

Atrevida, a personagem de Sandra domina todos à sua volta e o filme inteiro

Um Sonho Possível (The Blind Side, Estados Unidos, 2009) não é um filme de Sandra Bullock, mas um filme com Sandra Bullock. Esse entedimento se faz necessário para que se entenda porque a performance da atriz conquistou tanta gente até arrebatar o Globo de Ouro, o SAG e, finalmente, o Oscar. Na prova dos 9, ela nem teve a melhor atuação do ano, nem a mais difícil. Mas o prêmio foi um reconhecimento à profissional que mostrou que podia, sim, ser bem mais que uma estrela.

Ela é Leigh Anne Tuohy, uma perua que tem uma boa vida ao lado do marido (Tim McGraw) e dos dois filhos (Lily Collins e Jae Head). Um dia, ela tem contato com o adolescente Michael Oher, o Big Mike (Quinton Aaron): negro, enorme, muito introspectivo, com dificuldades de aprendizado e, por causa da mãe viciada em drogas, pulando de um lar adotivo para outro.

Quando o mais provável seria olhar para o outro lado e seguir adiante, Leigh simplesmente leva Big Mike para sua casa e começa a procurar meios de fazê-lo se abrir e crescer. Não é surpresa que um desses meios seja o futebol americano – o termo “o lado cego” no esporte é explicado pela própria personagem em off, logo no início.

É uma história real e uma trama edificante. Mas muito por causa da personagem de Sandra Bullock, o melodrama é sabiamente evitado. Leigh, real, durona e atrevida, lembra muito o que Erin Brokovich foi para Julia Roberts – Oscar de melhor atriz incluído. A pequena Sandra se agiganta frente a Big Mike e a todos os que a cercam. A atriz inteligentemente soube evitar o histrionismo e dosar a peruice para não cair no caricato. A cena em que dá ordens da arquibancada para o treinador do time de futebol da escola é ótima.

Parece que a personagem intimidou até o diretor John Lee Hancock, que deixa que ela leve o filme e não se esforça muito no resto. Mas Um Sonho Possível não desagrada e conta bem sua história de superação, com alguns momentos cômicos de efeito (muitos deles a cargo da relação entre Aaron e o pequenino e carismático Head). E termina com um final a 2 Filhos de Francisco, com imagens dos personagens reais.

A essa altura, o espectador já foi conquistado pelo carisma de Sandra e pela coragem do filme em mostrar de modo positivo uma família republicana e conservadora e por mostrar brnacos simpáticos e salvadores em um cenário onde a questão racial se faz presente. Acredite, em pleno 2010 houve quem criticasse o filme por essas duas razões. Um Sonho Possível defende o “aceitra o bem sem se importar de quem”.

Um Sonho Possível. (The Blind Side). Estados Unidos, 2009. Direção: John Lee Hancock. Elenco: Sandra Bullock, Quinton Aaron, Tim McGraw, Jae Head, Lily Collins, Ray McKinnon, Kathy Bates.

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