O que foi 2011 pra você, que mora em João Pessoa e vai ao cinema? Aqui temos um vislumbre a partir dos números do DataFélix. Para começar, tivemos um aumento no número de filmes em cartaz: o número subiu de 140 para 158. Chegamos a um número próximos aos registrados entre 2006 e 2008 (respectivamente, 161, 165 e 162 – em 2009, o número caiu para 142).

A razão desse aumento é clara: as quatro salas a mais do Cinespaço, no MAG Shopping, que abriram em janeiro. A queda em 2007 havia acontecido justamente porque o cinema do MAG havia fechado.

A programação do Cinespaço ainda deixou a desejar na programação off-Hollywood, mas o cinema brasileiro esteve sempre presente – o que elevou a participação dos filmes nacionais de 14,28% para 18,3%.

Os números absolutos interromperam uma trajetória de queda que vinha desde 2007: 24 em 2007, 22 em 2008, 20 em 2009 e apenas 18 em 2010. Este ano, foram 29 produções tupiniquins nas telas da cidade.

Os filmes em lígua inglesa, claro, “passaram o cerol”: 115, ou 72,8%. Embora conte-se aí alguma produção inglesa ou australiana, a grande maioria é mesmo de filmes americanos – incluídos aí, os que acabaram sendo exibidos dublados por aqui. O domínio alarmante de sempre.

O Festival Varilux ajudou a performance de filmes em outras línguas a não ser o traço de sempre. Foram 14 filmes, ou 8,9% do total. Sem o festival, o número cairia para meros cinco filmes – menos ainda que os 9 do ano passado.

Ainda assim, persiste o problema crônico da programação local, que muitas vezes escolhe filmes sem qualquer qualidade e perspectiva de público medíocre (O Terror na Água não nasceu pra ser nenhum sucesso de bilheteria, convenhamos) ao invés de produções que são ousadas (e, por isso, um risco), mas comentadíssimas na imprensa e entre os cinéfilos gerando um interesse por elas que pode ser traduzir em algum público(como Melancolia), por que não? Fica a dica.

Aí vai a lista dos melhores filmes exibidos nos cinemas pessoenses em 2011 (publicada no dia 1º de janeiro de 2011, no Correio da Paraíba):

1 – “Meia-Noite em Paris”, de Woody Allen

Woody Allen em um filme com ecos de Manhattan e A Rosa Púrpura do Cairo – como resistir? O cineasta desfila classe, carinho por Paris e pela cena cultural da capital francesa dos anos 1920 e humor de primeira. Brilhante e, além disso, uma delícia. Grande cena: o personagem de Owen Wilson dando a dica para Luís Buñuel fazer, anos depois, O Anjo Exterminador – e o cineasta espanhol age como o mais simplório dos espectadores. Crítica no Boulevard.

2 – “O Palhaço”, de Sélton Mello

Sélton também atua como o palhaço em crise de identidade e cansado da vida nômade do circo que parte em busca de uma vida mais tradicional. Um filme brilhante, enriquecido com pequenos símbolos e com um Moacyr Franco arrasador em sua única cena. Grande cena: a do Moacyr Franco, arrasando enquadrado em um mesmo plano, como o delegado sobre quem “podemos imaginar como ele está chateado de não tá lá” em companhia de seu gato, o Lincoln. Crítica no Boulevard.

3 – “Cisne Negro”, de Darren Aronofsky

O féerico delírio de Aronofsky mostra uma bailarina que enlouquece sob a pressão de ser perfeita e o terror de alcançar seu lado negro. O filme impressiona, e a atuação de Natalie Portman – essa, sim, perfeita – é fundamental. Grande cena: quase em transe, Natalie Portman finalmente deixa o cisne negro tomar conta de seu ser. Crítica no Boulevard.

4 – “O Discurso do Rei”, de Tom Hooper

O vencedor do Oscar de melhor filme é inteligentíssimo ao contar a história  – quase uma fábula – do rei gago e sua importância na luta contra Hitler. E Colin Firth está soberbo. Grande cena: o clímax em que o Rei George VI precisa superar todas as suas limitações segundo a segundo para transmitir a força e liderança necessárias ao povo britânico. Crítica no Boulevard.

5 – “O Concerto”, de Radu Mihaileanu

A meia hora final – o concerto em si – é um momento sublime. Mas o filme, como um todo, consegue temperar muito bem humor e cenas comoventes no universo da música clássica. Grande cena: o concerto propriamente dito, com inúmeros sentimentos acontecendo – uma cena tão incrível que o filme até antecipa seu real desfecho para terminar com ela. Crítica no Boulevard.

6 – “Bravura Indômita”, de Joel e Ethan Coen

Os irmãos Coen souberam aproveitar um Jeff Bridges em grande forma e a talentosíssima novata Hailee Steinfeld para compor uma fascinante odisseia, entre o deslumbre pelo gênero e a descrença dos mitos. Grande cena: a jovem Mattie Ross não se intimida com o rio e o atravessa a cavalo, disposta a não perder de vista o pouco confiável xerife Rooster Coburn. Crítica no Boulevard.

7 – “X-Men – Primeira Classe”, de Matthew Vaughn

Depois do malfadado X-Men – Origens: Wolverine, o novo filme dos mutantes conseguiu acertar em cheio. Ótimos atores, trama esperta e a sedutora ambientação anos 1960, que se reflete até mesmo na trilha sonora e montagem. Grande cena: Magneto faz uma moeda atravessar a cabeça de um infeliz e Charles Xavier pode sentir – duas cenas que se passam em simetria perfeita. Crítica no Boulevard.

8 – “Namorados para Sempre”, de Derek Cianfrance

Com um título brasileiro desonesto (para dizer o mínimo), o filme mostra, em pararelo, o nascimento do romance e a crise no casamento entre Ryan Gosling e Michelle Williams. Duro e triste. Grande cena: a resistência doída de Michelle quando o marido tenta desajeitadamente levá-la a uma noite romântica em um motel.

9 – “A Árvore da Vida”, de Terrence Malick

Uma conversa com Deus, o nascimento do universo, a luta interna de cada um entre o desejo de ser bom e o desejo de violência. Lento, profundo, muito bonito e Palma de Ouro em Cannes. Grande cena: o garoto observa o pai embaixo do carro, consertando o veículo e está sentindo aquela terrível tentação de derrubar o apoio… Crítica no Boulevard.

10 – “Rock Brasília – Era de Ouro”, de Vladimir Carvalho

Alguém pode achar que há pouca música no documentário do cinesta paraibano Vladimir Carvalho, mas ele estava menos preocupado com o esétáculo e mais em entender e dar um sentido à trajetória dos jovens de Brasília e sue rock criado nos últimos anos da ditadura militar. E fez isso exemplarmente. Grande cena: a descrição por Dado Villa-Lobos do show do Legião em Brasília, que terminou em confusão e muitos feridos. Crítica no Boulevard.

Mais dez filmes:

11 – Planeta dos Macacos – A Origem – Crítica no Boulevard
12 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 – Crítica no Boulevard
13 – Tetro
14 – Enrolados
15 – O Vencedor
16 – Minhas Mães e Meu Pai – Crítica no Boulevard
17 – Um Gato em Paris
18 – Os Muppets
19 – Como Esquecer
20 – Rio – Crítica no Boulevard

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