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"The Old Dark House" (1932)

"O Homem Invisível" (1933)

"Pobre Menina Rica" (1936)

"Titanic" (1997)

Demorou um pouquinho para Gloria Stuart conseguir seu reconhecimento. Algumas décadas: só 65 anos depois que começou a carreira no cinema. Todos a conhecem como a Rose velhinha de Titanic (1997). Mas ela teve uma carreira entre 1932 e 1946: a bela loira fez filmes com James Whale (mítico diretor de Frankenstein) na Universal e um deles foi até O Homem Invisível (1933), clássico da ficção científica. Pelo jeito, parecia que ia emplacar, mas  não rolou. Andou pela Warner (fazendo Cavadoras de Ouro de 1935, de Busby Berkeley) e pela Fox (em alguns filmes ao lado de Shirley Temple). Nos anos 1940, desistiu do cinema e de atuar: passou a se dedicar à pintura. Voltou em pontas na TV lá pelos anos 1970, depois passou a papéis na telinha e no cinema. E aí, veio Titanic, indicação ao Oscar e tal. Sua personagem era centenária – parece-me que tinha 102 anos. A própria Gloria quase chegou lá: tinha 100.

Santa Monica (EUA), 4 de julho de 1910 – Los Angeles (EUA), 26 de setembro de 2010

Já viram o primeiro trailer do próximo filme dos irmãos Coen? True Grit é uma refilmagem de Bravura Indômita (1969), que deu o Oscar de melhor ator ao grande John Wayne (de tapa-olho). Jeff Bridges faz o velho xerife Rooster Cogburn, que Wayne interpretou no filme de Henry Hathaway, um veterano que é procurado por uma garota para ajuda a vingar a morte do pai dela.

Veja o trailer:

E, aqui, o trailer do original:

O que é isso, companheiro?

Lula é tão onipresente nas eleições deste ano – adversários ferozes em diversos estados fazem de tudo para parecer perceiraços do presida – que parece que ele está concorrendo a alguma coisa. Bom, pois ele ganhou uma eleição que pouca gente esperava: Lula, o Filho do Brasil foi escolhido pela comissão do MinC para ser o representante brasileiro na tentativa de beliscar uma das cinco vagas de indicados ao Oscar de melhor filme de língua não inglesa.

Apenas razoável, no máxim0, o filme de Fábio Barreto parece estar na lista apenas como figurante. Haviam vários filmes bons a serem escolhidos (É Proibido Fumar era o meu preferido, mas ainda havia As Melhores Coisas do Mundo e os elogiados Os Famosos e os Duendes da Morte e 5x Favela – Agora por Nós Mesmos, para ficar em quatro) e a ameaça maior era o péssimo – mas campeão de bilheteria Nosso Lar.

No fim, mesmo com as críticas certas que viriam lembrando o período eleitoral, relacionando a escolha com outras escolhas em editais do MinC e da Secretaria do Audiovisual, mesmo com os clamores com a inegável deficiência de qualidade que o filme tem, mesmo assim a comissão escolheu Lula, o Filho do Brasil.

Tsc, tsc.

A comissão, este ano, foi formada por Roberto Farias (cineasta e presidente da Academia Brasileira de Cinema), Clélia Bessa (produtora e professora da PUC-RJ), Elisa Tolomelli (produtora, diretora e roteirista) e Marisa Leão (produtora e presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Audiovisual do Rio de Janeiro, o Sicav), todos estes representando a Academia; Leon Cakoff (crítico, além de criador e diretor da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo) e a cineasta Tata Amaral, representando a Ancine; e o crítico Cássio Starling Carlos, Jean Claude Bernadet (Cineasta, crítico cinematográfico, escritor, teórico e professor da UnB e da USP) e o jornalista Fred Maia, estes representando o MinC.

Ou seja, gente muito boa. O que foi isso é difícil de entender.

Houve quem dissesse que foi influência do produtor Luiz Carlos Barreto, para que o filme fosse mais “vendável” no exterior. Duvido muito: essa pré-indicação não tem a menor relevância pra isso. O filme já está na Argentina, inclusive, e foi malhado, como disse o Xexéo.

Há quem ache que é puro puxa-saquismo.

Há, claro, os adeptos da teoria da conspiração de que tudo tem a ver com a eleição do dia 3. Uma forcinha a mais para Dilma, portanto (como se ela precisasse).

A própria comissão, pela fala de Roberto Farias, se justificou: a escolha teria sido porque a popularidade da figura pública de Lula no exterior ajudaria o filme na corrida pelo Oscar. No puedo creer em tamanha ingenuidade desses bambambans.

Perguntei no twitter a Ana Maria Bahiana se isso realmente seria possível – a popularidade de Lula ajudar o filme a ser indicado. Ela respondeu: “Nem pensar”.

O que ninguém considera é que o filme tenha sido escolhido em função de sua qualidade. Isso diz muita coisa sobre como esse assunto é levado. Pouquíssimas vezes nos últimos anos o filme escolhido para ser indicado ao Oscar foi um qualidade mesmo. Em geral, a comissão da vez sempre tenta adivinhar do que a Academia vai gostar – e quebra a cara.

Afinal, nem a própria Academia sabe do que gosta – é só ver a lista dos indicados recentes e os bons filmes que acabaram ficando de fora. O Sérgio Rizzo fez uma ponderação excelente sobre isso em sua coluna no Yahoo, mostrando como o processo todo acontece e que esse negócio de adivinhar é besteira.

A comissão tem é que escolher o melhor filme e pronto.

Cláudio Torres Gonzaga: um stand up conversado

Eu entrevistei o Cláudio Torres Gonzaga em 2009 (em agosto ou setembro). O texto nunca foi publicado porque o show que estava marcado para aquela época acabou adiado. Mas ele se apresenta hoje em João Pessoa (no Teatro Paulo Pontes, às 20h), com o Comédia em Pé (ao lado de Fábio Porchat, Paulo Carvalho, Léo Lins e Murilo Couto. Assim, acho que vale a publicação, enfim, do papo com o humorista e roteirista de A Grande Família.

***

Muita gente fazia teatro antes do stand up. É o seu caso, certo?

Na verdade, tenho um trabalho de ator no teatro por muitos anos. Eu admirava quem fazia humor de personagens, mas nunca tive a capacidade de fazer vozes ou imitações.

E como você conheceu o formato do stand up?

Cheguei a ver fora do país. Aqui, a gente foi o primeiro grupo.

E por que vocês resolveram apostar no formato de grupo?

Eu achava que um grupo iria diminuir as dificuldades e valorizar as capacidades de cada um. Assim, no primeiro ou no segundo shows participaram o Bruno Motta, o Rafinha, o Diogo Portugal.

E isso foi quando, exatamente?

Foi em 2005. A formação atual está desde 2006, quando entrou o Léo Lins.

Você, como comediante, acha a comédia mais difícil que fazer do que o drama?

Não acho nem que seja mais difícil ou mais fácil. Se eu tiver que fazer uma cena dramética, é impossível pra mim. Não é que a comédia seja fácil, mas é o que eu me sinto à vontade fazendo.

Depois de tanto tampo no stand up, ainda existe aquela tensão antes de entrar no palco?

Toda vez eu fico tenso. Mas essa tensão é importante. Se você estiver calmo nessa hora, não é bom. Aí, nos primeiros minutos do show, você vai sentindo a platéia.

É um responsabilidade e tanto, não? Você sozinho no palco e a platéia.

Meus amigos atores dizem: ‘Puxa, como é que você faz isso?’. E, se não dá certo, você não pode dizer que o texto não é bom, a direção não é boa – 0 porque é tudo você.

Eu percebi que os comediantes têm estilos ligeiramente diferentes ao fazer stand up e o seu, por exemplo, é mais “conversado”.

É, tem uma linha que parece mais uma conversa, uma coisa mais intimista. Eu preciso que o meu texto tenha uma boa piada. Tem outros comediantes que podem tirar o humor do físico ou das vozes.

Quando você se apresenta com o Comédia em Pe, como os textos de cada um é menor do que no solo, os shows variam muito de texto?

São diferentes, mas muito em função do público-alvo. Aqui no Rio, a gente faz shows regulares em três bairros diferentes e tem que adaptar os textos ao público. Você tem que se perguntar: ‘Você tá escrevendo pra quem?’.

Você também é redator de A Grande Família, que é um tipo de humor diferente. A maneira de criar esse humor também é diferente?

O jeito de observar é o mesmo. Eu uso ele para fazer humor em qualquer veículo. Se o cara que escreve humor não viver, não tiver uma vida comum, ele não pode escrever humor porque acaba se distanciando de um mundo real. Fazer a piada é encontrar um reflexo para a vida. Agora, como o  programa é muito antigo, a relação entre a redação e o elenco é muito natural. Você começa a escrever e os personagens falam muito ao seu ouvido.

E você criou um programa que eu nunca vi, porque só passava no Rio e eu já morava aqui, mas sobre o qual li uma materiazinha na Veja há muitos anos e achei tão legalk que nunca mais esqueci: o Paquetá Connection (uma paródia do Manhattan Connection que exibido pela antiga TV Rio)!

Ah, é! Ele tinha um repercussão cultural tão grande que a gente levou da televisão para o teatro. Isso foi em 1999 e 2000. Foi uma semente do stand up, na verdade. A diferença é que ele era todo improvisado. Quem sabe a gente um dia não coloque alguma coisa no you tube?

79. Fernanda Montenegro

Fernandona em "Central do Brasil": convencendo até Hollywood

Fernandona é hors concours. Mas aqui não se trata propriamente da melhor atriz e, sim, das preferidas – e critérios ainda mais subjetivos contam. Mas a perícia na área também – e como Fernanda pode não entrar numa lista de preferidas após a interpretação soberba em Central do Brasil (1998), que deu uma inédita indicação ao Oscar para um ator brasileiro? Ou seja: os atores da Academia se renderam a ela, mesmo com a barreira da língua e descobriram o que nós já sabemos há muito tempo. E é um prazer ver que ela brilha especialmente em papéis cômicos, que o Sílvio de Abreu teve a coragem de dar a ela em algumas novelas, como Guerra dos Sexos (1983) e Cambalacho (1986).

Vá atrás: A Falecida (1965); Tudo Bem (1978); Eles Não Usam Black-Tie (1981); A Hora da Estrela (1985); Central do Brasil (1998); O Auto da Compadecida (1999); Casa de Areia (2005).

Cena abaixo: dois monstros sagrados (ela e Paulo Autran) na impagável cena de pastelão em Guerra dos Sexos

Atriz anterior: Marcia Gay Harden

Mort Walker não queria fazer o então univesitário Zero se alistar no exército (foto: © King Features Syndicate/ Ipress)

Quais são os personagens fundamentais das tiras de jornal? Você pode fazer a lista que quiser, mas o Recruta Zero tem que estar nela. O personagem completou 60 anos este mês em plena atividade e numa incrível demonstração sobre como girar sobre o mesmo tema e não perder o fôlego. O Brasil chegou a produzir suas próprias histórias do personagem, na época em que ele tinha uma revista mensal pela RGE (depois Globo) – isso foi nos anos 1970 e 1980. Hoje, ele continua sendo encontrado nos jornais (seu lar de origem), e sempre desenhado por seu criador, Mort Walker. Conversei com ele por e-mail para uma entrevista que foi publicada hoje, no Correio da Paraíba – aqui você lê a versão estendida. Mr. Walker mostrou que um ícone pode ser também gentil, simpático e atencioso.

***

O exército americano é uma grande piada – ao menos nas tiras do Recruta Zero, um dos mais populares personagens dos quadrinhos, que completa 60 anos este mês. Criação do cartunista Mort Walker, hoje com 86 anos, o soldado folgado e preguiçoso é publicado atualmente em 1.800 jornais ao redor do mundo. E Walker, um dos principais nomes da história das HQs conversou por e-mail com o CORREIO sobre o aniversário.

Mas poderia ter sido bem diferente. Zero (Beetle Bailey, no original) estreou em 4 de setembro de 1950 não como um recruta, mas estrelando uma tira ambientada em uma universidade. Como tal, era claudicante: quando uma tira precisava ser publicada em pelo menos cem jornais para ser um sucesso, Zero chegava a 40 com esforço. Sob o risco de ser cancelada, a Guerra da Coreia acabou sendo motivo para Mort Walker fazer o malandro estudante se alistar.

“O editor de um grande jornal escreveu para o syndicate (que distribui as tiras nos EUA) e disse que Zero deveria se alistar, como todos os jovens da idade dele na América”, conta o quadrinista. “Eu não queria, mas eles insistiram. Foi imediatamente um sucesso e eu comecei a ganhar mais jornais”.

Os militares, evidentemente, torceram o nariz. “No começo, o exército não gostou de me ver fazendo graça deles e não deixou Zero ser publicado nos jornais militares”, lembra Walker. “Então, os leitores deles reclamaram e eles começaram a usar minha tira. E ela se provou tão popular que eles, afinal, me deram um prêmio e houve uma grande parada em minha homenagem no gramado da Casa Branca”.

Começou a surgir uma galeria de outros tipos impagáveis: Zero ganhou a companhia do tão violento quanto infantil Sargento Tainha, do tão molenga quanto vaidoso General Dureza, do inocente Dentinho e outros. “Todos os meus personagens são baseados em pessoas que conheci, com diferentes personalidades”, diz. “Isto mantém os personagens consistentes. Alguns são mais engraçados que outros. Eu gosto do Zero, do sargento e do general. A Dona Tetê (a secretária bonita do general) não é engraçada, mas eu a adoro”.

A tira se mantém em alta com a mesma filosofia e poucas mudanças. “Não acho que ela mudou muito. Tento mantê-la em dia com as mudanças, mas evito comentar assuntos políticos ou a guerra. Zero permanece em treinamento básico, o treinamento simples que cada soldado tem que fazer”, conta Mort Walker, que hoje escreve junto com três colaboradores e faz o lápis de todas as tiras – um de seus filhos, Greg, faz a artefinal.

“Nós passamos nossas ideias para o papel e uma vez por mês nos encontramos para selecionar as melhores”, diz Mort Walker sobre o sistema de criação das tiras do Recruta Zero. “Juntos, temos 120 esboços e usamos cerca de 30 – temos milhares em estoque. É difícil dizer quantas das ideias que uso são minhas, mas gosto de usar meu próprio trabalho, então diria que cerca de metade das que uso são minhas”.

Walker criou outras tiras. A principal foi Zezé & Cia. (Hi and Lois, no original), um derivado com a família de Zero que ganhou vida própria. “Vários quadrinhos americanos fizeram sucesso durante a II Guerra, mas morreram depois. Minhas guerras (Coreia e Vietnã) continuavam e fiquei preocupado se a tira sobreviveria quando acabassem. Foi por isso que criei Zezé & Cia.”.

Hoje, porém, ele não tem mais relação com a tira. “Eu costumava escrever, mas passei para dois dos meus filhos, Greg e Brian, e o filho de Dik Browne (criador de Hagar, o Horrível), Chance”. Dik é quem desenhava a tira, escrita por Walker.

Um de seus principais trabalhos é a criação do National Cartoon Museum, em 1974, cujo acervo está atualmente na Ohio State University. “Nós fundimos nossa coleção de 200 mil desenhos com a coleção da universidade”, conta. “Eles têm US$ 20 milhões para preparar um belo novo museu para nós, que será aberto no ano que vem”. Ele sempre foi um defensor da valorização da profissão e acha que os quadrinistas são mais respeitados hoje em dia, mas em termos.

“Eu acho que os cartunistas conseguirtam mais respeito hoje porque o museu pensou bastante neles, em salvá-los, estruturá-los, exibi-los e construir um imenso museu para convidar fãs para vê-los. Eles não têm qualquer respeito quando syndicates os jogam fora como se não tivessem valor”, afirma. “Eu usei (o museu) para anunciar que eles eram ‘a arte mais popular do mundo’. Isso faz sentido porque talvez um milhão de pessoas vejam a Mona Lisa por ano ou outras obras-primas, mas uma tira como Zero atinge 200 milhões de pessoas todo dia“.

– Coincidências do Amor: Comédia romântica, Jennifer Aniston. Pronto, tenho certeza que é o suficiente para termos uma idéia do que deve ser o filme. Ah, quer saber a história? Bem, ela quis engravidar e fez uma inseminação artificial. Mas o melhor amigo dela fez com que o sêmen dele e não de um desconhecido é que fosse usado. Anos depois, ela descobre e tal. Duração: 1h41.
– Box Manaíra 2: 14h40, 16h50, 19h10, 21h25.

– Resident Evil 4 – Recomeço: Terceira seqüência da série futurista de zumbis, ainda com Milla Jovovich. De novo, com certeza já está está aí tudo o que há para saber desse filme. Ah, quer saber a história? Alice (Milla), uma das poucas sobreviventes do mundo após a infecção que transformou quase toda a humanidade em zumbis, viaja para Los Angeles – aparentemente, único local onde podem estar a salvo. A exibição em 3D tem versões dublada e legendada. Duração: 1h37.
– Box Manaíra 2: leg.: 14h10, 16h20, 18h30, 20h40.
– Box Manaíra 6: 3D: dub.: 15h10, 17h20; leg.: 19h30, 21h40.
– Tambiá 6: dub.: 14h45, 16h45, 18h45, 20h45.

– Soberano – Seis Vezes São Paulo: Documentário que celebra os seis títulos nacionais do tricolor paulista, primeiro clube nacional a conseguir o feito (a ele juntou-se o Flamengo, no ano passado). Depoimentos de torcedores e imagens históricas. Duração: 1h30.
– Box Manaíra 3: 15h15, 17h15, 19h20, 21h20.

Os outros filmes em cartaz:

O Aprendiz de Feiticeiro
– Tambiá 3: dub.: 16h40, 20h40.

O Bem Amado –  ½
– Tambiá 1: 14h40, 18h40.

Como Cães e Gatos 2 – A Vingança de Kitty Galore
– Box Manaíra 6: 3D: dub.: 13h15.
– Tambiá 3: dub.: 14h10, 16h10, 18h10, 20h10.

Gigante
– Espaço Cine Digital: sex. a dom.: 18h30, 20h30.

Karatê Kid
– Box Manaíra 8: dub.: 15h, 18h; leg.: 20h50.
– Tambiá 4: dub.: 14h20, 17h20, 20h20.

Nosso Lar
– Box Manaíra 5: 13h45, 16h15, 18h45, 21h15.
– Tambiá 5: 14h20, 16h30, 18h40, 20h50.

A Origem –  Crítica
– Box Manaíra 7: 15h40, 21h.

Par Perfeito
– Box Manaíra 1: 14h20, 19h15.

A Ressaca
– Box Manaíra 4: 14h30, 16h40, 19h, 21h10.

Solomon Kane, o Caçador de Demônios
– Box Manaíra 1: 16h45, 21h30.

O Último Mestre do Ar½  –  Crítica
– Tambiá 2: dub.: 14h30, 16h30, 18h30, 20h30.

De cima pra baixo: Léo Lins, Paulo Carvalho, Fábio Porchat, Cláudio Torres Gonzaga e Murilo Couto; o Comédia em Pé pega a estrada

Cláudio Torres Gonzaga, Fábio Porchat, Paulo Carvalho, Léo Lins e Murilo Couto. É o Comédia em Pé, grupo pioneiro do stand up no Brasil, que vai se apresentar finalmente em João Pessoa: será  dia 25, no Teatro Paulo Pontes, às 20 horas.

Couto, que esteve na temporada passada de Malhação (não sei se está nessa – desculpe, não assisto), não está relacionado na página do grupo entre os integrantes. Pelo jeito, substitui Fernando Caruso, que não vem.

Porchat, por sua vez, já é conhecido do público pessoense: fez um show engraçadíssimo no MAG Shopping, na aurora do gênero por aqui. Ouso dizer que foi uma das três melhores apresentações de stand up que vi por aqui (outra foi a de Marco Luque e a terceira, a escolher).

Já o Cláudio Torres Gonzaga deve dizer “Consegui!” depois que o show acabar. Ele já teve duas “quase apresentações” em João Pessoa. Primeiro, um solo em junho de 2009 em um festival que também traria Porchat dois dias depois – o festival foi cancelado. Dois meses depois, seria uma apresentação do próprio Comédia em Pé – também cancelada (poucos dias antes do que seria a data marcada aconteceu a confusão da apresentação cancelada do Rafinha Bastos).

Os ingressos já estão sendo vendidos na loja Skyler, do Manaíra Shopping, e reservados pelo e-mail da produção (incenareserva@gmail.com).

No no palco estarão Cláudio Torres Gonzaga, Fábio Porchat (que já fez um show antológico no MAG Shopping), Paulo Carvalho, Léo Lins e Murilo Couto (substituindo Fernando Caruso, que não vem).

*** Adendo: os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).

"Os Primos", 1959

"As Corças", 1968

"Violette Nozière", 1978

"Madame Bovary", 1991

"Ciúme - O Inferno do Amor Possessivo", 1994

Depois de Eric Rohmer, em janeiro, lá se foi também Claude Chabrol, outro ícone da Nouvelle Vague. Os dois colegas foram críticos da Cahiers du Cinema e escreveram juntos um livro sobre a obra de Hitchcock, em 1957. Eles, Truffaut e Godard começaram a dirigir seus filmes quase ao mesmo tempo – foi Chabrol quem saiu na frente, com Nas Garras do Vício (1959), apontando a subversão que aqueles jovens pretendiam para o cinema. Os primeiros tempos foram marcados por filmes que investigavam a hipocrisia na burguesia francesa e pelo casamento com a atriz Stephane Audran – que rendeu 25 filmes juntos (mesmo depois do divórcio)! Foram filmes como As Corças (1968) e A Mulher Infiel (1969). Os cinéfilos mais recentes, no entanto, identificam Chabrol mais com Isabelle Huppert, sua musa na fase madura, com quem fez sete filmes. Começou por Violette Nozière (1978), mas o reencontro só veio com Um Assunto de Mulheres (1988). Depois, outros trabalhos elogiados: Madame Bovary (1991), Mulheres Diabólicas (1995) e A Teia de Chocolate (2000) entre eles, alguns revelando o gosto pelo suspense que rendeu o livro sobre Hitchcock lá no começo.

Paris (França), 24 de junho de 1930 – Paris (França), 12 de setembro de 2010

Cecilia, em "A Rosa Púrpura do Cairo": por que o cinema faz o que faz com a gente?

Por que gostamos de um filme e não de outro? Por que algumas cenas ficam impregnadas em nossa mente? São engraçadas? São comoventes? Tiram o fôlego? Certo, mas por que elas são assim?

Nesta segunda, começa mais uma edição do meu curso Linguagem do Cinema. A idéia é fazer um passeio pela “gramática” dos filmes, entender o processo básico da linguagem, desde o posicionamento da câmera até os efeitos psicológicos da montagem, passando pelo uso dos elementos como cenário e figurino. Tudo bem ilustradinho com cenas de filmes.

No fim, haverá análises de cenas em conjunto e de um filme inteiro, escolhido pela turma a partir de opções dadas por mim. E assim vamos, em dez encontros: do plano para a seqüência, da seqüência para o filme.

Mais informações no site do Zarinha Centro de Cultura.

O MinC divulgou dia 8 a lista com os 23 filmes nacionais que se inscreveram para concorrer à vaga na categoria de melhor filme de língua não inglesa do Oscar 2011. Como tem acontecido, uma comissão será responsável pela escolha – entre os jurados estão Jean-Claude Bernardet, Leon Cakoff e Roberto Farias. Uma novidade é que o público pode participar de uma enquete no site do MinC – o resultado vai ser levado à comissão para entrar na análise.

O escolhido será anunciado no próximo dia 23. A partir daí, ele concorre com os eleitos por cada país por uma vaga entre os cinco indicados ao Oscar – que serão anunciados em 25 de janeiro. A cerimônia de premiação – quando serão conhecidos os vencedores – está marcada para 27 de fevereiro.

Você lembra quais foram os concorrentes brasileiros nos últimos anos? Aqui vão eles: Olga (2005), 2 Filhos de Francisco (2006), Cinema, Aspirinas e Urubus (2007), O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (o que mais chegou perto de estar entre os cinco finalistas, 2008), Última Parada 174 (2009) e Salve Geral (2010).

E você conhece os concorrentes deste ano? Pois veja agora os filmes que tentam uma vaga para 2011 e seus trailers. É uma maneira, de todo modo, de se colocar em dia com a produção nacional:

– As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky. O ótimo filme de Laís é certamente um dos melhores da lista, mas se antes o MinC não indicou Chega de Saudade, que era ainda melhor… Veja a crítica.

– A Suprema Felicidade, de Arnaldo Jabor. É a volta de Jabor ao cinema, e um dos filmes da lista que ainda não estrearam (se não me engano, ele abre o Festival do Rio).

– Antes que o Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo. Produção gaúcha, é um dos três filmes da lista a falar do universo adolescente.

– Bróder, de Jeferson De. Foi premiado em Gramado esses dias. Não achei o trailer, segue matéria do Metrópole, da TV Cultura, sobre o festival, que inclui cenas do filme (que abriu o evento).

– Carregadoras de Sonhos, de Deivison Fiuza. Documentário (interessante, porque achava que só ficções pudessem concorrer – pode isso, Arnaldo?) que, ao que parece, também ainda não estreou.

– Cabeça a Prêmio, de Marco Ricca. O filme de estreia do bom ator marco Ricca na direção, história policial que vem sendo elogiada.

– 5X Favela – Agora Por Nós Mesmos, de Cacau Amaral, Cadu Barcelos, Luciana Bezerra, Manaira Carneiro, Rodrigo Felha, Wagner Novais e Luciano Vidigal. Projeto de Cacá Diegues que retoma o clássico cinemanovista Cinco Vezes Favela e soma cinco curtas realizados por jovens das comunidades.

– Chico Xavier, de Daniel Filho. O campeão de bilheteria do ano (se Nosso Lar não ultrapassá-lo), uma correta biografia do médium. Veja a crítica.

– É Proibido Fumar, de Anna Muylaert. Muito possivelmente o melhor filme da seleção, é um sensível trabalho de Anna Muylaert, com um desempenho brilhante de Glória Pires. Devia ser lançado por lá, pra nossa Glorinha de repente descolar uma indicação a melhor atriz (quem sabe?). Veja a crítica.

– Em Teu Nome, de Paulo Nascimento. Mais um filme enficando guerrilheiros contra a ditadura, abordando, desta vez, o período da anistia “ampla, geral e irrestrita”. Será diferente do outros? Já passou nos cinemas, mas não em João Pessoa.

– Hotel Atlântico, de Suzana Amaral. Um dos filmes mais comentados do ano, até por ser dirigido por quem é – Suzana fez a ótima versão de A Hora da Estrela, que deu o Urso de Prata de melhor atriz à nossa Marcelia Cartaxo, em 1985.

– Lula, o Filho do Brasil, de Fábio Barreto. A surpreprodução que conta a infância e a vida sindical do presida tem grande desempenho de Glória Pires e do protagonista, Rui Ricardo Diaz, mas gorou. Veja a crítica.

– Nosso Lar, de Wagner de Assis. O filme baseado no livro de Chico Xavier (segundo ele, psicografado) é chato de doer, mas tem arrastado um público grande ao cinema. É o maior orçamento de todos os tempos do cinema nacional. Espero que nada disso faça diferença e ele não ganhe essa.

– Olhos Azuis, de José Joffily. O filme do paraibano José Joffily discute a xenofobia através do personagem central, americano. É muto falado em inglês – será uma barreira para uma categoria que é a de melhor filme de língua não inglesa?

– Ouro Negro, de Isa Albuquerque. A trama é sobre um homem que tenta provar a existência de petróleo no Brasil nos anos 1930, a partir de Alagoas.

– O Bem Amado, de Guel Arraes. Outro sucesso de público do ano, a adaptação da peça de Dias Gomes encontrou um bom campo para germinar sob a batuta de Guel.

– O Grão, de Petrus Cariry. O filme cearense se passa no seio de uma família pobre, com uma senhora à beira da morte, mas que conta fábulas sobre um lugar de reis e rainhas.

– Os Inquilinos, de Sergio Bianchi. O diretor volta a abordar a classe média e as falhas do ser humano.

– Os Famosos e os Duendes da Morte, de Esmir Filho. Muito comentado, o longa gaúcho aborda adolescência e internet, com elenco não profissional.

– Quincas Berro D’Água, de Sérgio Machado. A obra de Jorge Amado foi adaptada aqui, onde bebuns retiram o amigo morto do próprio velório para uma última noite de farra.

– Reflexões de um Liquidificador, de André Klotzel. Um liquidificador dublado por Sélton Mello é o único amigo de uma dona de casa, depois que o marido dela desaparace. Comédia de humor negro aparentemente sem medo do nonsense.

– Sonhos Roubados, de Sandra Werneck. A boa diretora (de Pequeno Dicionário Amoroso, Amores Possíveis e Cazuza – O Tempo Não Pára) agora aborda o cotidiano de três meninas de uma comunidade carente que acabam abraçando a prostituição.

– Utopia e Barbárie, de Silvio Tendler. Tem paraibanos torcendo por este filme por causa da trilha sonora do Cabruêra. Tendler faz aí uma reflexão sobre a segunda metade do século 20. É um documentário, assim como Carregadoras de Sonho, então repito a pergunta: isso pode, Arnaldo?

– Batalha por T.E.R.R.A.: Animação digital que começou a circular por festivais em 2007, mas só chegou a entrar efetivamente em cartaz nos EUA no ano passado. Mostra os humanos invadindo um planeta – chamado Terra – que alcançou a paz há muito tempo. Na guerra que começa, uma adolescente local e um dos astronautas começam a se conhecer e se compreender. O diretor é o canadense Aristomenis Tsirbas, da área de efeitos especiais (trabalhou em Titanic, 1997, e Hellboy, 2004). Em 3D e dublado.
– Box Manaíra 6: 3D: 19h20, 21h30.

– Gigante: A co-produção encabeçada pelo Uruguai mostra um segurança de supermercado que se torna obcecado pela vidinha de uma faxineira do local, observando a rotina dela pelas câmeras de segurança. Sua vida passa a ser regida por essa observação e o desejo de conhecê-la. O filme levou três prêmios no Festival de Berlim.
– Espaço Cine Digital: sex. a dom.: 18h30, 20h30.

– A Ressaca: Quatro amigos frustrados com suas vidas entregam-se a uma bebedeira, acabam na banheira de hidromassagem de um resort e, sem saber como, voltam no tempo a 1986. Ganham, assim, a oportunidade de resolver seu passado. A premissa pouco original aposta no absurdo (hidromassagem? Mesmo?) e na nostalgia oitentista para vingar. Vamos ver se deu certo. John Cusack encabeça o elenco.
– Box Manaíra 4: 14h50, 17h, 19h10, 21h20.


– Solomon Kane, o Caçador de Demônios: Houve um tempo em que “produção européia” significava um tipo de filme bem diferente. Mas trata-se de uma aventura baseada em personagem de quadrinhos (de Robert E. Howard, o mesmo autor de Conan, o Bárbaro), se passando na Europa nos tempos da peste negra e acompanhando um herói cristão que enfrenta todo tipo de ameaças sobrenaturais.
– Box Manaíra 2: 14h20, 16h40, 19h, 21h25.

Outros filmes em cartaz:

O Aprendiz de Feiticeiro
– Tambiá 3: dub.: 14h50, 16h50, 18h50, 20h50.

O Bem Amado  –  ½
– Box Manaíra 1: 13h15, 18h40.
– Tambiá 1: 14h40, 16h40, 18h40, 20h40.

Como Cães e Gatos 2 – A Vingança de Kitty Galore
– Box Manaíra 6: 3D: dub.: 13h20, 15h20, 17h20.
– Tambiá 2: dub.: 14h10, 16h10, 18h10, 20h10.

Karatê Kid
– Box Manaíra 3: leg.: 14h, 18h50.
– Box Manaíra 7: dub.: 15h, 17h50, 20h40.
– Tambiá 5: dub.: 14h20, 17h20, 20h20.

Nosso Lar  –
– Box Manaíra 5: 13h45, 16h15, 18h45, 21h15.
– Tambiá 6: 14h20, 16h30, 18h40, 20h50.

A Origem  – –  Crítica
– Box Manaíra 7: 15h40, 21h.

Par Perfeito
– Box Manaíra 8: 14h15, 16h30, 18h55, 21h10.

REC 2 – Possuídos
– Box Manaíra 3: 16h50, 21h40.

O Último Mestre do Ar  – ½  –  Crítica
– Tambiá 4: dub.: 14h30, 16h30, 18h30, 20h30.

½

Tai chi vistoso – e só

Noah Ringer não se destaca e é sufocado pelos efeitos

Há muito tempo existe uma animosidade entre a crítica americana e o diretor M. Night Shyamalan. O cineasta se acha gênio um incompreendido e simplesmente não aceita opiniões negativas sobre seu trabalho, com reações até infantis. Os críticos, por sua vez, detonam um filme após o outro e um ou outro até exagera (embora Shyamalan realmente não tenha acertado uma desde Sinais, 2002). O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, Estados Unidos, 2010), então, foi apedrejado e estabeleceu um recorde de críticas negativas para o próprio diretor.

Tamanha rejeição pode até fazer o filme parecer não tão ruim. De fato, o desastre poderia ser maior, mas ainda assim o filme é um equívoco total. Desta vez, nem se pode dizer que Shyamalan foi ousado na temática, porque O Último Mestre do Ar, baseado na bem conceituada série animada Avatar – A Lenda da Aang, é um compêndio de tudo o que dá errado em fantasias de ação como essas: afunda nos diálogos clichês e se perde na vontade de ser um épico.

O problema começa na adaptação: a trama contínua de 20 episódios da primeira temporada de Avatar é resumida atabalhoadamente, sem fluidez, quase como um “melhores momentos”. Como tal, o tom é grandiloqüente o tempo inteiro (apoiado nisso pela péssima trilha de James Newton Howard, tentando sublinhar cada segundo como “muito importante”) – e qualquer bom diretor deveria saber que, quando o tom é acima o tempo todo, o filme torna-se monocórdio e o que é para ser realmente importante acaba não tendo importância alguma.

Gostando-se ou não do cinema de Shyamalan nos anos recentes, a verdade é que ele não conseguiu nem ser ele mesmo desta vez. Ficou deslumbrado pelos efeitos especiais, exagerando muito na dose, e tentou combinar isso com uma certa filosofia zen que o filme tenta transmitir, de autoaceitação e busca pelo equilíbrio. Combinado com as sonolentas coreografias, o resultado é pouco mais que um tai chi chuan vistoso.

O Último Mestre do Ar. (The Last Airbender, Estados Unidos, 2010). Direção: M. Night Shyamalan. Elenco: Noah Ringer, Dev Patel, Nicola Peltz, Jackson Rathbone, Shaun Toub, Aasi Mandvi, Cliff Curtis.

– Como Cães e Gatos 2 – A Vingança de Kitty Galore: O primeiro Como Cães e Gatos já não era lá essas coisas. Era uma brincadeira que unia os clichês de espionagem com os efeitos dos animais falantes de Babe, o Porquinho Atrapalhado, sobre uma guerra de inteligência militar entre felinos e caninos (tendenciosamente, com gatos como vilões e cães como heróis). O segundo vai naturalmente pelo mesmo caminho, mas com os dois grupos de unindo contra uma inimiga comum: a gata Kitty Galore, que voltou-se contra todos – animais e humanos. Para quem gosta, a atração é ser exibido em 3D. Para os desconfiados, o filme tem uma das piores avaliações de usuários da história do IMDB. Pode ser que a maior razão para vê-lo seja o novo curta por computador de Coiote e Papa-Léguas que a Warner planejou exibir antes das sessões deste filme (pelo menos nos EUA). Duração: 1h22.
– Box Manaíra 6 – 3D: 13h20, 15h20, 17h20, 19h20.
– Tambiá 6 – 14h10, 16h10, 18h10, 20h10.


– Nosso Lar: A temática espírita tem apelo no cinema nacional, disso não há dúvida. Ninguém dava nada por Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito e o filme ficou semanas em cartaz. Chico Xavier, então, é campeão de bilheteria. Agora, com ares de superprodução, 400 cópias em todo o país (número equivalente a blockbusters como Homem-Aranha), e trilha sonora de Philip Glass, Nosso Lar é a adaptação de um livro de Chico Xavier, o mais vendido dos que ele afirmou ter psicografado. É a jornada de um médico após a morte, aprendendo sobre a vida do lado de lá. Duração: 1h54.
– Box Manaíra 5: 13h45, 16h15, 18h45, 21h25.
– Tambiá 2: 14h20, 16h30, 18h40, 20h50.
– Tambiá 4: 14h20, 16h30, 18h40, 20h50.

– REC 2 – Possuídos: O primeiro REC é o melhor filme de suspense/ terror a usar o recurso de ser todo narrado através da câmera empunhada por um personagem (é melhor que A Bruxa de Blair, que Atividade Paranormal e do que Cloverfield – Monstro, então, nem se fala). Um segundo REC é, evidentemente, um risco, mas a dupla de diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza não só assumem a mesma fórmula como começam o filme 15 minutos depois do fim do primeiro, quando uma equipe da polícia invade o local para saber o que houve. Duração: 1h25.
– Box Manaíra 2: 15h10, 17h30, 19h30, 21h30.

A madrugada desta terça para quarta-feira traz mudanças profissionais para o este blogueiro. Após sete anos de casa, me despedi do Jornal da Paraíba na sexta passada – minhas últimas matérias lá saíram na edição de domingo. Os rumos me levam ao Correio da Paraíba, onde começo nesta quarta.

Com isso, o Boulevard do Crepúsculo também deixa de fazer parte do escrete de blogs do portal Paraíba 1. Encerramos uma colaboração que foi bastante prazerosa. Em ambas as empresas, deixo muitos e queridos amigos – aos quais espero somar os que virão no novo desafio profissional (além dos que reencontrarei – não são poucos).

Toda mudança me deixa apreensivo. Mas (e talvez por isso) o blog não terá mudanças. Continuarei abordando os mesmos assuntos – e espero que com mais tempo para que nos encontremos por aqui.

Labirintos da mente

Di Caprio e Elle Page, em uma realidade sonhada

A princípio, A Origem (Inception, Estados Unidos, 2010) tem cara de um grande quebra-cabeças. Ou melhor: um labirinto, referência que o próprio filme faz sobre si mesmo mais de uma vez. Labirínticas também são as explicações das regras que regem o universo fantástico onde a maior parte da história se passa. Não perca tempo demais tentando encontrar a saída desses corredores: o objetivo é mesmo deixar o espectador meio perdido e provocar essa sensação é uma das grandes qualidades do novo filme de Christopher Nolan.

Mas com um mínimo de atenção e deixando para lá os detalhes, o essencial do filme – que é o que interessa – não se perde. Nolan não quer o espectador desorientado demais, e deixa o que é fundamental muito claro. É muito bem explicado como os ladrões de sonho trabalham e como eles fazem para sair da mente da vítima. Os “sonhos dentro dos sonhos” são, também, muito diferentes uns dos outros – para facilitar ao espectador saber exatamente onde está. E, desde muito cedo, sabe-se até que a história em primeiro plano é uma farsa – e ela gruda o espectador na cadeira mesmo assim.

A equipe que invade sonhos para roubar segredos guardados no inconsciente é formada por Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Tom Hardy, Dileep Rao – cada um com uma função bem definida e explicada. Ken Watanabe é o empresário que os contrata (ou melhor: chantageia, de certa forma) não para roubar, mas para implantar uma idéia na mente de um concorrente (Cillian Murphy) – daí o “inception” do título original. DiCaprio, no entanto, é perseguido por um fantasma interior: a esposa (vivida por Marion Cotillard).

O roteiro de Nolan capricha nas idas e vindas, nos níveis de realidade, na elasticidade do tempo, sempre apoiado por um elenco impressionante (ainda estão no filme Michael Caine, Pete Postlethwaite, Tom Berenger, Lukas Haas) e por uma trilha inspiradíssima de Hans Zimmer. O diretor-roteirista tem a audácia de criar um dos maiores clímax da história do cinema (ao menos, em duração: esticando uns cinco segundos por uma boa meia hora – assista e você vai entender). E, para criar as seqüências fantásticas dos sonhos, também ousou: minimizou o uso dos computadores e criou seus cenários e efeitos à moda antiga, no set, com resultados embasbacantes.

Ele já tinha mostrado em Batman, o Cavaleiro das Trevas (2008) que mesmo à frente de um filme para multidões não se intimida em exigir mais delas que uma atitude passiva na cadeira do cinema. A última cena de A Origem é só mais um dado disso, ao provocar com inteligência discussões nos espectadores.

No fim, nada é tão complicado como parece, e trata-se mesmo é de um truque. Mas um bem engenhoso, delirante, audacioso e sofisticado. Para citar outro ótimo filme de Nolan, um grande truque.

A Origem (Inception). Direção: Christopher Nolan. Elenco: Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Tom Hardy, Cillian Murphy, Ken Watanabe, Dileep Rao, Tom Berenger, Pete Postlethwaite, Michael Caine, Lukas Haas.

Tudo funcionando

Downey Jr.: carisma por baixo da máscara de ferro

Existe aquela lei das continuações: no filme seguinte, tudo tem que ser maior e mais numeroso que o filme anterior. Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, Estados Unidos, 2010) não foge da escrita, mas também não perde de vista a química que tornou o primeiro filme tão bom, e que se resume como: o homem é mais importante que a máquina.

Há mais (e melhores) cenas de ação, mais personagens, dois vilões e até a entrada em cena do Máquina de Combate, colocando na tela dois homens de ferro. E mesmo assim a figura central é Tony Stark (Robert Downey Jr.), e todo seu cinismo e arrogância que o fazem parecer un herói sem caráter – e o deixa muito engraçado.

Stark se vê na iminência da morte porque está sendo envenenado pela própria armadura, ao mesmo tempo em que o governo americano o pressiona para que compartilhe a tecnologia criada por ele. Um rival (Sam Rockwell) e um cientista russo (Mickey Rourke) que quer se vingar dos Stark se aliam. Nick Fury (Samuel L. Jackson) da agência secreta governamental Shield reaparece para manter o convite para o Homem de Ferro integrar os Vingadores (projeto futuro do Marvel Studios que vai reunir heróis da editora de HQ).

Isso leva mais à frente o conceito de continuidade interligada entre os filmes (Homem de Ferro, O Incrível Hulk e os futuros, por enquanto, Thor e Capitão América). Para quem não acompanha todos com atenção, algumas referências podem começar a se tornar cifradas demais.

Ainda não é o caso, mas quem não é leitor de quadrinhos não vai entender a cena após os créditos (não vou contar) ou mesmo a aparição de um certo escudo durante o filme. Mas tudo isso é periférico, o importante mesmo é ver Downey Jr. arrasando de novo como Tony Stark.

Homem de Ferro 2 (Iron Man 2). Direção: Jon Favreau. Elenco: Robert Downey Jr., Don Cheadle, Scarlett Johansson, Gwyneth Paltrow, Sam Rockwell, Mickey Rourke, Samuel L. Jackson, Clark Gregg, Jon Favreau. Voz: Paul Bettany.

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