Essa entrevista foi feita antes de assistir ao delicioso Desenrola, em cartaz aí nos cinemas. Foi publicada no 13/1, no Correio da Paraíba, para o lançamento do filme, e está aqui em versão levemente estendida. A crítica saiu hoje no jornal e nos próximos dias estará aqui no blog, mas adianto que gostei muito. A história da produção também é bacana e Rosane conta como foi nesse papo, que também foi ótimo.

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Olivia Torres (Priscila) vive a paixão pelo bonitão Rafa (Kayky Brito)

Se As Melhores Coisas do Mundo (2009) mostrava os adolescentes paulistanos e Os Famosos e os Duendes da Morte (2009) mostrava os do interior do Rio de Grande do Sul, chegou a vez dos cariocas com Desenrola (Brasil, 2010), de Rosane Svartman. Fruto de um intenso diálogo com os próprios jovens através de encontros e projetos. “Nossa primeira lição é a de que é preciso dialogar com esse público, que está acostumado a interagir com as coisas”, diz Rosane, que, por telefone, do Rio de Janeiro, conversou com o CORREIO sobre o filme.

Para falar de primeira vez, a Raccord Produções primeiro produziu uma série de documentários e, depois, partiu para uma websérie. “Lá falamos de várias ‘primeiras vezes’. E havia a interação: os personagens estavam nas redes sociais, tinham blogs…”, conta a cineasta.

Para o longa, a equipe voltou à pesquisa. “A gente foi às escolas, leu o roteiro nas salas de aula”, lembra ela. “A gente foi ouvindo os adolescentes, filtrando as opiniões”. A produção também voltou a usar as redes sociais, o que ampliou o universo da pesquisa além do Rio. “As ferramentas sociais me faziam ir a lugares onde eu não podia”, diz Rosane.

“A segunda lição foi de que algumas coisas continuam muito parecidas”, afirma a diretora, que viveu sua adolescência nos anos 1980. O filme se concentra na história de Priscila (Olivia Torres), 16 anos, e pela primeira vez sozinha em casa por alguns dias e vivendo diversas “primeiras vezes”: a desejada é a transa com o garoto do bairro de quem gosta, sem perceber que há um amigo também apaixonado por ela.

“A gente desde o início viu que um adolescente de 15 anos é muito diferente de um de 17”, conta Rosane. “E eu queria muito que os atores tivesses a idade dos personagens”. Kayky Brito é o jovem mais conhecido do elenco, mas adultos famosos como Cláudia Ohana, Letícia Spiller, Marcelo Novaes, Juliana Paes e até Pedro Bial – fazem participações.

Assim como Heitor Martinez e Ernesto Piccolo, dois dos atores principais de Como Ser Solteiro, primeiro longa de Rosane e do qual Desenrola herda um certo jeito carioca – livre, leve e solto – de ser. “A diferença é que sobre o Como Ser Solteiro, eu andava com aquela turma. Eu anotava as piadas, falas, idéias… Eu conhecia aqueles personagens”, lembra.

Mas Rosane acredita que não serão apenas os jovens cariocas que vão se identificar com Desenrola. “É uma história de classe média, onde ninguém aprende piano aos seis anos nem atravessou o Atlântico num monomotor”, diz. “A gente entrevistava os adolescentes e muitos não queriam falar, dizendo ‘Minha história não tem nada demais’. Mas o que se vê é que aquele comum é muito especial”.

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