O MinC divulgou dia 8 a lista com os 23 filmes nacionais que se inscreveram para concorrer à vaga na categoria de melhor filme de língua não inglesa do Oscar 2011. Como tem acontecido, uma comissão será responsável pela escolha – entre os jurados estão Jean-Claude Bernardet, Leon Cakoff e Roberto Farias. Uma novidade é que o público pode participar de uma enquete no site do MinC – o resultado vai ser levado à comissão para entrar na análise.

O escolhido será anunciado no próximo dia 23. A partir daí, ele concorre com os eleitos por cada país por uma vaga entre os cinco indicados ao Oscar – que serão anunciados em 25 de janeiro. A cerimônia de premiação – quando serão conhecidos os vencedores – está marcada para 27 de fevereiro.

Você lembra quais foram os concorrentes brasileiros nos últimos anos? Aqui vão eles: Olga (2005), 2 Filhos de Francisco (2006), Cinema, Aspirinas e Urubus (2007), O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (o que mais chegou perto de estar entre os cinco finalistas, 2008), Última Parada 174 (2009) e Salve Geral (2010).

E você conhece os concorrentes deste ano? Pois veja agora os filmes que tentam uma vaga para 2011 e seus trailers. É uma maneira, de todo modo, de se colocar em dia com a produção nacional:

– As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky. O ótimo filme de Laís é certamente um dos melhores da lista, mas se antes o MinC não indicou Chega de Saudade, que era ainda melhor… Veja a crítica.

– A Suprema Felicidade, de Arnaldo Jabor. É a volta de Jabor ao cinema, e um dos filmes da lista que ainda não estrearam (se não me engano, ele abre o Festival do Rio).

– Antes que o Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo. Produção gaúcha, é um dos três filmes da lista a falar do universo adolescente.

– Bróder, de Jeferson De. Foi premiado em Gramado esses dias. Não achei o trailer, segue matéria do Metrópole, da TV Cultura, sobre o festival, que inclui cenas do filme (que abriu o evento).

– Carregadoras de Sonhos, de Deivison Fiuza. Documentário (interessante, porque achava que só ficções pudessem concorrer – pode isso, Arnaldo?) que, ao que parece, também ainda não estreou.

– Cabeça a Prêmio, de Marco Ricca. O filme de estreia do bom ator marco Ricca na direção, história policial que vem sendo elogiada.

– 5X Favela – Agora Por Nós Mesmos, de Cacau Amaral, Cadu Barcelos, Luciana Bezerra, Manaira Carneiro, Rodrigo Felha, Wagner Novais e Luciano Vidigal. Projeto de Cacá Diegues que retoma o clássico cinemanovista Cinco Vezes Favela e soma cinco curtas realizados por jovens das comunidades.

– Chico Xavier, de Daniel Filho. O campeão de bilheteria do ano (se Nosso Lar não ultrapassá-lo), uma correta biografia do médium. Veja a crítica.

– É Proibido Fumar, de Anna Muylaert. Muito possivelmente o melhor filme da seleção, é um sensível trabalho de Anna Muylaert, com um desempenho brilhante de Glória Pires. Devia ser lançado por lá, pra nossa Glorinha de repente descolar uma indicação a melhor atriz (quem sabe?). Veja a crítica.

– Em Teu Nome, de Paulo Nascimento. Mais um filme enficando guerrilheiros contra a ditadura, abordando, desta vez, o período da anistia “ampla, geral e irrestrita”. Será diferente do outros? Já passou nos cinemas, mas não em João Pessoa.

– Hotel Atlântico, de Suzana Amaral. Um dos filmes mais comentados do ano, até por ser dirigido por quem é – Suzana fez a ótima versão de A Hora da Estrela, que deu o Urso de Prata de melhor atriz à nossa Marcelia Cartaxo, em 1985.

– Lula, o Filho do Brasil, de Fábio Barreto. A surpreprodução que conta a infância e a vida sindical do presida tem grande desempenho de Glória Pires e do protagonista, Rui Ricardo Diaz, mas gorou. Veja a crítica.

– Nosso Lar, de Wagner de Assis. O filme baseado no livro de Chico Xavier (segundo ele, psicografado) é chato de doer, mas tem arrastado um público grande ao cinema. É o maior orçamento de todos os tempos do cinema nacional. Espero que nada disso faça diferença e ele não ganhe essa.

– Olhos Azuis, de José Joffily. O filme do paraibano José Joffily discute a xenofobia através do personagem central, americano. É muto falado em inglês – será uma barreira para uma categoria que é a de melhor filme de língua não inglesa?

– Ouro Negro, de Isa Albuquerque. A trama é sobre um homem que tenta provar a existência de petróleo no Brasil nos anos 1930, a partir de Alagoas.

– O Bem Amado, de Guel Arraes. Outro sucesso de público do ano, a adaptação da peça de Dias Gomes encontrou um bom campo para germinar sob a batuta de Guel.

– O Grão, de Petrus Cariry. O filme cearense se passa no seio de uma família pobre, com uma senhora à beira da morte, mas que conta fábulas sobre um lugar de reis e rainhas.

– Os Inquilinos, de Sergio Bianchi. O diretor volta a abordar a classe média e as falhas do ser humano.

– Os Famosos e os Duendes da Morte, de Esmir Filho. Muito comentado, o longa gaúcho aborda adolescência e internet, com elenco não profissional.

– Quincas Berro D’Água, de Sérgio Machado. A obra de Jorge Amado foi adaptada aqui, onde bebuns retiram o amigo morto do próprio velório para uma última noite de farra.

– Reflexões de um Liquidificador, de André Klotzel. Um liquidificador dublado por Sélton Mello é o único amigo de uma dona de casa, depois que o marido dela desaparace. Comédia de humor negro aparentemente sem medo do nonsense.

– Sonhos Roubados, de Sandra Werneck. A boa diretora (de Pequeno Dicionário Amoroso, Amores Possíveis e Cazuza – O Tempo Não Pára) agora aborda o cotidiano de três meninas de uma comunidade carente que acabam abraçando a prostituição.

– Utopia e Barbárie, de Silvio Tendler. Tem paraibanos torcendo por este filme por causa da trilha sonora do Cabruêra. Tendler faz aí uma reflexão sobre a segunda metade do século 20. É um documentário, assim como Carregadoras de Sonho, então repito a pergunta: isso pode, Arnaldo?

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