O filminho de Tom Hanks

Dois personagens precisando de um recomeço

Paul McCartney, falando sobre a música “Hello Goodbye”, certa vez disse que sabia que a adorável canção não era das mais elaboradas que já tinha composto. Mas, quando a criou, estava a fim de fazer só uma canção simples e bonitinha mesmo. Deve ter sido mais ou menos isso que moveu Tom Hanks a dirigir e estrelar Larry Crowne – O Amor Está de Volta (Larry Crowne, EUA, 2011): fazer um “filminho”, simples e agradável, sem maiores pretensões.

Larry Crowne  não vai jamais aparecer entre as grandes obras de Hanks (nem entre as de Julia Roberts), mas também não é o fracasso artístico que alguns pregaram. É só despretensioso, com alguns elementos que avançam nos comentários sociais (e descarte o péssimo subtítulo nacional, completamente inadequado).

Hanks, como o Larry Crowne do título, é um vendedor que perde o emprego porque, disseram a ele, não tem curso superior. Depois de tentar conseguir outro, sem sucesso, bate o olho em uma oferta de vagas em uma faculdade. E, para não passar por isso de novo, acaba se matriculando em aulas de economia e oratória. Conta com a simpatia da jovem colega Talia (a muito simpática inglesa Gugu Mbatha-Raw, descendente de sul-africanos) e convive com uma professora que não faz questão nenhuma de esconder sua amargura com a vida (Julia Roberts). Larry terá a ajuda de Talia para se reinventar, coisa que a professora também bem que precisa.

Larry é um homem que sofre com a situação econômica americana: desemprego, alta nos preços, problemas com hipoteca… Mas isso é só salpicado pelo filme. O importante mesmo é a mudança interna dos personagens de Hanks e Julia, a recuperação da alegria de viver, mesmo na adversidade. E, se repararmos bem, a situação dos dois, em termos práticos, não chega a mudar muito durante o filme: a nova atitude conquistada é que faz a vida parecer nova.

Embora, para fins de catálogo, o filme seja classificado como comédia romântica, há um tom melancólico como subtexto da trama toda. Há comédia, claro: Hanks mostra, em alguns momentos, que ainda tem talento para o gênero que deu fama a ele. E é escoltado por alguns coadjuvantes que tem seus momentos. E se coloca em situações de potencial ridículo, participando delas sem qualquer dificuldade ou constrangimento.

E também há romance, mas o relacionamento em si é um foco menos evidente do que o habitual no gênero. Ele está lá, mas não é o objetivo final, apenas mais um passo a ser dado. Por isso, pode decepcionar quem espera arroubos e grandes brigas. O tom é outro, um registro mais maduro e cotidiano. Não alça grandes vôos, mas você não precisa sempre alçar grandes vôos mesmo.

Larry Crowne – O Amor Está de Volta. (Larry Crowne, EUA, 2011). Direção: Tom Hanks. Elenco: Tom Hanks, Julia Roberts, Cedric the Entertainer.

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