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Foi a década da tecnologia? Com a Pixar fazendo obras-primas a granel em animação por computador, o 3D de Avatar quebrando recordes de bilheteria e efeitos criando personagens digitais, a tentação é dizer que sim.
Mas aí vem o cinema argentino, vem Clint Eastwood e o preto-e-branco de A Fita Branca e mostram que a década foi muito mais rica que isso. Relembre aqui fatos marcantes da década e confira uma lista com 15 filmes fundamentais do século (até agora).

A INFALÍVEL PIXAR
A Pixar começou a década com Monstros S.A. (2001) e terminou com Toy Story 3 (2010). Foram oito filmes, quase todos extraordinários: como Procurando Nemo (2003), Rataouille (2007), Wall-E (foto, 2008) e Up (2009). Foi a maior combinação de arte e entretenimento da décadas – por isso, foi comprada pela Disney e John Lasseter, seu fundador, agora comanda o setor de animação da nave-mãe.

ERA DOS SUPER-HERÓIS
No final da década passada, com X-Men – O Filme (2000), os estúdios redescobriram o filão das HQs. Vários heróis ganharam as telas desde então, cada um na tentativa de dar início a uma série de sucesso: entre tantos, Homem-Aranha (2002/ 04/ 07) e Homem de Ferro (2008/ 10) se deram melhor. Mas o destaque foi, claro, para Batman Begins (2005) e, principalmente, Batman, o Cavaleiro das Trevas (2008), que deu o Oscar de coadjuvante a Heath Ledger, como o Coringa.

SAINDO DA TELA
Cinema em 3-D existe desde os anos 1950, mas novas tecnologias geraram uma nova geração de filmes que apostam no efeito. O advento de Avatar (2009) causou furor a respeito de uma nova era no cinema. O filme fez grande sucesso, mas um ano e vários filmes ruins depois bastaram para que víssemos que não é bem assim. Mas essa terceira dimensão artificial (existe aquela que a gente simplesmente forma na nossa mente) se tornou ao menos mais uma ferramente a ser usada. A questão é: até onde o efeito deve se sobrepor ao filme?

CINEMA NA TV
Com Hollywood em crise, sem espaço para projetos arrojados, foi a TV que acabou trazendo novidades, como as séries 24 Horas (2001-10), Lost (2004-10), Roma (2005-07) e Mad Men (2007-ainda em exibição). Com ousadias formal e temática nas quais os estúdios de Hollywood pouco se atreveram a arriscar – preferindo os êxitos certos de bilheteria – a TV ganhou importância.

NÃO ESTÁ LÁ, MAS EXISTE
A trilogia O Senhor dos Anéis (2001/ 02/ 03) causou furor com o Gollum, personagem digital, mas que parecia tão real quanto os demais atores (ao contrário do Jar-Jar Binks de A Ameaça Fantasma, 1999). Depois dele, ficou comum os atores contracenarem com o nada (como em King Kong, 2005) para dizer tudo.

O MUNDO DE MEIRELLES
Cidade de Deus (2002) mexeu com o cinema brasileiro como não acontecia há tempos. Mostrou que relevância temática e excelência narrativa e de produção podem andar juntas. Dele descendem os dois Tropa de Elite (2007/ 10), cuja parte 2 quebrou o recorde de bilheteria do cinema nacional. Meirelles passou bem às produções internacionais, com O Jardineiro Fiel (2005) e Ensaio sobre a Cegueira (2007). É o grande nome do cinema brasileiro da década.

QUINZE FILMES QUE MARCARAM A DÉCADA

"O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" (França/ Alemanha, 2001), de Jean-Pierre Jeunet

Os recursos visuais criam uma Paris de sonho para a fábula de Amélie e sua missão de felicidade.

"O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" (Nova Zelândia/ EUA, 2001), de Peter Jackson

O início da trilogia mostrou que, sim, era possível recriar a Terra-Média no cinema.

"A Viagem de Chihiro" (Japão, 2001), de Hayao Miyazaki

No auge da animação por computador, quando até a Disney chegou a abandonar o processo tradicional, Miyazaki continuou fazendo obras-primas desenhadas à mão.

"Cidade de Deus" (Brasil/ França, 2002), de Fernando Meirelles

Sucesso mundial, mostrou que é possível unir temas importantes e narrativa empolgante no Brasil.

"Oldboy" (Coréia do Sul, 2003), de Chan-Wook Park

O grande momento de uma nova onda do cinema sul-coreano que chegou ao Ocidente.

"Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" (EUA, 2004), de Michel Gondry

O roteiro de Charlie Kaufman mistura memória e imaginação na história de amor da década.

"Menina de Ouro" (EUA, 2004), de Clint Eastwood

Ponto alto da década para o maduro diretor desfilou um filme antológico após o outro, sempre tirando grande força da simplicidade.

"Pequena Miss Sunshine" (EUA, 2006), de Jonathan Dayton e Valerie Faris

O cinema independente americano foi responsável por várias pérolas. Essa foi uma das maiores, com um elenco redondo revelando dois grandes atores jovens: Abigail Breslin e Paul Dano.

"Batman, o Cavaleiro das Trevas" (EUA, 2008), de Christopher Nolan

Na década dos filmes de super-heróis, o subgênero foi elevado aqui a um outro nível, denso e complexo.

"Wall-E" (EUA, 2008), de Andrew Stanton

Vários filmes da Pixar poderiam estar nesta lista, mas este extrapola os limites da ousadia com um começo quase mudo, previsões sombrias para a humanidade e um pequeno homem de lata com um grande coração.

"Avatar" (EUA/ Reino Unido, 2009), de James Cameron

O filme que anunciou uma nova era do 3-D – que não se concretizou totalmente – e se tornou a maior bilheteria da história.

"A Fita Branca" (Alemanha/ Áustria/ França/ Itália, 2009), de Michael Haneke

Em tempos de 3-D, um filme em preto-e-branco mostrou que não precisava de efeitos especiais para ser ainda mais poderoso.

"O Segredo dos Seus Olhos" (Argentina/ Espanha, 2000), de Juan Jose Campanella

O cinema argentino brilhou com uma fase de histórias sensíveis e intimistas e chegou ao auge com este filme, elogiado por todos.

* Publicado no Correio da Paraíba, em 31 de dezembro de 2010.

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Essa entrevista foi feita antes de assistir ao delicioso Desenrola, em cartaz aí nos cinemas. Foi publicada no 13/1, no Correio da Paraíba, para o lançamento do filme, e está aqui em versão levemente estendida. A crítica saiu hoje no jornal e nos próximos dias estará aqui no blog, mas adianto que gostei muito. A história da produção também é bacana e Rosane conta como foi nesse papo, que também foi ótimo.

***

Olivia Torres (Priscila) vive a paixão pelo bonitão Rafa (Kayky Brito)

Se As Melhores Coisas do Mundo (2009) mostrava os adolescentes paulistanos e Os Famosos e os Duendes da Morte (2009) mostrava os do interior do Rio de Grande do Sul, chegou a vez dos cariocas com Desenrola (Brasil, 2010), de Rosane Svartman. Fruto de um intenso diálogo com os próprios jovens através de encontros e projetos. “Nossa primeira lição é a de que é preciso dialogar com esse público, que está acostumado a interagir com as coisas”, diz Rosane, que, por telefone, do Rio de Janeiro, conversou com o CORREIO sobre o filme.

Para falar de primeira vez, a Raccord Produções primeiro produziu uma série de documentários e, depois, partiu para uma websérie. “Lá falamos de várias ‘primeiras vezes’. E havia a interação: os personagens estavam nas redes sociais, tinham blogs…”, conta a cineasta.

Para o longa, a equipe voltou à pesquisa. “A gente foi às escolas, leu o roteiro nas salas de aula”, lembra ela. “A gente foi ouvindo os adolescentes, filtrando as opiniões”. A produção também voltou a usar as redes sociais, o que ampliou o universo da pesquisa além do Rio. “As ferramentas sociais me faziam ir a lugares onde eu não podia”, diz Rosane.

“A segunda lição foi de que algumas coisas continuam muito parecidas”, afirma a diretora, que viveu sua adolescência nos anos 1980. O filme se concentra na história de Priscila (Olivia Torres), 16 anos, e pela primeira vez sozinha em casa por alguns dias e vivendo diversas “primeiras vezes”: a desejada é a transa com o garoto do bairro de quem gosta, sem perceber que há um amigo também apaixonado por ela.

“A gente desde o início viu que um adolescente de 15 anos é muito diferente de um de 17”, conta Rosane. “E eu queria muito que os atores tivesses a idade dos personagens”. Kayky Brito é o jovem mais conhecido do elenco, mas adultos famosos como Cláudia Ohana, Letícia Spiller, Marcelo Novaes, Juliana Paes e até Pedro Bial – fazem participações.

Assim como Heitor Martinez e Ernesto Piccolo, dois dos atores principais de Como Ser Solteiro, primeiro longa de Rosane e do qual Desenrola herda um certo jeito carioca – livre, leve e solto – de ser. “A diferença é que sobre o Como Ser Solteiro, eu andava com aquela turma. Eu anotava as piadas, falas, idéias… Eu conhecia aqueles personagens”, lembra.

Mas Rosane acredita que não serão apenas os jovens cariocas que vão se identificar com Desenrola. “É uma história de classe média, onde ninguém aprende piano aos seis anos nem atravessou o Atlântico num monomotor”, diz. “A gente entrevistava os adolescentes e muitos não queriam falar, dizendo ‘Minha história não tem nada demais’. Mas o que se vê é que aquele comum é muito especial”.

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