Um registro íntimo e pessoal

O documentário em primeiríssima pessoa – relatos tão pessoais que se permitem claramente fugir da objetividade – estão cada vez mais comuns. Curiosamente três retornam ao anos de chumbo. Diário de uma Busca, de Flávia Castro, foi muito comentado e o Fest Aruanda exibe outros dois: Uma Longa Viagem, de Lúcia Murat, e este Marighella (Brasil, 2012; exibido sábado), de Isa Ferraz.
Isa é sobrinha de Carlos Marighella, o lendário líder da luta armada brasileira contra a ditadura. Sua narração em primeira pessoa centra o foco na caminhada política da figura pública, mas dá espaço generoso também para as memórias afetivas do tio que de vez em quando desaparecia.
O lado humano do guerrilheiro é sempre ressaltado, com o filme mostra muito suas poesias e sendo pontuado por uma prova de física feita por ele em versos.
É uma abordagem de um lado só (só há comunistas dando depoimentos, alem da viúva e do filho de Marighella), mas isso é compensado pelo registro íntimo e pessoal, algo sempre muito distante das narrativas envolvendo documentários sobre a ditadura. Mas, como vemos pelo número de docs nesse estilo, cada vez mais recorrente.

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