Sempre considerando os 158 filmes que entraram comercialmente em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Só lembrando, adaptar o título de um filme para a cultura nacional não é um crime, às vezes é realmente necessário, e pode ser feito com inteligência. E não como estes aqui.

1. Namorados para Sempre – Não dá para pensar nesse título sem achar que é caso para Procon. Blue Valentine poderia ser “triste namoro” ou “tristes namorados” o que, ok, não é um título muito atrativo. Mas é bem diferente – para não dizer o oposto – de Namorados para Sempre, com o qual a Paris Filmes tentou enganar os espectadores.  Poderíamos até achar que o título nacional fosse uma muito rara aposta das distribuidoras na inteligência do público quando o assunto é batizar um filme. Mas o slogan no cartaz não deixa dúvidas: “Quando o amor estava se perdendo, a paixão voltou para atraí-los”. Quem viu, sabe que isso não tem absolutamente nada a ver com o que acontece no filme. Com essa a Paris Filmes, teve pelo segundo ano consecutivo, o pior título brasileiro do ano.

2. Entrando numa Fria Maior Ainda com a Família – Esse aqui é uma bola de neve. O primeiro da série, Meet the Parents (“conheça o pais”) foi traduzido como o inócuo Entrando numa Fria. Mas veio o segundo, Meet the Fockers (“conheça os Fockers”). O que fazer? A Paramount brasileira não se deu por vencida: tascou um Entrando numa Fria Maior Ainda e o caso estaria resolvido. Mas aí veio o terceiro: Little Fockers. E a distribuidora não se fez de rogada: Entrando numa Fria Maior Ainda com a Família. O que acontecerá no caso de um quarto filme? Entrando numa Fria Maior Ainda com a Família e os Cachorros? Entrando numa Fria Maior Ainda com a Família e os Vizinhos? Entrando numa Fria Maior Ainda com a Família e os Colegas da Escola?

3. Minhas Mães e Meu Pai – Como já dissemos em edições anteriores, as distribuidoras brasileiras muitas vezes pensam que os espectadores nacionais são idiotas e precisam ter tudo muito bem explicadinho nos seus míííííínimos detalhes logo no título. Só pode ser essa a razão de The Kids Are Alright (“as crianças estão bem”) ter virado o tatibitate Minhas Mães e Meu Pai. “Ah, é porque elas são lésbicas e tem filhos, né? E aí tem um pai, né? Aaaaaaahhhh, entendi…”. Obrigado, Swen Filmes!

4. O Noivo da Minha Melhor Amiga – Poderia ser uma série. O Casamento do Meu Melhor Amigo é um ótimo filme, que inclusive tem seu título original traduzido literalmente. O problema é que os tituladores brasileiros se afeiçoaram a essa muleta e passaram a imitá-lo sem descanso. Já tivemos O Ex-Namorado da Minha Mulher, O Melhor Amigo da Noiva e, agora, O Noivo da Minha Melhor Amiga, cortesia da PlayArte, distribuidora que nunca falta em nossa lista. O título original, “algo emprestado”, se refere àquela tradição das noivas americanas de usar algo emprestado na cerimônia.

5 – Potiche – Esposa Troféu – Os filmes franceses, em geral, escapam de traduções esdrúxulas. Não é o que aconteceu com este filme estrelado por Catherine Deneuve. Pra começar, “potiche” permaneceu no título e, com o subtítulo, fica até parecendo o nome da personagem, que não é o caso. Segundo o contexto do filme, a palavra está mais para “jarro”: ela não faz nada, só embeleza a casa. “Esposa troféu”, portanbto, não faz o menor sentido. Mas a verdade é que o título brasileiro da Imovision seguiu o americano, a esquisitice fez escala lá desta vez.

6. Larry Crowne – O Amor Está de Volta – O filme dirigido por Tom Hanks fala de um homem recomeçando na vida após uma série de infortúnios. O romance é um ingrediente importante, mas não o único e nem o principal. A Paris Filmes adicionou o subtítulo O Amor Está de Volta ao título original (que tem apenas o nome do protagonista) apelando justamente para esse fator e deixa o público esperando por cenas que não aparecem em tanta quantidade assim.

7. Esposa de Mentirinha – Qual a faixa etária de público a Sony estava esperando batizando Just Go with It como Esposa de Mentirinha? Espectadores de seis anos?

8. Missão Madrinha de Casamento – Para a Universal, “Madrinhas” ou “Damas de honra” não era o suficiente para que o público brasileiro entendesse que se trata de uma comédia. E tascou lá o “Missão”, dando ao filme ares mais idiotas do que ele tem.

9. Animais Unidos Jamais Serão Vencidos – Não tem jeito. Animações europeias são vítimas dos piores tituladores de todos os tempos. Este aqui, da PlayArte,  ainda é síndrome da gracinha com um ditado popular, que acomete nossos marqueteiros faz tempo (e nos deu o brilhante – ao contrário – O Tiro que Não Saiu pela Culatra, lembram?). O título americano até é Animals United, mas o original alemão é “conferência dos animais”.

10. Jogo de Poder – Espera, já não ouvimos esse título antes…? Ah, sim, tivemos um Jogos do Poder em 2007, aquele com Tom Hanks e Julia Roberts. Ah, mas não é “jogos” (e, sim, “jogo”), e não é “do” (e, sim, “de”), o que faz desse um título totalmente diferente. Isso não impediu a Paris Filmes de batizar com um título quase igual o que originalmente era “jogo limpo” (título com que o filme foi batizado em Portugal, inclusive). Com três títulos esdrúxulos na lista este ano, a Paris foi a distribuidora que mais apareceu.

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