Um monte de nada

Emily Browning à frente: barulho, no lugar da sensualidade

Anunciado como o primeiro filme autoral de Zack Snyder (que, antes, havia dirigido uma refilmagem, duas adaptações de HQ e uma de livro), Sucker Punch – Mundo Surreal (Sucker Punch, EUA, 2011) de autoral não tem nada. Apenas mistura desordenadamente uma série de referências que habitam o imaginário de um pré-adolescente nerd: meninas de roupa curta, animação japonesa, artes marciais, tiroteios, espadas, nazistas, dragões, zumbis, etc.

O filme posa de uma versão dark e moderna de O Mágico de Oz: abusada pelo padrasto, confinada em um sanatório e prestes a ser lobotomizada, Babydoll (Emily Browning) refugia-se em sua imaginação para tentar encontrar um meio de escapar do local. Dentro de sua mente, ela está presa em um bordel (nos moldes afetados de Moulin Rouge, 2001) e quando dança sensualmente para a platéia sua imaginação a leva a um terceiro mundo, onde ela e suas quatro colegas participam de cenas de ação aleatórias para conseguir os elementos que ajudarão na fuga.

Tudo uma grande baboseira. Sucker Punch parece ter sido escrito e dirigido por um menino de 11 anos que não larga seu videogame. Nem lidar com a sensualidade o filme consegue bem, com o recurso de “ilustrar” as danças sensuais (que nunca aparecem) com as cenas de ação: Babydoll se transporta para este outro mundo o que a faz ser “sensual demais”.

Atingido por pouco mais que muito barulho, o espectador não tem a menor sensação disso. Tudo no filme é raso e mera desculpa para cenas de ação isoladas do resto da trama e no estilo no qual Snyder, autor da história e também co-roteirista, “se consagrou”: visual falso e câmera lenta gratuita o tempo inteiro.

A câmera lenta, aliás, parece ser o único recurso dramático que o diretor conhece: ele a usa não só nas cenas de ação, mas em toda e qualquer cena (freqüentemente sem a menor importância). Em rotação normal, Sucker Punch – como 300 (2006) – deve ficar com uns 40 minutos de duração, no máximo.

A trilha sonora é um rol de obviedades – como em Watchmen – O Filme (2009). “Sweet dreams”, jura? Na ânsia de fazer cada canção sublinhar o que se vê na tela, o filme pasteuriza todo o efeito.

Uma expressão que vale para todos os seus aspectos. Só mesmo espectadores lobotomizados não deverão se incomodar: Sucker Punch, no fim, é só um monte de nada.

Sucker Punch – Mundo Surreal (Sucker Punch, Estados Unidos/ Canadá, 2011). Direção: Zack Snyder. Elenco: Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Jamie Chung, Carla Gugino, Jon Hamm, Scott Glenn.

*Versão estendida de crítica publicada no Correio da Paraíba.

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