Danilo, implacável: "Nunca fiz teatro, sou hetero"

O capeta em forma de guri, o Barnabé de Santo André ou outro epíteto qualquer criado pelo Marcelo Tas no CQC. Danilo Gentili foi, desde o começo, um dos destaques do programa, arrebatando prêmios de melhor humorista e revelação do ano na comédia no fim daquele ano de 2007.

Ele quase veio a João Pessoa em julho do ano passado,  mas o show foi adiado por causa de compromissos com o CQC. Agora, não só o show no Teatro Paulo Pontes foi confirmado para domingo, às 19 horas, como uma segunda sessão foi aberta às 21 horas. E, ocupadíssimo, entre uma gravação e outra para o programa, ele conseguiu um tempinho para responder rapidinho umas perguntinhas por e-mail.

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Olá, Danilo! Ao contrário de outros colegas do CQC como Marco Luque, o Andreoli e o Rafael Cortez, você chegou ao programa já com uma estrada no stand up (assim como o Rafinha e o Oscar). A experiência como repórter do programa te ajudou em alguma coisa no palco, além da popularidade?

No palco, não. Acho que o palco e a comédia e a inexperiência em TV ajudaram! A popularidade ajuda nas platéias! Já enchia teatros, hoje muito mais! Hoje consigo levar minha comédia para muito mais gente.

Já li você dizendo que faz humor desde criança, mas chegou a fazer teatro antes de se arriscar sozinho ao microfone?

Nunca fiz teatro, sou hetero! Eu sempre gostei de humor e fui atrás do que eu queria. Tive sorte de encontrar parceiros que me ajudaram no começo.

Outros humoristas falam que o stand up é particularmente difícil porque não se usa “máscaras”, é você encarando o público sozinho. Foi especialmente difícil no começo ou tirou de letra?

Sempre é difícil! Hoje é difícil. Temos de nos esforçar muito pra manter o corpo em forma, usar roupas sensuais e técnicas de sedução.

Quem são seus ídolos no stand up? Tem alguém que você admira especialmente?

Vários humoristas, entre eles George Carlin, Seinfeld, Bill Cosby, Chico Anysio, entre outros.

Você fez muito sucesso logo no começo do CQC. Aquele boom de popularidade te incomodou de alguma forma, você estranhou aquilo ou o saldo foi tão positivo que nem teve problema nenhum?

Não tive problema nenhum. Apenas vantagens, hoje não preciso mais pagar pra sair com mulheres.

Você sempre deixou claro que segue uma visão bem definida da comédia, e tem lidado com confusões nos últimos tempos por causa disso. Você acha que não há limites pra tentar fazer rir? O que você pensa a respeito?

Eu sou humorista! Faço piadas. As pessoas é que fazem confusão, as pessoas levam para outros lados. Mas o que faço é piada!

Você acha que o brasileiro, de maneira geral, ainda precisa aprender a lidar bem com o humor? Sei que você tem posições bem críticas sobre como o brasileiro lida com seus interesses – ao dar pouca importância à política, por exemplo. Acha que isso tem ligação?

No Brasil as pessoas querem dar uma de politicamente corretas o tempo todo. Isso afeta a inteligência e o senso crítico.

Por último: sempre que leio entrevistas suas em jornais e revistas, fica uma certa impressão de que você está tirando a maior onda. Você procura ser engraçado também nessas horas ou fala sério e é só impressão?

Acho que ninguém deve se levar tão a sério.

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Leia outras entrevistas com repórteres do CQC:

Marco Luque
Marco Luque (2)
Oscar Filho
Rafinha Bastos
Felipe Andreoli
Rafael Cortez

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