Christian Bale, Natalie Portman, Melissa Leo e Colin Firth comemoram nos bastidores (fotos: A.M.P.A.S.)

Gostei da vitória de O Discurso do Rei. Na verdade, eu teria gostado de muitos dos resultados possíveis desse Oscar, tão bons eram os filmes concorrentes. Meu preferido era A Origem, com Toy Story 3 um tantinho atrás.

Veja bem: preferidos, e não favoritos, que eu sabia que as chances reais deles eram bem poucas.

Mas poderiam ser eles, como poderia ser Cisne Negro, Bravura Indômita ou O Discurso do Rei, como acabou sendo. Acho meus dois preferidos obras-primas, mas os demais são excelentes também.

No entanto, vi e li muita gente se irritando com a vitória de O Discurso do Rei. Quase sempre, torcedores de Cisne Negro. Parecem esquecer – ou não se dar conta – que muitas vezes um filme tem qualidades que não têm como objetivo causar um grande impacto no momento da sessão.

Sutileza e elegância são qualidades tão grandes quanto o impacto visual e o delírio psicológico.

A homenagem a Lena Horne

Por isso, apostei também em Tom Hooper, embora muita gente achasse que o currículo de David Fincher o faria levar o Oscar de direção. Boa direção é saber contar a história adequadamente. O estilo de direção de Cisne Negro não pode ser usado para contar a história de O Discurso do Rei, não é verdade?

Hooper foi ótimo e ainda conseguiu uma assinatura visual peculiar. Dizer que o filme vai ser esquecido ou – heresia – compará-lo a O Paciente Inglês e pura besteira.

Cisne Negro perderia muito se não fosse uma atriz do calibre de Natalie Portman – que bom que ganhou mesmo. E Colin Firth realmente estava acima de todos os outros com sua sensível e perfeita interpretação de George VI. Sobre os coadjuvante, eu tinhas minhas preferências. Nem tanto entre os atores, mas – reconhecendo a grandeza de Melissa Leo – eu teria ficado bem feliz se Helena Bonham Carter e, principalmente, Haileen Steinfeld tivessem vencido.

James Franco, um blasé que não agradou; Anne Hathaway, uma deslumbradinha que deu show

Seria, pelo menos, um Oscar para o deslumbrante Bravura Indômita, que saiu sem nada. Enquanto isso, o dispensável Alice no País das Maravilhas levou dois. Um deles, o de direção de arte – quando a maior parte dos cenários era virtual. Logo, desenho animado. Logo, deveriam ser considerados nessa categoria também os filmes de animação.

Da cerimônia em si, interessante como o show parece ter retrocedido em várias coisas. Primeiro, os apresentadores voltaram a dizer “The Oscar goes to…” – eles haviam voltado ao clássico “The winner is…” depois de anos com a outra frase (que havia sido colocada em cena para amenizar o aspecto competição). E as canções voltaram a ser apresentadas no palco – isso também havia sido abolido no ano passado.

Do casal de apresentadores, quase ninguém gostou de James Franco. Acho que a ideia era criar um contraste entre seu jeito blasé e a alegria deslumbrada de Anne Hathaway. O resultado é que Franco ficou apagado o tempo inteiro e Anne brilhou. Foi cantada pela lenda vida Kirk Douglas e sua reação contribuiu para o ótimo momento que foi aquilo. Teve um timing ótimo para a comédia e foi um arraso cantando.

Kirk Douglas entrega o Oscar a Melissa Leo, após seu show particular e antes de ela soltar um palavrão

A apresentação, no entanto, perdeu um pouco o caráter stand-up. E a entrada de Billy Crystal – aplaudido de pé, muito legal – mostrou isso. Em alguns minutos, arrancou quase tantas risadas quanto resto da festa.

Kirk Douglas tomando conta da festa, a linda homenagem a Lena Horne, o cenário virtual homenageando os grandes vencedores do prêmio, Robert Downey Jr. fazendo numa boa piadas com seus antecedentes criminais foram outros dos grandes momentos. Como em todo Oscar, eles se alternaram com outros rotineiros.

A vitória de "O Discurso do Rei"

FILME
O Discurso do Rei, de Tom Hooper

DIREÇÃO
Tom Hooper (O Discurso do Rei)

ATOR
Colin Firth (O Discurso do Rei)

ATRIZ
Natalie Portman (Cisne Negro)

ATOR COADJUVANTE
Christian Bale (O Vencedor)

ATRIZ COADJUVANTE
Melissa Leo (O Vencedor)

FILME DE ANIMAÇÃO
Toy Story 3, de Lee Unkrich

FILME DE LÍNGUA NÃO INGLESA
Em um Mundo Melhor, de Susanne Bier (Dinamarca)

DOCUMENTÁRIO
Trabalho Interno, de Charles Ferguson

ROTEIRO ORIGINAL
O Discurso do Rei, por David Seidler

ROTEIRO ADAPTADO
A Rede Social, por Aaron Sorkin

FOTOGRAFIA
A Origem, por Wally Pfister

MONTAGEM
A Rede Social, por Kirk Baxter, Angus Wall

DIREÇÃO DE ARTE
Alice no País das Maravilhas, por Stefan Dechant

FIGURINO
Alice no País das Maravilhas, por Colleen Atwood

MAQUIAGEM
O Lobisomem

TRILHA SONORA ORIGINAL
A Rede Social, por Trent Reznor, Atticus Ross

CANÇÃO ORIGINAL
“We belong together” (Toy Story 3), por Randy Newman

MIXAGEM DE SOM
A Origem

EDIÇÃO DE SOM
A Origem

EFEITOS VISUAIS
A Origem

CURTA-METRAGEM
God of Love, de Luke Matheny

CURTA-METRAGEM/ ANIMAÇÃO
The Lost Thing, de Andrew Ruhemann, Shaun Tan

CURTA-METRAGEM/ DOCUMENTÀRIO
Strangers No More, de Karen Goodman e Kirk Simon

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