O Bugu de Roger Cruz,...

Quando o primeiro MSP 50 foi lançado, muita gente que não é da área deve ter se surpreendido em haver no Brasil 50 quadrinistas talentosos, capazes de tais releituras dos personagens criados por Maurício de Sousa. Pois e estes outros 50 que estrelam MSP+50 – Maurício de Sousa por Mais 50 Artistas (Panini, 216 páginas, em capa dura ou cartonada)? Nele, revelações dividem espaço com grandes nomes como Rafael Grampá, Allan Sieber, Roger Cruz e Mozart Couto.

O editor Sidney Gusman, da Maurício de Sousa Produções, reuniu um time que realizou um trabalho tão bom quanto o primeiro álbum. A principal diferença é que o original tinha muito forte o clima de homenagem pelos 50 anos de carreira de Maurício e este não mais. “Eu pedi que esquecessem o negócio da homenagem e aproveitassem a chance para fazer a história que quisessem”, explica Gusman, por telefone, de São Paulo.

... a Mônica de Romahs,...

O resultado tem como uma grande qualidade, mais uma vez, a variedade. Há HQs que imaginam a Turma da Mônica por um tom realista (a de Rogério Vilela, por exemplo, autor de Joquempô), ou como HQ franco-belga (a de Ricardo Manhães), mangás (a de Kako) e por aí vai. Há estilos tão particulares que são até difícil definir (caso do Jotalhão minimalista de André Ducci e as HQs de Rafael Coutinho e Caco Galhardo).

“Eu podia montar um álbum só com HQs de super-heróis, ou tiras, ou underground”. conta o editor. “Mas isso não passaria o que eu quero para o livro”.

Tão variados quanto os estilos foi a escolha dos personagens – como no álbum original, os convidados tiveram liberdade. “Isso me deixou absolutamente feliz: ter o maior número possível de personagens, mas não queria pautar ninguém”, diz o editor.

Assim, Mônica e seus amigos aparecem muito, e o Chico Bento também. Mas dois que seriam menos cotados voltaram a se mostrar preferidos dos quadrinistas: o Piteco e o Astronauta.

...a Tina de Adriana Mello...

“O Astronauta é o mais próximo de ficção científica que o Maurício tem e antes as histórias dele tinham aquele caráter filosófico”, analisa Gusman. O Piteco e sua ambientação pré-histórica também se motraram atraentes a quem quis contar uma trama de aventura.

Mas há personagens  curiosos no centro de algumas histórias: Rosinha (a namorada do Chico Bento), a Pipa (normalmente coadjuvante da Tina, mas protagonista numa bela HQ de Fernanda Chiella), o Jeremias, o Bugu (que Roger Cruz coloca em um reality show!) e o Nico Demo. Essa variedade acbou surgindo naturalmente, mas uma ou outra vez Gusman acabou fazendo sugestões. “Disse ao André Ducci que ele poderia escolher quem quisesse, mas que, pelo trabalho dele, se ele desenhasse a turma do Jotalhão ficaria ótimo. E, mesmo assim, ele me respondeu: ‘Não tenha dúvida que é ele'”, conta Sidney.

Muitos autores se tornaram conhecidos no mercado através do MSP 50 e, agora, do MSP+50. “Você não tem noção do tanto de autor que pegou frila por causa dos álbuns”, conta Sidney Gusman. “O Vítor Cafaggi, das Aventuras do Pequeno Parker, até está publicando em jornal”. Por isso, se antes o caráter era de homenagem, agora a idéia se sustenta sozinha. “Os álbuns se tornaram um catálogo do que há de melhor na HQ nacional”, continua.  “A maioria desses autores nunca foi tão lida quanto nesses álbuns”.

O sucesso ajudou a fortalecer uma continuação. “Com o MSP 50, foi a primeira vez que uma HQ apareceu na lista das mais vendidas da Bienal (o álbum foi lançado na Bienal do Rio, em 2009)”, lembra Gusman. A estratégia de lançamento do novo álbum usou muito o twitter: os convidados foram revelados aos poucos, assim como, depois, alguns previews das páginas. E os quatro principais portais do país também receberam previews, que colocaram em suas capas no mesmo dia.

E vem aí mais um, incentivado pelo próprio Maurício de Sousa. “Ele entrou na minha sala e disse: ‘Eu sei que você não quer, mas tem que fazer o terceiro. Tem mais 50?’. Respondi: ‘Fácil’. ‘Então faz, Sidão!’”. O terceiro álbum, antes mesmo de ser anunciado, já tinha “candidatos” que se ofereciam enviado até histórias já prontas para o editor. “Já tem caras na internet me mandando Os Sousa!”, espanta-se. “Mais de 120 pessoas já pediram para entrar no livro”.

...e Pipa e Zecão por Fernanda Chiella

Mas ele também avisou que esse expediente não adianta porque a seleção é feita a partir dos trabalhos naturais dos autores. Atualmente, a lista já está pronta e Sidney Gusman está convidando os participantes do terceiro álbum. A relação de carinho dos quadrinistas brasileiros com a obra de Maurício de Sousa é algo que encanta Sidney Gusman e mostra como o projeto é mesmo especial. “Tem cara que pira, quando eu ligo e convido. Tem caraque grita, tem cara que chora”, revela.

Mas, embora um dos nortes do projeto seja a diversificação dos convidados por estados brasileiros, nenhum quadrinista paraibano está no MSP 50 ou no MSP+50. Sidney Gusman garante que, no terceiro álbum, a história será diferente: tem paraibano na lista. Mas ele mantém a sete chaves qualquer um dos nomes.

Catalisador dos álbuns, Maurício ainda se emociona com o projeto. “Ele me revelou uma vez: ‘O álbum me faz sentir desenhista de novo’”, confidencia Sidney Gusman. Que venha o terceiro, então.

*Versão estendida de matéria publicada no Correio da Paraíba.

Mais:

– Leia a minha entrevista com Maurício de Sousa (em quatro partes)
– Assista o Comic Show sobre Maurício de Sousa
– Minha entrevista com Sidney Gusman sobre o MSP 50
– Crítica do MSP 50
– Matéria sobre Turma da Mônica – Romeu e Julieta

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