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Bonecos em crise existencial

Woody, Buzz e seus amigos chegam à beira do precipício em "Toy Story 3"

A resistência da Pixar em fazer continuações é benéfica: quando elas aparecem, não é de maneira alguma a toque de caixa. Com Toy Story 3 (Toy Story 3, Estados Unidos, 2010), o estúdio consegue a proeza de fazer uma sequência que se enquadra perfeitamente na série, mas é destemido em buscar uma personalidade própria. E é um filme que desde os primeiros segundos mostra que veio para fechar um ciclo.

Quem assistiu aos dois primeiros – e quem viu deve ter visto inúmeras vezes – vai perceber rápido as referências aos diálogos e situações do primeiro filme, de 1995. E vai – por mais que isso soe estranho – se colocar no lugar dos brinquedos quando eles se vêem deixados de lado pelo dono Andy, a quem sempre foram tão fiéis, agora crescido e de partida para a universidade.

Colocar brinquedos em crise existencial sempre foi uma das grandes qualidades da série. No primeiro filme, Buzz Lightyear era um brinquedo que achava que era mesmo um patrulheiro espacial e tem que enfrentar a realidade. No segundo, havia Jessie, a boneca cuja dona cresceu e que sofreu quando foi colocada para doação. Agora, todos estão sob o risco de passar por isso. E para onde ir, se acontecer?

Isso tudo está presente enquanto os brinquedos vão parar em uma creche e vivem aventuras surpreendentes. Em determinado momento, Toy Story 3 ganha até ares de filme de prisão, lembrando Papillon (1973) ou Fugindo do Inferno (1963), é sombrio e até macabro, e leva momentos dramáticos a níveis inesperados. Os dois primeiros filmes da série tiberam sua cota de humor, aventura e drama – e o segundo, em particular, é uma pequena obra-prima – mas não iam de um extremo ao outro com tanta força quanto este terceiro.

A saga de Woody e Buzz agora é, também, de Andy – mesmo que a gente só perceba isso perto do final. Há elementos que remetem ao antológico faroeste Os Brutos Também Amam (1953) e talvez, no futuro, eles se tornem tão clássicos quanto. Se o Toy Story original, o primeiro longa em animação por computador, refletia classicismo e tecnologia por meio da rivalidade entre seus dois protagonistas, e o segundo filme apostava na nostalgia e na aventura, este Toy Story 3 é sobre amadurecer – termo amplo que vale para personagens humanos e não humanos.

Deu pra sentir que estou tentando não falar muito de detalhes, não é? Bom, basta saber que o filme mantém um equilíbrio perfeito entre seus elementos e não é inadequado para as crianças. Mas qualquer adulto que tenha amado seus brinquedos não deve se surpreender se uma lagriminha rolar perto do fim. Uma parte 3 para deixar inveja à maior parte das séries existentes por aí – e, com ela, Toy Story já conseguiu seu lugar como uma das melhores trilogias da história do cinema. E isso não é brincadeira.

Toy Story 3 (Toy Story 3). Direção: Lee Unkrich. Vozes na dublagem original: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Ned Beatty, Don Rickles, Michael Keaton, Wallace Shawn, John Ratzenberger, Estelle Harris, John Morris, Jodi Benson, Laurie Metcalf, Timothy Dalton, Bonnie Hunt, Whoopi Goldberg. Vozes na dublagem brasileira: Marco Ribeiro, Guilherme Briggs, Mabel Cesar, Alfredo Martins.

O gênio Woody Allen se pautou em George Gershwin para compor o roteiro e a direção de Manhattan. E, como não poderia deixar de ser, o final é um gran finale: depois de uma decepção amorosa e de enumerar as coisas que fazem a vida valer à pena (cena que poderia estar aqui, aliás), ele Isaac chega ao rosto de Tracy, a namoradinha de 17 anos que ele dispensou pelo amor que não deu certo. Com Gershwin retumbante, ele corre para evitar que ela viaje para Londres – como ele sugeriu. E, chegando lá, ela se mostra mais uma vez mais madura do que ele. “O que são seis meses, se nos amamos?”, ela pergunta. “Não seja tão madura, ok?”, ele responde.

Manhattan (1979), dirigido por Woody Allen.

Velhinho, agora, é ele: 70 anos de Pernalonga

Um caçador é surpreendido por um coelho bem mais esperto do que ele e nasceu daí uma das maiores personalidades da história do cinema – mesmo que seja um desenho animado. The Wild Hare, curta dirigido por Tex Avery e lançado em 27 de julho de 1940, foi a estreia do Pernalonga, com a aparência que o consagrou e já em dupla com Hortelino Trocaletras. Foi nele, também, que o coelho disse pela primeira vez a frase “What’s up, doc?” (traduzida aqui como “O que é que há, velhinho?”). Aos 70 anos, o coelho continua em alta, como um verdadeiro símbolo da Warner Bros. (como o Mickey é para a Disney) e prestes a estrelar uma nova série de animação.

Ele rapidamente roubou o lugar de Gaguinho e Patolino, que eram as estrelas das séries Merrie Melodies e Looney Tunes. Antes da estreia “oficial”, ainda em formação, o coelho apareceu em quatro desenhos, como Happy Rabbit e branco. O coelho também pode ter sido inspirado na lebre que aparece em A Tartaruga e a Lebre, da série Silly Symphonies, da Disney. De qualquer forma, foi em The Wild Hare que ele firmou sua aparência (incluindo a cor cinza), trejeitos e até situações que seriam recorrentes.

O design definitivo foi de Robert McKimson e a voz do genial dublador Mel Blanc (alérgico a cenouras, mas que precisava mastigá-las porque só cenouras soavam com cenouras). Blanc envergou um sotaque que misturava os bairros nova-iorquinos do Brooklyn e do Bronx – e, por isso, ficou determinado que o coelho nasceu mesmo no Brooklyn.

No sistema de produção da Warner, os diretores podiam se dedicar a séries próprias, mas precisam cumprir um certo número de desenhos do Pernalonga. Por essa razão, é visível o estilo dos principais animadores do estúdio à frente do coelho. Os principais foram Robert Clampett (até 1946), Isadore “Friz” Freleng (que desenvolveu a série de Frajola e Piu-Piu e Ligeirinho e os desenhos do Pernalonga com Eufrazino), Robert McKimson (que criou o Frangolino e fazia os do Pernalonga em que aparecia o Diabo da Tasmânia) e, claro, Chuck Jones (que desenvolvia também o Papa-Léguas e o Coiote, curtas sem personagem fixo, como One Froggy Evening, com aquele sapo cantor, além de criar grandes momentos da dupla Gaguinho-Patolino nos anos 1950).

Com Chuck Jones, o Pernalonga chegou ao máximo. É dele o antológico What’s Opera, Doc? (1957), votado em 1994 por profissionais da área como o primeiro entre os 50 maiores desenhos animados de todos os tempos. E é dele também a trilogia em que o coelho duela freneticamente com Patolino para convencer Hortelino de que estão na temporada de caça ao coelho ou caça ao pato: Rabbit Fire (1950), Rabbit Seasoning (1952) e Duck! Rabbit! Duck! (1953).

O contraste entre o coelho, no máximo da tranqüilidade, com o exasperado Patolino mostra como os dois personagens evoluíram em dez anos e ganharam em sofisticação de suas personalidades – no começo, ambos eram pouco mais do que dois malucos caóticos. Vários desses desenhos estão disponíveis em DVD no Brasil, através da Coleção Looney Tunes, que lançou três caixas, com 11 discos ao todo e cerca de 15 episódios em cada. Infelizmente, a Warner brasileira há anos não lança novos volumes da coleção.

Após o fim dos curtas para o cinema, em 1964, Pernalonga voltou em especiais para a televisão – como Um Coelho na Corte do Rei Artur (1981) -, com participações na série Tiny Toon (1990-1992), com uma ponta memorável – contracenando com o rival Mickey – em Uma Cilada para Roger Rabbit (1988) e estrelando seus próprios filmes, com o sucesso Space Jam – O Jogo do Século (1996), ao lado de Michael Jordan, e o não tão bem sucedido Looney Tunes – De Volta à Ação (2003). A mais recente notícia sobre o coelho setentão é que uma nova série de animação está sendo produzida reunindo toda a turma: The Looney Tunes Show, com visual mais rebuscado e colocando Pernalonga e Patolino como colegas de quarto em um subúrbio. Estreia no Cartoon Network ainda no segundo semestre.

1 – JACQUELINE BISSET, por A Noite Americana

Anteriormente em Musas retroativas: 14ª em Cassino Royale; 5ª em 1968, por Bullitt; 3ª em 1970, por Aeroporto; 7ª em 1972, por Roy Bean, o Homem da Lei. Posteriormente em Musas retroativas: 8ª em 1974, por Assassinato no Orient Express.

As musas britânicas dominaram o pódio do ano de 1973, de uma maneira enviezada. Embora A Noite Americana seja um filme francês, Truffaut importou Jacqueline Bisset na terra da rainha. Julie Christie, terceira colocada, nasceu, na verdade, na Índia, mas é de ascendência inglesa. E Britt Ekland, a medalha de prata, apesar do trocadilhoso nome “Britt” e de ter feito filmes na Inglaterra, é, na verdade, sueca. Bisset foi uma das mulheres mais lindas do final dos anos 1960 e dos anos 1970. Em condições normais de temperatura e pressão, seria batida com dificuldade. Por isso, Truffaut nem teve que fazer muito esforço para emplacá-la como campeã do ano. Como nossa lista anda do fim para o começo, é preciso registrar a primeira aparição de uma das maiores musas de todos os tempos: Brigitte Bardot, por seu último filme.

2 – BRITT EKLAND, por O Homem de Palha

Anteriormente em Musas retroativas: 8ª em 1971, por Carter, o Vingador. Posteriormente em Musas retroativas: 5ª em 1974, por 007 contra o Homem com a Pistola de Ouro; 15ª em 1976, por Casanova & Company.

3 – JULIE CHRISTIE, por Inverno de Sangue em Veneza

Anteriormente em Musas retroativas: 1ª em 1965, por Doutor Jivago e também por Darling, a que Amou Demais; 2ª em 1966, por Fahrenheit 451;10ª em 1971, por Jogos & Trapaças – Onde os Homens São Homens. Posteriormente em Musas retroativas: 2ª em 1975, por Shampoo.

Diane Keaton em "Dorminhoco"

4 – DIANE KEATON, por Dorminhoco

Anteriormente em Musas retroativas: 3ª em 1972, por Sonhos de um Sedutor e por O Poderoso Chefão. Posteriormente em Musas retroativas: 3ª em 1974, por O Poderoso Chefão – Parte II; 1ª em 1975, por A Última Noite de Boris Gruschenko; 1ª em 1977, por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e por À Procura de Mr. Goodbar; 10ª em 1979, por Manhattan; 19ª em 1981, por Reds.

5 – JANE SEYMOUR, por Com 007 Viva e Deixe Morrer

Posteriormente em Musas retroativas: 10ª em 1980, por Em Algum Lugar do Passado.

6 – SYDNE ROME, por Quê?

7 – RAQUEL WELCH, por Os Três Mosqueteiros

Anteriormente em Musas retroativas: 1ª em 1966, por Um Milhão de Anos Antes de Cristo e por Viagem Fantástica; 13ª em 1967, por O Diabo É Meu Sócio. Posteriormente em Musas retroativas: 6ª em 1974, por A Vingança de Milady; 5ª em 1977, por O Príncipe e o Mendigo.

8 – MONIQUE VAN DER VEN, por Louca Paixão

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9 – LAURA ANTONELLI, por Malícia

Posteriormente em Musas retroativas: 2ª em 1977, por Esposamante.

Brigitte Bardot e Jane Birkin em “Se Don Juan Fosse Mulher”

10 – BRIGITTE BARDOT, por Se Don Juan Fosse Mulher

Anteriormente em Musas retroativas: 15ª em 1952, por Manina; 1ª em 1956, por E Deus Criou a Mulher; 3ª em 1958, por Amar É Minha Profissão e por Vingança de Mulher; 5ª em 1960, por A Verdade; 2ª em 1963, por O Desprezo; 6ª em 1965, por Viva Maria!; 11ª em 1968, por Shalako.

11 – MARGOT KIDDER, por Irmãs Diabólicas

Posteriormente em Musas retroativas: 7ª em 1978, por Superman – O Filme; 8ª em 1979, por Terror em Amityville; 7ª em 1980, por Superman II.

12 – JANE BIRKIN, por Se Don Juan Fosse Mulher

Anteriormente em Musas retroativas: 20ª em 1966, por Blow Up – Depois Daquele Beijo. Posteriormente em Musas retroativas: 12ª em 1976, por Paixão Selvagem.

13 – INGRID PITT, por O Homem de Palha

Anteriormente em Musas retroativas: 5ª em 1970, por Carmilla, a Vampira de Karstein; 12ª em 1971, por Condessa Drácula.

14 – FAYE DUNAWAY, por Os Três Mosqueteiros

Anteriormente em Musas retroativas: 4ª em 1967, por Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas; 10ª em 1968, por Crown, o Magnífico; 17ª em 1970, por Pequeno Grande Homem. Posteriormente em Musas retroativas: 10ª em 1974, por A Vingança de Milady, por Chinatown e por Inferno na Torre; 5ª em 1975, por Três Dias do Condor; 5ª em 1976, por Rede de Intrigas.

15 – VERA FISCHER, por A Super Fêmea

Posteriormente em Musas retroativas: 14ª em 1974, por As Delícias da Vida e As Mulheres que Fazem Diferente; 8ª em 1981, por Eu Te Amo e por Bonitinha, mas Ordinária; 5ª em 1982, por Amor, Estranho Amor; 10ª em 1983, por Perdoa-me por Me Traíres; 19ª em 1984, por Amor Voraz; 13ª em 1989, por Doida Demais.

16 – BARBRA STREISAND, por Nosso Amor de Ontem

Anteriormente em Musas retroativas: 17ª em 1968, por Funny Girl – A Garota Genial; 17ª em 1969, por Alô, Dolly!. Posteriormente em Musas retroativas: 15ª em 1975, por Funny Lady.

17 – NATHALIE BAYE, por A Noite Americana

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18 – GLENDA JACKSON, por Um Toque de Classe

Anteriormente em Musas retroativas: 9ª em 1969, por Mulheres Apaixonadas.

19-Cindy Williams

19 – CINDY WILLIAMS, por Loucuras de Verão

20 – DARLENE GLÓRIA, por Toda Nudez será Castigada

 


LEIA MAIS:

Musas de 1972 <<
>> Musas de 1974

Quando se fala em Intriga Internacional, todo mundo lembra… da cena do avião, é claro. A seqüência é genial, mas esta também é o máximo: Hitchcock coloca Cary Grant e Eva Marie Saint em fuga pelos rostos dos presidentes no Monte Rushmore. O cineasta sempre adorou as cenas de impacto em pontos turísticos e, aqui, tira o melhor proveito possível do cenário, criando imagens puramente expressionistas – e ainda tem o reforço da magnífica trilha de Bernard Hermann (e isso a cena do avião, sem música, não tem…).

Intriga Internacional (1959), dirigido por Alfred Hitchcock.

Eu conheci Julia Kendall em 2004. Confesso que, a princípio, o motivo do meu interesse foi mesmo a semelhança (proposital, assumida de cara) com a Audrey Hepburn. Não me arrependi, porque a revista – primeiro Julia – Aventuras de uma Criminóloga, como no original italiano, depois mudado para Aventuras de uma Criminóloga porque a editora daqueles livrinhos românticos ficou com medinho – me pegou de jeito.

A narrativa é cinematográfica e possui uma cadência admirável. Parece que cada história é pensada como um filme e a orquestração dos planos é um espanto. E há sempre brincadeiras: os personagens fixos lembram outros atores – Whoopi Goldberg, John Malkovich, John Goodman, um jovem Nick Nolte…

Pois bem. Aventuras de uma Criminóloga foi eleita algumas vezes, por prêmios e enquetes diferentes, a melhor revista mensal publicada no Brasil. É, até prova em contrário, a mais constante em termos de boa qualidade. Mesmo assim (ou talvez exatamente por isso – afinal, estamos no país do “Rebolation”) vende pouco. Isso, segundo a Mythos Editora, que anunciou o fim da publicação.

A edição atualmente nas bancas, a 68: contagem regressiva?

O último número seria o 67, de julho. Houve chiadeira dos leitores e a editora anunciou que estucou a publicação até outubro, no número 71. E deixou a esperança de, se houver um aumento nas vendas até lá, a revista será salva por mais uma temporada.

Em coma, a revista publicada originalmente pela Bonelli Comics (a mesma do Tex, Zagor, Ken Parker, Martin Mystére, Nathan Never, etc) é alvo agora de uma cruzada dos fãs – por exemplo, no blog Aventuras de uma Criminóloga. Na internet, eles tentam conquistar novos leitores para a revista e até surgiu uma medida ousada: a ideia de comprar duas revistas e presentear um possível futuro leitor com uma delas.

Assim, a venda da revista aumentaria automaticamente e ainda há o risco de parte desses novos números se manter com o tempo. Julia merece.

Em tempo: o desenho lá de cima é originalmente em preto-e-branco. A colorização show de bola é do Audaci Jr, outro fã de Julia (e da Audrey).

Ok, tem a cena do metrô em O Pecado Mora ao Lado. Mas não adianta: para mim, o máximo de Marilyn está nesta seqüência antológica de Os Homens Preferem as Loiras. Não por acaso, vive sendo imitada: por Madonna, no clipe de “Material girl”; por Nicole Kidman, em Moulin Rouge; por Kylie Minogue. Nenhuma delas amarra as chuteiras de Marilyn, como se pode ver.

Os Homens Preferem as Loiras (1953), dirigido por Howard Hawks.

François Truffaut declara seu amor à arte de fazer filmes, sob a linda trilha de Georges Delerue e com a ajuda do belíssimo rosto de Jacqueline Bisset.

A Noite Americana (1973), dirigido por François Truffaut.

Elia Kazan leva o cinema dos anos 1950 além do limite da sensualidade permitida pelo famigerado Código de Produção, através de Marlon Brando e Kim Hunter. Se alguém gritar “Stella!!” em um filme – qualquer um – saiba: é referência a esta cena.

Uma Rua Chamada Pecado (1951), dirigido por Elia Kazan.

Para começar essa séria série, acho adequado que seja a minha cena favorita do meu filme favorito. Acompanhem Gene Kelly e Donald O’Connor, se puderem, em “Moses supposes” e reparem quanto cortes tem a cena. A dança não é construída na edição aqui, não, amigo: eles dançam mesmo.

Cantando na Chuva (1952), dirigido por Gene Kelly e Stanley Donen.

O vinho é a estrela em "Sideways"

Desta vez é o vinho a principal atração do Cinema Gourmet (terça, às 19 horas): o filme da vez é o ótimo Sideways – Entre umas e Outras (2004). O filme de Alexander Payne (do também ótimo Eleição) mostra dois amigos viajando pelas regiões vinícolas da Califórnia. Um deles é apaixonado por vinhos, o outro só quer curtir às vésperas do casamento. No caminho, encontram duas grandes mulheres, aí…

O filme ganhou o Oscar de roteiro original e foi indicado a melhor filme. Muita gente achou que iria ganhar, até porque ele foi eleito o melhor filme/ drama no Globo de Ouro. Foi o melhor também no Globo de Ouro, no Bafta, no National Board of Review, quatro prêmios dos Críticos de Nova York (Filme, direção, ator – Paul Giamatti – e roteiro).

O elenco é brilhante: Giamatti, Thomas Haden Church, Sandra Oh e a linda Virginia Madsen dão ainda mais prazer para o espectador. Da linha independente de Hollywood, é nos atores que o filme se apoia com mais força e numa certa aparência despojada. Há risadas e drama em proporções semelhantes – muitas vezes misturados.

Bom, o evento vocês devem saber como funciona: o filme é exibido, eu falo sobre um pouco dele depois, a gente conversa rapidinho e há o jantar temático. É no Hardman Hotel e mais informações (como o cardápio e valores) estão no site do Gourmetidos.

Miou-Miou em “Corações Loucos”

1 – MIOU-MIOU, por Corações Loucos

Posteriormente em Musas retroativas: 11ª em 1975, por Trinity e Seus Companheiros.

Os filmes-catástrofe eram os grande campeões de bilheteria nessa primeira metade dos anos 1970. Três deles escalaram musas nessa lista: Inferno na Torre, Aeroporto 75 e Terremoto. Mas o primeira colocação ficou com o cinema francês: Miou-Miou e o rebelde Corações Loucos (que ainda emplacou mais uma: Isabelle Huppert). E em James Bnd sempre podemos coinfiar: 007 contra o Homem com a Pistola de Ouro não é nem de longe um dos melhores da série, mas rendeu duas musas : Maud Adams (que voltaria à série em 1983, em 007 contra Octopussy) e, principalmente, Britt Ekland, nossa número 5.

Teri Garr em “O Jovem Frankenstein”

2 – TERI GARR, por O Jovem Frankenstein

Posteriormente em Musas retroativas: 8ª em 1977, por Alguém Lá em Cima Gosta de Mim e por Contatos Imediatos do Terceiro Grau; 18ª em 1982, por Tootsie e por O Fundo do Coração.

Diane Keaton em “O Poderoso Chefão – Parte II”

3 – DIANE KEATON, por O Poderoso Chefão – Parte II

Anteriormente em Musas retroativas: 3ª em 1972, por Sonhos de um Sedutor e por O Poderoso Chefão; 4ª em 1973, por Dorminhoco. Posteriormente em Musas retroativas: 1ª em 1975, por A Última Noite de Boris Gruschenko; 1ª em 1977, por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e por À Procura de Mr. Goodbar; 10ª em 1979, por Manhattan; 19ª em 1981, por Reds.

Stefania Sandrelli em “Nós que Nos Amávamos Tanto”

4 – STEFANIA SANDRELLI, por Nós que nos Amávamos Tanto

Anteriormente em Musas retroativas: 6ª em 1961, por Divórcio à Italiana; 9ª em 1970, por O ConformistaPosteriormente em Musas retroativas: 16ª em 1983, por A Chave.

Britt Ekland em “007 contra o Homem com a Pistola de Ouro”

5 – BRITT EKLAND, por 007 contra o Homem com a Pistola de Ouro

Anteriormente em Musas retroativas: 8ª em 1971, por Carter, o Vingador; 2ª em 1973, por O Homem de Palha. Posteriormente em Musas retroativas: 15ª em 1976, por Casanova & Company.

Raquel Welch em “A Vingança de Milady”

6 – RAQUEL WELCH, por A Vingança de Milady

Anteriormente em Musas retroativas: 1ª em 1966, por Um Milhão de Anos Antes de Cristo e por Viagem Fantástica; 13ª em 1967, por O Diabo É Meu Sócio; 7ª em 1973, por Os Três Mosqueteiros. Posteriormente em Musas retroativas: 5ª em 1977, por O Príncipe e o Mendigo.

Goldie Hawn em “Louca Escapada”

7 – GOLDIE HAWN, por Louca Escapada

Anteriormente em Musas retroativas: 12ª em 1969, por Flor de Cacto. Posteriormente em Musas retroativas: 3ª em 1975, por Shampoo; 7ª em 1976, por O Corujão e a Gatinha; 11ª em 1978, por Golpe Sujo.

Jacqueline Bisset em “Assassinato no Orient Express”

8 – JACQUELINE BISSET, por Assassinato no Orient Express

Anteriormente em Musas retroativas: 14ª em Cassino Royale; 5ª em 1968, por Bullitt; 3ª em 1970, por Aeroporto; 7ª em 1972, por Roy Bean, o Homem da Lei; 1ª em 1973, por A Noite Americana.

Adriana Prieto em “Ainda Agarro Esta Vizinha”

9 – ADRIANA PRIETO, por Ainda Agarro Esta Vizinha

Anteriormente em Musas retroativas: 16ª em 1971, por Lúcia McCartney e por Soninha Toda Pura.

Faye Dunaway em “A Vingança de Milady”

Faye Dunaway em “Chinatown”

Faye Dunaway em “Inferno na Torre”

10 – FAYE DUNAWAY, por A Vingança de Milady, por Chinatown e por Inferno na Torre

Anteriormente em Musas retroativas: 4ª em 1967, por Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas; 10ª em 1968, por Crown, o Magnífico; 17ª em 1970, por Pequeno Grande Homem; 14ª em 1973, por Os Três Mosqueteiros. Posteriormente em Musas retroativas: 5ª em 1975, por Três Dias do Condor; 5ª em 1976, por Rede de Intrigas.

Isabelle Huppert em “Corações Loucos”

11 – ISABELLE HUPPERT, por Corações Loucos

Posteriormente em Musas retroativas: 19ª em 1991, por Madame Bovary.

Charlotte Rampling em “O Porteiro da Noite”

12 – CHARLOTTE RAMPLING, por O Porteiro da Noite

Anteriormente em Musas retroativas: 15ª em 1972, por Henrique VIII e Suas Seis Mulheres. Posteriormente em Musas retroativas: 20ª em 1977, por Orca, a Baleia Assassina; 20ª em 1980, por Memórias.

Susan Sarandon em “A Primeira Página”

13 – SUSAN SARANDON, por A Primeira Página

Posteriormente em Musas retroativas: 8ª em 1975, por Rocky Horror Show; 8ª em 1978, por Menina Bonita; 9ª em 1980, por Atlantic City; 19ª em 1983, por Fome de Viver; 18ª em 1988, por Sorte no Amor; 12ª em 1990, por Loucos de Paixão; 9ª em 1991, por Thelma & Louise.

Vera Fischer em “As Delícias da Vida”

14 – VERA FISCHER, por As Delícias da Vida e por As Mulheres que Fazem Diferente

Anteriormente em Musas retroativas: 15ª em 1973, por A Super Fêmea. Posteriormente em Musas retroativas: 8ª em 1981, por Eu Te Amo e por Bonitinha, mas Ordinária; 5ª em 1982, por Amor, Estranho Amor; 10ª em 1983, por Perdoa-me por Me Traíres; 19ª em 1984, por Amor Voraz; 13ª em 1989, por Doida Demais.

Madeline Kahn em “Banzé no Oeste”

15 – MADELINE KAHN, por Banzé no Oeste e por O JOvem Frankenstein

Maud Adams em “007 contra o Homem com a Pistola de Ouro”

16 – MAUD ADAMS, por 007 contra o Homem com a Pistola de Ouro

Genevieve Bujold em “Terremoto”

17 – GENEVIEVE BUJOLD, por Terremoto

Anteriormente em Musas retroativas: 13ª em 1969, por Ana dos Mil Dias.

Karen Black em “Aeroporto 75”

18 – KAREN BLACK, por Aeroporto 75

Magali Noel em “Amarcord”

19 – MAGALI NOEL, por Amarcord

Talia Shire em “O Poderoso Chefão – Parte II”

20 – TALIA SHIRE, por O Poderoso Chefão – Parte II

Posteriormente em Musas retroativas: 19ª em 1976, por Rocky, um Lutador.

Musas de 1973 <<
>> Musas de 1975

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Absurdo com os especialistas

Nova versão do quarteto captou bem a essência do original oitentista

A série Esquadrão Classe A fez sucesso nos anos 1980 principalmente porque era uma mistura nada ambiciosa de aventura e humor bem dosada e um equilíbrio perfeito entre seus quatro protagonistas – numa época em que até os mais ridículos filmes de ação se levavam muito a sério. O filme Esquadrão Classe A (The A-Team, Estados Unidos, 2010) preza também por isso e até consegue parecer descompromissado – embora, não seja e almeje evidentemente se tornar uma franquia.

Hannibal (Liam Neeson), Cara-de-Pau (Bradley Cooper), B.A. (Quinton “Rampage” Jackson) e Murdock (Sharlto Copley) formam uma equipe que foi expulsa com desonra do exército americano por um crime que não cometeram e trabalham como soldados da fortuna enquanto tentam limpar seus nomes. É assim que a série se apresenta já nos créditos de abertura. O filme conta como o quarteto se conheceu, como foi incriminado e sua primeira missão na clandestinidade.

O diretor Joe Carnahan entendeu direitinho que não se levar a sério é parte da receita. O filme é espirituoso, aposta em planos mirabolantes e já estabelece com inteligência a premissa ao tornar o Esquadrão Classe A famoso já durante a Guerra do Golfo por sempre topar (e realizar) missões absurdas. Com isso, o que vier de estapafúrdio no decorrer do filme está bem enquadrado dentro do universo proposto por ele.

Aqui, tudo isso funciona e sem a empáfia de, por exemplo, um John Woo em Missão Impossível 2 (2000). Mas o melhor mesmo é a interação entre os quatro personagens. Copley (o protagonista de Distrito 9, 2009) dá um show como “Mad” Murdock, Cooper e Nesson recriam e atualizam com perfeição seus personagens. A tarefa mais ingrata é a de Jackson, que não tem tamanho para impressionar como o B.A. que foi do gigante mau encarado Mr. T nos anos 1980, e é também mais – digamos – sociável. Mas mesmo assim convence e forma um time entrosado e que certamente dá vontade de ver em um novo episódio.

Esquadrão Classe A. (The A-Team). Estados Unidos, 2010. Direção: Joe Carnahan. Elenco: Liam Neeson, Bradley Cooper, Quinton “Rampage” Jackson, Sharlto Copley, Jessica Biel, Patrick Wilson, Gerald McRaney, Henry Czerny, Dirk Benedict, Dwight Schultz.

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Vazio como o deserto

O quarteto segue deslocado no cinema

Há um mistério em torno das adaptações da série Sex and the City para o cinema: por que elas não funcionam? O seriado tinha grande dose da celebração da futilidade e do con sumismo, é verdade, mas era também inteligente e, sobretudo, conciso. Michael Patrick King, que dirigiu vários episódios, por alguma razão não consegue fazer um filme com menos de 2h20 e nem preenchê-lo com algo que valha a pena. Aconteceu no primeiro e acontece de novo no sofrível Sex and the City 2 (Sex and the City 2, Estados Unidos, 2010).

O primeiro filme tinha 2h25 e mostrava cada uma das personagens principais com um problema pessoal e fugindo deles em uma viagem ao México. O segundo, cinco minutos menos longo e que esteve em cartaz esta semana em João Pessoa, mostras as quatro com problemas pessoais e… fugindo deles em uma viagem para Abu Dhabi. Pior: nem são grandes problemas, mas férias dos probleminhas do cotidiano.

Ou seja: só vai interessar mesmo aos fãs do seriado, quando muito. Se não houver uma relação prévia com Carrie (Sarah Jessica Parker), Samantha (Kim Cattrall), Charlotte (Kristin Davis) e Miranda (Cynthia Nixon), interessa muito pouco que Carrie ache o casamento um tédio, que as quatro cantem “I’m a woman” em um karaokê árabe, ou que, mesmo no Oriente Médio, elas encontrem mulheres que adoram moda.

Ainda assim, Kim Cattrall garante alguns momentos de humor e Cynthia Nixon mostra de novo que é a melhor atriz do quarteto, com a boa cena de desabafo a respeito da maternidade entre sua personagem e a de Kristin Davis. É muito pouco, no entanto, para compensar muitos pontos contra, como a péssima utilização da grande Liza Minnelli no início e o extremo vazio das situações. Uma crise no casamento porque o marido não quer sair à noite? Ahã, Carrie. Isso nos levar a um filme de 2h40 nos diz bem que filme é Sex and the City 2.

Sex and the City 2. (Sex and the City 2). Estados Unidos, 2010. Direção: Michael Patrick King. Elenco: Sarah Jessica Parker, Kristin Davis, Kim Cattrall, Cynthia Nixon, Chris Noth, David Eigenberg, Evan Handler, John Corbett, Jason Lewis, Liza Minnelli, Penélope Cruz, Miley Cyrus, Alice Eve.

Diane Keaton em “A Última Noite de Boris Gruschenko”

1 – DIANE KEATON, por A Última Noite de Boris Gruschenko

Anteriormente em Musas retroativas: 3ª em 1972, por Sonhos de um Sedutor e por O Poderoso Chefão; 4ª em 1973, por Dorminhoco; 3ª em 1974, por O Poderoso Chefão – Parte II. Posteriormente em Musas retroativas: 1ª em 1977, por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e por À Procura de Mr. Goodbar; 10ª em 1979, por Manhattan; 19ª em 1981, por Reds.

Diane Keaton não era uma pin-up, mas tinha um charme todo particular – que Woody Allen sabia captar como ninguém. Ganhou aqui e ganharia de novo dois anos depois. Mas as Musas retroativas começam a entrar em um terreno onde há lacunas difíceis de preencher. Simplesmente não deu para elencar 20 musas em 1975 – falha minha, sem dúvida, porque elas estão por aí; eu é que não vi filmes de 1975 o suficiente. Por isso, essa lista para na 15ª musa, o que pode voltar a acontecer – mas nada impede que ela seja completada depois. Muitas estreias, uma musa que conquistou seu lugar com apenas uma cena (Denise Cheshire na abertura de Tubarão) e talvez o primeiro caso de mãe e filha dessa lista: Lílian Lemmertz (a filha Júlia está na lista de 1999, por Um Copo de Cólera).

Julie Christie em “Shampoo”

2 – JULIE CHRISTIE, por Shampoo

Anteriormente em Musas retroativas: 1ª em 1965, por Doutor Jivago e também por Darling, a que Amou Demais; 2ª em 1966, por Fahrenheit 451; 10ª em 1971, por Jogos & Trapaças – Onde os Homens São Homens; 3ª em 1973, por Inverno de Sangue em Veneza.

Goldie Hawn em “Shampoo”

3 – GOLDIE HAWN, por Shampoo

Anteriormente em Musas retroativas: 12ª em 1969, por Flor de Cacto; 7ª em 1974, por Louca Escapada. Posteriormente em Musas retroativas: 7ª em 1976, por O Corujão e a Gatinha; 11ª em 1978, por Golpe Sujo.

Maria Schneider em “Profissão: Repórter”

4 – MARIA SCHNEIDER, por Profissão: Repórter

Anteriormente em Musas retroativas: 2ª em 1972, por Último Tango em Paris.

Faye Dunaway em “Três Dias do Condor”

5 – FAYE DUNAWAY, por Três Dias do Condor

Anteriormente em Musas retroativas: 4ª em 1967, por Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas; 10ª em 1968, por Crown, o Magnífico; 17ª em 1970, por Pequeno Grande Homem; 14ª em 1973, por Os Três Mosqueteiros; 10ª em 1974, por A Vingança de Milady, por Chinatown e por Inferno na Torre; Posteriormente em Musas retroativas: 5ª em 1976, por Rede de Intrigas.

Marie-Christine Barrault em “Primo, Prima”

6 – MARIE-CHRISTINE BARRAULT, por Primo, Prima

Anteriormente em Musas retroativas: 11ª em 1969, por Minha Noite com Ela.

Denise Cheshire em “Tubarão”

7 – DENISE CHESHIRE, por Tubarão

Susan Sarandon em “Rocky Horror Show”

8 – SUSAN SARANDON, por Rocky Horror Show

Anteriormente em Musas retroativas: 13ª em 1974, por A Primeira Página. Posteriormente em Musas retroativas: 8ª em 1978, por Menina Bonita; 9ª em 1980, por Atlantic City; 19ª em 1983, por Fome de Viver; 18ª em 1988, por Sorte no Amor; 12ª em 1990, por Loucos de Paixão; 9ª em 1991, por Thelma & Louise.

Lisbeth Hummel em “La Bête”

9 – LISBETH HUMMEL, por La Bête

Sirpa Lane em “La Bête”

10 – SIRPA LANE, por La Bête

Miou-Miou em “Trinity e Seus Companheiros”

11 – MIOU-MIOU, por Trinity e Seus Companheiros

Anteriormente em Musas retroativas: 1ª em 1974, por Corações Loucos.

Carrie Fisher em “Shampoo”

12 – CARRIE FISHER, por Shampoo

Posteriormente em Musas retroativas: 19ª em 1977, por Guerra nas Estrelas; 11ª em 1980, por O Império Contra-Ataca e por Os Irmãos Cara de Pau; 2ª em 1983, por O Retorno de Jedi.

Catherine Schell em “O Retorno da Pantera Cor-de-Rosa”

13 – CATHERINE SCHELL, por O Retorno da Pantera Cor-de-Rosa

Líllian Lemmertz em “Lição de Amor”

14 – LÍLLIAN LEMMERTZ, por Lição de Amor

Anteriormente em Musas retroativas: 13ª em 1970, por Copacabana Mon Amour.

Barbra Streisand em “Funny Lady”

15 – BARBRA STREISAND, por Funny Lady

Anteriormente em Musas retroativas: 17ª em 1968, por Funny Girl – A Garota Genial; 17ª em 1969, por Alô, Dolly!; 16ª em 1973, por Nosso Amor de Ontem.

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