Cláudio Torres Gonzaga: um stand up conversado

Eu entrevistei o Cláudio Torres Gonzaga em 2009 (em agosto ou setembro). O texto nunca foi publicado porque o show que estava marcado para aquela época acabou adiado. Mas ele se apresenta hoje em João Pessoa (no Teatro Paulo Pontes, às 20h), com o Comédia em Pé (ao lado de Fábio Porchat, Paulo Carvalho, Léo Lins e Murilo Couto. Assim, acho que vale a publicação, enfim, do papo com o humorista e roteirista de A Grande Família.

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Muita gente fazia teatro antes do stand up. É o seu caso, certo?

Na verdade, tenho um trabalho de ator no teatro por muitos anos. Eu admirava quem fazia humor de personagens, mas nunca tive a capacidade de fazer vozes ou imitações.

E como você conheceu o formato do stand up?

Cheguei a ver fora do país. Aqui, a gente foi o primeiro grupo.

E por que vocês resolveram apostar no formato de grupo?

Eu achava que um grupo iria diminuir as dificuldades e valorizar as capacidades de cada um. Assim, no primeiro ou no segundo shows participaram o Bruno Motta, o Rafinha, o Diogo Portugal.

E isso foi quando, exatamente?

Foi em 2005. A formação atual está desde 2006, quando entrou o Léo Lins.

Você, como comediante, acha a comédia mais difícil que fazer do que o drama?

Não acho nem que seja mais difícil ou mais fácil. Se eu tiver que fazer uma cena dramética, é impossível pra mim. Não é que a comédia seja fácil, mas é o que eu me sinto à vontade fazendo.

Depois de tanto tampo no stand up, ainda existe aquela tensão antes de entrar no palco?

Toda vez eu fico tenso. Mas essa tensão é importante. Se você estiver calmo nessa hora, não é bom. Aí, nos primeiros minutos do show, você vai sentindo a platéia.

É um responsabilidade e tanto, não? Você sozinho no palco e a platéia.

Meus amigos atores dizem: ‘Puxa, como é que você faz isso?’. E, se não dá certo, você não pode dizer que o texto não é bom, a direção não é boa – 0 porque é tudo você.

Eu percebi que os comediantes têm estilos ligeiramente diferentes ao fazer stand up e o seu, por exemplo, é mais “conversado”.

É, tem uma linha que parece mais uma conversa, uma coisa mais intimista. Eu preciso que o meu texto tenha uma boa piada. Tem outros comediantes que podem tirar o humor do físico ou das vozes.

Quando você se apresenta com o Comédia em Pe, como os textos de cada um é menor do que no solo, os shows variam muito de texto?

São diferentes, mas muito em função do público-alvo. Aqui no Rio, a gente faz shows regulares em três bairros diferentes e tem que adaptar os textos ao público. Você tem que se perguntar: ‘Você tá escrevendo pra quem?’.

Você também é redator de A Grande Família, que é um tipo de humor diferente. A maneira de criar esse humor também é diferente?

O jeito de observar é o mesmo. Eu uso ele para fazer humor em qualquer veículo. Se o cara que escreve humor não viver, não tiver uma vida comum, ele não pode escrever humor porque acaba se distanciando de um mundo real. Fazer a piada é encontrar um reflexo para a vida. Agora, como o  programa é muito antigo, a relação entre a redação e o elenco é muito natural. Você começa a escrever e os personagens falam muito ao seu ouvido.

E você criou um programa que eu nunca vi, porque só passava no Rio e eu já morava aqui, mas sobre o qual li uma materiazinha na Veja há muitos anos e achei tão legalk que nunca mais esqueci: o Paquetá Connection (uma paródia do Manhattan Connection que exibido pela antiga TV Rio)!

Ah, é! Ele tinha um repercussão cultural tão grande que a gente levou da televisão para o teatro. Isso foi em 1999 e 2000. Foi uma semente do stand up, na verdade. A diferença é que ele era todo improvisado. Quem sabe a gente um dia não coloque alguma coisa no you tube?

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