Olha aí, a entrevista que fiz com o pianista Arthur Moreira Lima, capa do Correio de hoje. Ele se apresenta hoje, às 19h30, em João Pessoa.

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O pianista já apresentou quase 500 concertos no projeto

O caminhão-teatro de Arthur Moreira Lima já percorreu 200 mil quilômetros. “Está marcado no velocímetro”, contou ao CORREIO. “É o mesmo que cinco voltas ao mundo”. Desde 2003, já são mais de 430 concertos do projeto Um Piano na Estrada, no qual o pianista vem percorrendo o país inteiro – atualmente, com a quinta etapa do circuito Brasil Sertões 2. Hoje, o caminhão-piano está em João Pessoa, no Ponto de Cem Réis, com o concerto começando às 19h30.

Essa experiência de tocar em praças e cidades que há muitos anos não viam uma apresentação de música clássica – ou até nunca viram – tem deixado a melhor das impressões no pianista. “Não só com relação ao número de pessoas, mas é também a maneira como ouvem: é um público muito musical”, disse. “Muitas vezes a própria organização dos concertos tradicionais não presta atenção a isso”.

Para o projeto, o caminhão é fundamental. “Meu caminhão parece um teatrinho mesmo”, contou Arthur Moreira Lima. “Fica muito mais íntimo, parecendo um sarau. O palco tem cinco metros de profundidade”. Segundo ele, a ideia surgiu para servir ao projeto. “Primeiramente, um palco era muito dispendioso para as prefeituras. E o caminhão dá essa ideia de deslocamento”, disse. “A tradição dos saltimbancos, dos menestréis, da arte representada”.

O pianista já tocou em uma balsa, já chegou ao Oiapoque e ao Chuí, já tocou na tríplice fronteira (no Acre). “Já toquei em todos os estados do Brasil”, disse. Com o projeto, ele tocou em Campina Grande. Mas já se apresentou também no Teatro Santa Roza, nos anos 1980, onde teve problemas com o piano. “Metade das notas não tocava!”, lembrou. “Mas eu voltei depois, em 1993”. O pianista tem outras ligações com a Paraíba. “Minha família é de Areia”, contou. “Meu avô era paraibano, foi desembargador em Campina Grande”.

Arthur Moreira Lima começou a estudar piano aos seis anos de idade. Aos oito, deu seu primeiro recital, na Associação Brasileira de Imprensa: tocou Beethoven, Chopin e Paderevsky. Aos nove, ganhou o concurso para jovens solistas da Orquestra Sinfônica Brasileira. Aos onze, concorreu de novo e ganhou novamente.

O caminhão-teatro: 'Dá ideia de deslocamento. A tradição dos saltimbancos, dos menestréis'

Ele estudou com Lúcia Branco, a mesma professora de piano de outro ás do instrumento: Antônio Carlos Jobim. “Ele era mais velho do que eu”, contou. “Eu era garoto. Lembro que a professora dizia que ele tinha músicas lindas e seria melhor que se dedicasse a elas”. Os dois voltariam a se encontrar muitas vezes no futuro. “Eu estive muitas vezes com o Tom. Ele era muito simples, muito fácil de lidar”.

Já tocou no Lincoln Center, em Nova York, e em uma garagem de ônibus na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Tanto morou duas décadas na Europa (Paris, Moscou, Viena), quanto se embrenha país adentro com o projeto Um Piano pela Estrada – levando Mozart a bairros populares e pequenas cidades, ou Pixinguinha às principais salas de concerto do mundo.

“Existe um segredo”, afirmou. “Eu toco música clássica que, de tão conhecida e aclamada, virou popular. E toco música popular que é tão boa que virou clássica”.

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