* Os shows de Rafinha Bastos em Campina e em João Pessoa lotaram seis sessões. Minha entrevista com o humorista saiu no Correio de sexta, mas só pude colocá-la no ar hoje, desculpem. Mas coloco aqui um adendo: soube que ele visitou Shaolin duas vezes enquanto esteve em Campina Grande e, além da força dada ao colega paraibano, disse que quer vê-lo recuperado para ser convidado para a bancada do CQC.

A entrevista ainda vale. Fiquem aí com ela:

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"Descontextualizada, qualquer piada perde a graça e vira agressão", diz o humorista

“Estamos vivendo um momento muito especial onde as pessoas começam a entender o que eu faço. Estou à frente de um movimento muito especial”. Assim Rafinha Bastos define a ebulição em torno do humor no Brasil. Maior expoente dos novos comediantes brasileiros, pioneiro no país do stand up (que é tradição nos Estados Unidos, mas ainda relativamente novidade aqui), irreverente e implacável, ele recentemente se dividiu entre a alegria de ser matéria de capa de um caderno do New York Times como o grande nome deste segmento do humor (a bordo, também, de ter sido apontado como a pessoa mais influente do mundo no twitter) e explicações na polícia por conta de uma piada feita em um show. O novo show tem um nome que tira proveito da polêmica: Péssima Influência. O anterior, A Arte do Insulto, do solo que ficou em cartaz de 2007 a 2010, já é um sucesso em DVD.

A discussão a respeito dos limites do humor vai longe. Mas Rafinha tem uma posição firme a respeito. “Eu sou comediante. Comediante faz piada. É simples assim”, diz ele, em entrevista ao CORREIO, falando do processo em que foi acusado de apologia ao estupro (ele teve que prestar depoimento à polícia no começo de agosto). “Nunca subi num palanque. Tudo foi dito no palco, um ambiente que por si só já carrega uma desconstrução. Descontextualizada, qualquer piada perde a graça e vira agressão”.

Rafinha também fala sério nos programas em que participa na TV. Entre um mar de piadas na bancada do CQC, ele se mostrava combativo e sério no quadro “Proteste Já” e em matérias no Congresso Nacional. E esse é o tom que aparece mais em A Liga. Nesses momentos, também aparece seu lado jornalista – e já houve quem dissesse que a comédia stand up, por lidar principalmente com o cotidiano, tem um pouco de jornalismo. Mas ele não embarca muito nessa.

“Eu sequer gosto destes rótulos. O que é jornalismo? O que é humor? Quando você me vê no Congresso e vê o Bonner no CQC, fica claro que as fronteiras são muito tênues”, diz, referindo-se a erros de William Bonner no Jornal Nacional que foram parar no quadro “Top Five”. Também nunca considerou o “Proteste Já” ou A Liga como exemplos do contrário do que muitas pessoas o acusam. “Não pensei sobre isso. Filosofia atrapalha o trabalho. Tenho piadas a fazer”, afirma.

O sucesso no twitter não é estranho a Rafinha Bastos. Estrela na TV e nos palcos, foi na internet que seu sucesso começou, depois que morou nos Estados Unidos, onde chegou até a jogar na liga universitária de basquete (ele tem 2,10m).     A Página do Rafinha surgiu como um meio de fazer humor esportivamente, mas deu mais do que certo.

“Eu sempre investi na internet porque ali tive a liberdade de fazer o que quis”, conta o humorista. “Foi a primeira oportunidade que tive de fazer comédia sem nenhuma restrição. A web é a minha casa e tenho muita vontade de continuar produzindo para o veículo”. Produzir para a internet trouxe ensinamentos. “Ensinou que as pessoas se sentem mais próximas quando você estabelece uma ligação mais humana e real com elas. Isso é fundamental”, diz.

O primeiro show de Rafinha Bastos na Paraíba deveria ter acontecido em agosto de 2009, em João Pessoa, mas um problema envolvendo a produção nacional e a produção local levou ao cancelamento da apresentação na véspera da data marcada. “Tive alguns problemas e cancelei o show, mas agora estou voltando muito empolgado. Faz tempo que estou para ir a Paraíba. O povo sempre me cobra. Vai ser muito legal”, promete.

O show, no entanto, é outro. Na época, era A Arte do Insulto que ainda estava em cartaz. A Paraíba foi o único estado que não viu o show anterior, mas Rafinha não pensa em misturar os dois espetáculos para essa apresentação. “Eu não pensei sobre isso. Acho que vou fazer o show novo mesmo e levar o DVD do antigo pra quem quiser assistir em casa”, diz. “Estou ansioso pra finalmente pisar no palco da Paraíba”.

* Publicada no Correio da Paraíba de 2/ 9/ 2011.

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