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Um filme com medo

Ryan Reynolds não tem culpa nos problemas do filme

Lanterna Verde (Green Lantern, EUA, 2011) é um filme de super-herói, mas lembra muito Guerra nas Estrelas (1977). Ele introduz um universo espacial, regido por um monte de conceitos novos com que o espectador tem que se familiarizar enquanto se maravilha com o visual e se diverte com a aventura. Infelizmente, muito pouco disso tudo acontece n0 filme do herói da DC Comics.

Enquanto o primeiro filme da saga de George Lucas é muito hábil (e confiante nessa habilidade) em ambientar o espectador, Lanterna Verde é bem desajeitado e medroso. Lucas começava a trama pelo meio da ação, após um letreiro que explicava só o básico do básico. A plateia só ia saber exatamente o que era um jedi, por exemplo, lá pelo meio do filme.

Já o filme de Martin Campbell sabe que há muita informação para passar, mas tem medo de deixar o espectador “perdido” e, portanto, “incomodado”. Precisa, então, começar com um texto em off que começa com o princípio dos tempos, diz o que é um lanterna verde, que há uma tropa deles, um planeta azul chamado Oa e serezinhos azuis que são os guardiões do universo, que forjaram anéis que dão forma ao pensamento de que o usa e… ufa! Se o público já estiver desinteressado no fim da introdução, quem pode censurar?

A história começa de verdade com um alienígena que vem parar na Terra, moribundo, e um piloto de aviões ousado no limite da irresponsabilidade, Hal Jordan (Ryan Reynolds). Como a iminente morte de seu portador, o anel recruta um substituto e esse é Jordan, escolhido por qualidade que nem sabe que tem. Uma delas é a força de vontade, necessária para sobrepujar o medo. E se um lanterna verde tem que vencer o medo, é irônico que o filme seja assim tão covarde.

Há vários outros aspectos que mostram bem isso. O filme teve medo, por exemplo, não só de centrar sua história na Terra, mas de não ser “espacial” o bastante – e exagerou. E, apesar de Peter Sasgaard ter sido elogiado no filme, seu vilão é descartado antes do clímax em prol de uma entidade que envovia perigo ao planeta inteiro (logo, efeitos visuais grandiosos), mas é bem menos convincente ou interessante.

Campbell, que tem no currículo três bem-sucedidas reinvenções cinematográficas de heróis (Zorro, em A Máscara do Zorro, 1998, e duas vezes James Bond, em 007 contra GoldenEye, 1995, e 007 – Cassino Royale, 2006), se perdeu na mitologia complicada do herói nos quadrinhos. Não administrou bem as informações, nem equlibrou devidamente humor e drama. E o visual é interessante, mas vai pouco além disso.

Mas há acertos também. Jordan é um herói que tem o que aprender e crescer. E é um personagem sem medo, a não ser um: o de não conseguir corresponder às expectativas dos outros. Ryan Reynolds não é um grande ator, mas tampouco compromete – não tem a menor culpa nos problemas que o filme apresenta.

No saldo de gols, Lanterna Verde não é o desastre que andaram falando, mas fica a desejar. Ou fica a desejar, mas não é o desastre que andaram falando. Depende de como você o encara.

Lanterna Verde. Green Lantern. EUA, 2011. Direção: Martin Campbell. Elenco: Ryan Reynolds, Blake Lively, Mark Strong, Tim Hobbins, Angela Bassett. Vozes na dublagem original: Geoffrey Rush, Michael Clarke Duncan.

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