Não costumo implicar muito com filmes dublados: devo a eles e à TV aberta uma imensa parte da minha cinefilia. Hoje parece incrível, mas houve um tempo em que filmes clássicos dominavam a programação da Sessão da Tarde. Infelizmente, era uma época em que eu ainda não era cinéfilo.

Mas peguei o Cineclube, nos começos das madrugadas de segunda para terça, na Globo, passando clássicos com som original e legenda. Vi ali John Ford, Frank Capra… E minha introdução a filmes que hoje são clássicos pop também foi com a TV aberta. Lembro com carinho que os dois primeiros filmes da Tela Quente foram O Retorno de Jedi e Os Caçadores da Arca Perdida, em 1987, lembram disso?

Lembro que a Manchete lançou na TV alguns filmaços: Guerra nas Estrelas, A Noviça Rebelde e Contatos Imediatos do Terceiro Grau. Lembro de um começo de ano – ajudem aí – em que o Supercine exibiu só clássicaços por uns três meses. Teve Doutor Jivago, A Filha de Ryan, acho que Ben-Hur

Hoje é uma realidade que parece cada vez mais distante. Parece que a TV aberta resolveu deixar esses filmes pra lá, já que a TV paga está aí, oferecendo canais inteiros a quem procura este tipo de filme, como o Telecine Cult ou o TCM. Se há muitos anos os clássicos passavam à tarde, na maior emissora do país, eles passaram para o começo da madrugada, depois para o meio da madrugada e, há pouco tempo, nem isso.

Atualmente, o Supercine tem muito pouco de “super” e até mesmo de “cine”, já que passa muito filme feito para a TV. Enquanto isso, os filmes mais interessantes da Globo passam numa sessão após o Domingo Maior, onde quase sempre rola uma tranqueira de ação, estrelada por Chuck Norris ou algo pior. Amanhã, por exemplo, vai passar Triplo X… Como não desistir?

A Band resistiu bravamente durante todos estes anos, com sua sessão Cine Band Clássicos, na madrugada do domingo para segunda. É verdade que, por muito tempo, tivemos que engolir o programa Alex Filho no lugar, com a retransmissora local atropelando o bom gosto. Pessoas de outros estados, não procurem saber o que é.

Há alguns meses, o sábado à noite (cedo!!) tem sido usado pela emissora para filmes nem tão antigos e nem tão recentes, mas sempre interessantes. Entre Dois Amores e Arizona Nunca Mais entre eles. O site da emissora é ruim de informar as próximas atrações, mas, enquanto escrevo, está começando o ótimo A Missão.

Para minha surpresa, quase não durmo esta noite porque, alta madrugada, me deparo inacreditavelmente com Johnny Guitar na Globo! Como na semana passada, também da sexta para o sábado, passou surpreedentemente Cinderela em Paris, me parece que vai ser um hábito exibir clássicos nesse dia e horário, na Globo.

Me deu vontade de fazer uma checagem periódica do que vai passar de bom nas TVs abertas. Sei que a maioria de vocês têm suas TVs pagas, mas muita gente não tem. Vale a pena mostrar que ainda há salvação para os canais gratuitos, se você procurar e estiver disposto a dormir tarde…

Sábado, 7

Hoje, ainda e combinando com o dia, tem Sábado, a comédia paulistana de Ugo Giorgetti, no Programa de Cinema (TV Brasil, 23h).

Domingo, 8

O antológico Toy Story 2 será exibido na Tempertura Máxima (Globo, 13h55).

Um filme noir colombiano é a atração do Cine Ibermedia: A História do Baú Rosado, de Libia Stella Gómez (TV Brasil, 23h).

A Sessão de Gala exibe Transamérica, pelo qual Felicty Huffman foi indicada ao Oscar (Globo, 1h15). Veja como é apropriado para o dia dos pais!

Quarta, 11

Grande pedida: 007 – Cassino Royale na Super Tela (Record, 23h15). Continuo achando que esse James Bond é um impostor, mas o filme é ótimo mesmo assim.

Quinta, 12

O Intercine tem um padrão: o pior filme geralmente ganha na votação. Mesmo assim, vale a pena ficar de olho na quinta: um dos concorrentes é Meus Quinze Anos, elogiado filme americano que foca na comunidade latina (Globo, 1h55).

Sexta, 13

O Programa de Cinema exibe o docudrama Nélson Gonçalves, com Alexandre Borges, Júlia Lemmertz e gravações originais de Nelson na trilha (TV Brasil, 22h).

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