É hora de embaralhar os sotaques. O Cineport, Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa, começa hoje sua terceira edição em João Pessoa (a quinta no total). Como no anterior vou tentar fazer um dia a dia do que vai rolar aqui.

SEGUNDA, 19

– No primeiro dia, o querido Vladimir Carvalho ganha mais uma homenagem do evento: ele passa a dar nome à sala que, até o Cineport anterior, era chamada de Sala Digital. Será às 19h30. Aproveitando o ensejo lembro a entrevista que o Comic Show fez com ele no Cineport passado:

– A abertura do Cineport será às 20 horas, na Tenda Andorinha. Vai ser exibido também o documentário Fragmentos de Mindelo (2011), produção de Cabo Verde sobre a capital cultural do país, Mindelo. O Carlos Alberto Mattos fala aqui sobre o filme e sobre a experiência do curso de cinema em Cabo Verde. O país é o homenageado do Cineport deste ano, através, inclusive, de seu cineasta mais importante, Leão Lopes.

– Enquanto isso, na Sala Vladimir Carvalho, já começa a primeira sessão dos curtas paraibanos que concorrem ao Prêmio Energisa. São sete, de ficção. No programa de hoje, alguns comentados, como Negócio de Menino com Menina, de Marcus Vilar. Tem outra sessão com mais curtas às 22 horas.

– A grande atração do dia é o português Um Amor de Perdição (2008), a boa versão atualizada do romance de Camilo Castelo Branco, uma espécide de Romeu & Julieta lusitano. Dirigido por Marcos Barroso, é o vencedor do Troféu Andorinha de melhor atriz coadjuvante, para Catarina Wallenstein, jovem atriz portuguesa de 25 anos. Ela é Mariana, a filha de um mecânico que se apaixona pelo Romeu da trama, sofrendo pelo amor da Julieta dele, e mesmo assim acaba servindo de ponte entre os dois. Será na Andorinha, às 22 horas.

TERÇA, 20

– A Sessão Andorinha Criança começa hoje, às 10 horas. O filme é O Mistério de Feiurinha (2009), o mais recente da Xuxa. Continua não sendo essas coisas, mas já é melhor que a média da rainha dos baixinhos. Mas está longe de ser uma coisa que precisa ser conferida.

– Para conferir as produções africanas é preciso recorrer às mostras paralelas. Uma delas é o DOC-TV CPLP. Hoje, há Nos Trilhos Culturais da Angola Contemporânea, na Tenda Andorinha, às 16h. O brasileiro Exterior completa o programa. No mesmo horário, na Vladimir Carvalho, documentários paraibanos em curta-metragem começam a ser exibidos, na disputa pelo Prêmio Energisa (outra sessão acontece às 18h).

– Não há premiados em exibição hoje, abrindo espaço para três sessões Panorama Cineport. A primeira é Éden (Andorinha, 18h), filme português que mostra a relação do povo da Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, com o velho e desativado cinema Eden Park.

– Às 20h, também na Andorinha, a sessão é de O País do Desejo (2011), de Paulo Caldas. O filme passou no Festival de Gramado e mostra a paixão de uma pianista que sofre dos rins (Maria Padilha) e um padre (Fábio Assunção), mexendo em alguns temas polêmicos. Bem, o Zanin não gostou tanto.

– Mais um Panorama Cineport às 22 horas: Casa Nove (2011), de Luís Carlos Lacerda, o Bigode. O documentário sobre o sobrado em Botafogo em volta do qual girava uma órbita cultural – além do Bigode, também moraram lá Jards Macalé, Sonia Braga e Lenine. Também giravam nessa órbita gente como Clarice Lispector, Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Torquato Neto, Gilberto Gil, Gal Costa, Odete Lara, Waly Salomão, Naná Vasconcelos e Helio Oiticica. São histórias deles que compõem esse filme de memórias.

– Pra terminar, começam hoje as exibições dos curtas do Panorama Cineport. São seis documentários na Sala Vladimir Carvalho, às 22 horas.

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