Nada será como antes

Rony, Hermione e Harry: aventuras e hormônios

No final de Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, EUA/ Reino Unido, 2005), Hermione (Emma Watson) pergunta: “Nada mais será como antes, não é?”. “Não, não será”, Harry (Daniel Radcliffe) responde. Realmente, o quarto filme da série é o momento em que ela dá uma guinada para se tornar uma história definitiva única e intrincada. Mas isso é no final – até lá, o filme dirigido por Mike Newell é episódico, um passo atrás após o grande final do filme anterior, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.

Agora, Hogwart recebe as delegações de outras duas escolas – um internato masculino, da Bulgária, e outro feminino, da França – para a realização do Torneio Tribuxo. Nele, um aluno, cada um representando sua escola, é escolhido (pelo cálice de fogo do título) para participar de três provas – de perigo bastante considerável. Por isso, há um limite mínimo de idade para os incritos. Mesmo assim – e mesmo com Cedrico Griggory (Robert Pattinson, antes de Crepúsculo, 2008) escolhido para representar Hogwarts – o nome de Harry, em seus 14 anos, também aparece como um surpreendente quarto jogador.

Paralelamente, o encontro das três escolas leva também a um baile, o que faz os jovens darem tratos à bola para saber quem convidar. O clima entre Rony (Rupert Grint) e Hermione começa a esquentar depois das dicas dadas nos filmes anteriores e, pela primeira vez, Harry mostra um interesse amoroso.

E há, também, a sombra de uma possível volta de Voldemort mais forte. O filme abre com a Copa do Mundo de Quadribol, interrompida pelo ataque dos comensais da morte, seguidores de Voldemort. Este é o primeiro filme em que vemos o vilão da cabeça aos pés, interpretado com vigor por Ralph Fiennes – depois de uma aparição por efeitos especiais no primeiro filme, A Pedra Filosofal (2001), e numa espécie de fantasma de sua versão adolescente no segundo, A Câmara Secreta (2002).

Em O Cálice de Fogo, Harry se torna um pouco mais britânico. Depois do americano Chris Columbus nos dois primeiros, e do mexicano Alfonso Cuarón no terceiro, agora é o inglês Mike Newell (de Quatro Casamentos e um Funeral, 1994) que assume o leme. Sua direção não chega a brilhar mais do que a de Cuarón em O Prisioneiro de Azkaban (2004), mas se sai muito bem na parte final, narrando muito bem o desafio do labirinto, e é adequadíssima ao novo degrau de relacionamentos que se estabelece entre os personagens jovens. Na trilha sonora, também, sai o americano John Williams – que criou a identidade musical da série e comôs a trilha dos três primeiros – e entra o escocês Patrick Doyle, responsável pela grande música dos filmes dirigidos por Kenneth Branagh, entre outros.

Tudo – até o próprio Torneio Tribruxo e o surgimento na trama do novo professor de Defesa contra a Arte das Trevas, Olho-Tonto Moody (Brendan Glesson) – converge para o dramático final e o que ele aponta para os filmes seguintes da franquia. Por isso, Harry Potter e o Cálice de Fogo se torna, no final, muito mais interessante.

Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, EUA/ Reino Unido, 2005). Direção: Mike Newell. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Alan Rickman, Robert Pattinson, Ralph Fiennes, Brendan Gleeson, Robbie Coltrane, Clémence Poésy, Miranda Richardson, Maggie Smith, Jason Isaacs, Tom Felton, Timothy Spall, James Phelps, Oliver Phelps, Katie Leung, Gary Oldman, Matthew Lewis, Frances de la Tour, Mark Williams, Bonnie Wright, Geraldine Somerville, Warwick Davies. 

Leia mais:

Precedido por:
– Crítica de Harry Potter e a Pedra Filosofal
– Crítica de Harry Potter e a Câmara Secreta
– Crítica de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Seqüências:
– Crítica de Harry Potter e a Ordem da Fênix
– Crítica de Harry Potter e o Enigma do Príncipe
– Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1
– Crítica de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

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